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Family and Health

3. Mucize Besin Anne Sütü

Durante a análise dos dados deste estudo, observamos que, em alguns casos, a família contribui para a aprendizagem da criança, não agindo e interagindo diretamente com ela, mas, promovendo oportunidades, nas quais desenvolva atos de leitura e de escrita; por exemplo, criando um espaço em casa para o desenvolvimento de atividades de representação, onde o filho ou filha interage com outras crianças (contando e ouvindo histórias, desenhando, escrevendo e lendo espontaneamente) e adquirindo livros, jogos, cadernos ou materiais outros, necessários à efetivação destas atividades.

Segundo Vygotsky (1994), para a criança compreender adequadamente o funcionamento da língua escrita, é necessário descobrir que a língua escrita é um sistema de signos que não tem significado em si. A brincadeira, o desenho, a imitação, como formas de representação do pensamento, contribuem para a criança compreender que a escrita também é uma representação simbólica; representação arbitrária, mas para que a criança possa agir com a devida competência e autonomia no meio letrado, terá que se apropriar desse tipo de representação cultural.

O quadro - síntese a seguir tem por finalidade apresentar as relações entre as práticas compartilhadas de leitura na família, o tempo de escolarização e o desempenho da criança na aquisição da leitura e da escrita. Conforme os resultados da análise, dividimos os sujeitos (crianças) em dois grupos.

No grupo I, encontram-se as crianças que, além de desenvolverem atividades compartilhadas de leitura na família de modo mais sistemático, têm na brincadeira uma aliada no processo de simbolização da leitura e da escrita.

No grupo II, as crianças também desenvolvem atividades compartilhadas de leitura e de escrita, porém, com menor freqüência do que o primeiro. Pelo uso recorrente da expressão “às vezes”, que os pais utilizaram para expressar as práticas compartilhadas de leitura e de escrita, estimamos a falta de sistematização desse tipo de atividade.

QUADRO XI - GRUPO 1

Criança/idade escolarização Tempo de Atividades compartilhadas Tipo de leitura Nível de escrita

Clarice - 6 anos

e 4 meses 4 anos

Leitura de contos de fadas e de placas da rua (quando a mãe não chega cansada, à noite, antes de dormir). Brinca de formar palavras com alfabeto móvel.

Leitura

silenciosa alfabética Silábica -

Lia - 7 anos 4 anos

Leitura da bíblia para crianças e contos de fadas (às vezes, à noite, antes de dormir).

Brinca de faz de conta com as crianças do condomínio. Leitura silenciosa Alfabética Bianca 6 anos e 3 meses 4 anos Leitura de contos de fadas e de histórias bíblicas (toda noite, antes de dormir, quando a mãe não está de plantão). Brinca de faz de conta com os irmãos.

Leitura oral e

decodificada Alfabética

Renata - 6 anos

e 8 meses 4 anos

Leitura da bíblia para crianças e de contos de fadas (toda noite, antes de dormir).

Brinca de faz de conta com os irmãos e a mãe; forma palavras com alfabeto móvel.

Leitura

silenciosa Alfabética

Carla - 6 anos e

1 mês 4 anos

Leitura de contos de fadas (às vezes, à noite, antes de dormir) e de placas e avisos na rua (durante os passeios); brinca de escolinha e de faz de conta com crianças da rua.

Gosta de escrever bilhetes. Leitura em voz alta e fluente Alfabética Edi - 6 anos e 3 meses 4 anos

Leitura de contos de fadas e de histórias bíblicas (toda noite, antes de dormir, quando a mãe não está de plantão).

Brinca de faz de conta com as irmãs. Leitura em voz alta e fluente Alfabética Camila - 6 anos e 11 meses 4 anos

Leitura de contos de fadas (toda noite, antes de dormir); brinca de escolinha e de casinha com a irmã de 15 anos.

Leitura em voz alta e

QUADRO XII - GRUPO 1I

Criança/idade escolarização Tempo de Atividades compartilhadas Tipo de leitura Nível de escrita Alex - 6 anos e

7 meses 4 anos

Leitura de contos de fadas (geralmente, aos sábados), rótulos e placas da rua. Leitura em voz alta e decodificada Silábica - alfabética

Laura - 7 anos 5 anos

Leitura de contos de fadas (às vezes, à noite); placas da rua, nome de lojas, receitas e de rótulos. Leitura em voz alta e decodificada Silábica- alfabética Pedro 6 anos e 7 meses 4 anos Leitura de contos de fadas (às vezes, à noite) e rótulos (durante os passeios). Leitura em voz alta e decodificada Silábica - alfabética Plínio - 6 anos 4 anos Leitura de contos de fadas (às vezes, à noite,

antes de dormir). Leitura em voz alta e decodificada Silábica - alfabética Rebeca - 6 anos e 11 meses 5 anos Leituras de contos de fadas e de livro sobre boas maneiras (geralmente, antes de dormir). Leitura em voz alta e decodificada Silábica - alfabética Sabrina - 6 anos e 11 meses 5 anos Contos de fadas (quando a mãe chega cedo); nome das lojas, avisos (durante os passeios).

Leitura em voz alta e

decodificada Alfabética

Comparando a competência para operar com a leitura e com a escrita, das crianças dessa pesquisa, apesar do nosso grupo não representar amostra significativa, podemos concluir que aquelas que interagem ativamente em práticas de leitura e de escrita na família apresentam melhor desempenho, na escola, nessas duas habilidades.

As seis crianças do primeiro grupo, isto é, aquelas cujas famílias não só acreditam que a família contribui para a aprendizagem da criança, mas que também desenvolvem atividades compartilhadas de leitura e de escrita com os filhos, sistematicamente, apresentaram um nível de leitura e de escrita mais evoluídos do que as do segundo grupo. As famílias das crianças do “grupo I” dispõem de tempo para as crianças e, quando não estão na escola, estão na companhia de uma pessoa da família (pai, mãe, avô, avó ou irmã).

No segundo caso, a aquisição da leitura e da escrita depende, principalmente, do interesse da criança e da ajuda na escola. Fazem parte desse grupo crianças que, quando não estão na escola, passam a maior parte do tempo brincando sozinhas, sem muita interação com a pessoa que cuida. No geral quem cuida é a empregada doméstica ou a pessoa da família disponível naquele dia. Como disse a mãe da Laura: “fica com quem estiver em casa”.

Entre as crianças incluídas no “grupo II”, duas são filhos únicos; três têm irmãos mais velhos, porém estudam em horários diferentes, diminuindo dessa forma o contato durante o dia; uma criança tem irmã mais nova, mas, segundo ela, passa a maior parte do seu tempo (quando está em casa) com o cachorro.

Verificamos também nesse mesmo grupo que, três crianças precisaram de um tempo a mais nessa etapa de escolarização. Nesse caso, é perceptível que o tempo de escolaridade é menos significativo para a aprendizagem do que a qualidade de interação dos leitores mais experientes com a criança.