Muitas ressalvas são costumeiramente feitas em relação aos incentivos fiscais em geral. Os maiores opositores reputam-nos como privilégios odiosos por inexistir critérios em relação aos fatos que irão ser estimulados e por haver a necessidade de realocação de receitas públicas para fazer face à renúncia de receita deles decorrentes.
Entretanto, consoante pontuado no item 3.1, tais críticas quedam fragilizadas quando se verifica que o instituto nada mais faz do que executar ações de incumbência do Estado, o que evita maiores despesas públicas no espectro de atuação do instituto. Além disso, o atendimento às regras e aos princípios constitucionais impostos pela Constituição Federal de 1988 impede que o instituto seja equiparado a benesses concedidas de forma aleatória e de maneira sorrateira e pouco transparente.
Insta pontuar que, no âmbito exclusivo dos incentivos fiscais ambientais, há críticas mais específicas. Dentre elas, as principais:
Defende-se que a criação do instituto é cara. De fato, são necessários estudos multidisciplinares, que demandam recursos humanos e financeiros, além de ser necessário que haja controle da correta aplicação do incentivo. Contudo, há de se ponderar que os seus resultados positivos podem evitar gastos muito maiores. Assim, por exemplo, o custo para formular um incentivo fiscal que estimule o correto descarte de resíduos, a exemplo do óleo de cozinha, pode inibir o entupimento das redes de água, um dos principais fatores para ocorrência de enchentes, e, por consequência, evitar vultosos dispêndios com reparação dos danos delas decorrentes.
Tanto é assim que as empresas de seguros, cientes da oportunidade de se estimular essa conduta como forma de prevenir custos maiores com indenizações aos prejuízos
provenientes de enchentes, vêm investindo em programas de reciclagem de tal produto326. Portanto, há de ser contabilizada a economia gerada ao se estimular comportamentos que tornam o meio ambiente mais equilibrado, antes de considerá-lo dispendioso.
Assevera-se, ainda, que a diminuição de preço dos bens e dos serviços, decorrente do incentivo fiscal ecológico, irá culminar no aumento do consumo e da poluição, produzindo efeito contrário ao esperado. Primeiramente, diminuir o preço de bem mais sustentável irá estimular a opção por este em detrimento do menos sustentável, o que pressupõe que a substituição implicará, a princípio, ganho ambiental. Daí a se concluir que a aquisição de bem sustentável irá fomentar um consumo maior é especulação. Ora, se a energia eólica é incentivada e a decisão das pessoas é por adquiri-la em vez da energia advinda de termelétrica, isso não significa que o seu preço ficará irrisório, nem que o consumo de energia será aumentado. O estímulo irá viabilizar o acesso a bens mais limpos, e a questão do uso racional destes ou de qualquer outro bem, ainda que não sustentável, deve estar sempre presente em campanhas informativas.
Outra crítica que é direcionada ao instituto refere-se ao fato de que nem sempre os incentivos são direcionados às atividades e aos bens que estão efetivamente atrelados a um ganho ambiental. Tal crítica deve servir como um alerta, afinal, a seleção do substrato incentivado tem de ser criteriosa, sob pena de invalidação do incentivo por violação do princípio da igualdade (art. 150, I da CF/1988). Conforme se verá no tópico 4.4.3., dedicado à igualdade na concessão de incentivos fiscais ambientais, a identificação da vantagem ambiental é a primeira demonstração a ser feita para que o tratamento tributário discriminatório venha a ser considerado isonômico. Nesse sentido, a crítica em questão não atinge o instituto do incentivo fiscal ambiental, mas o seu manejo equivocado.
Ademais, há ressalvas ao instituto, no sentido de que este acaba por estimular condutas sustentáveis que já seriam realizadas mesmo sem a existência do incentivo fiscal ambiental, ou seja, seriam verificados windfalls benefits (benefícios não esperados). A esse respeito, também será demonstrado, que a indução de comportamentos é aspecto indispensável à aprovação no teste da “adequação” no caso de incentivo fiscal ecológico, pelo que a inobservância desse requisito irá impossibilitar a sua criação válida no
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PORTO Seguro oferece mais pontos de coleta para reciclagem de óleo de cozinha, cartões, pilhas e baterias. Disponível em: <http://www.gebramseguros.com.br/blog/2012/09/03/porto-seguro-oferece-mais- pontos-de-coleta-para-reciclagem-de-oleo-de-cozinha-cartoes-pilhas-e-baterias> Acesso em: 5 de set. 2012.
ordenamento jurídico pátrio, por também estar em desconformidade com o princípio da igualdade (item 4.4.3.).
Aduz-se que alíquotas padrão com poucas reduções evitam a ineficiência e a distorção da economia. Tal assertiva perde a sua força quando se tem em conta que os incentivos fiscais ambientais estão a concretizar objetivo de relevo estipulado pela Lei Maior. Portanto, as reduções de alíquotas poderão ser admitidas, desde que ocorram em patamares que preservem, dentre outros, o princípio da livre concorrência, consoante também será abordado mais adiante (item 4.4.5.).
Os incentivos ambientais também são criticados, porquanto se defende que o atingimento da meta por ele estipulada desestimula a continuidade dos esforços para a redução dos impactos ambientais. Contudo, tal ataque pode ser rebatido, considerando que o período a ser concedido deve ser ajustado ao tempo necessário ao atingimento do aludido fim, além do que é possível e recomendável a estipulação de etapas prevendo novos objetivos a serem alcançados ao longo do tempo. Também esse aspecto será visto com mais vagar ao se analisar a igualdade na concessão de incentivos fiscais ambientais.
A difícil delimitação do incentivo, considerando que a lei, ao estabelecer de forma bem definida os seus critérios, não logra especificar todos os seus detalhes, também é costumeiramente assinalada. Entrementes, o uso de conceitos indeterminados por diplomas legais, acompanhado de um maior detalhamento do estímulo em ato normativo (instrução normativa, portaria), pode mitigar tal restrição ao instituto, sendo possível abarcar inúmeras particularidades verificadas na aplicação concreta do incentivo, consoante se verificará quando do exame da legalidade aplicada ao instituto em comento (item 4.4.2.).
Pinceladas as principais críticas destinadas ao instituto sob exame, cabe avançar na investigação dos fundamentos e dos temperamentos que o contexto da Carta Política de 1988 lhe impõe.