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Como explicamos na Introdução de nossa pesquisa, durante a leitura, notamos que haviam erros de indexação nas pesquisas apresentadas no banco de dados a partir dos filtros selecionados. Trabalhos repetidos e publicados fora de nosso recorte temporal surgiam. Deste modo, das 48 dissertações encontradas, subtraímos as que haviam sido inseridas inicialmente em função destes erros e ficamos com 23 delas.

Desde modo, considerando já essas 23 dissertações, definimos critérios adicionais de descarte de modo a definir o corpus de nossa pesquisa. Foram eles: I) Inexistência de análise pautada em processos empíricos de Mídia- educação; II) Práticas de mídia-educação que não se realizassem em escolas; III) Inexistência de foco em experiências de Mídia-educação para a cidadania.

Na tabela 03, apresentamos um resumo das dissertações resgatados no banco de dados da BDTD e da aplicação dos critérios de descarte acima mencionados.

Tabela 3: Pesquisas e critérios de descarte PESQUISA ANO CRITÉRIOS DE DESCARTE Inexistência de análise pautada em processos empíricos de Mídia-educação Práticas de mídia- educação que não se realizassem em escolas Inexistência de foco em experiências de Mídia-educação para a cidadania 1. Ramos 2005 2. Locatelli 2005 X X X 3. Silveira 2005 X X 4. Tomio 2005 X X X 5. Guizzo 2005 6. Hack 2005 7. Schmeling 2005 X 8. Schwertner 2005 X 9. Viezzer 2005 10. Capobianco 2010 X 11. Farias 2010 12. Kran 2010 13. Yamaga 2010 X X 14. Meireles 2010 X X X 15. Borba 2010 X 16. Filho 2010 X X X 17. Morgado 2010 X X 18. Sant’ Ana 2010 X X 19. Silva, L. 2010 X X 20. Nascimento 2015 X X X 21. Ribeiro, D 2015 22. Tebaldi 2015 X X 23. Oliveira 2015 X X X

Definidos os critérios, fizemos uma leitura complementar do texto de Introdução das dissertações resgatadas no banco de dados da BDTD do IBICT e descartamos 16 dissertações que não atendiam aos critérios acima indicados. Ficamos, portanto, diante de um conjunto de 07 pesquisas. Destas, foram consideradas apenas aquelas que apresentavam propostas de avaliação (explícita ou implícita) em suas reflexões. O corpus da pesquisa ficou constituído, então, por 05 (cinco) dissertações. Na tabela 04, apresentamos este resultado:

Tabela 4: Pesquisas com propostas de avaliação

Pesquisa Ano Apresenta proposta de avaliação (explícita ou implícita)

Sim Não 1 Ramos 2005 X 2 Guizzo 2005 X 3 Viezzer 2005 X 4 Hack 2005 X 5 Farias 2010 X 6 Kran 2010 X 7 Ribeiro, D 2015 X

Assim, ao observamos a Tabela 03, temos 09 dissertações publicadas no ano de 2005. No recorte temporal seguinte, 2010, observamos um crescimento deste número com 12 dissertações publicadas. Já no terceiro recorte temporal notamos um decréscimo, com 08 dissertações publicadas.

Acreditamos que o aumento no número de objetos registrado em 2010 tenha sido motivado por eventos nacionais que deram destaque ao assunto. No ano anterior, em 2009, a Intercom trouxe a mídia-educação como tema geral do evento e ensejou a publicação de 61 artigos no Grupo de Trabalho (GT) Comunicação e Educação. Apesar de não termos como fazer uma afirmação categórica que associe o aumento do número de objetos à escolha do tema da Intercom, acreditamos que o fato possa ter contribuído positivamente para a divulgação da mídia-educação, resultando desta forma, num maior volume de produções sobre o tema.

Já em 2015, terceiro recorte temporal de nossa análise, observamos um pequeno decréscimo em relação aos marcos temporais anteriores, o que reforça a ideia exposta no parágrafo anterior, em função da maior proximidade com o evento mencionado, mas que exigiria um estudo mais específico para ser devidamente esclarecido, o que foge aos objetivos específicos desta dissertação.

Além de nos possibilitar identificar os anos e as tendências de publicação sobre o tema, os critérios de descarte são reveladores do perfil dos objetos desenvolvidos pelos pesquisadores.

Tabela 5: Resumo dos critérios de descarte CRITÉRIOS DE DESCARTE Inexistência de análise pautada em processos empíricos de Mídia-educação Práticas de mídia-educação que não se realizassem em escolas Inexistência de foco em experiências de Mídia-educação para a cidadania TOTAL 10 15 09

O primeiro critério (Inexistência de análise pautada em processos empíricos de Mídia-educação) nos fez descartar 10 objetos. Porém, este resultado nos intrigou sobre foco destas pesquisas de mídia-educação, ou seja, sobre quais temas eles se debruçariam. Durante nossa leitura, categorizamos três grupos temáticos. Observamos que os pesquisadores se dedicam a questões conceituais sobre a mídia educação (03), a análise de produções jornalísticas à luz da mídia-educação (06)44 e ao uso de ferramentas

tecnológicas para a promoção da mídia-educação (01)45.

O segundo grupo, como podemos ver, despertou maior interesse nos pesquisadores. Isso nos mostra uma tendência dos estudos em mídia-educação estarem mais focados nas produções midiáticas e de como elas podem estar presentes no cotidiano da população e ocuparem um lugar de destaque como opção de lazer dos setores populares. Com base na leitura dos resumos e da Introdução das dissertações podemos notar que a mídia-educação é, para esses estudiosos, vista como um caminho para promover um diálogo entre o que é produzido pelas mídias e o público que ressignifica os sentidos compartilhados nessa comunicação. Por isso, dedicam-se em compreender esta relação.

Acreditamos que o interesse por essa questão esteja calcado também no fato das mídias serem a base para as ações de mídia-educação. Ou seja, é a partir dessas produções que muitas ações em escolas, por exemplos, são iniciadas. Rádios e jornais escolares, como podemos verificar em nossa ida ao campo (relatada na Introdução deste trabalho), são construídos pautados em modelos apresentados pelas mídias.

44 As pesquisas tratavam de analisar matérias veiculadas por veículos de comunicação com base

nos princípios da mídia-educação e não se realizavam na escola.

45 A pesquisa tratava de analisar como as TICs podem auxiliar educadores no processo de

ensino-aprendizagem, com base nos princípios norteadores da mídia-educação e não se realizava na escola.

O segundo critério (Práticas de mídia-educação que não se realizassem em escolas) nos fez descartar 15 objetos. Assim como ocorreu com o primeiro, consideramos relevante apontar em quais outros espaços essas ações se davam (excluindo-se os de ordem conceitual). Deste modo, verificamos que uma pesquisa foi realizada em uma universidade e outra em um curso de música.

Os demais 13 objetos tratavam do modo como as mídias abordavam temáticas específicas como o lugar social da mulher; questões étnicas (o negro e as mídias); identidades locais e/ou regionais. Em outras palavras, essas dissertações analisavam como matérias publicadas em telejornais, jornais impressos e revistas tratavam desses temas e refletiam sobre a repercussão que poderiam ter junto ao público, em especial os jovens. Os referenciais teóricos da mídia-educação eram utilizados, nestas pesquisas, como aporte para debater essas abordagens.

O terceiro critério (Inexistência de foco em experiências de Mídia- educação para a cidadania) nos levou a descartar 09 objetos. Assim como nos demais, nos perguntamos sobre o quê essas pesquisas afinal tematizavam. Constatamos que 04 são relativas a questões cuja análise remete a objetos empíricos cujo foco não é a escola, de tal modo que podemos especificar da seguinte forma: uma pesquisa tematizava sobre mídia-educação e mercado de trabalho; uma pesquisa tratava sobre o bullying fora da escola; uma pesquisa analisava como a revista Nova Escola abordava o bullyng; uma pesquisa abordava sobre como a revista Cult trabalhava o conceito de Filosofia. Constatamos ainda que uma quinta pesquisa estudava sobre mídia e processos de aprendizado. Esta, embora tenha a escola como espaço de investigação, o faz sob a ótica do aprendizado de conhecimentos disciplinares.

Ao observarmos o foco dessas pesquisas, verificamos que há uma predileção dos pesquisadores por analisarem o debate teórico sobre o conceito de mídia-educação – inclusive sobre a questão da terminologia – bem como as produções midiáticas das empresas de comunicação.

Tendo em vista que as experiências mídia-educativas realizadas em escolas públicas, muitas vezes, são interrompidas por diversas razões (corte de verbas, mudanças de gestão, troca de educadores etc), entendemos que a análise das mesmas tende a ficar comprometida. Na leitura das dissertações,

não faltaram relatos de pesquisadores que iniciaram sua incursão em campo e foram forçados a mudar sua trajetória devido a problemas desta natureza, o que pode contribuir para inibir o interesse em investigações no espaço escolar. Outras razões podem evidentemente colaborar para este distanciamento da escola, tais como o alto investimento de tempo para acompanhar tais processos, as dificuldades da burocracia para autorizar as pesquisas, entre outros, como relatado em algumas das pesquisas, como em Ramos (2005) e Viezzer (2005)

Benzer Belgeler