2.4. Soğutma Sistemlerindeki Yenilikler
2.4.1. Minimum miktar soğutma yöntemi
O papiamentu moderno é uma língua de base ibero-românica falada nas ilhas caribenhas de Aruba, Bonaire, Curaçao, Saba, Santo Eustáquio e São Martinho e também na Holanda15. A República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos
foi a responsável pela colonização dessas ilhas (depois de tomá-las da Espanha em 1634)16, as quais se tornaram notórias no passado como entrepostos de escravos, 15No século xix, o papiamentu também era falado como língua de imigrantes na Venezuela,
Porto Rico, Cuba e Ilhas Virgens (JOHNEN, em elaboração).
16Na verdade, a Companhia das Índias Ocidentais Holandesa era quem detinha o controle
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se destacando atualmente pela indústria do turismo. Quanto ao estatuto político, Aruba, Curaçao e São Martinho são países independentes (formando, junto com a Holanda, o Reino dos Países Baixos) ainda que a administração central em Haia seja responsável por alguns assuntos (especialmente Política Externa, Controle de Fronteiras e Assuntos Econômicos17); ao passo que Bonaire, Saba e Santo Eustáquio
constituem municipalidades especiais do Reino. Excetuando o caso de Aruba — que, em 1986, ganhou um status aparte, tornando-se um país independente em 1996 —, a configuração política atual se estabeleceu em 10 de outubro de 2010, quando da dissolução das Antilhas Holandesas (VERDUIJN, 2010). No âmbito linguístico, o papiamentu é a língua oficial, juntamente com o holandês, em Aruba, Bonaire e Curaçao. Em São Martinho, o inglês e o holandês gozam de tal estatuto. Já em Saba e Santo Eustáquio, o holandês é a língua oficial e o inglês tem status regional reconhecido, sendo língua veicular. O papiamentu é inclusive uma das línguas oficiais do Reino dos Países Baixos ao lado do holandês, do inglês e do frísio, sendo esse o único país da Europa a ter uma língua crioula como oficial.
O papiamentu atualmente tem um status social prestigioso quando compa- rado a algumas línguas crioulas de base portuguesa/espanhola, como, por exemplo, o santome. Segundo Quint (2000a: 7), dentre as línguas crioulas do mundo, o papi- amentu é provavelmente a mais padronizada. Ele goza de um grande prestígio entre os falantes, sendo usado por todas as classes sociais, em diferentes situações comuni- cativas (BIRMINGHAM, 1970: viii-ix; ANDERSEN, 1974: 2-4; DOMINGOS, 1974: 7). Além disso, a língua usada na literatura (poesia, novela, drama, ensaio, entre outros) também tem mudado. Antes, muitos autores (inclusive falantes nativos de papiamentu) produziam suas obras principalmente em holandês com o objetivo de alcançar um maior prestígio e visibilidade. Hoje, a produção de literatura em pa- piamentu, que passou a ter uma grafia oficial em 1976, tem se desenvolvido cada vez mais, até mesmo como uma forma de (re)afirmar a identidade nacional. Não
17A manutenção do vínculo entre a colônia e sua antiga metrópole mesmo após a inde-
pendência não é uma conjuntura rara. Appel & Verhoeven (1995: 65) afirmam que os processos de emancipação e liberalização das colônias, iniciados desde a Segunda Guerra Mundial e atingindo seu ápice nos anos de 1950 e 1960, não implicam necessariamente au- tonomia nos âmbitos político, econômico e administrativo, mantendo-se, em muitos casos, uma ligação com o colonizador de outrora.
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se pode deixar de mencionar ainda a presença do papiamentu nos meios de comu- nicação (HOLM, 2000: 76): há milhares de sites na internet, jornais diários, canais de televisão e emissoras de rádio em papiamentu, os quais são bastante populares e já ultrapassam o número de programas em holandês, por exemplo. Desde 1986, o papiamentu é também usado na escolarização, havendo um grande interesse em dar às crianças uma alfabetização bilíngue: em holandês e em papiamentu. Além de holandês e papiamentu, em geral, nas escolas, as crianças aprendem também espanhol e inglês. Dessa forma, o papiamentu foi ganhando um espaço cada vez maior na educação (até mesmo porque essa é a língua que a criança aprende no seio familiar antes mesmo de chegar à escola). Atualmente, há um curso de licenciatura na Universidade de Curaçao para formar professores de papiamentu para atuarem no ensino básico, fundamental e médio.
Como mencionado no capítulo 1, no que tange à formação do papiamentu, não há consenso entre os estudiosos, havendo pelo menos quatro hipóteses diferentes, a saber: (i) crioulo espanhol; (ii) crioulo ou protocrioulo afroportuguês falado por escravos africanos; (iii) desenvolvimento a partir do kabuverdianu de Santiago; (iv) ‘dialeto’ judeo-português da comunidade sefardita e seus escravos. Essas hipóteses serão discutidas detalhadamente no capítulo 4, uma vez que estabelecer o cenário em que se deu a gênese e o desenvolvimento do papiamentu é o objetivo principal desta tese.
3.2.1 Papiamentu: primeiro registro e origem do nome
De acordo com Munteanu (1996: 31), a mais antiga definição do papiamentu parece ser a do padre jesuíta Alexius Schabel, que viveu em Curaçao, atuando na catequização dos nativos, até 1703. Em um relato de 1704, Schabel aponta que os escravos africanos que viviam em Curaçao falavam “um espanhol mal-falado”18,
considerando, assim, o papiamentu como um descendente do espanhol.
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Já a primeira menção ao nome do papiamentu, segundo Severing & Weijer (2010: 13), ocorreu em 1747 em um diário de bordo manuscrito narrando a to- mada de um navio por corsários ingleses no trajeto entre Curaçao e a Venezuela19.
O confisco do navio se deu pelo fato de os ingleses presumirem que se tratava de um navio espanhol e, nesse período, as duas nações estavam em guerra. Após capturar o barco, os oficiais ingleses questionaram qual a língua falada a bordo e obtiveram as seguintes respostas de membros da tripulação: “Espanhol e holandês imperfeitos/mal-falados, que é chamado papiamentu espanhol”20e “Holandês, inglês
e papiamentu, mas principalmente papiamentu”21. Os ingleses perguntaram ainda
se o papiamentu era comumente falado em Curaçao e obtiveram uma resposta afir- mativa. Assim, o primeiro registro de que o papiamentu era a língua mais falada em Curaçao data de 1747 e nele a língua já recebe um nome (poppemento, na grafia do autor do diário de bordo) similar ao atual.
Além desse diário de bordo, Severing & Weijer (2010: 14-15) mencionam ainda o relato do professor Paddenburgh acerca da situação linguística de Curaçao em 1819. Segundo o professor, o papiamentu seria uma mistura de espanhol, holandês e línguas indígenas, usada não apenas pelos negros, mulatos e demais pessoas de pele escura (geralmente das classes sociais mais baixas), mas também pelos brancos nascidos na ilha. Nessas famílias, as crianças, em geral educadas por babás negras, aprendiam inicialmente o papiamentu, adquirindo outras línguas (como o holandês) mais tarde. A partir do excerto de Paddenburgh, é possível notar que o papiamentu realmente já tinha um uso difundido em Curaçao, corroborando o registro de 1747. Segundo Martinus (1996: 9), vinte anos depois da primeira menção ao papia- mentu, encontra-se o primeiro registro escrito na língua. Trata-se de um provérbio que dá nome ao barco de um comerciante judeu: Awa ta pasa harina, que remete a ‘tempos difíceis’ (tradução literal: ‘a água ultrapassa a farinha’). Em seguida, em
19Um excerto desse diário aparece no anexo D.
20Citação original: “Broken Spanish and broken Dutch, which is called Poppemento Spa-
nish.”
21Citação original: “Dutch, Spanish and, Poppemento, but mainly Poppemento.” Quanto
à grafia da língua, segundo os autores, é possível que no manuscrito apareça Pappimento (SEVERING & WEIJER, 2010: 13).
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1775, aparece o primeiro texto escrito da língua: uma carta escrita por um judeu sefardita (HENRIQUEZ, 1988: xii; MARTINUS, 1996: 9-11; entre outros). Maurer (1998: 203) especifica inclusive a data da carta: 05 de outubro de 1775. Segundo Wood (1972a: 21) e Ferrol (1982: 80-81), a carta data de 1776. Nesta tese, será con- siderado 1775 como o ano em que a carta foi escrita, seguindo autores como Maduro (1971: 55 apud HENRIQUEZ, 1988: 100), Martinus (1996: 9-10) e Maurer (1998: 101). O exemplar da carta que chegou aos dias atuais constitui um excerto em que não consta o início. Com base na tradução da carta do holandês para o espanhol, Maurer (1998: 101) aponta um possível começo para a carta, que será analisada na seção 5.2.1 do capítulo 5, apontando os elementos portugueses/sefarditas, bem como as diferenças com relação ao papiamentu moderno. Além da carta de 1775, Kouwenberg & Muysken (1995: 205-206) apontam ainda a existência de um diálogo escrito entre dois criados, datado desse mesmo ano, contudo não trazem referências de onde essa obra pode ser encontrada. Provavelmente, esse registro se refere à conversa entre duas escravas registrada no tribunal em 1776 por um judeu sefardita (JACOBS & VAN DER WAL, 2015: 46), cujo excerto será analisado na seção 5.2.1 do capítulo 5.
Já quanto ao nome atual da língua, pode-se considerar que seu étimo seria o verbo do português papear (cuja pronúncia eleva a vogal [e] para [i]: [pa.pi."a(h)]) — ‘bater papo, trocar ideias, conversar’ (HOUAISS & VILLAR, 2001, verbete papear) — acrescido do sufixo formador de substantivo -mentu, cuja origem também pode ser ligada ao português -mento. Segundo Birmingham (1970: 142) o próprio nome do papiamentu seria um indicativo de sua origem portuguesa, já que a ocorrência de nomes com o sufixo -mento é muito mais comum nessa língua do que no espa- nhol. Embora seja claro quais os elementos que formam o nome da língua (o verbo papia["pa.pja] + o sufixo -mentu ["m˜e.tu]), muitos autores discordam em atribuir uma procedência portuguesa para eles. Maduro (1965: 26), por exemplo, aponta a existência do verbo papear em espanhol antigo, galego e português, bem como do su- fixo -mento em palavras do espanhol antigo e sobretudo culto, considerando, assim, ‘um exagero, uma meia verdade’ atribuir uma origem indubitavelmente portuguesa ao termo. Munteanu (1996: 31-32) também menciona que o verbo papear/papiar
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ocorre em espanhol e galego-português, significando ‘1. falar, conversar, 2. falar uma língua com dificuldades, cometendo alguns erros’ e considera que o nome da língua pode ter derivado a partir desse verbo. No Dicionário da Academia Real Espanhola (RAE, 2001, tradução nossa), aparece o verbo papear, definido como ‘balbuciar, tartamudear, falar sem sentido’22. Já Martinus (1996: 6-7) mostra a
presença dos verbos papea e papia no kabuverdianu, no kriyol de Guiné Bissau e Casamança, no saramancan (um dos crioulos falados no Suriname) e aponta para uma provável origem portuguesa (a partir do verbo papear) do termo. Quanto ao -mentu, Grant (2008a: 54) afirma que, a despeito de se assemelhar à forma do português moderno -mento, esse sufixo pode ter sua origem ligada a uma forma não ditongada do espanhol -miento.
Ademais, deve-se lembrar que comumente os nomes das línguas são dados por associação a um grupo étnico, a um local (país, território etc), ou pode ainda ser um termo pejorativo dado por terceiros e, posteriormente, incorporado pela comunidade, mesmo que seja incômodo aos próprios falantes. Segundo Jacobs (2012d: 5), esse último cenário se aplicaria ao nomear o papiamentu. Para o autor, o termo seria derivado do verbo português/espanhol papia e seu significado pejorativo (‘ato de tagarelar, balbuciar, conversar sem sentido’) seria mais uma indicação de que o papiamentu surgiu como uma língua de escravos (ainda que tenha rapidamente se difundido para os demais segmentos da sociedade).