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BAĞIMSIZ DENETİME TABİ OLMAYAN ANONİM ŞİRKET- ŞİRKET-LERDE DENETÇİ SEÇİMİ

MAYIS - HAZİRAN 2016 HAKEMSİZ YAZILAR 89 OPINION PAPERS

2.BAĞIMSIZ DENETİM VE DENETÇİ

3. BAĞIMSIZ DENETİME TABİ OLMAYAN ANONİM ŞİRKET- ŞİRKET-LERDE DENETÇİ SEÇİMİ

é utilizado pelos próprios membros do clube para fins de auto referência.

179 Não sendo possível ignorar, porém, o inseparável conteúdo passional que se

objeto de troca com outros colecionadores; detalhes infinitesimais que poderiam, sob seu olhar de perito, aumentar ou diminuir seu valor, etc. Dotado de uma espécie de memória específica, na qual se encontram armazenadas informações a respeito de onde, como, com quem ou de que modo as peças que lhe interessam poderiam ser obtidas, a personalidade e o temperamento de cada colecionador poderá fazer com que tais procedimentos assumam formas menos habituais. Entrar para determinada religião com o intuito exclusivo de se aproximar do proprietário de um veículo colecionável ou promover uma campanha pública com a finalidade de trazer o ídolo à própria cidade estão entre esses aparentes exageros. Procedimentos menos extravagantes são, no entanto, bem mais comuns. Descrevendo os princípios que orientavam as buscas de seu personagem, Balzac indica esse traço de plena racionalidade comum aos colecionadores:

Finalmente, encontrou nos prazeres de colecionador tão intensas compensações ao malogro da glória que, se tivesse de escolher entre a posse de suas curiosidades e o nome de Rossini – acreditareis? – Pons teria optado por seu querido museu. O velho músico praticava o axioma de Chenavard, o erudito colecionador de gravuras preciosas, que pretendia que só se pode sentir prazer em contemplar um Ruysdaël, um Hobbema, um Holbein, um Rafael, um Murillo, um Greuze, um Sebastiano del Piombo, um Giorgine, um Albert Dührer, quando o quadro não custou mais de cinqüenta francos. Pons não admitia aquisição acima de cem francos; e, para que pagasse cinqüenta francos por um objeto, era necessário que valesse três mil. A mais bela coisa do mundo, desde que custasse trezentos francos, deixava de existir para ele. Raras haviam sido as ocasiões; mas ele possuía os três elementos do êxito: as pernas do cervo, o tempo dos vagabundos e a paciência do israelita.180

Contrapostos a outros universos da vida cotidiana – aos mundos de consumo cotidiano, por exemplo – os espaços dentro dos quais atuam colecionadores e fãs se distinguem pelo uso, por assim dizer, de uma outra medida de tempo. No mundo do consumo convencional, no qual bens e serviços circulam sob a forma mercadoria, em larga medida por força dessa condição, a imensa maioria das coisas tende a adquirir um sentido efêmero de existência e circulação, haja vista a necessidade de serem o quanto antes

180 BALZAC, Honoré de. O primo Pons. In: A comédia humana – volume X. Rio de

substituídas por novas mercadorias. Sintomaticamente, a imensa maioria das campanhas publicitárias enfatizam o novo e aquilo que irá substituir o que já deixou de ser atual. Mesmo nos casos em que estéticas clássicas e antigos ideais são invocados, há sempre implícita a “garantia” de que apenas agora, nas atuais condições (de compra, de estilo, de despojamento, etc) faz sentido adquirir parte de um passado que, agora, está na moda, etc. Se aí predomina de modo implacável a lógica do efêmero e do descartável, no mundo dos objetos colecionáveis, inversamente, busca-se incessantemente formas de se deter o avanço do tempo. Parte do esforço do colecionador estará voltado para conservar, da melhor maneira possível, as características originais dos objetos de sua coleção. Não parece estranho, portanto, que, entre os entrevistados, uma das características mais desejáveis de um objeto seja a de não uso, capaz de conferir ao mesmo um grau de originalidade que esteja o mais próximo possível do tempo em que ainda era vendido. Busca-se assim, menos que um consumo do objeto, sua conservação física e perpetuação no tempo.

No caso de fãs, aspecto que também se reflete na figura do ídolo, o tempo presente só comporta sentido na medida em que se assemelha convincentemente ao passado. Ou seja, mesmo nos casos em que o ídolo ainda se apresente publicamente como tal, a referência em torno da qual gira o culto celebrado pelos fãs é a do tempo primordial, no qual suas características extraordinárias foram reveladas ao mundo. Nesse sentido, o termo “ainda” é fartamente utilizado pelos fãs de antigos ídolos como evidência e justificativa: “ela ainda é muito bonita”, “eles fazem questão de ainda tocar os primeiros sucessos”, “mesmo que já não façam tanto sucesso aqui, ainda são muito conhecidos e vendem muito na Europa”, etc.

É muito significativa a percepção, no texto de Balzac,181 de um traço que pôde ser observado ao longo das várias entrevistas realizadas. Ao descrever a troca feita pelo velho Pons, deixando de lado suas ambições de músico em lugar de sua coleção de antigüidades, o autor já revela uma característica básica da psicologia dos colecionadores em geral, que, de algum modo, parece exercer uma função compensatória entre os mesmos. Ou seja, se na

181 Para escrever “O primo Pons” Balzac se valeu de certo conhecimento de causa,

vida cotidiana – no mundo das coisas “não extraordinárias” do trabalho, da família, dos estudos, etc – são muitos e variados os obstáculos colocados diante de nossa vontade e de nossos desejos, no mundo escolhido por cada colecionador ou fã – por definição um mundo extraordinário – poucos são esses impedimentos. A satisfação máxima nesses mundos peculiares de consumo tem a ver com “simplesmente” encontrar um outro ítem do mesmo conjunto conhecido de coisas, condicionando o “encontro da felicidade” a um universo cujo controle é razoavelmente possível; muito diversamente, inclusive, do que ocorre no mundo convencional, no qual o lançamento incessante de novos produtos suscita o surgimento de desejos de consumo e satisfação que não estão sob controle do consumidor (não por acaso, as coleções geralmente têm a ver com as possibilidades de compra de cada colecionador). Philipp Blom, comentando a tensão entre ordem e desordem, presente na idéia de coleção e observada por Walter Benjamin chegará a conclusão semelhante:

A sutil dialética da ordem suspensa sobre um mar de caos que Benjamin diagnosticou em todas as coleções parece especialmente válida no caso das bibliotecas. Os diferentes tamanhos, cores, texturas e tipos de letra nas lombadas e capas que povoam as prateleiras e mesas sempre introduzem uma sugestão de desordem e desintegração na estante mais ordenada (...) A mente que controla esse quase caos, ajudada, talvez, por um catálogo, é senhora do universo. É também essa coisa perigosíssima: um eremita satisfeito. Cercado por reinos e povos imaginários, por épocas e riquezas que só se entregam aos olhos do leitor, o amante de livros não deseja companhia alguma, não busca nenhuma aprovação do mundo exterior. Sua felicidade não precisa de nada, exceto a solidão na qual mergulhar e esquecer-se de si mesmo, para emergir em outros mundos e com nova presença de espírito.182

O clássico “Bonequinha de luxo”,183 com roteiro baseado num conto de Truman Capote, parece ter também alcançado essa dimensão através da personagem principal, interpretada por Audrey Hepburn. Fascinada pela joalheria Tiffany, Holly Golightly comenta: “naquele lugar tranqüilo e sofisticado nada de mal pode acontecer. Se eu encontrasse um lugar em que me sentisse como na Tiffany, então...” Como em muitos outros momentos, o

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Benzer Belgeler