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Mukimlik Belgesi

MAYIS - HAZİRAN 2016 HAKEMSİZ YAZILAR 89 OPINION PAPERS

ULUSLARARASI ÇİFTE VERGİLENDİRME VE MUKİMLİK KAVRAMI

3. MUKİMLİK KAVRAMI 1. Mukim Teriminin Tanımı

3.3. Mukimlik Belgesi

vai além da funcionalidade ou preservação da memória do objeto. Em suas respectivas épocas e contextos originais, nem sempre grande importância era dada à autenticidade desses objetos.222 O que faz com que, com o passar do tempo, sua autenticidade se converta em algo tão necessário tem exatamente a ver com a construção de sua singularidade por um grupo de colecionadores ou fãs. Por meio de um aprendizado (que pode assumir formas muito variadas), o aficionado adquire o dom de enxergar no objeto aquilo que lhe é absolutamente incomum, e, nessa condição, a ter sua característica notória buscada antes de qualquer outra.

Talvez seja necessário observar que esses níveis de controle e ação consciente, inerentes às práticas de colecionadores e fãs, não anulam o empenho com que esses grupos geralmente buscam preservar os objetos relacionados aos seus respectivos temas. Mesmo que a preservação de tudo aquilo que esteja relacionado ao assunto escolhido seja buscada, isso não significa, necessariamente, que seja ela mesma o objetivo principal do colecionador ou do fã. Este, como é propósito deste trabalho demonstrar, pode variar em determinadas direções e assumir diversas motivações; ao passo que as estratégias e práticas de preservação do passado não seriam senão conseqüência indireta dessas outras motivações. Um fã do grupo Rush pode, por diversos meios, preservar a turnê brasileira dos músicos através de fotos, bilhetes do show, gravações ao vivo; ou ainda se empenhar na preservação física desses e outros objetos. De modo semelhante, um colecionador de automóveis fabricados nos anos sessenta e setenta possui este período do passado como um dos elementos que constituem seu ofício de colecionador. Nestes e em outros exemplos, tanto quanto aquilo que é determinado pelo passado, ocupam espaço significativo a interpretação do próprio objeto, seus usos, as relações de sociabilidade estabelecidas com outros colecionadores, etc. Tal variação de arranjos e possibilidades, ainda mais complexa nos universos do consumo convencional, foi assim observada por Martín-Barbero:

Não estamos nem no terreno da tão combatida “compulsão consumista” nem no do repertório de atitudes e gostos recolhidos e classificados pelas pesquisas de mercado, mas tampouco no vago mundo

222 Vinhos raros, determinados tipos de relógio, automóveis fabricados de forma

da simulação e do simulacro baudrillardiano. O espaço da reflexão sobre o consumo é o espaço das práticas cotidianas como lugar de interiorização muda da desigualdade social, desde a relação com o próprio corpo até o uso do tempo, o habitat e a consciência do possível para cada vida, do alcançável e do inatingível. Mas também como lugar da impugnação desses limites e expressão dos desejos, subversão de códigos e movimentos da pulsão e do gozo. O consumo não é apenas reprodução de forças, mas também produção de sentidos: lugar de uma luta que não se restringe à posse dos objetos, pois passa ainda mais decisivamente pelos usos que lhes dão forma social e nos quais se inscrevem demandas e dispositivos de ação provenientes de diversas competências culturais.223

As práticas de consumo de colecionadores e fãs, assim caracterizadas dentro de certa autonomia, contrastam com contextos que as colocam como opostas a isso. Ou seja, tanto os campos da produção quanto do consumo convencional, não direcionados a um único foco, se apresentam como esforço por determinar a escolha, a intensidade, a tempo de uso, etc, dos produtos a serem consumidos pelos indivíduos. Tais e variadíssimos universos apresentam seus objetos sob a forma comum de mercadorias. Enquanto tais, buscam adequar as práticas que lhes correspondem àquilo que se encontra disponível entre seus consumidores potenciais – padrões estéticos, inserção social, custos, etc – para efeito de reproduzir um mesmo consumo de outras mercadorias. Dito de outro modo, não obstante as dimensões e variações gigantescas desse consumo convencional (e de algum modo relacionado a essas medidas), suas conseqüências na vida dos indivíduos termina sendo a de uma formatação de escolhas, estilos, opções, tempos, lugares que é em muito desproporcional – posto que fortemente direcionada – aos espaços que ocupa na vida social. Se no campo deste consumo convencional tanto a produção quanto a aquisição de objetos encontra-se empenhada em fornecer a maior e mais variada quantidade possível de objetos dentro de um determinado padrão, por outro fãs e colecionadores se empenham, paradoxalmente, na construção de outros sentidos e de um outro tipo de consumo.

223 MARTÍN

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BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e

CONCLUSÃO

A divertida observação de Benjamin, a respeito do quanto pode parecer esquisito tudo que há para ser dito em relação a colecionadores, poderia ser compreendida menos como ironia do que como avaliação precisa a respeito do caráter incomum desses campos. O mundo das coleções não se constitui, de fato, num espaço de meias medidas: muito de tudo que aí se encontra presente parece revestido de um sentido estranho ao senso comum. Por mais que possam variar as abordagens e perspectivas utilizadas no estudo dos espaços ocupados por colecionadores e fãs, a idéia de excentricidade e exotismo, aos mesmos associada pela literatura e pelo próprio senso comum, permanece sendo sua mais conhecida característica. De fato e nesse sentido, poucas coisas poderiam estar mais distantes da idéia de normalidade que o empenho economicamente desinteressado na aquisição e cuidadosa preservação de objetos que não têm por finalidade serem (convencionalmente) consumidos e que pouco se distinguem uns dos outros. Num mundo em que o conceito de consumo se expande às mais variadas e improváveis modalidades, em que tudo pode ser encontrado num mercado onipresente, estabelecendo um uso rápido, descartável e no qual a compra de um objeto traz consigo o sentido de ser quase apenas e continuamente a compra de um objeto que antecede a compra de outro objeto; num mundo assim constituído, consumir uma única coisa, preservá-la, atribuir-lhe um sentido específico, etc, soa como algo quase incompreensível. E, como muitas vezes ocorre àquilo que não é habitual e não pode ser compreendido, algo a ser colocado no terreno do cômico e do pitoresco.

Em grande medida este trabalho tomou de empréstimo à antropologia a perspectiva de observar aquilo que nos é familiar como coisas exóticas, bem como tentar perceber aquilo que é considerado exótico, como “coisas que fazem sentido”. É nesses termos que se tentou compreender o campo de colecionadores e fãs como espaços de consumo dotados de certa autonomia, racionalidade, regulados por regras próprias, etc. Em função desta mesma perspectiva antropológica, o campo mais amplo do consumo, dentro do qual essas ações encontram-se inscritas, poderia ser tomado dentro de certo

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Benzer Belgeler