3.7 Çalışma Verilerinin Analizi
3.7.5. Muhasebe Eğitimi Alan Öğrencilerin Muhasebe Etiğine Bakış
Ainda em relação aos possíveis (des)encontros entre lugar institucional e empírico, também há situações em que ambos coincidem, porém o resultado desse encontro interfere na atuação da área. A realidade da Comunicação na Valencia Espanha, por exemplo, nos mostra o outro lado de quando o lugar
institucional não ideal reflete o lugar empírico. Como uma subárea da Diretoria de Relações Institucionais e Comunicação, a responsável pela Comunicação relata que a área acaba não tendo força e respaldo perante a alta gestão da companhia. O diretor responsável possui mais afinidade com a área de relações institucionais, o que faz com que a comunicação, em fóruns e
instâncias decisivas, não seja prioridade no seu posicionamento. “Nos apoya,
nos respalda, nos defiende, pero no es un profesional de la comunicación. Con lo cual, en el comité de dirección, no vá a defendermos de la misma forma que defiende lo suyo103”, ressalta.
De modo geral, ainda que reconheça avanços expressivos, a profissional lamenta que ainda sejam necessários esforços para que a alta gestão acredite
103 Eleà osàapoia,à osà espalda,à osàdefe de,à asà oà àu àp ofissio alàdaà o u i aç o.àLogo,à oà comitê de direção, não vai defender-nos da mesma fo aà ueàdefe deàoà ueà àdaàsuaà ea à t aduç oà nossa).
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e compreenda a comunicação. “De momento, seguimos un poco de lucha.
Creo que hemos evolucionado mucho, pero seguimos en esto de que el Director General crea en nosotros o no. Eso es algo que, espero con el tiempo, no sea cuestionable.”104 Demonstrando-se esperançosa, ela aguarda pelo dia que um diretor de Comunicação figure entre os diretores do comitê gestor da companhia. Embora na amostra que compõe nosso estudo tenhamos encontrado apenas um caso como esse da Valencia, e na maioria das organizações a Comunicação tenha conseguido alcançar o lugar ideal, é preciso ressaltar que a trajetória dessas companhias não é regra.
Quando saímos do recorte de multinacionais e olhamos para o panorama geral da comunicação organizacional, especialmente no Brasil, em realidades nas quais a comunicação não se encontra no lugar institucional ideal, normalmente sua atividade cotidiana e seus espaços de fala e atuação revelam um lugar empírico, todavia marcado pela herança da concepção operacional e instrumental da comunicação. Na última edição do Mapa da Comunicação Brasileira105, a diferença entre organizações nacionais e estrangeiras também reforça tal constatação. No item da pesquisa referente à valorização da comunicação nas organizações, foi nas empresas estrangeiras
que ela obteve menor relevância. “É possível inferir que, nesse universo (fora
do Brasil), a comunicação já alcançou um importante patamar valorativo”, afirmam os pesquisadores (INSTITUTO FSB, 2013, p. 25).
Em estudo recente, Kunsch (2012, 2014) voltou a reafirmar que a perspectiva instrumental é a que ainda predomina em grande parte das organizações. Uma das características da atuação da comunicação, quando reduzida ao seu viés instrumental e operacional, é o envolvimento superficial apenas nas etapas finais dos processos, projetos, iniciativas de modo geral da organização. A área é chamada a participar somente no momento de definir o como comunicar, ou seja, se ocupa apenas da transmissão informacional.
104
Noà o e to,àsegui osàu àpou oà aàluta.àá editoà ueàe oluí osà uito,à asà o ti ua osà aà situação de ter que fazer com que o diretor-geral acredite na gente. É algo que eu espero, com o tempo, não sejaà uestio el à t aduç oà ossa .
105 A terceira edição do Mapa da Comunicação Brasileira traz os dados de entrevistas com gestores responsáveis pelas decisões na área de comunicação de 120 instituições, privadas e públicas, atuantes no Brasil. Das 70 empresas privadas, 40 eram de capital nacional e 30, de capital estrangeiro. Foram selecionadas a partir do ranking das 1.000 maiores empresas do jornal Valor Econômico.
180 Conforme Kunsch (2010, 2012, 2014), a comunicação, nessa perspectiva, é
percebida como “instrumento” que viabiliza processos, ignorando contextos e
outros aspectos mais subjetivos.
Por muito tempo, essa foi a realidade hegemônica da comunicação organizacional, especialmente antes dos anos 90, e, mesmo com reconhecidos avanços, todavia não é possível afirmar que se trata de um cenário superado. Conforme estudos e pesquisas (KUNSCH, 2012; BUENO, 2009, 2012, 2014; INSTITUTO FSB, 2013), essa é uma realidade que ainda persiste em boa parte das organizações em que a comunicação não se encontra lugarizada, compreendida e legitimada. O Mapa da Comunicação Brasileira evidencia também que, embora a área esteja cada vez mais alinhada com as estratégias
institucionais, para a maioria dos gestores, “esta não é uma guerra vencida”
(INSTITUTO FSB, 2013, p. 24).
Para as lideranças entrevistadas pela FSB, a comunicação precisa de mais valorização interna e de mais estrutura diante dos novos desafios. O estudo quantitativo confirma essa necessidade. Ao todo, 24% dos 120 entrevistados afirmam que o principal desafio da área é a valorização do setor, item que figura no topo da lista dos desafios mapeados, seguido do posicionamento no mercado e gestão de marca, conforme o gráfico a seguir (figura 12):
Figura 12 – Desafios da Comunicação
181 Os dados e relatos confirmam que a comunicação, de modo geral, se encontra em um entre-lugar nas organizações, um momento híbrido que se reflete na coabitação de concepções ultrapassadas e práticas contemporâneas, ou pensamentos avançados que disputam tempo e espaço com posturas instrumentais, lugares institucionais e empíricos em (des)encontro. O diálogo com os profissionais de comunicação revela que esse também foi o cenário nas multinacionais por muitos anos. Embora em grande parte tenham superado a perspectiva instrumental, o desafio é constante, pois a realidade imprevisível e mutante das organizações exige a construção permanente dos sentidos sobre a comunicação e das teias e relações necessárias para fortalecer e sustentar sua lugarização no universo organizacional.
Ao analisarmos o cenário das multinacionais que compõem nossa amostra, face às demais realidades e cenários que conhecemos devido à nossa experiencia na área, é possível desenhar outras análises a partir da relação entre os lugares institucional e empírico e os níveis de lugarização, conforme ilustra a figura a seguir (figura 13):
Figura 13 – Processo de lugarização da comunicação
Fonte: elaborado pela autora
Quando o lugar institucional ideal se concretiza no lugar empírico, percebemos que há coerência entre o posicionamento organizacional sobre a comunicação e suas práticas cotidianas. A fala dos profissionais denota o
182 quanto a comunicação encontra-se legitimada e reconhecida, o que, por sua vez, reflete-se nos espaços proporcionados para seu saber e sua atuação, traços marcantes de organizações em que a comunicação parece encontrar-se lugarizada. Na medida em que o lugar empírico e institucional afasta-se do lugar considerado ideal, os níveis de lugarização são atingidos e fragilizados, gerando entre-lugares e não lugares.
Antes de darmos continuidade ao próximo tópico da análise, apresentamos no quadro-resumo (tabela 2) os níveis de lugarização da comunicação nas multinacionais. O quadro foi elaborado a partir das análises
apresentadas:
Não lugarizada Entre-lugarizada Lugarizada
Lugar institucional não é o ideal
e coincide com o
lugar empírico
Lugar institucional não é o
ideal, mas o lugar ideal se concretiza no lugar empírico
Lugar empírico e institucional coincidem com
o lugar ideal
Valencia Espanha Tres Cantos Valencia Brasil Segovia (Brasil e Espanha)
Alcalá de Henares Bilbao Escorial (Brasil e Espanha) Barcelona Alcobendas Madrid Tabela 2 – Quadro-resumo do lugar da comunicação nas multinacionais
Fonte: elaborado pela autora
Vale, nesse contexto, o que nos ensina Augé (2012), de que o lugar pode emergir de um não lugar e o contrário também é verdadeiro. Os níveis de lugarização podem ser mais ou menos estáveis, mas não são estanques, imóveis, eternos. Movimentam-se e estão sujeitos a mudanças e
183 transformações, da mesma forma que a própria organização. O que nos leva a acreditar que o processo de lugarização da comunicação não se esgota quando atinge um (não/entre)lugar, permanece dinâmico e vivo sendo (re)tecido no ritmo do universo organizacional que o rodeia e o (re)configura diariamente, da mesma forma em que esse universo é (re)construído permanentemente por sua dimensão comunicacional.
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