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Funcionará junto a cada sistema administrativo uma instância, com atribuições de: I - participar da elaboração da política de ação do Poder Público para o setor; II - participar da elaboração de planos e programas para o setor e do levantamento de seus custos;

III - analisar e manifestar-se sobre o plano diretor, o plano plurianual, as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual;

IV - acompanhar a fiscalizar a execução de planos e programas setoriais; V - acompanhar e fiscalizar a aplicação de recursos públicos destinados ao setor; VI - manifestar-se sobre proposta de alteração na legislação pertinente à atividade do setor (BELO HORIZONTE, 1990).

O Art. 23 da mesma lei complementa estabelecendo que as instâncias de que trata o Art. 20 atuarão de forma autônoma e independente do Poder Público e sua composição, organização e funcionamento serão definidos em estatutos próprios, aprovados pela Câmara (BELO HORIZONTE, 1990). A clareza do Art. 23 da Lei Orgânica quanto ao caráter autônomo e independente das instâncias participativas não se reflete nas atribuições previstas para essas instâncias em seu Art. 20, que não configuram o caráter deliberativo. Nesse sentido a Lei Municipal nº 6.326/93, que dá nova regulamentação ao Fundo Municipal de Habitação Popular, avança ao estabelecer, em primeiro lugar, que no caso da política habitacional essa instância prevista pela Lei Orgânica será o Conselho Municipal de Habitação e, em segundo lugar, que ele será deliberativo no que diz respeito à aplicação dos recursos do Fundo, conforme seu Art. 5º, transcrito anteriormente.

Uma diferença que merece ser destacada entre a proposta original da URBEL para a minuta de projeto de lei para instituição do Sistema Municipal de Habitação e a lei que cria o Conselho Municipal de Habitação diz respeito a sua composição. A primeira estabelece que oito dos onze membros, ou seja, mais de 70% do total de membros, sejam representantes da sociedade civil, dos quais seis, ou 75% dos membros da representação da sociedade civil, sejam do setor popular (USINA, 1993). Essa correlação não se mantém na proposta que finalmente é encaminhada à Câmara pela Prefeitura e aprovada, definida após a intervenção da Secretaria Municipal de Governo, onde a representação do Poder Público é paritária em

relação à da sociedade civil, embora a representação do setor popular tenha sido mantida como majoritária no âmbito da representação da sociedade civil. Em termos gerais, a proposta original da URBEL está mais sintonizada inclusive com a própria Lei Orgânica do Município, que estabelece como diretriz, conforme anteriormente citado, a autonomia e a independência das instâncias participativas em relação ao Poder Público. Esse fato mostra, de certa maneira, as diferenças de visão política existentes no âmbito da Frente BH Popular.

De acordo com a Lei Municipal no 6.508/94, o Conselho Municipal de Habitação tem vinte

membros e sua composição, apresentado em seu Art. 2º, é a seguinte:

Art. 2º - O Conselho Municipal de Habitação será constituído por 20 (vinte) membros titulares e igual número de suplentes, na seguinte forma:

I – 6 (seis) representantes de entidades populares, sendo:

a) 5 (cinco) de entidades gerais do Movimento Popular Por Moradia; b) 1 (um) de Central Sindical ou de Sindicato de Trabalhadores;

II – 2 (dois) representantes de entidades vinculadas à produção de moradia, sendo: a) 1 (um) de entidade empresarial;

b) 1 (um) de entidade de ensino superior;

III – 2 (dois) representantes do Poder Legislativo, indicados pela Câmara Municipal; IV – 9 (nove) representantes do Poder Executivo, sendo:

a) o Diretor Presidente da URBEL; b) o Secretário Municipal de Planejamento; c) 7 (sete) indicados pelo Executivo.

V – 1 (um) membro escolhido pelo Executivo em listas tríplices apresentadas por entidades de profissionais liberais relacionadas com o setor (URBEL, 2000)).

Outro aspecto interessante se refere à presidência do Conselho, que a proposta original define que pode ser exercida por qualquer um de seus membros, eleito pela maioria dos conselheiros, e a Lei Municipal no 6.508/94 define que é exercida pelo Diretor Presidente da URBEL. Também aqui se observa, portanto, um distanciamento da lei aprovada em relação às diretrizes da Lei Orgânica do Município.

A Lei Municipal no 6.508/94 estabelece como principais competências do Conselho: aprovar a Política Municipal de Habitação, a Política de Captação e Aplicação de Recursos, os Planos

de Ação e Metas, os Planos de Captação e Aplicação de Recursos e a liberação de recursos; acompanhar e avaliar a gestão econômica e financeira dos recursos, podendo suspender desembolsos em caso de irregularidades; propor revisão de planos e programas; aprovar relatórios contábeis referentes à aplicação de recursos; aprovar critérios de credenciamento e remuneração de agentes de execução e de assessoria técnica (URBEL, 2000). Ou seja, por lei o Conselho tem caráter deliberativo sobre questões referentes à formulação e implantação da Política Municipal de Habitação e exerce a curadoria do Fundo Municipal de Habitação Popular. Na prática, a desenvoltura do conselho para exercer essas competências fica bastante comprometida pelo fato de ser presidido por membro do Executivo.

Quanto à URBEL a Lei Municipal no 6.508/94 estabelece que a ela compete: elaborar e submeter ao Conselho Municipal de Habitação a Política Municipal de Habitação, a Política de Captação e Aplicação de Recursos, os Planos de Ação e Metas, os Planos de Captação e Aplicação de Recursos, relatórios mensais de atividades e financeiros bem como critérios de credenciamento e remuneração de agentes de execução e de assessoria técnica; gerir e realizar a movimentação financeira dos recursos destinados a habitação; submeter à aprovação do Conselho e implementar programas da Política Municipal de Habitação (URBEL, 2000).

Quadro 1 – Funcionamento do Sistema Municipal de Habitação

Instrumento Companhia Urbanizadora de Belo Horizonte - URBEL Conselho Municipal de Habitação - CMH Fundo Municipal de Habitação Popular -

FMHP

Lei Municipal no

6.326/93 . O FMHP será gerido pelo órgão da administração pública municipal encarregado da formulação e execução da Política Municipal de Habitação.

. As políticas de aplicação de recursos do FMHP serão formuladas em conjunto com o CMH. . Cabe ao CMH: aprovar as diretrizes e normas para a gestão do FMHP; aprovar a liberação de recursos do FMHP; aprovar as normas e valores de

remuneração dos diversos agentes envolvidos na aplicação dos recursos do FMHP; fiscalizar e acompanhar a aplicação dos recursos do FMHP. . Os recursos financeiros do FMHP serão

depositados em conta especial, em estabelecimento oficial de crédito, movimentados sob fiscalização do CMH. . O FMHP dará suporte financeiro à Política Municipal de Habitação voltada para o atendimento da população de baixa renda Lei Municipal no

6.508/94 . A URBEL é a entidade da administração pública responsável pela Política Municipal de Habitação, em conformidade com o que dispõe o Art. 209 da Lei Orgânica do Município.

. Cabe à URBEL: elaborar e submeter ao CMH a Política Municipal de Habitação e a Política de Captação e Aplicação de Recursos, os Planos de Ação e Metas e de Captação e Aplicação de Recursos, relatórios mensais de atividades e financeiros, critérios de credenciamento e remuneração de agentes de execução e de assessoria técnica; gerir e realizar a movimentação financeira dos recursos destinados a habitação; submeter à aprovação do Conselho e implementar programas da Política Municipal de Habitação.

. Cabe ao CMH: aprovar a Política Municipal de Habitação e a Política de Captação e Aplicação de Recursos, os Planos de Ação e Metas e de Captação e Aplicação de Recursos assim como a liberação de recursos; acompanhar e avaliar a gestão econômica e financeira dos recursos, podendo suspender

desembolsos em caso de irregularidades; propor revisão de planos e programas; aprovar relatórios contábeis referentes à aplicação de recursos; aprovar critérios de credenciamento e remuneração de agentes de execução e de assessoria técnica. Fonte:URBEL, 2000.

FIGURA 1 – SISTEMA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO

1993 / 2000