• Sonuç bulunamadı

3. MISIR’DA NASIR DÖNEMİ

3.4. Nasır'ın Karizmatik Liderliğini ve Meşruiyetini Kaybetmesi

Gomes e Lourenço (2007) é uma desvalorização cambial que equilibre o Saldo de Transações Correntes ao nível do PIB potencial.

A desvalorização cambial poderia causar choque inflacionário, mas ainda assim a tendência seria dispersão com o passar do tempo devido ao atual cenário de pouca indexação da economia.

O tamanho do desequilíbrio externo que a desvalorização cambial visasse mitigar é que seria o determinante da duração e da intensidade desse choque inflacionário, que não se transformaria em um processo inflacionário.

Para evitar que a desvalorização real da taxa de câmbio cause uma redução do salário real, esse ajuste do setor externo poderia ser realizado através de aumento das tarifas alfandegárias sobre os bens de luxo, mas não sobre os bens de consumo básicos, como defendido por Furtado (1974) e Unger (1999).

Qualquer política destinada a aumentar o produto enfrentará as mesmas restrições no setor externo, não sendo exclusividade do ELR.

Ademais, Minsky (2010) e Wray (2003) defendem que o ELR seja custeado via monetária e não pela emissão de títulos da dívida. Para Lerner (1951, p. 8), um aumento no montante de moeda não tem necessariamente relação direta com inflação; esse aumento não é importante, a menos que crie um aumento de gastos por parte de algum agente; um aumento nos gastos é necessário para aumentar o emprego na economia.

Lourenço e Gomes (2007) complementam que, como o SBSP seria rígido em termos nominais, funcionando como uma âncora de preços, isso impediria que, uma vez ocorrendo uma redução da taxa de juros e esta provocando uma depreciação pontual das taxas de câmbio nominal e real, bem como um aumento também pontual da demanda agregada, isso não causaria um processo inflacionário.

Dessa forma, de acordo com abordagem pós-keynesiana de Hyman Minsky e a do ED, a implantação do ELR no Brasil tem viabilidade econômica e depende da vontade

política dos governantes, pois “os únicos empecilhos são políticos” (WRAY, 2007, p. 130).

3.5 O ELR E A EMANCIPAÇÃO DO INDIVÍDUO

Neste quinto item serão expostos os detalhes práticos do ELR em relação aos trabalhadores, os benefícios para a sociedade e seu papel como instrumento de emancipação do indivíduo, meta essencial do ED.

O experimentalismo institucional defendido pelo ED como principal instrumento da “reforma evolucionária” é uma interpretação da causa democrática, que visa, entre outras coisas, ao encontro da área em comum entre as condições do progresso econômico com as exigências da emancipação do indivíduo, entendida como

a libertação dos indivíduos da prisão de arraigados papéis sociais, divisões e hierarquias, principalmente quando esse aparato social extrai forças de vantagens herdadas, moldando as oportunidades de vida dos indivíduos (UNGER, 1999, p. 13).

Dessa forma, deve-se, na busca de uma política transformadora, minimizar as barreiras que impedem o aprendizado coletivo, e para isso é necessário “[...] combinar o fortalecimento da capacidade e segurança individuais com oportunidades mais amplas para testar novas variantes de associação com outras pessoas [...]” (UNGER, 1999, p.14).

O martírio do desemprego involuntário é uma barreira poderosa à emancipação do indivíduo: “Não podemos ser livres quando estamos fracos” (UNGER, 1999, p.15).

O desemprego involuntário tem o efeito de diminuir a capacidade produtiva do trabalhador, ao passo que o marginaliza perante a sociedade. A proposta do ELR vem ao encontro dessas ambições emancipatórias do ED, pois, além de ser claramente produtivista em relação à transferência fiscal de renda, tem o condão de colaborar para a inserção social do indivíduo, requisito para sua emancipação. E não precisa de nenhuma ruptura do quadro institucional e da democracia, a qual do seu aprofundamento extrai força, motivação e engajamento.

Aos trabalhadores do ELR devem ser oferecidos cursos de qualificação profissional, que certamente vão contribuir para que se transformem em agentes econômicos eficazes e mantenham seus níveis de produtividade ou mesmo o aumentem.

A manutenção ou aumento da produtividade dos trabalhadores do ELR tem como corolário positivo evitar que eventuais perdas de produtividade decorrentes da inatividade contribuam para aumentar custos de recontratação desses trabalhadores pelo setor privado e, portanto, a diminuição da capacidade produtiva da economia.

As atividades desenvolvidas pelos trabalhadores do programa ELR deveriam ser aquelas que não são executadas pelo setor privado, a fim de evitar a geração de um processo de concorrência (WRAY, 2003). Muitos desses serviços, principalmente aqueles relacionados à restauração ou construção de infraestrutura, poderiam reduzir os custos logísticos, incentivando a iniciativa privada.

Dadas as dimensões continentais do Brasil, o programa implicaria uma implantação gradativa que, como arguiremos no próximo capítulo, deverá ter um viés regional como forma de minimizar as disparidades socioeconômicas entre as regiões mais e menos desenvolvidas do Brasil.

Quando o programa estiver nacionalmente implantado, deverá cobrir uma grande pluralidade de ocupações, de acordo com as necessidades sui generis das diferentes regiões e setores da economia, oportunizando emprego e renda para todos que estiverem aptos e dispostos a trabalhar. Esse programa pode ser mais bem executado se estiver conectado a planos de desenvolvimento regional (LOURENÇO; GOMES, 2007; WRAY, 2012). É esse aspecto que a possibilidade da implantação do ELR na região Nordeste do Brasil, dentro do plano desenvolvimento regional elaborado por Unger (2009) sob os princípios do ED, ganha força, pois nessa região os efeitos potencialmente benéficos desses programas seriam aumentados, dado o alto grau de desemprego e desqualificação da mão de obra quando comparados aos das regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Os empregados poderiam atuar na restauração e construção de infraestrutura pública; na expansão ou criação de serviços públicos como reciclagem e reflorestamento; como acompanhantes de idosos, doentes e deficientes; assistentes de classe de escola pública; inspetores de segurança; servidores de limpeza; supervisores de obras de restauração de casas de pessoas de baixa renda, etc. (WRAY, 2012; MINSKY, 2010). Ademais, como se verá adiante, o ELR pode funcionar como instrumento complementar no combate ao êxodo rural nas regiões periféricas e também em programas sociais de inclusão e recuperação de indivíduos para o trabalho nos grandes centros urbanos.

Reduziria significativamente a precariedade tanto da remuneração quanto das condições de trabalho da economia, pois os empregadores seriam pressionados, através da concorrência com o ELR, a manter os salários com uma margem sobre o SBSP e estariam pressionados a oferecer condições dignas de trabalho.

Assim, o programa de fato fixaria um salário mínimo e condições mínimas de trabalho de maneira muito mais eficiente que o aparato normatizador e fiscalizatório estatal. A própria legislação do salário mínimo se tornaria obsoleta (MINSKY, 2010).

O ELR contribuiria para estabilizar a inflação e eliminar o desemprego involuntário, de forma concomitante. O SBSP seria fixado em termos nominais, então haveria uma maior estabilidade de preços, pois ajudaria a tornar quase rígidos os salários dos trabalhadores convencionais. Isso aconteceria devido aos trabalhadores do ELR serem substitutos em potencial para os trabalhadores não-ELR (LOURENÇO; GOMES, 2007).

Havendo aumento da demanda agregada, a produtividade média dos trabalhadores do ELR cairia, pois os trabalhadores mais produtivos tenderiam a ser contratados pelos setores privado. Assim, quanto maior a demanda agregada, menor a produtividade média dos trabalhadores do ELR e vice-versa68. (WRAY, 2012).

Portanto, o ELR funcionaria como um sistema de estabilização de preços e do nível de emprego, em contraposição ao exército de reserva de desempregados que existe atualmente e que se propõe a cumprir a mesma função, porém com muito mais ganhos para a sociedade e para os indivíduos beneficiados pelo programa.

Por fim, o ELR, além de dar ao cidadão a dignidade de possuir uma ocupação, satisfazendo um direito reconhecido pela ONU, forneceria ao mercado trabalhadores com contínua ou estável qualificação, satisfazendo uma das metas do ED69 em relação à emancipação do indivíduo: tornar o cidadão um agente econômico eficaz, evitando o que Wray (2012) qualifica como “desemprego de longo prazo”, que acaba por transformar o trabalhador em “desempregado estrutural”, completamente à margem da economia formal.

Ademais, o programa poderia ajudar a combater outros efeitos deletérios do desemprego, como isolamento social, aumento do numero de suicídios, do racismo, dos divórcios, da violência e do alcoolismo (WRAY, 2012).

Ao conciliar esse benefício com o progresso prático70 ao qual o ELR contribui, se satisfaz a primeira esperança de um democrata, que é “encontrar a área de coincidência entre as condições do progresso prático e as exigências da emancipação do indivíduo” (UNGER, 1999, p. 13), o que demonstra, também nesse aspecto, a compatibilidade teórica do ELR com o ED.

Benzer Belgeler