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Modelin Kurulması ve Değerlendirilmesi

4.4. Veri Madenciliği Süreci

4.4.3. Modelin Kurulması ve Değerlendirilmesi

Em um mundo em que fazer escolhas, tomar decisões e prever resultados é essencial, os conflitos e as controvérsias são inevitáveis. Negociar e argumentar, portanto, são partes integrantes do cotidiano das pessoas. A argumentação, segundo Mosca (2004), está presente em qualquer atividade do discurso. Disso, decorre que argumentar significa considerar o outro como capaz de interagir diante das propostas e temas que lhes são apresentados.

Reboul (2004) discute e interpreta as bases da Retórica Clássica, da Retórica Aristotélica e da Nova Retórica, apontando a argumentação como um dos pilares da retórica, arte de persuadir pelo discurso. A retórica compõe-se de dois elementos: o argumentativo, proposição destinada a levar à admissão de outra, e a oratória, domínio do público por meio da fala.

A retórica tem sua gênese na tradição e no legado da cultura grega. Considerando as contribuições de Reboul (2004) e Mosca (2004), com base em Aristóteles, percebe-se que a retórica é considerada como domínio dos conhecimentos prováveis. Nessa concepção, o seu campo é o da controvérsia, da crença, da opinião, tomado dialeticamente pelo embate de ideias e pela habilidade em conduzir o discurso.

Nessa perspectiva, caracteriza-se a retórica pela técnica argumentativa e pela habilidade em escolher as formas de realizá-la. Assim, todo discurso é uma construção retórica, pois busca conduzir o seu destinatário na direção de um determinado indício do assunto, projetando-lhe o seu próprio ponto de vista, para qual se deseja obter acordo.

Aristóteles transformou a retórica em um sistema, decompondo-a em quatro partes, pelas quais quem compõe um discurso passa. Reboul (2004) aponta que, mesmo não transitando por essas fases, é necessário que se cumpram as tarefas que representam: compreender o assunto e reunir todos os argumentos que possam ser úteis (invenção); colocá-los em ordem (disposição); redigir o discurso da melhor forma possível (elocução) e, exercitar-se para proferi-lo (ação).

É importante ressaltar que antes de realizar um discurso, faz-se necessário saber qual o tipo de gênero convém ao assunto. Aristóteles apontou que os

discursos podem ser classificados segundo o auditório e segundo a finalidade. Para ele, por serem considerados três espécies de auditório, os gêneros oratórios são: o Judiciário – usado nos tribunais e focado na defesa ou na acusação; o Deliberativo – utilizado em assembleia política e focado no exemplo e no raciocínio; e o Epidíctico – que utiliza o recurso do elogio para atingir sua finalidade. Os gêneros citados estão apresentados no quadro seguinte, segundo o auditório, o tempo, o ato, os valores e os tipos de argumento.

Auditório Tempo Ato Valores Argumento-tipo

Judiciário Juízes Passado (fatos por julgar) Acusar Defender Justo Injusto Entimema (dedutivo)

Deliberativo Assembleia Futuro Aconselhar Desaconselhar

Útil Nocivo

Exemplo (Indutivo)

Epidíctico Espectador Presente Louvar Censurar

Nobre

Vil Amplificação Quadro 2 – Gêneros aristotélicos (REBOUL, 2004, p.47)

Determinado o discurso, o orador precisa encontrar os argumentos também definidos por Aristóteles, em sentido geral, como instrumentos de persuadir: ethos e pathos – de ordem afetiva, e logos – de ordem racional.

O ethos é a marca que o orador deve assumir para criar confiança no auditório. O pathos é o conjunto de emoções, paixões e sentimentos que o orador deve provocar no auditório com o seu discurso. O logos, diz respeito à argumentação do discurso. Nesses argumentos, Aristóteles distingue dois tipos: o entimema (silogismo baseado em premissas prováveis – dedução) e o exemplo (a partir dos fatos passados, concluem-se os futuros – indução).

Embora tenham ocorrido muitas distorções da definição original de retórica, pode-se perceber o retorno a sua concepção, pelos novos desdobramentos representados pelas Neo-Retóricas, como teorias da argumentação fundadas nas lógicas não formais (Toulmin, Perelman e Tyteca, Meyer, Lempereur e outros) e nas lógicas naturais (Grize, Vignaux e outros).

Muitos estudiosos da retórica expõem que, na comparação entre a Velha Retórica e a Nova Retórica, percebem-se mais pontos em comum do que divergentes. Uma forma de exemplificação dessa afirmação pode ser notada, quando Aristóteles estabeleceu a ligação entre retórica e persuasão, desvinculando- a da noção de verdade, determinando as bases dessa disciplina que iriam persistir em desenvolvimentos modernos.

A concepção aristotélica de discurso convincente, ou seja, aquele que consegue fazer o público se identificar com a proposta, é semelhante ao que apontam Perelman e Tyteca (1976), cujo objeto da argumentação é provocar, ou aumentar a adesão às teses que se apresentam, para que possam desencadear nos ouvintes a ação pretendida e uma disposição para a ação.

A Nova Retórica mantém da Retórica Aristotélica a ideia de auditório, de orador e de discurso, elementos responsáveis pela argumentação, mas seu objeto de estudo, é, sobretudo, a sua estrutura.

Toulmin (1974/2000), por sua vez, propõe uma análise de argumentação, na qual o que conta como argumento apropriado e convincente varia de acordo com o contexto histórico, disciplinar e/ou social. Para tanto, o filósofo desenvolve um modelo descritivo de análise que especifica os elementos potenciais constitutivos de qualquer argumentação. Sua proposta apresenta a seguinte estrutura do discurso argumentativo:

� Dados – informações factuais, evidências, ocorrências, nas quais nos apoiamos para o desenvolvimento de uma tese (claim – conclusão).

� Asserção final – méritos que se buscam estabelecer, durante a argumentação, e podem suportar um novo argumento.

� Justificativa – proposições explicativas que dizem respeito a regras, princípios, inferências que possam legitimar a asserção final, promovendo a articulação entre os dados e a conclusão.

Nos postulados sobre argumentação, a partir de Perelman-Tyteca (1976), localizam-se cinco características essenciais: ser dirigida a um auditório; ser expressa em língua natural; ter premissas verossímeis (de confiança presumida); ter progressão dependente do orador e conclusões sempre contestáveis.

Ainda na perspectiva desses autores, por meio do Tratado da Argumentação (1976), para que os argumentos sejam identificados, há a distinção em quatro tipos:

a) Argumentos quase lógicos – apelam para estruturas lógicas e para relações matemáticas.

b) Argumentos baseados na estrutura do real – estabelecem elos com a experiência por sucessão e coexistência.

c) Argumentos que fundamentam a estrutura do real – fundamentam-se pelo caso particular e os raciocínios de analogia.

d) Dissociação ou oposição – visam a recusar a existência de uma ligação dada a sua incompatibilidade.

Nos estudos sobre argumentação, além das lógicas não formais, ligadas aos trabalhos de Perelman, existe outra corrente em torno de Jean-Blaise Grize. Também a ele se ligam Georges Vignaux, Borel, entre outros, cujos postulados consistem em demonstrar as operações supostas por toda construção argumentativa, realizada por um sujeito que age no seu discurso e que, simultaneamente, cria representações e sentido.

Benzer Belgeler