3. BULGULAR
3.9. Mikroalglerin antioksidant enzim aktivitelerinde meydana gelen
Letramento é uma palavra relativamente nova no vocabulário brasileiro, ou melhor, uma palavra morta que ressurgiu com um novo significado. Na época do Brasil Imperial letramento era sinônimo de soletração, no entanto, de acordo com Soares (2012) tal palavra caiu em desuso e desapareceu do dicionário português.
O termo Letramento ressurgiu com Mary Kato em 1986, quando esta o utilizou
em su posteriormente
em 1988 foi enfaticamente conceituado e diferenciado do termo alfabetização por Leda Verdiani Tfouni em seu livro, Adultos não alfabetizados, o avesso do avesso e então em 1995, Ângela Kleiman, também o utilizou Os significados do . Estas são, de acordo com Mortatti (2010) e Soares (2012), as novas fundadoras da antiga palavra letramento, porém, revestida de outro conceito.
O termo letramento tem origem na palavra literacy do inglês, a qual deriva do latim littera (letra), que acrescido do sufixo cy, denota qualidade, condição, estado, fato de ser, por isso, compreende ao estado ou à condição daquele que não apenas aprendeu a ler e escrever como e, principalmente, se apropriou da escrita, enquanto que o
analfabetismo é o estado ou a condição do analfabeto, daquele que não apenas não dispõe da tecnologia da leitura e da escrita, bem como:
[...] não pode exercer em toda a sua plenitude os seus direitos de cidadão, é aquele que a sociedade marginaliza, é aquele que não tem acesso aos bens culturais de sociedades letradas e, mais que isso, grafocêntricas (SOARES, 2012, p. 20).
Como se pode observar analfabetismo é o oposto de letramento, por isso, esse é o mesmo que alfabetismo, termo que, apesar de pertencer à nossa língua há mais tempo, não é tão utilizado. Soares (2012), justifica o aparecimento da nova palavra, letramento, devido à aparição de um novo fenômeno, ao qual ainda não se havia dado conta, ou seja, a diminuição do analfabetismo.
Ainda que, de acordo com Soares (2012), o analfabetismo atinja uma parcela significativa não apenas da população nacional, bem como da mundial, sendo insignificante apenas em países desenvolvidos. Ao observar-se um número maior de pessoas consideradas alfabetizadas, ou seja, que sabem ler e escrever, algo novo entrou em destaque, tais indivíduos, com frequência, não incorporam em seu cotidiano a prática da leitura e da escrita por não terem desenvolvido a competência necessária a isso, eis que surgiu então, uma preocupação extra, que transcende a alfabetização, o letramento.
Tfouni (2010) distingue duas concepções de alfabetização, uma que a compreende como um processo individual de aquisição de habilidades de leitura e escrita, que se conclui quando uma criança consegue codificar e decodificar o sistema de escrita. Outra que a entende como processo de representação de objetos diversos e distintos caracterizada, pois, por sua incompletude.
Para teóricos do letramento, este e a alfabetização são processos indissociáveis, porém distintos, por isso, há que se primar pela especificidade da alfabetização, l da leitura e da escrita e das relações fonema/grafema, do uso dos instrumentos com os quais se
Tfouni (2010) complementa a fala de Soares ao afirmar que, enquanto à alfabetização compete à aquisição individual do sistema de escrita ao letramento cabe aspectos sócio-históricos, ou seja, transformações culturais, sociais, econômicas e tecnológicas consequentes do processo de aculturação, bem como as relações de poder, dominação, participação e resistência, pois compreende a aquisição e a difusão da leitura e da escrita como processo histórico e político.
Alfabetizado, pois, é o indivíduo que sabe ler e escrever, bem como letrado é
pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e de
De acordo Soares (2012), a dimensão individual do Letramento compreende leitura e escrita como tecnologias que envolvem um conjunto de habilidades linguísticas e psicológicas, porém, a primeira estende-se da decodificação de palavras à compreensão da língua escrita, enquanto a segunda abrange da codificação à capacidade de comunicação via texto escrito.
Soares (2012), ainda observa que ambas são aplicadas diferentemente a produção de uma diversidade de materiais impressos desde a assinatura do nome, até a escrita de uma tese de doutorado, daí que, pelo fato das competências que compõem o letramento serem distribuídas de forma contínua e cada ponto desse contínuo indicar diversos tipos e níveis de habilidades, capacidades e conhecimentos, que devem ser aplicados a diferentes materiais, há certa dificuldade de distinção entre letrados e ausência total, nas
Já na dimensão social, o letramento é acima de tudo uma prática inserida na sociedade, representa o que as pessoas fazem num contexto específico com habilidades específicas relacionadas à leitura e à escrita e como essas, relacionam-se com necessidades, valores e práticas dentro deste contexto, exige, pois, envolvimento do indivíduo com a sociedade, no entanto, tal dimensão contempla duas interpretações, uma progressista, libe
Segundo uma interpretação progressista, liberal, a relação do indivíduo letrado com a sociedade restringe-se a adaptação daquele a esta, afim de que cada um funcione adequadamente ao seu meio social, tornando-se uma pessoa funcional a ele. Capaz de responder às demandas que lhes são exigidas, sobrevivendo a elas, atingindo seus
letramento é considerado como responsável por produzir resultados importantes: desenvolvimento cognitivo e econômico, mobilidade social, progresso profissional,
denominada por modelo ideológico, o conjunto de práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita, podem ser responsáveis, tanto por reforçar quanto por questionar
desejáveis e benéficas apenas por aqueles que aceitam como justa e igualitária a
p. 76).
A interpretação radical do letramento vem ao encontro do conceito aplicado à educação problematizadora e libertadora que exige um educador humanista, revolucionário, crente no poder criador dos homens, o qual, prima pelo pronunciamento
para transformá- p.93).
Portanto, enquanto a interpretação progressista institui a adaptação, a revolucionária prima pela transformação, naquela o indivíduo torna-se capaz de responder às demandas sociais, nesta, o homem cria e, transforma, essas demandas, consequências de sua conscientização, compreensão do mundo e apropriação de sua própria palavra, Freire (2011), caracterizaria o letramento progressista como estando vinculado à educação bancária.
Por referir-se a esta imensa gama de variáveis, desde habilidades e conhecimentos pessoais, até práticas e competências funcionais, bem como valores ideológicos e metas políticas, Soares (2012) defende a utilização do termo no plural, ou seja, letramentos, em detrimento à sua expressão no singular.
Ainda que exista a possibilidade de um indivíduo ser analfabeto, não saber ler nem escrever, segundo teóricos do letramento, a existência de iletrados em sociedade grafocêntricas é improvável, visto que, podem fazer uso de um leitor ou escritor para participarem de práticas sociais que os exijam, pois letramento é:
[...] o estado ou condição de quem interage com diferentes portadores de leitura e de escrita, com diferentes gêneros e tipos de leitura e de escrita, com as diferentes funções que a leitura e a escrita desempenham na nossa vida. Enfim: letramento é o estado ou condição de quem se envolve nas numerosas e variadas práticas sociais de leitura e de escrita (SOARES, 2012, p. 44).
Ao compreender-se letramento como utilização da tecnologia da leitura e da escrita em práticas sociais, entende-se a observação de Mortatti (2000) durante o quarto momento do período histórico da alfabetização no Brasil. O período de
dos alfabetizadores para utilização de textos de circulação social como livros, revistas, gibis, jornais, dentre outros, visto que, ainda que se buscasse a hegemonia de uma teoria construtivista, a qual explicou como se dá a aprendizagem deste conhecimento pelas crianças, esta dividia espaço com teóricos do letramento, os quais estavam preocupados com os usos que se faziam do ler e escrever socialmente.