A Conferência Nacional de Educação (CONAE) foi realizada no período de 28 de março a 1º de abril de 2010 em Brasília, com o tema: Construindo um Sistema Nacional Articulado de Educação: Plano Nacional de Educação, suas Diretrizes e Estratégias de Ação.
Conforme o Documento Final (BRASIL/MEC/SE/SEA, 2010), em todo o seu processo de realização a CONAE/2010 contou com uma intensa participação da sociedade civil, agentes públicos, entidades de classe, estudantes, profissionais da educação e pais/mães (ou responsáveis). Na etapa nacional foram 3.889 participantes, sendo 2.416 delegados/as e 1.473 observadores/as, palestrantes, imprensa, equipe de coordenação, apoio e cultura. A etapa nacional foi precedida pela realização de 27 conferências estaduais, 378 conferências municipais e 89 regionais realizadas ao longo do ano de 2009.
A participação democrática e o aprofundamento do debate sobre as questões da educação foram possíveis pela metodologia adotada. Nas conferências, estaduais, municipais, distrital e regional, o debate das questões da educação foi subsidiado pelo documento- referência elaborado pela Comissão Organizadora Nacional da CONAE, composta por representantes de entidades da sociedade civil e da sociedade política, constituída pela Portaria Ministerial nº. 10 de 2008. A partir desse documento, foram aprofundadas as questões locais e regionais e apresentadas propostas no formato de proposições suplementares, supressões ou acréscimos.
O resultado dos amplos debates com as entidades parceiras, escolas, universidades e em programas transmitidos por rádio, televisão e internet, coordenados pela Comissão Nacional da CONAE, foi o acréscimo no Documento-referência de novas proposições, que emergiram ao longo das discussões nos estados, Distrito Federal e municípios, sendo analisadas e aprovadas na Conferência Nacional de Educação.
O documento específico elaborado por cada Estado e Distrito Federal resultou na inserção de 5.300 deliberações em parágrafos, com propostas de emendas ou novos parágrafos. As propostas foram sistematizadas pela comissão especial de dinâmica e sistematização da CONAE com base em critérios regimentais.
A partir dessa sistematização foi elaborado o Documento-base da etapa nacional, com 2.057 emendas. Estruturado em dois volumes: Volume I, com emendas aprovadas em cinco ou mais Estados e Volume II, emendas passíveis de destaque (ou aprovadas em menos de cinco Estados). O documento-base foi enviado aos/às delegados/as por e-mail, divulgado no site da Conferência, além de entregue a cada participante credenciado, por meio de cópia impressa no início do evento. Durante o evento, esse documento foi discutido nas plenárias de eixos e na plenária final.
Foram seis plenárias realizadas em 30 e 31 de março de 2010 que aprofundaram o debate dos seguintes eixos temáticos:
I. Papel do Estado na garantia do direito à educação de qualidade: organização e regulação da educação nacional;
II. Qualidade da educação, gestão democrática e avaliação; III. Democratização do acesso, permanência e sucesso escolar; IV. Formação e valorização dos/das profissionais da educação;
V. Financiamento da educação e controle social;
VI. Justiça social, educação e trabalho: inclusão, diversidade e igualdade.
O debate nessas plenárias resultou em 694 emendas, aprovadas pelos delegados/as e encaminhadas para apreciação e para deliberação na plenária final.
Na plenária final, foram aprovadas 677 emendas e o conteúdo resultante de todo o processo de sistematização foi registrado no documento final – referência para a construção de diretrizes para a política nacional de educação e elaboração do PNE para o decênio seguinte.
Fotografia05: Solenidade de abertura da CONAE – Brasília 28/03/2010 Fonte: Galeria de foto da CONAE (disponível em conae.mec.gov.br)
Fotografia 06: Credenciamento/CONAE – Brasília 28/03/2010 Fonte: Galeria de foto da CONAE (disponível em conae.mec.gov.br)
A CONAE mobilizou cerca de 3,5 milhões de brasileiros e brasileiras, contando com a participação de 450 mil delegados e delegadas nas etapas municipal, intermunicipal, estadual e nacional (BRASIL/MEC/SE/SEA, 2010).
O processo de construção coletiva, a ampla participação e o debate democrático convergindo para as diretrizes do Plano Nacional de Educação coloca este momento, como
ímpar na história da educação brasileira. Conforme Gomes (2011, p. 221), “A CONAE se constituiu no momento aglutinador das demandas dos movimentos sociais em prol de uma educação democrática e emancipatória”. Corroborando essa análise, Dourado (2011, p. 51) afirma:
[...] a CONAE cumpriu um importante papel, construindo um espaço democrático de discussão e deliberação de concepções e proposições educacionais para o Estado Brasileiro, com especial destaque para a construção do Sistema Nacional de Educação e de um Plano Nacional como política de Estado. Algumas das deliberações da CONAE foram consideradas na proposta do Plano Nacional de Educação apresentada pelo Executivo Federal, em dezembro de 2010, ao Congresso Nacional (DOURADO, 2011, p. 51).
Desse modo, podemos sinalizar que a metodologia adotada na construção e realização da CONAE garantiu o seu surgimento no cenário da educação nacional como um espaço relevante de construção de diálogo e proposição, conforme destaca o Documento Final:
A Conae constituiu-se, assim, num espaço democrático de construção de acordos entre atores sociais, que, expressando valores e posições diferenciadas sobre os aspectos culturais, políticos, econômicos, apontam renovadas perspectivas para a organização da educação nacional e para a formulação do Plano Nacional de Educação 2011-2020. Nessa direção, a Conae representou um exemplo do princípio constitucional do regime de colaboração e construiu um patamar histórico para a efetivação do Sistema Nacional de Educação no Brasil. Dar consequência ao clima de credibilidade, de entusiasmo e de compromisso com as mudanças na educação nacional, instaurado pela Conferência, mediante o assumir de medidas concretas, a curto e médio prazo, constitui um desafio a ser enfrentado pelo Estado e a sociedade (BRASIL/MEC/SE/SEA, 2010, p. 9).
A intensa participação na CONAE/2010, a nosso ver, se explica pela expectativa construída na sociedade brasileira e, de modo especial, no setor educacional da realização de uma conferência nacional de educação, como uma conferência de Estado, ou seja, garantindo a participação da sociedade civil, dos governos e do parlamento. Essa demanda vinha sendo reclamada há muitos anos pelos movimentos sociais. Após a eleição do presidente Lula e a institucionalização das conferências como indicativas da construção de políticas públicas, cresceu mais ainda a necessidade no seio do movimento social educacional da realização da ConferênciaNacional de Educação. Para a Coordenação Nacional da CONAE “os resultados desse processo expressam as lutas desencadeadas no País por meio de inúmeros movimentos sociopolíticos e educacionais, destacando-se o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, a realização de conferências e congressos de educação, entre outros” (BRASIL/MEC/SE/SEA,
2010 p. 11). Durante a realização da Conferência Nacional de Educação Básica (CONEB) realizada em 2008, esse sentimento eclode com mais fervor e nesta conferência o Governo Federal assume o compromisso de convocar uma Conferência Nacional de Educação para 2010 (BRASIL/MEC/SE/SEA, 2010).
Em 03 de setembro de 2008 foi publicada a Portaria Ministerial nº 10, constituindo a Comissão Organizadora da CONAE com as tarefas de coordenar, promover e monitorar o desenvolvimento da CONAE em todas as etapas. Na mesma Portaria, foi designado o Secretário Executivo Francisco das Chagas Fernandes para coordenar a Comissão Organizadora Nacional formada por 35 membrosrepresentantes de organizações sociais, dos sistemas de ensino, dos órgãos educacionais, do Congresso Nacional e da Sociedade Civil.
Fotografia 07: Solenidade de posse da coordenação da CONAE/201031
Fonte: Galeria de foto da CONAE
31 A Deputada Federal Fátima Bezerra (PT/RN) integra a coordenação representando a Comissão de
Fotografia 08: Entrega do Documento Final da CONAE/2010, pela coordenação, ao Presidente Lula (2003-
2010)32
Fonte: Acervo Campanha Nacional pelo Direito à Educação
Embora se reconheça que a CONAE representa uma reivindicação antiga, remetendo- se inclusive aos anos 30 do Século XX com referência ao Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, e um retorno com maior fervor logo no início do governo Lula (2003), é interessante observar que a sua realização teve que esperar alguns anos, tendo o processo político conduzido, antes desta, à realização da Conferência Nacional de Educação Básica (CONEB). Conforme destaca o Secretário Executivo Adjunto do MEC Francisco das Chagas Fernandes:
Na realidade a Conferência Nacional da Educação com essa concepção de ser uma conferência de Estado, ou seja, garantindo a participação da sociedade civil, dos governos, e do parlamento, etc. é uma reivindicação
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Ocupa o centro da mesa o presidente Lula e o Ministro da Educação Fernando Haddad, à sua direita o Secretário Executivo do MEC José Henrique Paim – Ministro de Educação a partir de fevereiro de 2014, do lado esquerdo Francisco das Chagas Fernandes – Secretário Executivo Adjunto do MEC e coordenador da CONAE, um dos protagonistas participantes desse estudo. Encontram-se também os protagonistas: Celestino Lourenço, Carlos Abicalil e Daniel Cara, situados em pé atrás do Presidente Lula, e Raimundo Jorge o primeiro da do lado esquerdo. (Fotografia cedida pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação – tirada em 15/12/2010, às 18h30min).
antiga. Com a eleição do presidente Lula o movimento social começou logo a reivindicar a realização de uma conferência de educação, assim como as outras conferências que aconteceram por iniciativa do governo.
A primeira conferência de Educação chegou a ser convocada pelo ministro Cristóvão Buarque, mas não aconteceu porque não teve consenso quanto à sua organização, isto em 2003. Quando eu cheguei à Secretaria de Educação Básica do Ministério de Educação, eu botei na cabeça que nós teríamos condições de fazer a conferência. Conversei com vários atores, mas não tivemos força e nem consenso para organizá-la de imediato. Porém, nesse processo de articulações chegamos a um acordo com vários atores e com o governo de realizar a Conferência Nacional de Educação Básica em 2008. A Conferência da Educação Básica ficou bem acima das expectativas e dela tiramos como importante deliberação organizar a Conferência Nacional de Educação em dois anos. A Conferência Nacional de Educação Básica foi relevante em dois aspectos. Primeiro, porque aprovou várias propostas que serviram de base para mudanças inclusive para a Constituição Brasileira. Em segundo, porque propôs por unanimidade a realização da Conferência Nacional de Educação para 2010.
Chagas Fernandes destaca que algumas iniciativas de realização da CONAE anterior ao ano de 2010 foram frustradas pela dificuldade de conformação de alguns acordos fundamentais para a sua realização. Nesse sentido, destaca a CONEB como um importante avanço para a construção de acordos e para a consolidação de importantes conquistas para a educação brasileira.
Quando eu falo de consensos para organização, eu falo de consensos com relação à organização da Conferência de Educação Básica e depois na sequência com relação à CONAE. A construção do consenso é importante, porque você tem centenas de entidades nacionais e todas entendem que devem exercer seu protagonismo coordenando. Todas basicamente querem estar na coordenação. Neste sentido dedicar-se ao processo de construção torna-se fundamental. O primeiro passo foi formar a Comissão organizadora com a participação do governo e da sociedade. Para poder depois dar os passos seguintes na organização da Conferência. Por exemplo, se você olhar a Constituição do Fórum Nacional de Educação que antes era a comissão de organização da CONEB, você ver em relação à educação do campo, o MST como titular e a CONTAG como suplente. Foi um acordo, porque não temos somente essas duas entidades no campo, tem várias outras entidades, e vários outros movimentos e organizações com relação à terra e a organização dos povos do campo. Evidentemente, nós tivemos que fazer um acordo com todos e estabelecer um consenso entre eles de quem seria o titular e o suplente para representar o campo. E assim sucessivamente. Por exemplo, as Centrais Sindicais. São seis centrais, se você for colocar as seis, terá que garantir o mesmo procedimento aos outros e aí não seria uma comissão seria uma assembléia. Foi então necessário fazer um acordo com as centrais e uma central ser a titular e outra a suplente, como representação das demais centrais sindicais.
Esse processo garantiu condições favoráveis à realização da conferência e ao aprendizado da construção coletiva:
Toda essa construção foi feita no sentido de primeiro dar condições de organizar a conferência e segundo ter uma comissão com capilaridade, respeitabilidade, visibilidade para poder realmente tomar algumas decisões antes mesmo da conferência. São decisões que antecedem todo o processo, por exemplo, número de delegados, como se dividem os delegados por setores, se faz um documento referência ou se não faz. Tudo isso tem que ser decidido pela comissão antes da conferência e muitas vezes não tem consenso sobre esses pontos e precisa que seja construído. Tem setores que achavam não ser necessário ter um documento de referência e têm setores que defendiam que se não tivesse um documento de referência você não nortearia as discussões e os debates nas conferências municipais e estaduais. Houve um histórico antes da realização da conferência. Um processo de construção, que possibilitou a realização da Conferência da Educação Básica em 2008, e a Conferência Nacional de Educação em 2010. E essa, não é uma tarefa fácil, por que o setor da educação brasileiro é muito plural, muito diverso e não é tão simples, e nós tínhamos uma cultura de reivindicar as conferências, de reivindicar um fórum nacional, mas tínhamos também a cultura de realizar conferências e congressos só com a sociedade civil e nunca com o Estado brasileiro, de trabalhar na perspectiva de reunir dois importantes atores da educação brasileira como a as organizações sociais e o governo debatendo a educação nacional e ter dois instrumentos nacionais, como temos hoje o Fórum e a CONAE.
Quando eu enfatizo o processo de construção e quando eu digo que ele, ainda estar sendo construído, é por que nós não tínhamos forma. Nós não tínhamos uma forma de como organizar um fórum nacional representativo da educação, como realizar uma conferência nacional com a participação da sociedade civil e do governo. Nós não tínhamos parâmetros e muitas vezes o parâmetro das outras conferências não serviam por que a educação é um setor muito mais plural do que os outros setores e plural em todos os sentidos. Plural por que são muitas organizações e movimentos que atuam no campo da educação, mas também plural nas concepções e são muitas as concepções diferentes, e não tínhamos um histórico disso. Nós não tínhamos vivenciado uma experiência como essa. Foi realmente preciso construir. (Francisco das Chagas Fernandes, depoimento dado à Pesquisdora, em 30/05/2013, em Natal/RN).
Conforme destaca o Secretário Executivo Adjunto do MEC, Francisco das Chagas Fernandes, houve um histórico antes da realização da CONAE que envolveu diversos processos de organização, reivindicação e maturação política do Estado e da Sociedade Civil, que possibilitasse reunir em torno da pauta da educação, governo, parlamentares, gestores da educação pública e privada, educadores, estudantes e movimentos sociais.
Podemos dizer que esse histórico, analisado a partir da perspectiva apresentada por Tarrow (2009), foi marcado durante o século XX por diversas ações e mobilizações das organizações de educadores e pelos movimentos sociais se constituindo em cadinhos de onde
nasceram novas culturas políticas e mudanças no repertório do confronto,33 germinando novas
formas de participação e de oportunidades políticas. Na primeira década do Século XXI, no âmbito da organização da educação, a CONEB 2008 se apresenta, portanto, como um marco inicial de mudança no repertório, com a constituição de um espaço que reúne os diversos setores da educação nacional em formas autônomas e diretas de participação.
A Conferência Nacional de Educação Básica (CONEB) foi realizada no mês de abril de 2008 em Brasília. Contou com a participação de 1.463 delegados(as) e 464 observadores(as), oriundos dos 26 Estados e do Distrito Federal, contemplando os mais diversos segmentos e organizações sociais. Como temática central discutiu a Construção do Sistema Nacional Articulado de Educação, a partir de cinco eixos temáticos: 1) Os Desafios da Construção de um Sistema Nacional Articulado de Educação; 2) Democratização da Gestão e Qualidade Social da Educação; 3) Construção do Regime de Colaboração entre os Sistemas de Ensino, tendo como um dos instrumentos o Financiamento da Educação; 4) Inclusão e Diversidade na Educação Básica; 5) Formação e Valorização Profissional. (BRASIL/MEC/SE/SEA, 2008).
A CONEB, em seu processo de construção, adotou como instrumento de participação a realização de conferências estaduais e distrital e nos maiores municípios a partir de um documento referencial, que serviu de parâmetro para as discussões estaduais e, sobre o qual, estados e municípios poderiam incluir novos tópicos e proposições. Esses encaminhados à comissão organizadora da Conferência seriam consolidados no Documento-base para a Conferência Nacional, subsidiando as conferências e os colóquios, cujos resultados foram deliberados na assembléia, formatando o documento final, com as posições consensuais e ou majoritárias da assembléia. Metodologia de participação e deliberação que foi aprimorada e utilizada pela CONAE em 2010 e que se apresenta também para a CONAE 2014 (BRASIL/MEC/SE/SEA, 2014).
33 Ao analisar o Poder dos Movimentos Sociais e as transformações históricas, Tarrow (2009) analisa as
mudanças que ocorreram no repertório do confronto, passando de um repertório tradicional marcado por grandes eventos como a tomada da Bastilha ou os Dias de Fevereiro em Paris, a petição de massa, a barricada, a insurreição urbana, para um repertório novo e mais geral de ação coletiva. Para o autor, em algum momento, durante o Século XVIII desenvolveu-se na Europa Ocidental e na América do Norte esse repertório novo, nacional, autônomo e modular que possibilitava a participação de uma variedade de atores sociais em favor de várias reivindicações diferentes para servir de ponte entre elas, para aumentar seu poder e refletir reivindicações mais amplas e mais pró-ativas. As oportunidades proporcionadas pelo Estado Nacional tornam-se o arcabouço para as suas ações. “Chegamos assim a uma situação histórica em que o confronto político se organiza nas fronteiras das instituições e nunca é verdadeiramente aceito pelas elites institucionais. Entretanto, devido a sua relação histórica com o desenvolvimento da cidadania, ele nunca poderá ser completamente eliminado sem ameaçar a própria democracia. Isso significa que o confronto político se forma ao redor da armadura da política institucional, e aumenta e diminui ao ritmo das mudanças nas oportunidades e restrições políticas” (TARROW, 2009, p. 95).
Esse processo de participação revelou o esforço nacional de reflexão e de compromisso com o aprofundamento das questões educacionais relativas à Educação Básica, cuja convergência efetivou-se por meio da Emenda Constitucional Nº 59 – salutar para a efetivação de um Sistema Nacional de Educação, regulamentação do regime de colaboração entre os entes federados, rediscussão dos marcos das políticas de financiamento e defesa da ampliação dos recursos para a educação, garantia do direito à inclusão e à diversidade, além da regulamentação da gestão democrática do sistema nacional de avaliação, do sistema nacional de formação de trabalhadores em educação, dentre outros. Aspecto também destacado pelo Secretário Adjunto Executivo do MEC, Francisco das Chagas Fernandes em seu depoimento.
A CONEB foi importante para a realização da CONAE, mas foi também importante porque aprofundou o debate sobre questões fundamentais para a educação e deliberou conteúdos importantes, inclusive conteúdos que fundamentaram a elaboração da Emenda Constitucional nº 59. Se você for estudar a Emenda Constitucional nº 59 aprovada em novembro de 2009 vai ver que todo o conteúdo dela saiu da CONEB. Acabar com a DRU - Desvinculação da Receita da União que retirava 20% dos 18% que o governo é obrigado a investir na educação foi uma proposta da CONEB. Universalizar a educação básica obrigatória foi proposta da CONEB. Vincular o Plano Nacional da Educação ao Produto Interno Bruto, ao PIB Brasileiro. A emenda 59 coloca o Plano Nacional de Educação como articulador do Sistema Nacional de Educação. Aqui são duas conquistas importantes, primeiro colocar o PNE na Constituição Federal, que não estava, segundo colocar o Sistema Nacional de Educação na Constituição que também não estava. Essa reivindicação dos movimentos sociais vem desde o processo constituinte na elaboração e aprovação da Constituição de 1988. Tudo isso a gente conquistou em uma emenda só, a emenda 59 que foi fruto das discussões que fizemos na Conferência Nacional da Educação Básica – CONEB. (Francisco das Chagas Fernandes. Depoimento dado à Pesquisadora, em 30/05/2013, em Natal/RN).
O papel da CONEB para a efetivação de conquistas historicamente demandadas pelos movimentos sociais e na construção de diálogos e consensos sobre as questões fundamentais da educação nacional, foi também expressa no documento final da referida conferência (BRASIL/MEC/SE/SEA, 2008). Esse documento, em sua introdução, destaca que a conferência problematizou temáticas extremamente importantes, discutiu e expressou as tensões, os conflitos e os desafios que permeiam a Educação Básica brasileira. A luta em prol de uma educação com qualidade social que reconheça e valorize os profissionais da Educação Básica e vise à superação das desigualdades sociais, raciais, de gênero, de idade e de orientação sexual foi um dos pontos destacados em vários colóquios e debates, assim como