BÖLÜM 2: CAMİ‛-İ KAŜAŜ’IN İNCELENMESİ
2.1. Şekil Özellikleri
2.1.1. Nazım Şekli, Mesnevî
Na segunda fase da pesquisa ocorreu o geoprocessamento dos dados para a análise espacial dos riscos e da vulnerabilidade da gestação na adolescência. O geoprocessamento tem sido definido como um conjunto de tecnologias voltadas à coleta e tratamento de informações espaciais executadas por sistemas específicos para cada aplicação. Nas últimas décadas, esses sistemas têm sido empregados para avaliação ambiental, planejamento urbano, meteorologia e, também, na saúde.
Na área da Saúde, os sistemas de informações geográficas (SIGs) permitem integrar em única base de dados informações provenientes de diversas fontes: scanner, mídias digitais, imagens de satélite, tabelas, dentre outras. A capacidade de integrar diversas operações auxilia o processo de entendimento da ocorrência de eventos, predição, tendência, simulação de situações, planejamento e definição de estratégias no campo da Vigilância em Saúde.
Barcellos et al. (2008) salientam que uma peculiaridade do geoprocessamento na Saúde é que os dados não são obtidos por meios remotos. Dados sobre as condições de saúde das pessoas devem ser adquiridos mediante inquéritos e censos demográficos ou pelos sistemas de vigilância, pois são dados de atributos da pessoa. Grande esforço tecnológico e metodológico tem se desenvolvido para captá-los e tratá-los como característica de territórios. Essa transformação resulta em uma abstração e simplificação de processos sociais e ambientais presentes na determinação de doenças.
Para Paim (2008), a distribuição dos eventos de saúde segundo a inserção espacial dos grupos humanos no território-processo tende a ser uma alternativa teórico-metodológica para a análise das necessidades e das desigualdades sociais de Saúde.
Para que os dados gerados pelos sistemas de informações em saúde fossem mapeados, os eventos de saúde foram relacionados a um conjunto de objetos geográficos ou unidades espaciais previamente construídas, como bairros, setores censitários, lotes ou trechos de logradouros.
gestação em São Carlos consistiu no reconhecimento da cartografia urbana existente. A base cartográfica da Secretaria de Saúde é produzida pela Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano (SHDU), continha os bairros, as áreas de abrangência das ARES e dos equipamentos de saúde e localizava os equipamentos sociais em todos as ARES, mas não continha os polígonos das áreas (ARES e bairros). Essa base foi elaborada no programa Autocad®, com referência de coordenadas planas e encontra-se na extensão “dwg”.
A segunda base cartográfica, fornecida pela própria Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano (SHDU), dispunha os setores censitários e bairros, mas, também, não apresentava os polígonos dos limites dos territórios. Como um complicador, alguns bairros no mapa não possuíam limites gráficos, como o Centro, o Bairro Santo Antônio e a Vila Nery, pois a listagem de ruas por bairros do Serviço de Água e Esgoto Municipal (SAAE) não indicava o limite dos mesmos (números inicial e final). Assim, a base cartográfica da pesquisa traçou os polígonos por bairros, ARES e áreas de abrangência das unidades de saúde. Tal etapa foi realizada no Observatório de Saúde da Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
Visando um melhor gerenciamento e organização dos dados, no Arcview 9.3® foi criado um arquivo de geodatabase contendo feature dataset e respectivos features class. Os planos de informação (features class), bem como o projeto no ArcMap, foram configurados para sistema projetado UTM, datum WGS84.
No SIG Arcview 9.3 foi inserida a base cartográfica contendo a malha urbana de São Carlos, escala 1:20.000, fornecida pela Prefeitura Municipal. A base original foi retificada e corrigida geometricamente tendo-se por referência pontos de controle levantados em imagem de satélite ASTER, resolução espacial de 15 m. Para o geo-refenciamento adotou-se projeção UTM e datum WGS84.
Configurado o SIG, elaborados o banco de dados e a base cartográfica, passou-se a georeferenciar os dados da tabela do SINASC e SIM.
Num primeiro momento, optou-se em georeferenciar os eventos a partir do bairro de residência da mãe. Contudo, após a conferência por amostragem da fidedignidade da classificação dos endereços por bairros, entendeu-se que esse caminho não seria possível, visto que havia equívocos: a codificação dos endereços por bairro dos eventos de nascimento e morte em São Carlos não está padronizada. Observou-se em vários endereços que a classificação de bairros que não constavam no mapa como, por exemplo, os bairros fictícios Lagoa Serena, Vila Pureza, Tijuco Preto e outros, que são assim denominados pela população,
mas que não são oficiais. Sendo assim, os eventos foram geo-referenciados por endereço (rua e quadra), o que permitiu uma variedade de agregações: bairro; região administrativa; áreas programáticas; entre outras possibilidades, facilmente construídas a partir dos recursos de análise espacial oferecidos pelo SIG.
Com esses procedimentos, foi possível geo-referenciar 7.063 (87,58%) pontos, dos 8.065 eventos de nascimentos e mortes infantis residentes na área urbana de São Carlos, entre os anos de 2006 a 2008.
Na tabela de dados dos pontos, criada no SIG, foi lançado um campo identificador (ID), o qual foi preenchido com o mesmo número constante no campo ID da tabela do banco de dados Dbase IV. Após lançados os 7.063 casos, na forma gráfica de pontos, realizou-se a operação de união das tabelas do SIG com a tabela externa no formato Dbase IV. Utilizando- se a base geo-referenciada vetorizaram-se os planos de informação referentes aos bairros, às áreas de cobertura das AREs, dos PSFs.
A espacialização dos casos de nascidos vivos e óbitos infantis por região (ARES e bairro) ocorreu com o uso da técnica de interseção entre os pontos de nascidos vivos e óbitos com os polígonos representantes dos ARES e dos bairros. Concluída a interseção dos planos de informação e levantada a relação caso/região, procedeu-se ao tratamento estatístico de classificação dos dados. O tratamento por ARES e Bairros resultou em tabelas de frequência e mapas referentes aos temas: nascidos vivos, gravidez na adolescência, baixo peso ao nascer, prematuridade, mortes infantis evitáveis, escolaridade, ocupação, estado civil, paridade, consultas no pré-natal, cobertura do PSF. Para a análise espacial, a unidade referência foi a do bairro, considerando que é a lógica para definição das áreas de abrangência das unidades básicas de saúde do município.
A análise espacial dos planos de informação oportunizou o cruzamento dos dados dos bairros com os piores indicadores relacionados às informações trabalhadas, gerando assim, um mapa de vulnerabilidade social da gestação na adolescência em São Carlos.
Na análise dos mapas temáticos dos riscos e contexto social das mães identificaram- se as seguintes vulnerabilidades sociais da gestante adolescente: classe social, acesso ao ensino médio e técnico, inserção precária no mercado de trabalho, relações de gênero, acesso ao pré-natal.