A embriologia começa a ter seus primeiros registros a partir do século V a.C.. A escola do filósofo Hipócrates, por volta de 460-377 a.C., desenvolveu um imenso corpo de conhecimentos e teorias ana- tômico-fisiológicas, constituindo a base para o ressurgimento da ana- tomia e da fisiologia durante a Renascença. Hipócrates aconselhava os gregos a colocar 20 ou mais ovos de galinhas para serem incuba- dos e a cada dia, a partir do segundo, quebrar e analisar um ovo até o da eclosão (GARCIA, 1991).
Aristóteles (384-322 a.C.) foi o primeiro a explicar histórias de vida de grande número de espécies animais. Ele procurava pelas causas, o “porquê” e não se satisfazia com um simples “o que é”. Seu interesse pelos estudos da natureza se justifica pela busca de explicações racio- nais para a existência das “coisas”. Era, portanto, uma motivação filo- sófica, saber o como e por que as coisas são e como são. Em suas pes- quisas com pintos e outras aves concluiu que o embrião é o resultado da mistura do sêmen e do sangue menstrual. Atualmente, Aristóteles é considerado o fundador da embriologia (GARCIA, 1991).
Estátua de Hipócrates de Cós na Faculdade de Medicina da Bahia, em Salvador, Bahia. Hipócrates de Cós (aproximadamente 468 a.C. - 377 a.C.) nasceu na Antiga Grécia, considerado por muitos como uma das figuras mais importantes da história da saúde – é freqüentemente considerado o “Pai da Medicina” ou o “Pai das Profissões da Saúde”. Hipócrates era um asclepíade, isto é, membro de uma família que durante várias gerações praticara os cuidados em saúde. Seus escritos sobre anatomia contêm descrições claras tanto sobre instrumentos de dissecação quanto sobre procedimentos práticos. Fonte: Faculdade de Medicina da Bahia, www.medicina.ufba.br
Pintura Platão (esq.) e Aristóteles (dir.). Aristóteles (em grego ) nasceu em Estagira, na Calcídica, território Macedônico. O grego, no entanto, era o idioma falado. Era filho de Nicômaco, amigo e médico pessoal do rei macedônio Amintas II, pai de Filipe e avô de Alexandre, o Grande. É provável que o interesse de Aristóteles por Biologia e Fisiologia decorra da atividade médica exercida por seu pai. Fonte: Disponível na Universität Würzburg, na cidade de Würzburg, da região de Francónia, do Estado da Baviera, na Alemanha.
Na Idade Média (1000-1400 d.C) a ciência passou por um longo pe- ríodo de desenvolvimento, mas o crescimento das pesquisas embrio- lógicas nessa época foi muito lento, talvez pelo não conhecimento do microscópio.
Algumas citações no livro sagrado dos mulçumanos – Corão - de- monstram que muitos pesquisadores na Idade Média se preocupavam com o desenvolvimento do organismo. Nesse livro, há relatos de que os seres humanos são resultado de uma mistura de secreções do homem e da mulher. Destacam, também, a importância do esperma para a forma- ção de um novo ser, o qual seria fixado na mulher como uma semente
(GARCIA, 1991).
A idéia considera- da por muitas pessoas que o embrião só se torna humano a partir do 40º ao 42º dia após a fecundação, pode ter sido trazido do Corão, pois até este tempo, o embrião humano é muito parecido com embriões de outros animais (GARCIA, 1991).
Foto do Corão, o livro sagrado do Islam. Fonte: Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz do Iguaçu, www.islam.com.br/default.htm
Faça uma pesquisa sobre a reprodução humana e o processo de fecundação com a finalidade de responder ao seguinte questionamento:
Como e em que parte do aparelho reprodutor feminino ocorre a fecundação do óvulo pelo esper- matozóide?
PESQUISA
No Renascimento, período compreendido entre os séculos XIV e XVI, na Europa, começando pela Itália, houve uma mudança na con- cepção dos padrões culturais. Valorizou-se o homem e suas potencia- lidades (teoria antropocêntrica) em detrimento à supervalorização do divino, do sagrado (teocentrismo), como ocorria na Idade Média.
Neste período renascentista, algumas cidades italianas, como por exemplo, Gênova, Veneza e Florença, começaram a acumular muitas riquezas vindas do comércio. Os ricos comerciantes passaram a in- vestir nas artes, isso conduziu a um aumento no desenvolvimento ar- tístico e cultural. Por esse motivo a Itália é conhecida como o berço do Renascimento.
Entre vários artistas italianos, destacamos Leonardo Da Vinci. Os interesses e conhecimentos de Da Vinci abrangiam engenharia, as- tronomia, matemática, história natural, música, escultura, arquitetu- ra, pintura e anatomia. Da Vinci desenvolveu seu lado artístico muito cedo. Nos seus desenhos havia precisão científica e um grande po- der imaginativo.
Como anatomista, Da Vinci deu atenção aos sistemas internos do corpo humano, e como artista preocupou-se com os detalhes externos da forma humana. Quando mulheres grávidas morriam, Da Vinci ob- servava os bebês que ainda se encontravam no útero dessas mulheres, e a partir dessas observações fazia ilustrações tão precisas e autênticas que estaria apto a ensinar embriologia aos estudantes de hoje. Dese- nhou com muita precisão uma série de úteros grávidos dissecados, e membranas fetais, como demonstra a FIGURA 1:
Auto-retrato de Leonardo da Vin- ci. (1452-1519) Fonte: Famous Painters’ Paintings, galeria de pin- turas e de desenhos, http://www. elrelojdesol.com/famous-painters- paintings-list.htm
FIGURA 1 - Estudo sobre fe- tos, de Leonardo da Vinci. Ori- ginal: The Foetus in the Womb (1510-1512). Técnica: Pen and ink with wash over black chalk and red chalk on paper. Fon- te: Pertence ao Palácio de Win- dsor Castle, Windsor, Inglaterra. Famous Painters’ Paintings, ga- leria de pinturas e de desenhos, http://www.elrelojdesol.com/ famous-painters-paintings-list.htm
Faça uma pesquisa em revistas, livros, jornais e/ou internet recortando fotos ou ilustrações de bebês com aproximadamente 4 meses de gestação no útero da mãe. Observe atentamente cada figura. Em seguida, compare as figuras pesquisadas com a FIGURA 2 da página 80, relatando as diferenças e semelhanças existentes entre elas.
Com o surgimento do microscó- pio, um novo mundo se abre para a Ciência. Com o auxílio das len- tes microscópicas, Graaf, em 1672, observou pequenas câmaras (ho- je conhecidas como blastocistos) no útero de coelhas e concluiu que deveriam ser provenientes de ou- tro órgão – o ovário. Foi ele quem descreveu os folículos ovarianos, conhecidos hoje como folículos de Graaf, em sua homenagem.
Usando um microscópio aperfeiçoado, Hamm e Leeuwenhoek, em 1677 observaram pela primeira vez espermatozóides humanos, mas eles não compreenderam a função do espermatozóide na fertilização. Eles acreditavam que dentro do espermatozóide havia um ser humano pré- formado em miniatura (homúnculo). Esse conhecimento gerou tantas preocupações aos cientistas que se estabeleceram duas correntes de pensamento: as dos ovistas, ou seja, no organismo feminino havia indi- víduos pré-formados; e os animanculistas, o homúnculo estava dentro do espermatozóide (MOORE, 2000).
Influenciados pelas idéias pré-formistas, matemáticos da época fizeram cálculos do tamanho dos ovários de Eva, considerada, pela Bíblia, a primeira mulher do mundo, para saberem quantas crianças pré-formadas estavam contidas neles, quando nasceria a última criança, e quando seria o fim do mundo (GARCIA, 1991).
A embriologia avançou muito com o conhecimento da teoria celular, em 1838 - 1839, por Schleiden e Schwann. A conclusão de que o organis- mo é composto de células e produtos celulares conduziu à compreensão de que o embrião é originado de uma única célula, denominada zigoto.
FIGURA 2 - Representação do desenho de Leonardo da Vinci, feito no século XV, mostrando um feto den- tro do útero cortado e aberto. Fonte: Ilustração de Poliana Garbelini.
Homúnculo de Nicolas Hartso- eker, 1694. O desenho dele re- presenta um espermatozóide com uma miniatura do ser humano no seu interior. Acreditava-se que os seres humanos eram miniaturas e cresciam depois da penetra- ção do espermatozóide no óvulo. Fonte: GNU Free Doc. Licence, www.wikipedia.org
Você sabia que o zigoto (também chamado ovo) é o ponto de par- tida para a formação de um novo organismo por reprodução sexuada? E que após a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, muitas trans- formações começam a ocorrer no ovo?
Essas transformações são o produto de sucessivas divisões mitóticas que resultam em numerosas células as quais se diferenciam para a for- mação dos tecidos e órgãos do ser em desenvolvimento – embrião.
Olhe para você e pense: Como de uma única célula forma-se um ser tão complexo? Vamos estu- dar para saber como seu corpo foi formado com o auxílio de livros e websites.
O período embrionário humano vai até o final da oitava semana de gestação. É nesse período que as principais estruturas iniciam seu desenvolvimento. Somente a circulação e o coração é que funcionam nesse momento. Após esse período (8 semanas), o ser humano é de- nominado feto (MOORE, 2000).
Durante o período fetal, ocorre um processo de diferenciação celu- lar para especialização de tecidos e órgãos, possibilitando reconhecer olhos, nariz, braços e pernas.