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“Tornar-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores desses mecanismos de manipulação da memória coletiva”.91

Jacques Le Goff.

As palavras de Le Goff em seu verbete “Memória” podem servir de ponto de partida para analisar como a memória desse período de efetivação da ocupação e dominação da Lunda, marcado por intensa violência e desestruturação das sociedades subjugadas foi elaborada pela Companhia de Diamantes de Angola, a fim de reforçar a submissão de uma massa de trabalhadores indígenas. Por outro lado, esse período de intensas transformações também foi, numa perspectiva diferente, registrado mnemonicamente pelos povos da Lunda. Ambas as perspectivas, no entanto, devem ser entendidas como respostas a solicitações daquele presente, pois, de acordo com Ulpiano Bezerra de Meneses, “é do presente que a rememoração recebe incentivo, tanto quanto as condições para se efetivar”.92

91 LE GOFF, Jacques. Verbete “Memória”. In: ENCICLOPÉDIAEinaudi. Vol.1. Memória- História. Lisboa: Imprensa Nacional – Casa da Moeda, 1984. P.13.

92 MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. “A História, cativa da memória?”. Rev. Inst. Est. Bras., SP, 34, 9- 24, 1992. P.11.

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A situação colonial, de acordo com as palavras de Mudimbe, além de vincular de um modo estreito memórias coletivas diferentes e, por vezes, antagônicas oriundas de uma variedade de culturas africanas com reações diferentes, oferece e impõe a conveniência da sua própria memória.93 E qual seria o grande objetivo de uma Companhia de Diamantes instalada em território Lunda em demarcar uma dessas memórias que não fosse o de reforçar uma dominação, principalmente tendo em vista um número desproporcional de habitantes e trabalhadores divididos entre uma minoria branca e uma imensa maioria de indígenas contratados para uma forma de trabalho compulsório?

Vale uma vez mais retomar a pesquisa de Ana Paula Tavares quando nos lembra que “os usos políticos do passado oferecem possibilidades de regresso e modelação da memória, muitas vezes rasurando as estruturas históricas e espaciais em função da reconstrução de uma lógica de legitimidade para o presente”.94 No caso dos portugueses, essa reconstrução toma como base não apenas o período de ocupação propriamente dito, mas recupera também as figuras de exploradores portugueses para reforçar o caráter de seu pioneirismo em África.

No caso da Diamang, a memória de todo o processo que culminou na dominação de Angola, e mais especificamente da Lunda, também tomou como base o pioneirismo dos exploradores e viajantes, sobretudo, da figura de Henrique de Carvalho, que teve um papel central na Lunda em fins do XIX, negociando acordos diplomáticos para impor a soberania portuguesa e firmar uma tradição imperial para Portugal.95

O Museu do Dundo, que em suas publicações e também na parede de uma de suas salas deixam claro que foi criado para “os povos da Lunda e à sua história”, investiu muito de seus esforços para adquirir os objetos etnográficos que dissessem a respeito da vida dos povos dessa região de Angola, mas também não deixou de investir numa seção chamada “História da Lunda e da Diamang”. A sala contava com cartas geográficas e fotografias relativas à instalação e concretização das operações da Companhia, bem como fotografias tiradas durante a expedição de Henrique Dias de Carvalho com suas anotações. Em 1949, já existiam esforços para encontrar material militar que tivesse

93 MUDIMBE, V. Y. A ideia de África. Luanda: Edições Mulemba; Lisboa: Edições Pedago, 2013. P.170. 94 TAVARES, Ana Paula. História e Memória: estudo sobre as sociedades Lunda e Cokwe de Angola.Op.

cit. P.226.

95 MELO, Cássio Santos. A Lunda de Castro Soromenho: alegorias de um império ido (1930-1968) [online]. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, 2014. Tese de Doutorado em História Social. [acesso 2016-01-10]. Disponível em:

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sido utilizado nas operações de ocupação. A ideia era reunir desde armas utilizadas nos combates até fotografias de missões e fortes militares. De acordo com o antropólogo Nuno Porto, o elemento discursivo estruturante dessa sala ou seção:

Consiste na sobreposição da história da Companhia com a história nacional, fazendo dos primeiros contatos entre portugueses e a Lunda o ponto zero do início da história na área. Nesse processo, a duração da Companhia é feita remontar à expedição de Henrique de Carvalho, como se fosse a sua sequência natural, e a história local é deslocada para a narrativa centrada na metrópole mediante inclusão do explorador na genealogia de “exploradores nacionais e estrangeiros que, percorrendo África, cruzaram a Lunda”.96

O espaço do Museu era também utilizado para celebrar datas comemorativas, envolvendo a figura de exploradores, ou melhor, pioneiros que, de certa forma, “abriram o caminho” para o projeto colonial português em Angola, como é o caso da comemoração ocorrida em 20 de abril de 1946, ano em que se completou um século do nascimento de Alexandre de Serpa Pinto. Nesse dia, “por intermédio da Estação de Som foi difundida uma nota memoriando a data, e o Museu do Dundo conservou-se iluminado durante a noite”.97

A memória desses pioneiros e outros “heróis” portugueses que contribuíram, mesmo que indiretamente, para o grandioso empreendimento da Diamang e seu papel colonizador, no entanto, não ficava apenas no espaço do Museu através dos objetos e documentos que “comprovavam” e “recuperavam” esse passado. Em 1942, o Museu do Dundo organizou uma expedição que ficou conhecida como “Expedição Portuguesa ao Muatiânvua (1884-1888): Trabalho de reconhecimento dessa rota”, onde foram percorridos os “antigos sítios habitados que, no livro do explorador, têm o nome dos sobas que aí viveram, e junto dos quais acampou. Os nomes perduram na memória dos indígenas, mas os sobas, esses mudaram a povoação duas, três ou quatro vezes”.98

O referido Henrique Dias de Carvalho, não por acaso era também nome de praça no Dundo, local onde o explorador, em 1948, recebeu uma homenagem que contou com a presença de seu descendente Carlos A. Dias de Carvalho. A cerimônia reuniu propositalmente “muitos empregados da Companhia e grande número de trabalhadores

96 PORTO, Nuno. Modos de objectificação da dominação colonial. Op. cit. P.411. 97 Relatório Mensal do Museu do Dundo de abril de 1946. S/D.

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indígenas, assim como um grupo de sobas com seus trajes e insígnias, talvez como o General os encontrou há mais de 60 anos”.99Após a cerimônia da bandeira foi colocado junto ao monumento da praça um ramo de flores. Além disso, houve:

uma patriótica alocução, exaltando a figura do venerado explorador- diplomata, que pisou estas terras chefiando a Expedição portuguesa ao Muatiânvua nos anos de 1884 e 1888, e estabeleceu com os chefes negros contratos que nos trouxeram grandes benefícios para intensificação e segurança do nosso comércio, lutando com dificuldades de toda a ordem e suportando intempéries, fome e doenças.100

Combatentes portugueses que perderam suas vidas nas campanhas de pacificação e ocupação também recebiam homenagens, como é o caso da cerimônia promovida pela Companhia de Diamantes de Angola no dia 7 de setembro de 1959, no lugar do antigo posto do Luxico, em memória ao Alferes Macedo, militar que o soba Calendende havia trucidado em 1908, “e aos combatentes que tombaram em defesa da Pátria”.101 Pela legenda da fotografia que registrou a comemoração, essa parecia ser apenas uma de um conjunto de “comemorações patrióticas e históricas” promovidas pela Diamang.

99 Relatório Anual do Museu do Dundo de 1948. P.10. 100Ibidem. P.11.

63 Figura 1: Cerimônia em memória do Alferes Macedo e outros combatentes e detalhe da legenda da fotografia. 1959. Arquivo da Diamang. Acervo do MAUC.

Tanto as salas do Museu, inclusive a seção “História da Lunda e da Diamang”, quanto as cerimônias em memória aos exploradores e militares portugueses eram visitadas e tinham a participação não por acaso,da grande massa de trabalhadores indígenas da Diamang, pois a ideia era, de acordo com o já referido antropólogo Nuno Porto, “deslocar a genealogia histórica da Lunda para a metrópole política da Companhia e adscrevendo aos nativos um papel subordinado nessa narrativa”. 102

Apesar do papel subordinado dos indígenas nessa narrativa, a sua memória ainda estava viva e a Companhia sabia disso, pois não raro essas pessoas eram chamadas e forneciam à Diamang, através de seu Museu, informações sobre o período de ocupação. Em 1946, por exemplo, o engenheiro Quirino da Fonseca, diretor da Diamang, entregou para os arquivos do Museu do Dundo alguns mapas com os nomes das aldeias que existiam em 1914 e 1915 na região onde se instalou a Companhia, além de uma relação com os nomes e a localização de antigas aldeias dos sobas rebeldes, que pegaram em armas durante o seu estabelecimento. Foi feito então um interrogatório com vários sobas, entre eles Chissanda, Tximbundo e Cambuta que, conforme consta, “nos localizaram todas as sanzalas referidas nos aludidos mapas”. O soba Chissanda informou que o seu tio, “grande soba quioco, veio dos lados de Saurimo Itengo e que deu o nome ao primeiro posto da Companhia, que se estabeleceu perto de sua sanzala (...)”. Funcionários do Museu do Dundo, junto com os sobas, visitaram então o primeiro acampamento da Companhia onde, inclusive, tinha uma placa com os dizeres: “Chissanda, primeiro acampamento e centro de pesquisas de Diamantes em território português estabelecido em maio de 1913, pelos engenheiros Janot e Doyle”.103

Os sobas interrogados forneceram muitos detalhes do período de ocupação e instalação da Diamang. O soba Nachir apresentou uma lista com os nomes de sobas rebeldes e a localização de suas aldeias, sendo eles:

Ngunza, que tinha a sua sanzala perto do “Cavuco” em 1919 ou 1920; Kapa-kata, que tinha a sanzala perto do Cambulo; Muandumba, que tinha a sanzala perto do rio Mufo, a pouca distância do Cossa em 1921

102 PORTO, Nuno. Modos de Objectificação da dominação colonial. Op. cit. P.414. 103 Relatório Mensal do Museu do Dundo de setembro de 1946. P.2.

64 ou 1922; Komboyo, perto do Posto do Canzar em 1923 e 1924; Manguenda, perto do Luaco-Sanga; e Kalambasela, em 1926, na revolta do Sombo-Luana.104

Não interessava à Diamang e a seu Museu obter dos indígenas nada além de informações relacionadas a nomes e localizações que pudessem fazê-los compreender mapas e documentos sobre as campanhas de pacificação e o processo de ocupação, afinal, o que interessava à Companhia era apenas obter um “material bruto” que desse respaldo para construção de uma memória sobre esse período que lhe fosse conveniente.

Já entre os indígenas da Lunda a memória desse período não estava apenas vinculada aos nomes de sobas rebeldes, mas em particular, às humilhações e perdas vividas nesse período. Essa memória aparece registrada nas músicas recolhidas na “Missão de Recolha de Folclore Musical”, programa que o Museu do Dundo organizou entre os anos de 1950 e 1960. Dessa Missão foram recolhidas mais de 1.400 músicas que abordam temas diversos, incluindo aqueles relacionados às violências institucional e simbólica da situação colonial, tais como a questão do trabalho, da violência e das perdas.105

As músicas desempenham importante papel nas sociedades de tradição oral, pois, de acordo com o já citado Ulpiano Bezerra de Meneses, essas sociedades desenvolvem técnicas mnemônicas sofisticadas e eficientes a fim de evitar variações, sendo uma delas o ritmo.106 Além disso, “o processo de registro e conservação de informação coincide inteiramente com o processo de sua comunicação, socialização”,107 como é o caso das músicas recolhidas pela Missão, que não raro eram cantadas em grupo, podendo ser a caminho do trabalho, nas cerimônias fúnebres ou mesmo nos momentos de diversão e entretenimento.

104 Relatório Mensal do Museu do Dundo de setembro de 1946. P.4.

105 VALENTIM, Cristina Sá. “Músicas com experiências lá dentro. A ‘Missão de Recolha de Folclore Musical’ da Diamang, Angola”. Disponível em:

http://postkolonial.dk/files/KULT12/Cristina%20Valentim%20article%20final.pdf (acesso em 23 de outubro de 2015).

106 Ver sobre esse tema: HAMPATÉ BÂ, Hamadou. “A tradição viva”. In: KI-ZERBO, Joseph (org.).

História Geral da África. I. Metodologia e pré-história da África. São Paulo, Ed. Ática/UNESCO, 1980,

pp.181-218.

107 MENESES, Ulpiano T. Bezerra de. “A História, cativa da memória?”. Rev. Inst. Est. Bras., SP, 34, 9- 24, 1992. P.10 e 11.

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A música chokwe intitulada Ucambulula Ngana Sanza (Traduzida pela Missão como “Dirás ao Ngana Sanza”) - recolhida no sobado de Txicunha, localizado próximo ao rio Cathundo, afluente do Tchicapa; Posto do Lóvua, Chitato - rememora o período da ocupação e a humilhação vivida pelos sobas. A letra diz:

Solista:

Ucambulula é, Dirás (ou vai dizer) é, Mutxima ngúri nauò, No coração eu tenho isto, Ucambulula é, Dirás é,

Mutxima ngúri nauò,No coração eu tenho isto,

Txindele menda nu uanda, O branco levado em tipóia Ngana Sanza mendela hache é, Ngana Sanza a andar a pé é, Ai é hé hé Ai é hé hé

Coro:

Ucambulula é, Dirás é

Mutxima nária nauò, Estou a comer com isto no coração, Ucambulula é,Dirás é

Mutxima nária nauò,Estou a comer com isto no coração,

Txindele menda nu uanda, O branco levado em tipoia Ngana Sanza mendela hache é, Ngana Sanza a andar a pé é,

No 3º Relatório da 2ª Missão de Recolha de Folclore há os seguintes comentários sobre essa música:

No tempo da ocupação militar, havia um soba grande, chamado Ngana Sanza, que por várias vezes tinha sido mandado comparecer no posto administrativo sem que nunca tivesse feito caso. Um dia, o chefe do posto foi à aldeia de Ngana Sanza e disse-lhe que o acompanhasse. O soba acedeu e mandou preparar a tipóia, mas o chefe do posto disse-

66 lhe que teria de ir a pé por estar preso. Ngana Sanza chamou, então, um dos rapazes que o acompanhavam e disse-lhe para ir dizer na aldeia o que se estava a passar: que o branco ia de tipóia e ele, o soba, a pé; que dissesse à sua gente do receio e da ignorância em que estava do que se iria passar no posto. Como o posto era longe tiveram de pernoitar no caminho, tendo outro soba oferecido comida a Ngana Sanza e insistido com ele para que comesse. Este acedeu e mandou outro rapaz à aldeia, para dizer do seu grande desgosto e temor, e que estava a comer, mas com o coração ensombrado.108

A explicação recolhida sobre essa música nos permite aproxima-la das narrativas dos relatórios militares sobre as colunas e campanhas de pacificação e ocupação na região da Lunda, como a do Muatxissengue, anteriormente relatada. De forma geral, ela conta com etapas similares que vão desde a resistência até a prisão do soba (no caso da música) ou ao avassalamento, em outros casos. O comentário recolhido sobre a música evidencia também a fragilidade do poder dos sobas nesse período. Nesse caso específico, evidenciada pelo impedimento do uso de um de seus símbolos de poder, a tipoia, além da incerteza de seu futuro enquanto chefe, já que ele não sabia o que ia ocorrer quando chegasse ao posto. Entretanto, o que a música traz que os relatórios não evidenciaram é o sentimento vivido por esses chefes nesse período de incertezas e ameaça real de seus poderes.

Outras músicas com esse tema foram recolhidas pela Missão e poderiam ser analisadas, no entanto, o que se pretende aqui não é fazer um estudo sistemático das canções, mas entender que a existência delas nos indica que a memória da violência e da dominação efetiva nas primeiras décadas do século XX, que desestruturam essas sociedades, estava ainda muito presente entre os povos da Lunda no período em que a Diamang já estava em plena atividade.

Por fim parece oportuno relatar que apesar da periodização da pesquisa estar delimitada entre 1936 e 1961, consideramos que uma breve análise do período da ocupação efetiva da Lunda e das rebeliões ocorridas durante a descoberta de diamantes e da instalação da Companhia de Diamantes de Angola, nos fornece importantes elementos para compreender a relação entre os sobas e a Diamang, através de seu Museu. Neste sentido destacamos dois pontos. O primeiro ressaltado a partir da análise da documentação consultada coloca em evidência que a Companhia de Diamantes, antes mesmo de ser

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constituída em 1917, já utilizava a estratégia de atrair a colaboração dos sobas, oferecendo bens materiais que lhes eram interessantes, negociando diretamente com eles e evitando ao máximo o envolvimento de militares. Desde muito cedo, a Companhia já havia notado que sem a colaboração desses chefes seria inviável desenvolver qualquer tipo de atividade nas áreas de prospecções, mesmo após a sua pacificação. Essa prática, entre muitas outras, foi amplamente utilizada e aprimorada ao longo dos anos, perdurando durante toda a existência da Companhia.

O segundo ponto a ser considerado é que, mesmo que a Diamang tenha promovido ações que contavam com a ampla participação dos indígenas, como homenagens e celebrações que exaltavam os feitos dos portugueses em períodos anteriores à ocupação efetiva, utilizando em especial o museu e o monumento109como dois poderosos veículos da preservação e socialização de sua memória, os indígenas da Lunda também criaram as suas estratégias para que a memória que os portugueses tinham sobre esse período não fosse simplesmente sobreposta às suas, como é o caso das músicas cantadas pelo menos entre as décadas de 1950 e 1960.

O estudo da relação entre sobas e Museu do Dundo, um dos focos centrais do nosso trabalho, não pode, portanto, deixar de considerar que esses chefes, além de terem lidado cotidianamente com a situação colonial, carregavam uma memória marcada pela perda, violência, humilhação e pela desestruturação de suas comunidades, de um período inicial que foi determinante para a efetivação da ocupação.

Benzer Belgeler