BÖLÜM 3: SOSYAL MEDYA VE YENİ NESİL ANNELİK
3.3. Yeni Nesil Annelik ve Blogger Annelik
Tomamos aqui o conjunto dos três recortes que usamos para nosso estudo sobre a violência no namoro, entendendo-os como três articuladas dimensões particulares com as quais podemos nos aproximar do problema da violência nas relações de parceria íntimo afetiva e sexual. Esse conjunto representa, em primeiro lugar, importantes achados empíricos e que apresentam novos aspectos para os quadros teóricos explicativos da violência, em especial os que aqui utilizamos.
Além disso, desse conjunto também podemos extrair algumas conclusões, que, menos que explicações sobre a ocorrência da violência nas relações de parceria íntima e para o segmento populacional de adultos jovens universitários, elas constituem novas hipóteses para estudos futuros.
Uma primeira conclusão diz respeito às elevadas magnitudes das prevalências encontradas, o que de modo geral reitera a literatura tanto para estudos brasileiros como para contextos socioculturais de outros países. Este dado em si aponta que no segmento de jovens universitários, que são uma população de faixa etária mais avançada que aqueles do ensino médio, reiteram-se as altas magnitudes encontradas entre estes últimos, como mostra estudo brasileiro (Minayo, 2010). Nesse sentido, nossa conclusão é de que parece não haver grandes mudanças na realidade da ocorrência da violência no namoro com o avançar das idades dos jovens.
Mas ao ser contrastado com as estimativas encontradas para a situação de parceria íntima conjugal, o que é representado por grupos populacionais de faixas etárias ainda mais velhas e considerando-se o próprio contexto de São Paulo, seja em estudos conduzidos com mulheres (Schraiber et al., 2007a; Schraiber et al., 2007b) ou com homens (Schraiber et al., 2012), as prevalências na situação de namoro são mais elevadas e diminuem na conjugalidade, embora em taxas ainda preocupantes como fenômeno social e relacional entre parceiros íntimos.
Ao mesmo tempo, para esse mesmo contraste entre as prevalências da situação de namoro e aquelas da conjugalidade, a mutualidade das agressões, também debatida enquanto equivalência de gênero,parece mudar em direção às maiores taxas das violências contra as mulheres do que contra os homens. Além disso, chama a atenção o fato de que, em termos da gravidade dos episódios e das repetições dos mesmos, as situações de violência mais graves e mais repetitivas (às vezes chamadas de crônicas) são as voltadas contra as mulheres, o que parece não se alterar com a conjugalidade (Jacobson e Gottman, 1998).
Assim, considerando-se os quadros teóricos aqui apresentados, em especial a teoria de gênero, explicando a origem dos conflitos nas relações de intimidade afetivo-sexual, e a teoria da aceitação da violência na resolução dos conflitos (aspecto também compartilhado como norma cultural da teoria de gênero), poderíamos propor a hipótese de que, sobretudo diante das mudanças recentes dos papeis e atribuições de homens e mulheres como decorrência da modernidade mais tardia, gerando conflitos entre o que é esperado enquanto relação de parceria e o que é efetivamente praticado em uma multiplicidade de novas situações por homens e mulheres em suas vidas cotidianas, há mais conflitos e que são resolvidos por atos violentos entre os jovens em suas relações de namoro do que entre as relações de parcerias do tipo conjugal. Podemos entender que estas últimas já se expressem como uma acomodação dos papéis e atribuições de gênero, até buscando novo equilíbrio nas relações. E este parece ser uma reprodução atualizada da tradição de gênero, com maior submissão das mulheres frente às expectativas dos homens. Estes parecem de algum modo retomar o poder de disciplinar e controlar o comportamento das mulheres, na vida íntima e na vida pública, já que os estudos mostram conflitos e violências contra as mulheres nessas duas esferas da vida social.
Assim, a situação de conjugalidade parece alterar quer a mutualidade das agressões, quer o sentido das violências e os agressores, para mulheres e para homens, em contraste com a situação de namoro. Esta afirmação configura uma relevante hipótese para novos estudos.
Uma segunda conclusão que podemos extrair do presente estudo, diz respeito ao fato de termos encontrado como resultado, e reiterando outros estudos já mencionados, a presença do relacionamento sexual nas relações de intimidade do namoro como fator associado às violências, além de, em termos das prevalências encontradas, ter sido a violência especificamente sexual uma ocorrência mais provável contra as mulheres do que contra os homens. Este último aspecto, quando novamente contrastamos o presente estudo com os das situações de conjugalidade, mostra não se alterar. Ou seja, a violência sexual parece ser em qualquer das situações, namoro ou conjugalidade, um diferencial de gênero e contra as mulheres, ainda que, em todas as situações configure uma magnitude sempre menor que as violências físicas ou as psicológicas.
Mas aqui chamamos a atenção para o fato de que o exercício da sexualidade, e desde seu início nas situações de namoro, está de algum modo ligado à violência. Este resultado tem um profundo significado em termos dos programas de educação sexual para os jovens tanto quanto em termos de possíveis programas de prevenção da violência nas relações de parcerias íntimas e da promoção da maior qualidade dessas relações. Há pouca ou nenhuma articulação entre esses dois programas ou essas duas temáticas: a educação sexual e a prevenção da violência. Contudo, essa integração parece ser urgente. Esta também se constitui em outra importante hipótese para novos estudos, quer das redes causais da violência, quer como programas de intervenção, sobretudo para jovens escolares, do ensino médio ou universitário.
Uma terceira conclusão a que chegamos neste estudo da violência no namoro diz respeito aos possíveis fatores associados às violências em termos de aspectos dos contextos demográficos, sociais, econômicos e culturais em que ocorrem. O presente estudo reiterou fatores como a experiência de situações de violência na infância, por testemunho ou sofrimento pessoal, a aceitação da violência como comportamento e o sentimento de ciúmes, assim como reiterou a maior exposição decorrente do maior tempo de namoro como associação importante, sugerindo possível
cronicidade como talvez um padrão futuro de ocorrência. Nesses aspectos, o presente estudo apenas confirma outros resultados, o que é importante, pois o segmento ora estudado é original no país.
Mas nos chama a atenção o fato de que entre a situação masculina e a feminina há diferenças, e embora a violência na infância seja importante associação para homens e mulheres, o que é conforme com os quadros teóricos aqui usados, o conjunto dos fatores associados não é, em nosso estudo, o mesmo, para homens e mulheres. A explicação aqui pode dever- se ao nosso tamanho de amostra masculina, menor que a feminina, mas também pode decorrer de padrão distinto de significados sociais, culturais e mesmo emocionais da violência enquanto comportamento nas relações de intimidade, para homens e para mulheres.
Temos aqui uma terceira hipótese para futuras investigações e que é, de algum modo, reforçada pelo comportamento da variável uso de drogas e álcool, distinto para homens se contrastado com o encontrado para mulheres, nas associações. Isto é relevante considerando-se que sócio culturalmente é bastante diverso o uso de drogas e álcool como comportamento masculino e feminino.
Uma última linha de conclusão, e que nos reitera esta última hipótese levantada, diz respeito especificamente à associação entre depressão e violência, no contraste entre homens e mulheres. Os estudos sobre mulheres, e em geral com a situação de conjugalidade, apontam sempre a forte associação entre sofrer violência e ter sintomas de depressão ou especialmente ideação e tentativa de suicídio (DeVries et al., 2011), muito embora em alguns estudos, como em nosso caso, o desenho transversal impede a clara linha da temporalidade nas relações causais. Não obstante, é valido o dado de que há forte associação entre esses eventos (sofrer violência e ter sintomas de depressão ou ideação/tentativa de suicídio), em qualquer relação sequencial. No presente estudo também encontramos essa associação para as mulheres.
Já para homens essa associação não foi encontrada em nosso estudo. Em um estudo paulista com homens em situação de conjugalidade
(Albuquerque, 2012), os dados mostram associação entre sofrer violência e ter sofrimento mental, a qual, no entanto, se modifica quando ajustada para homens que são também agressores. O autor do estudo, porém, chama a atenção para a pequena amostra de homens que seriam apenas agressores. Essa diferenciação entre vítimas e agressores não pode ser feita em nosso estudo dada a grande superposição dessas condições, mas, não há dúvida, a nosso ver, que temos aqui uma questão a ser melhor pesquisada: uma outra nova hipótese a ser estudada, agora, mostrando sentido diverso do sofrimento mental para homens e para mulheres implicado em situações de violência em parcerias íntimas afetivo-sexuais.
Esse sentido diverso também pode ser interpretado, em conformidade com a teoria de gênero aqui utilizada, enquanto sendo o comportamento violento parte da educação dos meninos e sua socialização nos referenciais de masculinidade hegemônicos culturalmente, bem como parte da aceitação da violência como norma social (Couto e Schraiber, 2005; Gomes, 2010). O significado distinto desse comportamento para homens relativamente às mulheres com o sofrimento mental, portanto, pode resultar em relação distinta com o desenvolvimento de sofrimento mental.
Outro aspecto a ser destacado é o de que todas essas novas hipóteses levantadas com base em nossos dados constituem situações muito relevante também para a elaboração de programas de intervenção, seja no plano dos serviços de saúde, seja no plano das escolas e universidades, onde se concentram o específico segmento populacional de jovens.
É interessante apontar que este aspecto da violência entre jovens é trazido para o contexto escolar e, muitas vezes, compartilhado com colegas e amigos, o que revela outra especificidade dessa violência no namoro, em contraste com a relação marital e de coabitação, quando o ato fica confinado no espaço de intimidade. Por outro lado, deixa clara a grande oportunidade que esta característica permite para os programas de prevenção.
Não obstante, mesmo facilitando a existência de programas de prevenção, há que se lembrar de que os jovens não têm o comportamento
de buscar ajuda para tais assuntos, e na maioria das vezes, não reconhecem os atos como violência. A importância de um conjunto de ações que propicie ao jovem, na busca da autonomia, condições para o desenvolvimento de uma postura de não legitimação da violência no relacionamento afetivo, ainda precisa ser conquistada.