1.2. Mimari Eserler
1.2.5.1 Çifte Minareli Medrese
Após a execução de Sócrates, uma série de textos surgiram, que pretendiam reproduzir os discursos que foram apresentados no julgamento. Dentre eles, estão os de Xenofonte e Platão.
Assim como ocorre em Platão, na Apologia de Xenofonte, não há menção em nenhum momento à figura de Alcibíades, muito embora o texto seja bem mais breve do que o de Platão e centre-se no discurso de Sócrates pouco antes de morrer.
fragilizada, associando-se aos espartanos. Cármides e Crítias, por sua vez, estão associados ao governo dos Trinta. O governo dos Trinta termina somente quando os exilados, como Anito, acusador de Sócrates, voltam a Atenas. Assim, a associação de Sócrates com Alcibíades, Crítias e Cármides é muito mais grave ἶὁΝὃὉἷΝἳΝἶἷΝ“ἵὁὄὄὁmpἷὄΝὁὅΝἼὁvἷὀὅ”,ΝἵὁmὁΝἳpὄἷὅἷὀὈἳΝἢlἳὈὤὁΝἷmΝὅἷὉΝἶiὅἵὉὄὅὁέΝἐὄiἵἽὁὉὅἷΝἷΝἥmiὈh,ΝἷὀὈὄἷὈἳὀὈὁ,Ν não acreditam que essa relação com Alcibíades, Crítias e Cármides estava apresentada implicitamente na acusação de Anito e que os jurados sabiam disso. Essa é uma associação que Xenofonte faz, tardiamente.
108 ἑἸέμΝ“[…]the formulation of the charges, together with Aesch. 1. 173, show that the origins of the trial
were firmly lὁἵἳὈἷἶΝ iὀΝἥὁἵὄἳὈἷὅ’ΝpἷὄἵἷivἷἶΝἳὅὅὁἵiἳὈiὁὀΝwiὈhΝ ἸigὉὄἷὅΝὈhὁὉghὈΝὁἸΝἳὅΝὁvἷὄὈhὄὁwἷὄὅΝὁἸ law, democracy, and religion. It is the specific association with anti-democrats and tyrants which gives rise to the general charges of atheist and amoral teaching.” Tradução minha.
a) Apologia
É interessante notar, entretanto, que ao se referir à acusação de Meleto de que ele corrompia os jovens e de que ele não reconhecia os deuses, Sócrates lembra que o próprio Apolo disse que ele era o homem mais sensato, independente, justo e sábio do que ele, e que, diferentemente de Licurgo, o legislador, que era comparado a um deus, Sócrates está acima dos outros homens. Quando chega a isso, ele faz questão de ressaltar que (Apologia 16.1-16.5): ηπμΝ ὲΝ η ῖμΝηβ ὲΝ α ΥΝ ε Νπδ τ β Ν Νγ ,Ν ζζὰΝεαγΥΝ θΝ εα κθΝ πδ εκπ ῖ Ν θΝ π θΝ Νγ σμέΝ έθαΝηὲθΝΰὰλΝ πέ α γ Ν κθΝ ηκ Ν κυζ τκθ αΝ αῖμΝ κ Ν υηα κμΝ πδγυηέαδμνΝ έθαΝ ὲΝ θγλυππθΝ ζ υγ λδυ λκθ,Ν μΝ παλΥΝ κ θὸμΝ κ Ν λαΝ κ Ν ηδ γὸθΝ ΫξκηαδνΝ δεαδσ λκθΝ ὲΝ έθαΝ θΝ εσ πμΝ θκηέ αδ Ν κ Ν πλὸμΝ ὰΝ παλσθ αΝ υθβληκ ηΫθκυ,Ν μΝ θΝ ζζκ λέπθΝηβ θὸμπλκ ῖ γαδν
Não creiais levianamente o que disse a deidade: pesai bem cada uma de suas palavras. Sabeis de homem menos escravo dos apetites do corpo que eu? Mais independente que eu, que de ninguém recebo presentes nem salário? Quem podereis, em boa fé, considerar mais justo que um homem tão acomodado com o que tenha que jamais precise do alheio?
Tendo em mente esse retrato que Xenofonte apresenta de Sócrates, posso passar à análise do retrato que ele trouxe de Alcibíades, pois, é justamente na contraposição dessas personalidades que residirá a força da virtude de Sócrates.
b) Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates
Segundo Gribble (1999: 226-228), embora não seja possível afirmar que o nome de Alcibíades tenha sido de fato citado durante o julgamento de Sócrates, fica evidente que a responsabilidade de a acusação genérica (de que ele corrompia a juventude) ter tornado-se uma mais específica (a de que ele corrompeu Alcibíades) deu-se por conta de Polícrates, que em seu discurso sobre a acusação de Sócrates, faz tal associação.
Nos Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates, Xenofonte defende então seu mestre abertamente contra as acusações de que ele havia corrompido, não só Alcibíades, mas também Crítias. É interessante notar que essa defesa se dá justamente na contraposição entre a personalidade dos dois e a de Sócrates, como apresentada na Apologia. Para
Xenofonte, Alcibíades e Crítias, que eram ameaças para o Estado109 aproximaram-se de Sócrates justamente porque tinham interesse em utilizá-lo como trampolim político, e aproveitando-se de sua bondade e pensando ser ele capaz de elaborar discursos apaixonados e persuasivos, passaram a estar em sua companhia.
Xenofonte ainda ressalta que, durante esse período em que estiveram com Sócrates, preferindo o hábito da virtude, eles se comportaram decentemente. Mas uma vez longe deles, seus comportamentos decaíram. Nesse momento, então, fala sobre Alcibíades (Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates 1.2.24.10 – 1.2.25.5):
ἈζεδίδΪ βμΝ ΥΝ α Ν δὰΝ ηὲθΝ εΪζζκμΝ πὸΝ πκζζ θΝ εαὶΝ ηθ θΝ ΰυθαδε θΝ γβλυη θκμ,Ν δὰΝ τθαηδθΝ ὲΝ ὴθΝ θΝ Ν πσζ δΝ εαὶΝ κῖμΝ υηηΪξκδμΝ πὸΝ πκζζ θΝ εαὶΝ υθα θΝ [εκζαε τ δθ]Ν θγλυππθΝ δαγλυπ ση θκμ,Ν πὸΝ ὲΝ κ άηκυΝ δηυη θκμΝ εαὶΝ έπμΝ πλπ τπθ,Ν π λΝκ Ν θΝΰυηθδε θΝ ΰυθπθΝ γζβ αὶΝ έπμΝπλπ τκθ μΝ η ζκ δΝ μΝ εά πμ,Ν κ πΝ ε ε ῖθκμΝ ηΫζβ θΝ α κ έΝ κδκτ πθΝ ὲΝ υηίΪθ πθΝ α κῖθ,Ν εαὶΝ ΰεπηΫθπΝ ηὲθΝ πὶΝ ΰΫθ δ,Ν πβληΫθπΝ ΥΝ πὶΝ πζκτ ῳ,Νπ φυ βηΫθπΝ ΥΝ πὶΝ υθΪη δ,Ν δα γλυηηΫθπΝ ὲΝ πὸΝπκζζ θΝ θγλυππθ,Ν πὶΝ ὲΝ π δΝ κτ κδμΝ δ φγαληΫθπΝ εαὶΝ πκζὺθΝ ξλσθκθΝ πὸΝ πελΪ κυμΝΰκθσ ,Ν έΝγαυηα ὸθΝ Ν π λβφΪθπΝ ΰ θΫ γβθνΝ α,Ν ΝηΫθΝ δΝ πζβηη ζβ Ϊ βθ,Ν κτ κυΝπελΪ βθΝ Νεα άΰκλκμΝα δ αδν
Perseguido, por causa de sua beleza, por uma multidão de mulheres da mais alta categoria, corrompido por causa do crédito de que gozava assim na república como nas cidades aliadas, por um enxame de hábeis aduladores, honrado pelo povo, alcançando sem esforço o primado do poder, Alcibíades relaxou-se tal esses atletas que, triunfando facilmente em todas as lutas, descuidam de todo exercício. Depois, orgulhosos de seu nascimento, soberbos de sua riqueza, ébrios do próprio poder, amolentados por uma turba de indulgentes, corrompidos de tantos lados ao mesmo tempo, admira que sua insolência haja transposto todos os limites? E a Sócrates é que acha o acusador de imputar as faltas que cometeram?! Entretanto, quando eram jovens, numa idade em que mais que nunca deveriam ter sido desregrados e intemperantes, Sócrates conteve-os na moderação: o que o acusador não acha digno do menor louvor.
Há aqui, mais uma vez, o retrato de Alcibíades como se encontra nos oradores dos anos 390 e, tirando os exageros, como o representa Plutarco: cercado de mulheres, sedutor, soberbo e, principalmente, embriagado pelo poder. Se a acusação de Sócrates e o motivo da sua morte foi ele ter transformado jovens como Alcibíades em aspirantes à
109 “ἑὄíὈiἳὅΝ ἸὁiΝ ὁΝ mἳiὅΝ ἵúpiἶὁ,Ν viὁlἷὀὈὁΝ ἷΝ ὅἳὀgὉiὀὠὄiὁΝ ἶὁὅΝ ὁligἳὄἵἳὅέΝ Alcibíades o mais intemperante e
insolente dos democratas”
( Ditos e Feitos Memoráveis de Sócrates 1.2-12)
tirania, Xenofonte aqui defende que foi justamente o contrário que se deu, que foi enquanto Sócrates mantinha uma relação próxima desses jovens que eles conseguiram conter seus piores instintos e viver uma vida comedida.
Essa é a única vez, em toda obra de Xenofonte, que ele menciona Alcibíades, mas fica clara a relação estabelecida entre o estilo de vida que ele leva e a ameaça que ele traz à cidade. Essa contraposição entre esse modo de vida nocivo à cidade e o modo de vida moderado de Sócrates será mais bem explorada, entretanto, em Platão.