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4.4 Dördüncü Probleme Ait Bulgular ve Yorum

4.4.9 Modellemeye Dayalı Öğretim Öncesi ve Sonrası Isının Konveksiyonla İletilmesine İlişkin

A idéia da participação do Município no financiamento da política habitacional local está em pauta no Brasil do início da década de 90, como um dos principais rebatimentos da agenda proposta pelo processo de municipalização pós Constituição Federal de 1988. Como mostra o Quadro 5, ela está presente em documentos que espelham o conjunto das idéias defendidas por setores progressistas, no caso a Lei Orgânica de Belo Horizonte, a publicação do Partido dos Trabalhadores “O modo petista de governar” e o programa de governo da Frente BH Popular. Belo Horizonte é um exemplo dessa nova postura assumida pelas administrações municipais, como pode ser observado pela Tabela 1, pela elevação do patamar de investimentos na política habitacional ocorrido a partir de 1993.

Quadro 5– Recursos Municipais para a Política Habitacional Lei Orgânica do Município de

B.H. (1991)

“Modo Petista de Governar”

(1992)

Prog. de Governo da Frente BH Popular (1992)

. Destinação ao fundo de habitação popular recursos necessários à implantação da política habitacional, através da lei orçamentária anual.

. Alocação de recursos municipais para o setor de habitação popular, independentemente da luta para obtenção de recursos federais.

. Implementação do Fundo Municipal de Habitação Popular com significativas dotações orçamentárias municipais e recursos captadas através da Caixa Econômica Federal.

. Garantia de recursos para implantação da política municipal de habitação.

Fontes: BELO HORIZONTE, 1990; BITTAR, 1992; GRUPO DE POLÍTICA URBANA E HABITAÇÃO DO PROGRAMA DE GOVERNO DA FRENTE BH POPULAR, 1992.

A Tabela 1 mostra a progressão do valor dos recursos gastos pela URBEL com custeio e investimentos no período que vai de 1992, último ano da gestão anterior, até 1996, último ano

da gestão da Frente BH Popular. O primeiro aspecto que chama a atenção ao se observar a tabela mencionada é que o valor de recursos gastos em 1996 é mais do que cinco vezes maior que o gasto em 1992, constatação que demonstra com clareza a diferença de postura entre os dois governos no que se refere à política habitacional, já pontuada anteriormente. Constata-se também, pela progressão dos valores de 1993 a 1996, que o total de gastos anuais cresceu mais de oito vezes ao longo desse período, o que revela o grande incremento da capacidade operacional da URBEL. Essa constatação é reforçada quando se observa que o principal responsável pelo aumento dos gastos anuais é o investimento, que, no mesmo período, multiplicou-se por mais de treze enquanto o valor do custeio é apenas triplicado.

Tabela 1 – Recursos Financeiros Municipais – URBEL 1993/1996 (em dólares)

Exercício Custeio Investimento Total

1992 1.633.974 1.928.564 3.972.539 1993 1.822.363 1.169.088 2.581.451 1994 3.437.212 3.695.876 7.133.088 1995 6.260.392 10.194.974 16.455.367 1996 5.500.000 15.500.000 21.000.000 Fonte: URBEL, 1996.

Obs: Os valores relativos ao ano de 1996 referem-se a uma previsão de gasto feita pela URBEL em maio desse ano, quando o documento consultado foi elaborado.

Por outro lado, a contribuição de recursos externos para a implantação da Política Municipal de Habitação durante a gestão da Frente BH Popular é muito pouco significativa. Além dos recursos investidos no Programa Alvorada pela AVSI60, oriundos do governo italiano, a Prefeitura consegue em 1996 um financiamento no valor de pouco mais de 6 milhões de reais61 do FGTS através do Programa Pró Moradia, do governo federal, e quase 500 mil reais62 a fundo perdido do orçamento do governo estadual, como contrapartida no processo de

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Os recursos do governo italiano investidos pela Associação de Voluntários para o Serviço Internacional – AVSI no Programa Alvorada destinam-se ao financiamento da urbanização e regularização das favelas Ventosa, Senhor dos Passos e Apolônia.

61 Esses recursos, que estão em valor da época, destinam-se ao financiamento da construção dos Conjuntos Lagoa, Urucuia, Zilah Spósito e Araribá, este último localizado na favela Pedreira Prado Lopes, e à urbanização do Taquaril e da Vila Senhor dos Passos.

62 Apresentados em valor da época, esses recursos destinam-se ao financiamento da construção do Conjunto Lagoa.

assentamento de famílias de outros municípios acampadas em Belo Horizonte63. Na verdade, para se ter uma idéia da dimensão da contribuição dos governos federal e estadual para o financiamento da Política Municipal de Habitação, no período de 1993 a 2002 o montante de recursos captados junto a essas esferas do poder públicorepresentam, respectivamente, 6,6% e 1,2% dos investimentos em habitação no Município.

Durante a gestão municipal de 1993 a 1996 ainda não se implanta a política de concessão de financiamento e subsídio do Fundo Municipal de Habitação Popular, como informado anteriormente. Sendo assim, a URBEL não pode contar com os recursos oriundos das prestações pagas pelas famílias beneficiadas. O principal empecilho é a exigência, por lei federal64, de autorização legislativa para a alienação dos imóveis públicos municipais em favor das famílias, o que só acontece em 2004.

Os dados apresentados ilustram, no caso de Belo Horizonte, dois aspectos que caracterizaram a década de 90 no Brasil. De um lado, temos o aspecto referente à omissão do governo federal em relação ao investimento em uma política habitacional de interesse social e, nesse sentido, o percentual que representa a contribuição dos recursos oriundos das esferas federal e estadual no financiamento de ações nessa área demonstra de forma contundente a condição de isolamento vivenciada pelo Município, ao menos até 2002, no processo de enfrentamento dos problemas locais de moradia. De outro lado, temos o aspecto referente ao engajamento das administrações municipais na implantação de ações da política habitacional financiadas com recursos próprios, justamente em função do vácuo deixado principalmente pela esfera federal, sendo que, em Belo Horizonte, o governo da Frente BH Popular marca uma mudança de rumo

63 A ação de reassentamento de famílias de outros municípios, oriundas de ocupação organizada em logradouro de Belo Horizonte, acontece no início do governo, antes de ser aprovado no Conselho Municipal de Habitação, através da Resolução no II, o critério de priorizar o atendimento das famílias “efetivamente residentes no

nesse sentido, pelo fato de ter investido um volume de recursos significativamente maior que o investido pelas administrações municipais anteriores.

Vale ressaltar duas características presentes ao longo do período estudado no âmbito deste trabalho, que é o de 1993 a 1996, no que diz respeito ao tema abordado neste tópico. A primeira delas diz respeito à destinação sistemática de recursos municipais, assegurando a continuidade das ações implementadas tanto na linha de assentamentos existentes quanto na de novos assentamentos. A outra característica se refere à democratização dos processos de decisão sobre a aplicação dos recursos municipais, principalmente através da criação do Orçamento Participativo e de sua variante voltada para o atendimento do movimento dos sem casa, o Orçamento Participativo da Habitação. Em ambos os casos, essas características contribuem positivamente para o processo de consolidação das práticas e modelos propostos pela política habitacional em Belo Horizonte.