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3. MATERYAL VE METOD

3.2. Metot

3.2.3. Mikrobiyolojik Analizlerin Gerçekleştirilmesi

Atualmente, a maior parte dos investigadores concordam que a memória não é caracterizado por um sistema cognitivo único, mas sim uma combinação de vários sistemas.De acordo com Fontaine (2010), as dissociações entre os sistemas mnésicos diferentes foram reveladas por numerosas pesquisas em áreas diversas, como a neuropsicologia, a psicologia animal, a psicologia do desenvolvimento e a psicologia do envelhecimento. Vale ressaltar que cada um desses sistemas mnésicos vem sendo estudado há décadas e que a maioria dos modelos teóricos de memória documentados na literatura foi elaborado a partir dos estudos dessas dissociações nos sistemas de memória.

Estes sistemas têm em comum a capacidade de armazenar informações e retê-las por determinado tempo, desde frações de segundos até a vida inteira (BADDELEY, 1999), diferenciando-se em relação ao tempo de armazenamento e de duração de cada processamento da informação.

Como foi exposto anteriormente nos estudos sobre os modelos teóricos, na teoria de processamento da informação proposta por Atkinson e Shifrin (1968), temos um modelo teórico da memória que relaciona a informação ao tempo.Neste modelo a memória está dividida em:memória sensorial, de curto prazo e de longo prazo.

A memória sensorial corresponde ao registro inicial da informação; ela é a atividade de retenção instantânea dos efeitos sensoriais produzidos por uma estimulação. Essa memória dura muito pouco, em torno de 250 milissegundos, e pode ser apagada antes mesmo de o indivíduo dar-se conta do seu conteúdo (TORTOSA, 2002).

Já a memória de curto prazo é um tipo de memória que foi interpretada, principalmente por Atkinson e Shifrin (1968), como sendo uma etapa anterior à memória de longo prazo, caracterizando-a como uma passagem obrigatória para que a informação se consolide na memória de longo prazo, ou seja, havia uma relação de dependência entre as memórias de curto prazo e a de longo prazo. Entretanto, nos modelos teóricos mais modernos de memória, já é possível observar que para os investigadores hoje a memória de curto prazo representa um processo independente da memória de longo prazo, com mecanismos próprios e distintos.Esse tipo de memória tem como característica a capacidade limitada quanto à quantidade de informação que consegue analisar e manter; e sua reprodução se faz imediatamente, em um tempo de permanência muito breve, de aproximadamente dois minutos (GIL, 2002, p. 21-61).

A memória de longo prazo está relacionada à informação já armazenada, a informação que se estende por período de minutos a décadas (MARKOWITSCH, 2000). De acordo com Gil (2002), essa memória permite a conservação durável das informações devido à codificação seguida de estocagem organizada em uma trama associativa multimodal (semântica, espacial, temporal, afetiva).Esse tipo de memória é muito importante para a aprendizagem e de acordo com Gil (2002), as informações armazenadas são objeto de consolidação variável em função de sua importância emocional e do número de repetições realizadas.

Apresentamos abaixo, uma representação dos sistemas de memórias propostos, inicialmente, pela teoria do processamento da informação em relação ao tempo, de Atkinson e Shifrin (1968).

Figura 1 – Sistemas de memória sob a ótica do tempo

Fonte: elaboração da autora.

Sob a ótica do conteúdo, temos outro sistema de memória, o qual divide o sistema de memória de longo prazo de acordo com o conteúdo da informação armazenada, assim temos: memória declarativa ou explícita; e memória não declarativa ou implícita.

A diferença entre os dois tipos de memória está na consciência e na não consciência da informação evocada, já que a memória declarativa tem como conteúdo materiais que podem ser conscientemente expressos. A memória declarativa ou explícita é a capacidade de estocar e recuperar conscientemente experiências previas (SANTOS, 2013). Já a memória não declarativa ou implícita está associada ao ato que é executado de forma inconsciente.

Endel Tulving(1983) foi o primeiro teórico a estabelecer uma distinção entre os sistemas existentes na memória declarativa ou explícita.Squire e Zola (1996) dividem a memória declarativa em:

i) memória semântica: um sistema que relaciona os conhecimentos adquiridos de fatos gerais, que não têm referência à história pessoal do sujeito, sem se basear-se no marcador tempo. Frequentemente, essa memória é mobilizada de maneira para gravar conhecimentos organizados do mundo, sem estar associada a nenhum evento passado, os fatos são sabidos, por exemplo: os nossos conhecimentos históricos, literários, culturais, o conhecimento do português, o perfume de uma rosa, as capitais nacionais, entre outros.

ii) memória episódica:um sistema que relaciona as informações ao Classificação dos sistemas de Memória sob a ótica do

tempo

tempo e ao espaço nos quais o evento ocorreu. Ela está associada a uma procura consciente das lembranças, armazenando episódios datados e espacializados na vida do indivíduo (FONTAINE, 2010, p. 124), sendo assim, uma memória de acontecimentos, que possibilita que o sujeito traga para o presente lembranças que ele reconhece como suas e de seu passado. Além disso, esse tipo de memória é também chamada de autobiográfica, como exemplo: os conhecimentos específicos que temos de lugares que fomos ou visitamos no decorrer de nossas férias.

A memória não declarativa ou implícita é um tipo de memória que também evoca informações da memória de longo prazo, mas de uma forma diferente. A informação é evocada inconscientemente, por performance. Segundo Gil (2002), essa memória está relacionada ao hábito de realizar uma ação ou comportamento que originalmente necessitou de esforço consciente, mas que, ao longo de seu aprendizado, deixou de requerer resgate consciente ou intencional de como se realiza tal experiência. A tarefa pode ser requerida de maneira automática, permitindo-nos adquirir hábitos e habilidades. Segundo Carvalho (2006), essa memória atua da mesma forma que ao aprendermos a andar de bicicleta, costumamos prestar bastante atenção nas manobras e, quando adquirimos a prática, o ato de andar de bicicleta é automatizado, não sendo necessário evocar conscientemente o que é preciso fazer, ao contrário, às vezes, se a atenção for recrutada para os movimentos, podemos até cair.

A memória não declarativa ou implícita, de acordo com Markowitsch (2000), subdivide-se em:

i) pré-ativação ou priming: um sistema que relaciona a influência de um estímulo anteriormente percebido, mas não conscientemente identificado. Refere-se a um sistema de facilitação. É o uso, sem precisar de um acesso consciente de experiências passadas para facilitar um funcionamento presente. Por exemplo, quando usamos fragmentos de uma imagem, ou início de uma palavra ou frase, como dicas para ajudar a decifrar antes mesmo que a informação se concretize.

àinformação à aquisição de hábitos e habilidades, ou seja, é o saber fazer por meio da cognição. Estes são adquiridos gradualmente, quando concretizados se tornam automáticos, por exemplo, a ação de aprender a dirigir, tocar instrumentos, andar de bicicleta.

iii) condicionamento: é um sistema que permite o processamento da aprendizagem e modificação de comportamento por meio de mecanismos de estímulo-resposta sobre o sistema nervoso central, por exemplo, o medo de cachorros por uma pessoa que foi mordida por um em sua infância.

A seguir, apresentaremos, como ilustração, uma representação do sistema de memória de longo prazo sob a ótica do conteúdo proposto por Tulving (1983) e adaptado por Markowitsch (2000).

Figura 2 – Sistemas de memória sob a ótica do conteúdo

Fonte: elaboração da autora.

Temos, ainda,na literatura, outro modelo teórico, chamado de memória operacional ou de trabalho, sendo este último termo introduzido por Baddeley e Hitch(1998) em 1974. Este sistema de memória pode também ser definido como um sistema temporário de curto prazo,inclusive, para alguns autores esse sistema inclui a memória de curto prazo (Cowan, 2008), porém, para outros, esse sistema está relacionado apenas aos aspectos atencionais da memória de curto prazo (Engle, 2002).

A memória operacional ou de trabalho é responsável por guardar e manipular informações, participando de uma série de tarefas cognitivas essenciais, como a aprendizagem, o raciocínio e a compreensão (BADDELEY, 1999), diferentemente da

Declarativa ou Explicita Não declarativa ou Explicita

Classificação dos sistemas de Memória sob a ótica do conteúdo Semântica Episódica Pré-ativação Procedural Condicionamento

memória de curto prazo, que tem como característica a capacidade limitada quanto à quantidade de informação que consegue analisar e manter, não havendo, portanto, a manipulação de informação.

A diferença entre a memória de curto prazo e a memória operacional ou de trabalho está na capacidade de a memória de curto prazo reforçar a própria informação com o intuito de mantê-la em mente, enquanto a memória operacional ou de trabalho tem perfil funcional ao viabilizar a manipulação dessa informação. Graças à manutenção e à disponibilidade da informação na memória operacional, outras tarefas cognitivas acontecem.

De acordo com Baddeley (1998), a memória operacional ou de trabalho, inicialmente foi proposta como um sistema composto por três estruturas: um executivo central (responsável por coordenar toda demanda advinda de diferentes fontes, além de ser o depositário e o controlador dos recursos de processamento) e dois subsistemas que estão subjugados a este executivo central, chamados de escravos: o de alça visuoespacial e o de alça fonológica – o primeiro refere-se ao domínio espacial e o segundo refere-se ao domínio linguístico. De acordo com Izquierdo (2002), a função do executivo central na memória operacional ou de trabalho é, em primeiro lugar, determinar, entre outras coisas, se a informação é nova ou não, sendo essa análise feita no momento da recepção, e, em segundo lugar, se é relevante para o indivíduo. Por isso, é importante que a memória operacional ou de trabalho tenha acesso rápido às memórias preexistentes no cérebro, pois se a informação que lhe chega for inédita, poderá ocorrer aprendizagem, acarretando, assim, na formação de uma nova memória.

Mais tarde, devido algumas incertezas no que tange ao processamento da informação, ou seja, como se dava a combinação dos códigos verbais e visuais nas representações multidimensionais da memória de longo prazo, Baddeley (1998) propôs haver um novo componente nessa memória, um sistema auxiliar, chamado de retentor episódico (buffer), o qual tem como função integrar vários domínios, tais como: visuais, verbais e perceptuais, decorrentes dos sistemas escravos (alça fonológica e alça visuoespacial), com a memória de longo prazo.

Há, ainda, na literatura, de acordo com Craik et al. (1995), outros tipos de memória, além das descritas nesta pesquisa. Somente para ilustrar, temos a memória prospectiva que é necessária para o planejamento de ações futuras e a metamemória, composta pela autoavaliação das capacidades mnemônicas, bem como pelo conhecimento da memória e

do uso de estratégias.

A seguir, discorremos sobre as principais alterações ocorridas nos sistemas de memória com o envelhecimento.