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Multiparametre Simülatörü Kullanma Talimatı

2. BİYOMEDİKAL CİHAZLARDA FONKSİYONEL TEST VE İŞLEVLERİNE GÖRE

2.2. Test Cihazları ve Yardımcı Ekipmanlar

2.2.5. Multiparametre Simülatörü Kullanma Talimatı

Diante do exposto, é possível perceber que Bartolomeu Campos de Queirós é sempre muito elogiado pela crítica, sendo suas obras objeto de estudo sob diferentes enfoques e perspectivas em muitas universidades, seja em trabalho de conclusão de curso, artigos, dissertações, teses ou ensaios, conforme apresentado em recortes acima. Questionado em entrevista a respeito das defesas de teses sobre sua obra, ele afirmou que às vezes assistia e quando recebia as produções, percebia que “sempre descobrem mais do que eu”. (QUEIRÓS, 2009, p. 56).

É importante ressaltar que em virtude da morte do autor, a Associação de Leitura no Brasil (ALB), a Editora Moderna e a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ)

publicaram um pequeno volume sobre Bartolomeu Campos de Queirós sob o título: Bartolomeu Campos de Queirós: uma inquietude encantadora (2012), o qual foi distribuído durante o 18.º Congresso de Leitura do Brasil (COLE).

Outra homenagem foi proferida pela Palavra, Revista Sesc de Literatura, na edição de julho de 2012, onde foi publicado o “Dossiê Bartolomeu Campos de Queirós”, o qual unia muitos artigos sobre a vida e obra deste renomado escritor.

Após mapear a fortuna crítica desse autor tão querido e renomado, temos ciência de que não abarcamos toda a sua produção e estamos igualmente certos de que sua obra continuará mobilizando diferentes pesquisas, pelo potencial plurissignificativo que apresenta.

Apesar da diversidade de produções e discussões acerca da obra de Bartolomeu Campos de Queirós, com abordagens epistemológicas de cunho pedagógico, linguísticos e críticos literários, percebe-se que não há ainda análise numa perspectiva Semiótica, que aborde o discurso literário a partir de uma sintaxe e semântica narrativa e discursiva, considerando o percurso gerativo de sentido14.

Como vimos, há trabalhos que se aproximam da pesquisa ora proposta, por discutir a relação entre infância e literatura, por abordar a literatura dita infantil e a linguagem como recurso ou por trazer a poética de Bartolomeu Campos de Queirós, constituída de temas e metáforas, mas não há um apontamento na perspectiva Semiótica. Alguns trabalhos discutem a linguagem, as categorias do gênero narrativo, mas as análises empreendidas não se ancoram epistemologicamente na Semiótica.

A inovação desta pesquisa, portanto, reside em analisar o livro O olho de vidro do meu avô (2004) e outros de cunho autobiográficos, já citados anteriormente, na perspectiva da Semiótica de Greimas, cuja metodologia busca a compreensão dos sentidos do discurso a partir do próprio discurso, considerando as diferentes categorias narrativas e discursivas, examinando as instâncias da enunciação e o texto enunciado.

Segundo Diana Luz Pessoa de Barros,

[...] a semiótica tem caminhado nessa direção e procurado conciliar, com o mesmo aparato teórico-metodológico, as análises ditas “interna” e “externa” do texto. Para explicar “o que o texto diz” e “como o diz”, a semiótica trata, assim, de examinar os

14 PGS é uma sucessão de patamares que mostra como se produz e se interpreta um sentido, num processo que vai do mais simples ao mais complexo. (FIORIN, 2016a, p. 20). Essa discussão será retomada posteriormente.

procedimentos da organização textual e, ao mesmo tempo, os mecanismos enunciativos de produção e recepção do texto. (BARROS, 2005, p. 12).

Assim, pelos caminhos metodológicos propostos pela Semiótica, esta pesquisa busca analisar os sentidos dos textos em análise, através do percurso gerativo de sentido, no nível fundamental, nível narrativo e discursivo, considerando a sintaxe discursiva e semântica, pelas quais busca-se apreender as projeções da enunciação de enunciado, a relação entre enunciador e enunciatário, bem como percursos temáticos e figurativos que se manifestam no texto.

Nas obras de Bartolomeu Campos de Queirós que serão analisadas, algumas imagens são reiteradas provocando diferentes sentidos, como por exemplo o olhar, o tempo e o silêncio, configurações discursivas que atravessam as narrativas, ganhando diferentes valores semânticos, formando conexões isotópicas surpreendentes.

O olhar vai ser o elemento isotópico que, na figura do olho de vidro, no livro O olho de vidro do meu avô, apoia-se numa estrutura narrativa, ora a representar estado de conjunção, ora de disjunção, numa busca incessante do que é imanente, do que se oculta sob o véu ilusório da manifestação: “Os olhos só acariciam as superfícies. Quem toca o bem dentro de nós é a imaginação.” (QUEIRÓS, 2004a, p.5).

O silêncio tem forte presença nos três livros que serão analisados, como será visto com mais destaque em Ler, escrever e fazer conta de cabeça, uma história cheia de encantos e suspeitas, quando o narrador, diante de suas inquietações, saía “fugindo para o silêncio, lugar cheio de fantasmas e dúvidas.” (QUEIRÓS, 2004b, p. 10).

E os sentidos do tempo, outra importante configuração discursiva na obra de Bartolomeu Campos de Queirós, serão examinados sobretudo no livro Por parte de pai. A figurativização e as debreagens15 temporais, projetadas no enunciado, dizem respeito tanto à

passagem dos dias, dando ideia de contínuo e guiando ações, marcado, por exemplo, em dias e noites, como simulam enunciativamente a presença do enunciador: “Naquela noite, sem escutar o tempo, sofri noite adentro.” (QUEIRÓS, 1995, p. 68).

O livro de Bartolomeu Campos de Queirós: O olho de vidro do meu avô será analisado semioticamente a partir do percurso gerativo de sentido, retomado posteriormente, com

15 As debreagens enunciativa e enunciva produzem dois tipos básicos de discursos: os de primeira e os de terceira pessoa. Essas duas espécies de debreagens produzem, respectivamente, efeitos de sentido de subjetividade e de objetividade. (FIORIN, 2016a, p. 64). Essa discussão será retomada posteriormente.

Ler, escrever e fazer conta de cabeça e Por parte de pai, analisados com enfoques específicos comparatistas, com ênfase na perspectiva interdiscursiva, como pressupõe a Semiótica literária. Busca-se, nessa análise, as relações entre vida e obra do autor, tendo como base esses livros citados, vistos como autobiográficos, e outros de caráter não literário.

Entendemos que, pela dimensão e qualidade literária, esse escritor brasileiro continuará sendo estudado pela academia, premiado pela crítica literária e premiará os leitores que ainda virão, visto que o mundo atual, com predominância imagética, imediatista e utilitarista, precisa mais do que nunca da fantasia. Como disse o próprio Bartolomeu: “Todo o real já foi a fantasia de alguém. Todo o real é um imaginário que ganhou corpo. Ou seja, é o imaginário que faz o mundo – e essa possibilidade de alimentar o imaginário é um ato político da literatura: é mobilizar o mundo, fazer um novo mundo”. (REVISTA GETÚLIO, 2009, p. 57).