2.2. Motivasyon Kavramı 18
2.2.5. Motivasyon ile ilgili yaklaşımlar 26
O novo Plano Nacional de Educação contempla diretamente a Educação Superior nas Metas 12, 13 e 14. Cada Meta apresenta estratégias direcionadas para a efetivação do seu cumprimento. Essas estratégias, resultaram de processos de participação iniciado com a CONAE, mas substancialmente ampliado na primeira fase de tramitação do PNE na Câmara
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dos Deputados, por meio de audiências públicas, debates e seminários realizados pela Comissão de Educação e Cultura.
O processo de debates, na primeira fase de tramitação do PNE na Câmara dos Deputados (PL 8.035/2010) e no Senado Federal (PLC 103/2012), resultou em duas propostas, que no retorno à Câmara dos Deputados na segunda fase de tramitação – fase terminativa, foi alvo de intensas disputas.
Podemos dizer, que particularmente com relação à Educação Superior, as duas propostas, grosso modo, apresentaram apenas duas mudanças, que na nossa avaliação seriam substanciais. Trata-se da supressão da última parte do conteúdo da Meta 12, quando retira desta a evolução de pelos 40% (quarenta por cento) das novas matrículas no Ensino Superior público e a supressão da estratégia 12.20 de ampliação dos recursos do FIES e do PROUNI, indicando, desse modo, a roupagem elitista que o PNE recebeu no Senado. As demais alterações dizem respeito a 16 deslocamentos de estratégias, porém mantendo o mesmo conteúdo na maioria delas, algumas supressões e inserção de conteúdos novos. Porém, essas alterações que não impactuariam a política de Educação Superior, do ponto de vista de perdas das conquistas acumuladas pela sociedade brasileira, não se repetiram no conjunto das proposições do PNE (PLC 103/2012) que revelaram diferenças substanciais em diversas estratégias.
Desse modo, as organizações dos movimentos sociais e da sociedade, gestores, representantes de órgãos do governo federal e parlamentares, que assumem o compromisso com a educação como bem público e direito social, defenderam, na segunda fase do PNE na Câmara dos Deputados, a aprovação da versão integral do PNE, conforme o Substitutivo do Deputado Federal Ângelo Vanhoni (PT/PR) relator da matéria na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, por reconhecerem que este é mais permeado pelas prospostas dos movimentos sociais e é defendido pelo Fórum Nacional de Educação, órgão deliberado pela CONAE/2010 como responsável pelo acompanhamento da tramitação do PNE. Por sua vez, consideraram o relatório do Senado como retrocesso às conquistas da educação nos últimos anos e às perspectivas sinalizadas pelo PL 8.035/2010.
Após um processo de mobilizações e construções de acordos o PNE foi aprovado no Plenário da Câmara dos Deputados, no dia 28 de maio com o texto-base do relator deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), para o texto do Senado e, no dia 03 de junho, foram votados os destaques. Os deputados rejeitaram dois destaques apresentados ao texto. O primeiro destaque foi com relação à aplicação de, no mínimo, 10% (dez por cento) do PIB no setor público, retirando deste percentual o investimento em programas desenvolvidos em parceria com o
setor privado, e o segundo destaque foi com relação à retirada do texto da obrigatoriedade de a União completar recursos insuficientes de estados e municípios para cumprir o CAQ. Com a rejeição dos destaques, o Plenário manteve no texto, por 269 votos a 118, a manutenção desses programas inclusos nos 10% do PIB, concluindo a votação do Plano Nacional de Educação - PNE - PL 8035/10 (BRASIL/CÂMARA DOS DEPUTADOS, 2010), após um longo processo de três anos e meio de tramitação.
O PNE (PL 8035/2010) foi sancionado pela Presidenta Dilma Rousseff em 25 de junho de 2014 e publicado no Diário Oficial sob a Lei 13.005 em 26/06/2014.
O Quadro 6 a seguir apresenta a redação final das metas (destacadas em negrito) e as estratégias que consubstanciam a política nacional de Educação Superior, na forma da Lei. Lei 13.005 de 25 de junho de 2014 (BRASIL, 2014).
Quadro 6: Metas e estratégias da Política de Educação Superior no PNE 2014-2024 (Lei 13.005/2014) META 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na Educação Superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão para pelo menos, 40% das novas matrículas, no segmento público.
ESTRATÉGIAS:
12.1 Otimizar a capacidade instalada da estrutura física e de recursos humanos das instituições públicas de educação superior, mediante ações planejadas e coordenadas, de forma a ampliar e interiorizar o acesso à graduação;
12.2: ampliar a oferta de vagas, por meio da expansão e interiorização da Rede Federal de Educação Superior, da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e do Sistema Universidade Aberta do Brasil, considerando a densidade populacional, a oferta de vagas públicas em relação à população na idade de referência e observadas as características regionais das micro e mesoregiões definidas pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uniformizando a expansão no território nacional;
12.3: elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais nas universidades públicas para 90%, ofertar no mínimo um 1/3 das vagas em cursos noturnos e elevar a relação de estudantes por professor(a) para 18, mediante estratégia de aproveitamento de créditos e inovações acadêmicas que valorizem a aquisição de competências de nível superior;
12.4: formentar a oferta de educação superior pública e gratuita prioritariamente para a formação de professores e professoras para a Educação Básica, sobretudo nas áreas de ciências e matemática, bem como para atender o défice de profissionais em áreas específicas;
12.5: ampliar as políticas de inclusão e de assistência estudantil dirigida aos(às) estudantes de instituições públicas e bolsistas de instituições privadas de Educação Superior, e beneficiários do Fundo de financiamento estudantil (Fies), de que trata a Lei nº 10. 260, de 12 de junho de 2001, na Educação Superior, de modo a reduzir as desigualdades étinico-raciais e ampliar as taxas de acesso e permanência na Educação Superior de estudantes egressos de escola pública, afrodescendentes, indígenas e de estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, de forma a apoiar seu sucesso acadêmico. 12.6: Expandir o financiamento estudantil por meio do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), de que trata a Lei 10.260, de 12 de julho de 2001, por meio da constituição de fundo garantidor do financiamento, de forma a dispensar progressivamente a exigência do fiador;
12.7: Assegurar no mínimo 10% do total de créditos curriculares exigidos para a graduação em programas e projetos de extensão universitária, orientando sua ação, prioritariamente, para as áreas de grande pertinência social;
12.8: Ampliar a oferta de estágio como parte da formação na Educação Superior;
12.9 ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos na Educação Superior, inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas na forma da lei;
12.10: assegurar as condições de acessibilidade nas instituições de Educação Superior, na forma da legislação; 12.11: fomentar estudos e pesquisas que analisem a necessidade de articulação entre formação, currículo, pesquisa e mundo do trabalho, considerando as necessidades econômicas, sociais e culturais do país;
12.12: consolidar e ampliar programas e ações de incentivo à mobilidade estudantil e docentes em cursos de graduação e pós-graduação, em âmbito nacional e internacional, tendo em vista o enriquecimento da formação em nível superior;
12.13: expandir atendimento específico a população do campo, comunidades indígenas e quilombolas, em relação ao acesso, permanência, conclusão e formação profissionais para atuação nestas populações;
12.14: mapear a demanda de formentar a oferta de formação de pessoal de nível superior, destacadamente a que se refere à formação nas áreas de ciências e matemática, considerando as necessidades do desenvolvimento do país, a inovação tecnológica e a melhoria da qualidade da Educação Básica;
12.15: institucionalizar programa de composição de acervo digital de referências bibliográficas e audiovisuais para os cursos de graduação, assegurada a acessibilidade às pessoas com deficiência;
12.16: consolidar processos seletivos e regionais para acesso à Educação Superior como forma de superar exames vestibulares isolados;
12.17: estimular mecanismos para ocupar as vagas ociosas em cada período letivo da Educação Superior pública;
12.18: estimular a expansão e reestruturação das universidades estaduais e municipais, cujo ensino seja gratuito, por meio de apoio técnico e financeiro do Governo Federal, mediante termo de adesão a programa de reestruturação, na forma de regulamento, que considere a sua contribuição para ampliação de vagas, a capacidade fiscal e as necessidades dos sistemas de ensino dos entes mantenedores na oferta da qualidade da Educação Básica;
12.19: reestruturar com ênfase na melhoria de prazos e qualidade da decisão, no prazo de 2 (dois) anos, os procedimentos adotados na área de avaliação, regulação e supervisão, em relação ao processo de autorização de cursos e instituições, de reconhecimento ou renovação de reconhecimento de cursos superiores e de credenciamento ou recredenciamento de instituições, no âmbito do sistema federal de ensino;
12.20: ampliar, no âmbito do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior – FIES, de que trata a Lei nº 10.260, de 12 de junho de 2001, e do Programa Universidade para Todos – PROUNI, de que trata a Lei 11.096, de 13 de janeiro de 2005, os benefícios destinados à concesão de financiamento a estudantes regulamente matriculados em cursos superiores presenciais ou a distância, com avaliação positiva, de acordo com regulamentação própria, nos processos conduzidos pelo Ministério da Educação;
12.21: fortalecer as redes físicas de laboratórios multifuncionais das IES e ICTs nas áreas estratégicas definidas pela política e estratégias nacionais de ciência, tecnologia e inovação.
META 13: elevar a qualidade da Educação Superior pela ampliação da proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de Educação Superior para 75% (setenta e cinco por cento), sendo, do total, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) doutores.
ESTRATÉGIAS:
10.861, de 14 de abril de 2004, fortalecendo as ações de avaliação, regulação e supervisão;
13.2: ampliar a cobertura do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), de modo a ampliar o quantitativo de estudantes e de áreas avaliadas no que diz respeito à aprendizagem resultante da graduação; 13.3: induzir processo contínuo de autoavaliação das instituições de Educação Superior, fortalecendo a participação das comissões próprias de avaliação, bem como a aplicação de instrumentos de avaliação que orientem as dimensões a serem fortalecidas, destacando-se a qualificação e a dedicação do corpo docente; 13.4: promover a melhoria da qualidade dos cursos de pedagogia e licenciaturas, por meio da aplicação de instrumento próprio de avaliação aprovado pela Comissão Nacional da Educação Superior (CONAES), integrando-os às demandas e necessidades das redes de Educação Básica, de modo a permitir aos graduandos a aquisição das qualificações necessárias a conduzir o processo pedagógico de seus futuros alunos(as), combinando formação geral e específica com a prática didática, além da educação para as relações étnico- raciais, a diversidade e as necessidades de pessoas com deficiências;
13.5: elevar o padrão de qualidade das universidades, direcionando sua atividade, de modo que realizem, efetivamente, pesquisa institucionalizada, articulada a programas de pós-graduação stricto sensu;
13.6: substituir o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) aplicado ao final do 1º (primeiro) ano do curso de graduação pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a fim de apurar o valor agregado dos cursos de graduação;
13.7: fomentar a formação de consórcios entre instituições públicas de Educação Superior, com vistas em potencializar a atuação regional, inclusive por meio de plano de desenvolvimento institucional integrado, assegurando maior visibilidade nacional e internacional às atividades de ensino, pesquisa e extensão;
13.8: elevar gradualmente a taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais, nas universidades públicas, para 90% (noventa por cento) e , nas instituições privadas, para 75% (setenta e cinco por cento), em 2020, e fomentar a melhoria dos resultados de aprendizagem, de modo que, em cinco anos, pelo menos 60% (sessenta por cento) dos estudantes apresentem desempenho positivo igual ou superior a 60% (sessenta por cento) no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE e, no último ano de vigência deste PNE, pelo menos, 75% (setenta e cinco por cento) dos estudantes obtenham desempenho igual ou superior a 75% (setenta e cinco por cento) nesse exame, em cada área de formação profissional;
13.9: promover a formação inicial e continuada dos (as) profissonais técnico-administrativos da Educação Superior.
META 14: elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu, de modo a atingir a titulação anual de 60.000 (sessenta mil) mestre e 25.000 (vinte e cinco mil) doutores.
ESTRATÉGIAS
14.1: expandir o financiamento da pós-graduação sticto sensu por meio das agências oficiais de fomento; 14.2: estimular a integração e a atuação articulada entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e as agências estaduais de fomento à pesquisa;
14.3: expandir o financiamento estudantil por meio do FIES à pós-graduação stricto sensu;
14.4: expandir a oferta de cursos de pós-graduação stricto sensu, utilizando inclusive metodologias, recursos e tecnologias de educação a distância
14.5: implementar ações para reduzir as desigualdades étnico-raciais e regionais e para favorecer o acesso das populações do campo e das comunidades indígenas e quilombolas a programas de mestrado e doutorado; 14.6: ampliar a oferta de programas de pós-graduação stricto sensu, especialmente os de doutorado, nos Campi novos abertos em decorrência dos programas de expansão e interiorização das instituições superiores públicas; 14.7: manter e expandir programa de acervo digital de referências bibliográficas para os cursos de pós-
graduação, assegurada a acessibilidade às pessoas com deficiência;
14.8: estimular a participação das mulheres nos cursos de pós-graduação stricto sensu, em particular aqueles ligados às áreas de Engenharia, Matemática, Física, Química, Informática e outros no campo das ciências; 14.9: consolidar programas, projetos e ações que objetivem a internacionalização da pesquisa e da pós – graduação brasileira, incentivando a atuação em rede e o fortalecimento dos grupos de pesquisa;
14.10: promover o intercâmbio científico e tecnológico, nacional e internacional, entre as instituições de ensino, pesquisa e extensão;
14.11: ampliar o investimento em pesquisas com foco em desenvolvimento e estímulo à inovação, bem como implementar a formação de recursos humanos para a inovação, de modo a buscar o aumento da competitividade das empresas de base tecnológica;
14.12: ampliar o investimento na formação de doutores de modo a atingir a proporção de 4 (quatro) doutores por 1.000 (mil) habitantes;
14.13: aumentar qualitativa e quantitativamente o desempenho científico e tecnológico do País e a competitividade internacional da pesquisa brasileira, ampliando a cooperação científica com empresas, Instituições de Educação Superior – IES e demais Instituições Científicas e Tecnológicas – ICTs;
14.14: estimular a pesquisa científica e de inovação e promover a formação de recursos humanos que valorize a diversidade regional e a biodiversidade da região amazônica e do cerrado, bem como a gestão de recursos hídricos no semiárido para mitigação dos efeitos da seca e geração de emprego e renda na região;
4.15: estimular a pesquisa aplicada, no âmbito das IES e das ICTs, de modo a incrementar a inovação e a produção de registro de patentes.
FONTE: Construído pela pesquisadora a partir do PNE 2014-2024 – Lei 13035/2014 (BRASIL, CÂMARA DOS DEPUTADOS: PNE. 2014, p. 45-53)
O PNE contempla a Educação Superior diretamente nas Metas 12, 13, 14 e nas 45 estratégias vinculadas a estas, porém de forma indireta, a política de Educação Superior aparece consubstanciada também em mais duas metas. Na Meta 15 que trata da política nacional de formação dos profissionais de educação, assegurando que todos os professores e as professoras da Educação Básica possuam formação específica na área de conhecimento em que atuam e na Meta 16 que trata da formação em nível de pós-graduação dos professores da Educação Básica.
Dentre as metas e estratégias que formam o conjunto da política de Educação Superior aprovadas no PNE 2014-2024, consideramos importante destacar a expansão do setor público, a ampliação e a democratização do acesso, a consolidação das ações afirmativas e a educação de qualidade, com avaliações periódicas e regulação do ensino púlico e privado, por pecebermos em tais temáticas uma relação mais direta com o compromisso da Educação Superior como bem público e direito social.
A Meta 12, contempla um dos maiores desafios que é ampliar a taxa bruta de matrícula na Educação Superior para 50% e a taxa líquida para 33%. O que implica em uma forte e direcionada ação para a criação de novas universidades e institutos de Educação
Superior e de um planejamento articulado que envolva a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios.
Apesar do expressivo crescimento na Educação Superior no Brasil na década (2002- 2012), quando foram criadas 14 (quatorze novas Universidades Federais, 134 (cento e trinta e quatro) novos Campi e 214 (duzentos e quatorze) Institutos Federais de Educação Profissional e Tecnológica, dados do último Censo da Educação Superior (MEC/INEP, 2012) demonstram que o Brasil com 17,8% de jovens de 18 a 24 anos matriculados no Ensino Superior, ainda se encontra em posição desfavorável em relação aos demais países, inclusive da América do Sul, como Argentina 68%, Bolívia 38%, Chile 52%, Colômbia 35%, Paraguai 29%. A superação do índice atual apontando na direção da meta de taxa líquida de matrícula para 33% (jovens de 18 a 24 anos) colocaria o Brasil no mesmo patamar em que esses países se encontram com relação ao Ensino Superior.
A meta porém contempla um outro desafio, que foi alvo de intensa disputa na fase terminativa de tramitação do PNE, que é garantir que pelo menos 40% das novas matrículas, ocorram no segmento público, assegurando a qualidade da oferta, permanência, expansão e democratização. Essa parte final da meta havia sido suprimida na redação do Senado e foi aprovada no Plenário da Câmara dos Deputados.
A supressão da obrigatoriedade de pelo menos 40% das novas matrículas nas Instituições Públicas de Ensino Superior, aprovada pelo Senado (PLC 103/2012) e reprovada pela mobilização social na Câmara dos Deputados, garantiria a continuidade do cenário, produzido nos últimos anos do Século XX e início do Século XXI, que, conforme destacam Gentili e Oliveira (2013) foi marcado pela ampliação das políticas de mercantilização educacional quando a quantidade de instituições de Ensino Superior privadas passou de 684, em 1995, para 1.442, registrando um crescimento de mais de 200%. Por sua vez, as instituições públicas passaram de 210, em 1995, a 195.
A obrigatoriedade de pelo menos 40% das novas matrículas no Ensino Superior público favorece a ampliação da oferta na rede pública e inibe, de certo modo, o crescimento da Educação Superior na rede privada de ensino. Conforme os dados apresentados pelo Censo da Educação Superior no Brasil (MEC/INEP, 2012), do total de 7.037.688 novas matrículas nos cursos de graduação em 2012, 1.087.413 foram nas instituições públicas e 5.140.312 nas instituições privadas. Muito embora, se verifique que o setor público apresenta um índice maior de crescimento de 7% em detrimento do setor privado que obteve o crescimento de 3,5%, esse se mantém em ampla liderança em função da defasagem acumulada. Diminuir essa distância no sentido de uma relativa equiparação exige,
de fato, uma intervenção no setor público mais consistente. Nessa direção, defende Luiz Dourado, no seu depoimento:
A Educação superior tem pontos bastante importantes. O primeiro deles é que há uma sinalização de duplicação dos esforços na educação superior o que significaria uma expansão muito efetiva, e isso é de grande importância. Na proposta da Câmara, essa expansão teria 40% das novas matrículas no setor público e isso saiu na versão do Senado, o que significa um retrocesso muito grande. Eu diria que na educação superior a gente tem esse ponto de embate muito grande. Particularmente defendo que tenhamos mesmo os 40% de novas matrículas no setor público, porque isso de alguma forma manteria os atuais níveis, porque se nós tivermos um grande crescimento no setor privado e não tivermos um crescimento do setor público, a situação que já é extremamente inversa, porque nós temos mais de 75% de matrículas no setor privado e somente 25% no setor público seria ainda mais complicado, então esse é um aspecto muito interessante (Depoimento dado à Pesquisadora, em 20/02/2014, em Brasília/DF).
Em sintonia com essa afirmação do protagonista Luiz Dourado, podemos dizer que somente assumindo essa perspctiva seria possível democratizar o acesso à Educação Superior, garantindo ao mesmo tempo a inclusão e a qualidade. A ampliação do acesso nesse caso seria associada a uma efetiva política de expanção e interiorização da Educação Superior pública e gratuita.
Daniel Torjeira Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, no seu depoimento, considera que não houve no Senado um efetivo esforço do Governo Federal na manutenção da submeta de ampliação das matrículas no Ensino Superior. Assim se pronuncia:
A submeta de que pelo menos 40% das novas matrículas sejam públicas é imprescindível. Mas o que o Governo Federal fez na tramitação do PNE no Senado? Ele permitiu que essa submeta na educação superior fosse retirada e fez o mesmo no ensino profissionalizante de nível médio, cuja submeta de expansão pública era 50% das novas matrículas. E qual é o aspecto dramático dessa supressão? É que a maioria dos Parlamentares vinculados à área de educação são financiados pelas entidades privadas de educação superior e pelo Sistema S, ou por empresas associadas ao sistema S. Ou seja, não será fácil reverter essa posição na Câmara. O resultado disso tudo pode ser terrível. Pode ser que o PNE saia sem uma submeta para a expansão da