YEDİTEPE ÜNİVERSİTESİ
MSN 213 DERSİN ADI MALZEMELERİN TERMODİNAMİĞİ
A metodologia utilizada para realização da 2ª CNJ foi fundamental, pois permitiu que os debates e as disputas políticas pudessem acontecer. A organização da Conferência nacional trilhou caminhos interessantes nesse sentido: a partir da concepção de sua estrutura, abriu a possibilidade para que este processo acontecesse para além das institucionalidades.
A dinâmica da 2ª CNJ foi conduzida da seguinte forma27: No primeiro dia, houve o credenciamento dos delegados, dos observadores e dos convidados. Este momento foi seguido pela solenidade de abertura, da qual participaram autoridades governamentais e convidados. Por essa ocasião, houve a assinatura de convênio28 - destinado a projetos de inclusão digital da juventude rural – entre a Secretaria-Geral da Presidência da República e o Ministério das Comunicações. No segundo dia, instalou-se uma mesa, na qual foi tratado o tema “Juventude, desenvolvimento e efetivação de direitos” e lançados programas da Secretaria Nacional de Juventude. Em seguida houve o inicio dos grupos de trabalho. No mesmo dia houve a apresentação de outra mesa, que teve por tema “Juventude e relações internacionais: cooperação sul-sul pelos direitos da juventude”. No terceiro dia, uma nova mesa tratou da questão dos “Diálogos sociais: rumo à Rio+20” e ocorreram as sessões plenárias, para aprovar resoluções e prioridades relacionadas aos eixos temáticos. No quarto dia, houve uma plenária final, com o objetivo de discutir as propostas que não foram aprovadas nos eixos temáticos e para debater moções de apoio ou repúdio.
A 2ª CNJ foi dirigida por um regimento interno, documento que define as regras gerais para a sua realização em todas as suas etapas. Esse regimento interno continha o tema geral e os eixos temáticos.
27 A título de informação a programação da 2ª CNJ, teve alterações no decorrer da conferência e com a
aprovação do regimento interno – documento este que norteia o funcionamento de toda conferência.
28 De acordo com site da Secretaria Nacional de Juventude (http://www.juventude.gov.br/) em consulta no dia 09
de fevereiro de 2012. Foi publicado pela Secretaria de Inclusão Digital no Diário Oficial da União no dia 08 de Fevereiro de 2012, a lista das instituições que firmaram Acordo de Cooperação Técnica com o Ministério das Comunicações para capacitar a juventude de áreas rurais no uso das Tecnologias da Informação e Comunicação. Foram destinados R$ 6,4 milhões em projetos de extensão das Universidades Federais e Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) por meio do projeto Inclusão Digital para Juventude Rural, parceria da SID com o a Secretaria da Juventude da Presidência da República. Os 38 projetos, que atuam sob as temáticas de Educação no campo, Gestão e comercialização da produção na agricultura familiar e Comunicação digital nas áreas rurais, já iniciaram as suas atividades em 17 estados de todas as regiões brasileiras. São diversas linhas de trabalho, desde a formação de jovens indígenas, criação e implantação de softwares de gestão de atividades de sistema produtivo de agricultura familiar até na formação de professores da zona rural, dentre outros.
As discussões nos GT‟s foram bastante cansativas devido à programação extensa e aos vários atrasos para seu início. Em alguns momentos houve esvaziamento dos participantes nos grupos. Cabe avaliar neste caso, se a adesão aos GT”s estava de acordo com os temas de interesse dos jovens e, também, considerar se não seria o caso - na realização de um evento tão importante para a juventude brasileira - dos grupos organizados aos quais muitos jovens fazem parte, criarem seus espaços de discussão, independentes da dinâmica formal do evento do qual estão participando.
No GT do eixo 01, “Direito ao desenvolvimento integral”, voltado para as discussões sobre ensino fundamental e médio, as propostas perpassaram pela inclusão digital nas zonas rurais do Brasil, em atenção às realidades de vários jovens que não têm acesso à internet. Entre as principais propostas citadas, os debates focaram a luta por uma educação de qualidade e também a luta pela participação de jovens nos mais diversos espaços de decisões da política pública de educação. Neste mesmo GT, na temática da comunicação, a reivindicação foi relacionada ao direito à informação e de um marco regulatório para os meios de comunicação.
No GT do eixo 02, “Direito ao território” as propostas debatidas foram relacionadas à criação de programas habitacionais para a juventude. Os que trabalham na agricultura familiar, camponesa, assalariada rural e integrantes dos povos e comunidades tradicionais almejam, entre outros benefícios, acesso à terra e que o país faça a reforma agrária.
O GT também debateu a importância da consolidação de uma política nacional de educação no campo, devido ao fechamento de escolas: nos últimos oito anos foram fechadas mais de 24 mil escolas do campo, negando aos jovens o direito à educação e à expressão.
Na temática relacionada ao transporte público, as discussões ocorreram sobre a importância da locomoção da juventude, entendendo que a mobilidade é um direito de todo cidadão, que precisa ter garantida sua acessibilidade, havendo necessidade de criação de alternativas de transportes mais acessíveis ao jovem pobre, como bicicleta e trem, aumentando as suas possibilidades de acesso.
No GT do eixo 03, “Direito à experimentação e qualidade de vida”, o debate ocorreu enfatizando a necessidade de incentivar à formação de especialistas voltados especificamente para o público jovem (hebiatras29). Tratou também da implementação de políticas e de
29 De acordo com o site http://www.pediatriabrasil.com.br, em pesquisa no dia 11/02/2012. Hebiatria é uma
referência à deusa grega da juventude, Hebe, filha de Zeus e Hera, que tinha o privilégio da eterna juventude. Do grego, "hêbé" (juventude, adolescência) e "iatrós" (médico), a hebiatria é uma área de atuação da pediatria. O médico, após terminar os seis anos de faculdade e mais dois anos de pediatria, passa mais um ano se subespecializando em medicina do adolescente. Na consulta com o hebiatra, a ideia é tentar fazer o jovem se
programas para reduzir a gravidez não planejada, a contaminação pelas doenças sexualmente transmissíveis, as hepatites virais e o uso de drogas. O GT também discutiu a não privatização e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) priorizando o atendimento à população de 15 a 29 anos de idade.
No GT do eixo 04 “Direito à diversidade e à vida segura”, as discussões ocorreram relacionadas às dificuldades da juventude de acesso ao emprego e à cidadania. Enfatizaram a questão da violência, devido à presença expressiva de jovens nas estatísticas de mortalidade, no sua proximidade com organizações criminosas, com bebidas alcoólicas e com drogas, além de sua significativa participação em acidentes de trânsito. Os jovens presentes nesse GT propuseram a reinserção socioafetiva dos jovens infratores em sistema socioeducativo, na família e na sociedade. Essas ações precisam envolver, segundo a proposta, o incentivo dos governos estaduais, para a criação de cotas para esses jovens nas empresas privadas e no poder público, com a extinção da exigência de documento de antecedentes criminais para seleções públicas. Eles querem participar das políticas de reinserção social e do tratamento para reabilitação de jovens dependentes químicos.
Na temática sobre saúde, a proposta foi implementar o plano nacional de saúde integral LGBT, com recorte juvenil. No campo da educação foi debatida a criação de um programa de formação continuada para os profissionais da educação sobre a temática LGBT e, o debate sobre a segurança, girou em torno da aprovação da Lei que criminaliza a homofobia.
Na temática sobre gênero o GT discutiu as prioridades dos direitos sexuais e reprodutivos e a descriminalização e legalização do aborto, além do enfrentamento à exploração sexual e tráfico de pessoas, e a ampliação da Lei Maria da Penha com garantia de orçamento.
O GT debateu também a modificação da nomenclatura do GT Gênero para “jovens mulheres e equidade de gênero” (viabilizando o segmento de mulheres na perspectiva de gênero) e construíram uma moção de repúdio por não se sentirem contempladas com a linguagem inclusiva do caderno de propostas que optou pelo emprego do “masculino genérico”, com a justificativa de fluidez na leitura e sobrecarga gráfica.
O GT também discutiu e aprovou várias moções, entre elas: a moção em favor do estado laico, pela aprovação da PL 122 que criminaliza Homofobia, o apoio à criação e sentir a vontade para tirar suas dúvidas (que geralmente são muitas). Abordam-se várias questões pertinentes, como drogas, sexualidade, nutrição e atividade física, bem como crescimento, desenvolvimento, vacinação e outros.
efetivação do Plano de Enfretamento à Juvenização da Aids e contra o fim da classificação indicativa na TV.
No GT do eixo 05 “Direito à participação e o desafio do fortalecimento institucional” as propostas foram relacionadas à incorporação do máximo de movimentos e entidades ligadas à juventude no Conselho Nacional de Juventude. Segundo a Conferência, deveriam participar segmentos que atuem em, no mínimo, sete Estados ou três regiões do país.
O último ponto das conclusões se refere à criação de um sistema nacional de financiamento para a juventude (criação dos Fundos de Juventude: municipal, estadual e nacional), com a regulamentação do Estatuto da Juventude.
Na mesa de debate com a palestrante Regina Novaes30, ela apresentou os desafios para o desenvolvimento e efetivação de direitos da juventude que, segundo a pesquisadora, o Estado brasileiro precisa assegurar e implementar políticas públicas, enquanto à juventude cabe buscar novas formas de inclusão e participação social, alinhadas ao desafio democrático de equacionar a igualdade e a diversidade. “Nós precisamos entender que a juventude é um sujeito singular, construído no plural, e só vai existir no momento de confluência entre direitos de cidadania e direitos humanos”.
Novaes afirma ainda que: “os direitos da juventude e as políticas públicas devem caminhar juntos, com a sociedade cobrando seus direitos e o Estado garantindo-os”.
Meirelles apresentou nesta mesma mesa os dados do estudo “Dez anos da Classe Média”, realizado pelo Instituto Data Popular, com foco na nova cara da juventude brasileira. Os dados demonstram uma mudança de objetivos dos representantes da classe e os avanços conquistados por esse elevado grupo de pessoas que ascenderam à faixa média da sociedade. “63% dos jovens entre 18 e 25 anos que estão na faculdade são da classe C, o que demonstra que programas como o Prouni estão surtindo efeito”.
Para Meirelles:
“O Brasil mudou e os jovens têm atuado cada vez mais como protagonistas dessa mudança. Os jovens da nova classe média são mais escolarizados que seus pais. Você tem hoje uma porcentagem grande de jovens que efetivamente contribui para a renda familiar, coisa que não acontecia no passado. Tudo isso leva a necessidade de aprimoramento das Políticas Públicas de Juventude. Segundo ele, agora temos
30 Regina Novaes, Renato Meirelles participaram da mesa sob o tema “Juventude, desenvolvimento e efetivação
formadores de opinião que estão, em sua maioria, conectados. O diálogo passa a ser diferente”.
Meirelles enfatiza ainda que as políticas públicas devem ser políticas de Estado e não de governo. Elas devem ser um conjunto de ações que garantam o processo de igualdade entre todos. Apresentou um balanço dos avanços dos programas desenvolvidos pelo governo federal nos últimos anos e os novos desafios que deverão compor a agenda juvenil.
A secretária nacional da juventude, Severine Macedo lembrou que o país passa por um momento especial, de conquistas sociais e econômicas, mudando, portanto, as prioridades das demandas desse segmento, que hoje luta por um espaço efetivo de participação, e exigindo uma nova abordagem do tema pelo Estado brasileiro.
Houve também espaço de entretenimento para os jovens participantes, com o objetivo de promover a convivência saudável e a diversidade por meio do esporte. O espaço contou com stand, possibilitando jogos livres de basquete, golfe, vídeo games interativos, xadrez, cartas, entre outros.