BÖLÜM 2: AVRUPA’DA TÜRK KMLNN ALGILANMASI
3.1. Türkiye’nin Üyelik Süreci ve Bu Sürece Olan Destek
3.1.1. Mission: Impossible?
No século XX, além das obras literárias reveladoras das escolhas modernistas, as revistas e os manifestos foram determinantes na divulgação dessas escolhas. Com certeza o fato de serem produzidos por um grupo fazia com que o movimento ganhasse mais força.
Ainda que a escolha de romper com os modelos europeus fosse declarada, os artistas do primeiro tempo modernista aceitaram os movimentos europeus de vanguarda, pois queriam inserir o Brasil na modernidade, e, para se contraporem ao tradicional, adotaram as expressões vanguardistas que estavam mais adequadas à retirada do país do passado. É o que se vê na primeira revista do Modernismo, publicada de 1922 a 1923 - Klaxon-mensário de arte moderna - que teve a participação de escritores como Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade dentre outros e de estrangeiros, como Charles Baudoin, Henri Mugnier, Guillermo de Torre, este último representante do ultraísmo 11que influenciará
os poemas de Raul Bopp. A participação dos estrangeiros estava dentro da
11Ultraísmo foi uma vanguarda literária espanhola em língua castelhana que surgiu entre 1918 e 1925
o àoào jeti oàdeàsi tetiza àtodasàasàte d iasàdeà a gua da:à Nossoàle aàse à ult a àe,àe à ossoà edoà a e oàtodasàasàte d iasàse àdisti ç o,àdesdeà ueàexp esse àu à o oàa seio .àOsàult aístas deram função primordial à metáfora. (Texto adaptado e resumido a partir de CEIA. Carlos. E-Dicionário
de termos literários. Verbete: Ultraísmo em:
http://www.edtl.com.pt/index.php?option=com_mtree&task=viewlink&link_id=17&Itemid=2 acesso em 21 de dezembro de 2014.
106 proposta expressa no primeiro número da revista de ser internacionalista e atual.
A postura de aceitação das vanguardas europeias, no entanto, não durou muito tempo, e logo acarretou numa autocrítica, pois os intelectuais acabaram entendendo que estavam fazendo o que criticavam. Oswald de Andrade considerou, então, que a independência ainda não tinha sido realizada de forma correta:
Siga as minhas ideias e verá como ainda não proclamamos direito a nossa independência. Todas as nossas reformas, todas as nossas reações costumam ser dentro do bonde da civilização importadas. Precisamos saltar do bonde, precisamos queimar o bonde (ANDRADE, 1990, p.41). Acreditando, então, que precisavam saltar do bonde e queimá-lo é que houve mudança de rota. O nacionalismo, o reencontro com o Brasil, o conhecer o país dominam as artes, a cultura, a partir da metade da década de 1920 do século XX. Vamos observar, então, que a liberdade poética não é mais tão importante quanto a inserção dos intelectuais na vida política e social, notaremos, então, que as produções artísticas passam a escolher retratar os problemas das diversas regiões do país.
O Modernismo adquire, assim, nova feição. Olívia Penteado, incentivadora do grupo, reúne artistas e intelectuais para viajarem para Minas e redescobrirem o Brasil. O Pau-brasil, de Oswald de Andrade, pode-se dizer é um dos primeiros frutos dessa redescoberta.
O objetivo do Pau Brasil era a elaboração de uma arte baseada nas características do povo brasileiro, valorizava a língua sem erudição, propunha a fusão do tradicional com o moderno, antecipando dessa forma a proposta antropofágica: “A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos”. E mais adiante: “A reação contra todas as indigestões de sabedoria. O melhor de nossa tradição lírica. O melhor de nossa demonstração moderna” (ANDRADE, 2011, p.327-330). Criticava qualquer padrão estabelecido e recomendava ver sem preconceito, ver com os olhos livres: “Nenhuma fórmula para a contemporânea expressão do mundo. Ver com os olhos livres”.
107 Oswald de Andrade, seu criador, ao propor metaforicamente a exportação do pau-brasil, símbolo da Brasil colonial, transpõe para a poesia a intenção de exportação, considerando-a, assim, um produto valioso. Em entrevista a O Jornal, em 1955, Oswald evidencia a rejeição à importação de modelos. Aproveita para ironizar Bilac e Coelho Neto, escritores que valorizavam o formalismo. Para se ter uma noção do impacto que a nova linguagem pau-brasil provocara é importante lembrar que as primeiras décadas do século XX estão impregnadas de Parnasianismo, de formalismo, assim sendo, a poesia pau-brasil representou, no dizer de Haroldo de Campos (1971), uma poética da radicalidade, uma guinada de 180º.
Em 1926, surge o Verde-amarelo como reação ao que esse grupo considerava nacionalismo afrancesado do Pau-brasil, propondo um nacionalismo puro, primitivo. Esse manifesto valorizava o tupi e concebia a anta como totem, como símbolo nacional, o que levou à denominação, posteriormente, de Escola da Anta.
Embora Pau-brasil e Verde-Amarelo/Anta apresentassem propostas semelhantes, o Verde-amarelo/Anta estava muito próximo da visão utópica romântica de Brasil, assumindo uma postura ideológica mais conservadora, como se lê no texto do Manifesto: “Aceitamos todas as instituições conservadoras, pois é dentro delas mesmo que faremos a inevitável renovação do Brasil, como o fez, através de quatro séculos, a alma da nossa gente, através de todas as expressões históricas” (TELES, 1997.p.367).
Para combater a ideologia do Verde-Amarelo/Anta, Oswald escreve o Manifesto Antropófago que dá início à Antropofagia, uma metáfora para a devoração do outro, com uma abordagem nada conservadora. O ideal de ver com os olhos livres expresso no Pau-brasil amadurece na Antropofagia.
Os movimentos, como vimos, ainda que ideologicamente opostos, partiram da valorização do país, do estudo de textos coloniais, para trabalharem a re-descoberta do Brasil. O Pau brasil é crítico enquanto o Verde-Amarelo reconstrói a visão romântica da tradição, do bom selvagem. Compreende-se, então, a necessidade de parte dos modernistas se
108 rebelarem contra a visão neorromântica do Verde-amarelo/Anta. É assim que surge a Antropofagia como uma resposta à atitude passiva que, novamente, tentava dominar a arte nacional.
Bopp, como antropófago autêntico, foi um dos editores - açougueiros - da Revista da Antropofagia, além de contribuir com textos para a Revista.