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Na TAB.36 são apresentadas as concentrações de CO, NOx medidos no ano de 2006 na Estação CETESB Pinheiros e 2011/2012 medidos na Estação IPEN/USP, hidrocarbonetos medidos na Estação IPEN/USP em 2006 e 2011/2012, aldeídos medidos na Estação Cerqueira César em 2006 e na Estação IPEN/USP em 2011/2012, emissões em toneladas por ano de CO, NOx e COV, consumo de combustíveis em litros e área urbanizada da RMSP (SSE, 2008, IBGE, 2011, CETESB, 2012).

TABELA 36 - Concentrações de CO (ppm), NOx (ppb), COV (ppb) das Estações CETESB Pinheiros, Cerqueira César e IPEN/USP, emissões de CO, NOx e COV (toneladas/ano), consumo em litros de gasool, etanol e diesel, número de veículos e área urbanizada na RMSP Concentração 2006 2011/2012 CO (ppm) 1.17a 0.40b NOx (ppb) 0.12a 0.05b alcanos (ppb) 36.8 b 21.6 b alcenos (ppb) 19.7 b 9.59 b alcadienos (ppb) 2.4 b 0.07 b aromáticos (ppb) 10.0 b 25.2 b acetaldeído (ppb) 6.5c 32.3 b formaldeído (ppb) 6.0c 24.5 b outros aldeídos (ppb) - 6.7 b cetonas (ppb) - 12.1 b etanol (ppb) 414d 41.2 COV total (ppmC) 1.38 0.74 Emissões CO (t/ano) 1.503.000g 160.610e NOx (t/ano) 137.529g 139.216f COV (t/ano) 373.294g 35.370e Consumo gasolina (L) 2.849.767.333h 3.517.460.111i etanol (L) 1.152.939.645h 1.893.911.067i diesel (L) 1.949.145.150h 2.430.476.53 i continua

conclusão N.° de veículos Gasolinah 6.000.000g 2.861.781e Flexh 445.300g 2.423.887e Dieselh 430.000g 348.405e Motocicletash 870.000g 778.426e area urbanizada (km2)j 1747 2209

a: Medidos na Estação CETESB Pinheiros; b: Medidos na Estação CETESB IPEN/USP; c: Estação CETESB Cerqueira César; d: Colón et al. (2001); e: Relatório da Qualidade do Ar do Estado de São Paulo 2011; f: Inventário de fontes móveis: análise prospectiva e retrospectiva dos benefícios do PROCONVE para a qualidade do ar desde 1980 a 2030; g: Relatório da Qualidade do Ar do Estado de São Paulo 2006; h: Anuário estatístico de energéticos por município no Estado de São Paulo de 2007; i: Anuário estatístico de energéticos por município no Estado de São Paulo de 2011; j: IBGE, 2011. h: Estimativa da frota circulante da RMSP em dezembro de 2010, calculada de acordo com a nova metodologia utilizada pela CETESB, baseada no 1º Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários.

*Veículos a gasolina, diesel e motocicletas representaram um número menor em 2011 quando comparado a 2006 devido a mudança na metodologia para o cálculo da frota pela CETESB.

Entre os estudos de 2006, 2008 e 2011/2012 foi observado que a composição da atmosfera na RMSP mudou bastante. O consumo de etanol aumentou 64%, o de gasolina 23% e o de diesel aumentaram 25%. As concentrações de COV, CO e NOx na atmosfera dependem da qualidade dos combustíveis, da tecnologia dos veículos que implicarão diretamente na eficiência da queima dos combustíveis e de outros fatores. Um aspecto negativo é o aumento dos aromáticos na atmosfera que deve está relacionado ao aumento desta classe na composição da gasolina, que segundo a portaria 309/01 da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o teor de aromáticos para gasolina C comum e premium (gasool) é de 45%, e especificamente para benzeno é de 1% para gasolina C comum e 1,5% para gasolina premium. No caso do aumento do uso de etanol observou-se um aumento nas concentrações de 409% de aldeídos que são os principais precursores de ozônio. Outro aspecto importante é a predominância dos veículos flex que não são otimizados nem para utilizarem gasolina e nem para etanol e isto implica em uma perda de eficiência de queima nos dois casos. Verifica- se uma diminuição nas concentrações de CO. Apesar das controvérsias a respeito dos fatores de emissão de CO, uma vez que hoje, segundo relatório da CETESB, sua emissão anual é em torno de 10% do que era considerado em anos anteriores, como em 2006 e 2008, foi observado que sua concentração na atmosfera é hoje um terço da concentração de 2006, conforme a TAB.36, no entanto, as concentrações

de 2006 são referentes a estação Pinheiros e sua diminuição pode realmente ser maior, uma vez que esta estação está mais próxima de via de grande fluxo de veículos. O NOx diminuiu 58%, apesar do consumo de diesel ter aumentado 25%, mostrando que houve uma melhoria significativa na tecnologia dos motores e talvez do próprio combustível.

Diante deste cenário foi observado que as concentrações das espécies de COV, como os aldeídos e aromáticos, que são importantes precursores de ozônio, aumentaram na atmosfera e a concentração de ozônio também aumentou. No entanto, os resultados mostraram que uma alteração na composição da atmosfera altera o papel que cada espécie química exerce na formação de ozônio, e isto indica que a tarefa de diminuir a emissão deste poluente na atmosfera da RMSP é complexa. Um exemplo disto, é que em 2006 o principal precursor de ozônio era o formaldeído, representando em torno de 38% de sua formação, em 2008 36% e atualmente com todas as alterações nas concentrações das espécies na atmosfera, ele tem um papel muito pequeno na sua formação do O3. Se o formaldeído fosse suprimido da atmosfera a concentração de ozônio diminuiria 4% apenas, ao passo que hoje o acetaldeído ocupa o principal papel na sua formação do O3 representando mais de 50%. Em face deste cenário, onde as alterações nas concentrações das espécies também significam alteração no papel que cada espécie desempenha na formação de ozônio, verifica-se que existe um denominador comum em apontar os aldeídos como os principais precursores de ozônio. Se fosse possível retirar o acetaldeído da emissão veicular a concentração de O3 seria em torno de 30% menor.

6 Conclusões

Os 10 COV mais abundantes na atmosfera encontrados no estudo realizado no ano de 2011/2012, na estação CETESB IPEN/USP, foram: etanol, acetaldeído, formaldeído, acetona, propano, eteno, etano, butano, 1-etil-4-metilbenzeno e 1,2,4- trimetilbenzeno. No ano de 2011/2012 os aldeídos representaram 35,3% dos COV analisados, seguido pelo etanol com 22,6%, aromáticos 15,7%, alcanos 13,5%, acetona 6,8%, alcenos 6,0% e alcadienos menor que 0,1%.

Os principais precursores de ozônio encontrados no estudo de 2011/2012 pertencem à classe dos aldeídos que foram responsáveis por 74% da formação de ozônio na atmosfera, seguido dos aromáticos 14,5%, os alcenos 10,2%, os alcanos 1,3% e alcadienos (isopreno) 0,03%. Estes resultados são importantes para apontar quais medidas seriam eficientes no controle da formação de ozônio na atmosfera.

Reduzindo todos os aldeídos quantificados neste estudo a uma concentração desprezível na atmosfera ocorre uma redução nas concentrações de ozônio em torno de 26% na primavera, de 30% no verão, 28% no inverno e 25% no outono.

O estudo das emissões veiculares mostrou que os aldeídos representaram 69% dos COV emitidos em veículos a etanol em termos de massa (mg km-1) e 88% nos veículos a diesel. Os alcanos foram a principal classe de compostos emitidos em carros a gasolina e motocicletas representando 59% e 34% do total, respectivamente. Os aldeídos foram a principal classe de compostos precursores de ozônio, representando mais da metade da formação deste poluente. Este resultado está em coerência com a informação da CETESB de que 97% dos COV são provenientes de fonte veicular. Este cenário ocorre com as emissões dos veículos a etanol e a gasolina que estão quase 50% menor do que o limite de emissão permitido de 20 mg km-1. A redução do limite estabelecido de emissão para aldeídos das fontes veiculares contribuirá significativamente para a diminuição das concentrações de O3.

7 Sugestões para Trabalhos Futuros

Realizar mais estudos testando outros cenários de emissão e verificar o quanto isto altera os resultados obtidos pelo modelo OZIPR.

Realizar mais campanhas de amostragens de COV em outros pontos da cidade de São Paulo e outras localidades da RMSP como: Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, Osasco e Mauá.

Utilizar o modelo de trajetórias OZIPR (Ozone Isopleth Package for Research) para identificar os principais compostos precursores deste poluente em outras regiões da região metropolitana de São Paulo.

Realizar um número maior de ensaios veiculares para investigar quais são os tipos combustíveis que mais contribuem na emissão dos principais COV precursores de ozônio, realizando análises de hidrocarbonetos, etanol e principalmente de aldeídos para todos os tipos de combustíveis (gasolina C, etanol, diesel), veículos leves, pesados e motocicletas.

Benzer Belgeler