2. GENEL BİLGİLER
2.1. Mine
2.1.4. Minenin Yapısı
Para compreender os significados do rural brasileiro nos livros didáticos de Geografia do PNLD-Campo 2016, uma das principais questões que se tem é a de
apresentar nossa concepção sobre os conceitos . Uma vez que há uma
não serem dissociados, o certo é que os mesmos possuem significados diferentes.
E estão vinculados
estão ligados ao adjetivo. Assim podemos dizer, por exemplo: espaço rural e espaço urbano, escola rural e escola urbana, visto que o adjetivo rural está relacionado a dimensão espacial do campo e o urbano a dimensão espacial da cidade.
Pensando assim, é importante aqui, desmistificar um mito onde rural e urbano se contrapõe sendo que este último significa, progresso, enquanto o primeiro significa atraso. Alentejano nos apresenta razões para realizarmos essa desmistificação:
a) a modernização do campo, entendida como a difusão de tecnologias e relações de trabalho e produção baseadas na racionalidade técnica e na divisão do trabalho, em alguns locais foi inclusive mais acentuada que nas cidades, onde muitas vezes persistem setores onde predominam técnicas e relações de trabalho arcaicas;
b) o domínio da técnica e da artificialidade não é exclusivo do meio urbano, seja porque o espaço rural é cada vez mais transformado e produzido pelos homens, como pelo fato de que cada vez mais se busca a construção de cidades menos artificializadas, onde haja espaço para a preservação da natureza;
c) a indústria não é e nunca foi um fenômeno tipicamente urbano, como o provam as primeiras manufaturas que se instalavam nas áreas rurais, onde então se concentrava a mão-de-obra, e as atuais fábricas que buscam fugir das grandes concentrações urbanas, em função dos problemas de custo
gerados pela aglomeração excessiva - salários, tarifas, impostos e outros gastos elevados, tendo se concentrado nas cidades em função de condições econômicas, sociais e tecnológicas específicas de um dado momento do desenvolvimento. (ALENTEJANO, 2000 p. 103)
Embora o termo rural nos remeta a idéia de agricultura e de cultivo, queremos esclarecer que em nossa concepção o rural é bem mais que isto, ou seja, o campo não é um lugar simplesmente para desenvolver atividades agrícolas ou também atividades não agrícolas como tem ocorrido nos últimos tempos. O campo é um lugar onde se vive, estuda, trabalha, participa de festas, de praticas religiosas, etc. Desse modo, considerando o rural um adjetivo do campo, quando nos referimos ao rural brasileiro, queremos, sobretudo falar a respeito das relações espacializadas sejam elas sociais, econômicas ou culturais presentes no campo brasileiro.
Logo, quando falamos em relações espacializadas não podemos perder de vistas uma das categorias de análise da Geografia, o território, assim fizemos referência a essa categoria para abordamos relações referentes ao campo brasileiro. Antes, porém consideramos pertinente esclarecer a concepção que temos de território, que por sua vez é construído a partir do espaço geográfico. Seguindo o conceito de Souza, temos que o
fixo ou móvel podendo também ocorrer em diferentes escalas espacial e temporal.
Territórios existem e são construídos (e desconstruídos) nas mais diversas escalas, da mais acanhada (p. ex., uma rua) à internacional (p. ex., a área formada pelo conjunto dos territórios dos países-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte OTAN); territórios são construídos (e desconstruídos) dentro de escalas temporais as mais diferentes: séculos, décadas, anos, meses ou dias territórios podem ter um caráter permanente, mas também podem ter existência periódica, cíclica. (SOUZA, 2012 p. 81) Desse modo podemos falar em territórios do tráfico de drogas, da prostituição, dos pentecostais, entre outros. Em relação ao campo brasileiro podemos dizer que este é um espaço marcado por territórios. O território do agronegócio, que compreende também as terras improdutivas, e o território camponês. Estes dois territórios possuem várias características que diferencia um do outro. Enquanto a paisagem do primeiro é homogênea, marcada pela presença da monocultura, a paisagem do segundo é heterogênea, com o predomínio de diferentes atividades agrícolas. A finalidade produtiva dos dois territórios também se diferencia, o primeiro produz em grande escala, voltado para a exportação, já o segundo visa abastecer o mercado interno. Os interesses de ambos são divergentes, pois
enquanto o território do agronegócio vê o campo apenas como um lugar para a reprodução do capital, o território camponês vê o campo como morada do homem.
Todavia esses territórios não são fixos, ou seja, são dinâmicos com avanços, recuos e impasses em sua organização e seu desenvolvimento. Segundo Ribeiro (2016) essa dinâmica se deve aos processos de territorialização, desterritorialização, e reterritorialização, que significam respectivamente, criação, destruição e recriação de territórios, sendo que em suas configurações específicas, os territórios são produto e condição de modelos de desenvolvimento divergentes e em confronto permanente.
O modo de uso, posse e propriedade da terra desses dois territórios também são diferentes e geram conflitos por serem disputados, caracterizando assim o rural brasileiro em um espaço marcado pela violência e consequentemente pela impunidade.
A violência no campo brasileiro se estende de norte a sul de leste a oeste. São vários os tipos de violência registrados. Apenas para ilustrarmos recorremos a alguns exemplos comentados por Feliciano (2016). Um deles é a violência contra pessoa, que vai desde ameaças até a retirada da vida de uma pessoa. Segundo esse autor, parte dos sujeitos sociais que foram assassinados no campo brasileiro já haviam sido ameaçados, ou sofrido tentativas de assassinato.
Há também a violência relacionada à destruição dos espaços de vida e de trabalho, como por exemplo, a destruição de casas, pon
desses bens produzidos interfere, de forma brutal, na organização do trabalho da família ou
Outro tipo de violência que também permeia o campo brasileiro, é a silenciosa, ou seja, é aquela que provoca a morte de forma lenta por meio de agrotóxicos.
O Brasil, que alcançou o primeiro lugar no ranking mundial do consumo de agrotóxico no ano de 2008, trouxe também uma versão dolorosa, lenta e silenciosa de mortes e seqüelas pela exposição e intoxicação destes produtos fruto de uma expansão dos monopólios das transnacionais do setor químico por parcela dos sujeitos do campo que usam dessa prática, ou estão próximos a ela. (FELICIANO, 2016 p. 96).
Todas essas formas de violência são fruto de conflitos pela terra e estão relacionadas com a questão agrária conforme podemos ver a seguir.