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Mezhep Farklılıkları ve Eşler Arası İlişkilere Etkileri

O novo modelo produtivo flexível desencadeou a mundialização e a transnacionalização do capital, estabelecendo, em seguida, a concorrência intercapitalista sem os freios existentes durante o welfare state, a liberalização dos mercados e da economia, bem como a autonomia dos mercados financeiros. Muito mais do que antes, o capital não tem atualmente nacionalidade nem ramo de especialização. O capitalista pulveriza os seus investimentos em múltiplas atividades econômicas – financeira, industrial, rural, comercial e serviços. A produção de um mesmo bem industrial é desenvolvida mediante dispersão

geográfica, conforme a concepção de cada componente em países diferentes, na fábrica horizontal descentralizada envolta pela informática ou robótica. Por isso mesmo, há grande mobilidade física e virtual de capital, fusões e incorporações que solidificam monopólios e oligopólios mais fortes do que os Estados por que transitam o dinheiro (o verdadeiro e o fictício).

Sem abandonar a lógica da produção desorganizada – voltada para o mercado da troca, e não para atender as necessidades humanas –, com o recente estilhaçamento do modelo de regulação fordista-taylorista, o capital se organizou para obter controle sobre todos os aspectos da vida social e a neutralização dos seus inimigos de classe (com o fomento à terceirização, por exemplo), deteriorando as promessas de distribuição mais justa dos benefícios sociais e de um sistema político estável e relativamente democrático.96 A ofensiva

burguesa resultou na precarização das condições de trabalho, regulação do mercado de trabalho, intensa terceirização, prática de trabalho análogo à de escravo e privatização de funções essenciais do Estado. Enfim, foi construído um mundo excêntrico, permeado por extremo estímulo ao consumismo, valorização do fútil e do individualismo.

Estavam dadas, portanto, as bases materiais para a criação de uma ideologia afinada com o modelo de produção flexível, o neoliberalismo dos tempos de globalização financeira. Essa ideologia, destaque-se, cumpre o papel de produzir ilusões, pois não muda a realidade material nem produz revoluções ou transformações concretas nas relações sociais de produção. Na verdade, cinge-se a respaldar as ideias dominantes da classe dominante, normalmente divulgadas por intermédio de sofisticado conjunto de valores morais burgueses, em época de capitalismo manipulatório. Por outro lado, a natureza atrativa dessa ideologia amortece reações contrárias ao regime econômico que empresta sustentação política e cria valores para reproduzir o seu pensamento.

As ideias, isoladamente, não mudam o mundo. Marx inaugura o debate sob tal perspectiva refutando o caráter científico do idealismo de Hegel – o seu inspirador na universidade. Com fundamento no materialismo histórico dialético criado por Marx, sua teoria considera que a realidade (condições materiais advindas das relações de produção) determina a formação das ideias, e não o contrário (“Não é a consciência do homem que lhe

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SANTOS, Boaventura de Sousa. A crítica da razão indolente: contra o desperdício da experiência. São Paulo: Cortez, 2002.

determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência”), conforme trecho transcrito abaixo:

São os homens que produzem as suas representações, as suas idéias, etc. mas os homens reais, atuantes e tais como foram condicionados por um determinado desenvolvimento das suas forças produtivas e do modo de relações que lhe corresponde, incluindo até as formas mais amplas que estas possam tomar. A consciência nunca pode ser mais do que o Ser consciente e o Ser dos homens é o seu processo da vida real. E se em toda a ideologia os homens e as suas relações nos surgem invertidos, tal como acontece numa câmera obscura, isto é apenas o resultado do seu processo de vida histórico, do mesmo modo que a imagem invertida dos objetos que se forma na retina é uma conseqüência do seu processo de vida diretamente físico.97

A ideologia neoliberal atua como aparelho de propaganda do modo de vida individual em contraposição à solidariedade humana, prestigiando, de tal maneira, o extremo individualismo em detrimento do coletivo, fomentando efusivamente o comportamento insensível aos dramas humanos gerados sob o regime que lhe empresta validade midiática. Os defensores do neoliberalismo pregam a inevitabilidade da economia de mercado livre e concorrencial, sem espécie alguma de regulação pública, como expressão da liberdade que outrora produziu o velho liberalismo. Não se trata, evidentemente, do liberalismo clássico porque agora as relações sociais de produção são bem distintas daquelas vistas no século XIX. Intolerante, o neoliberalismo quer uniformizar costumes e valores mundiais em torno do seu projeto etnocêntrico do modo de vida social e cultural norte-americano. Culturas milenares desprovidas da ânsia do lucro e do consumismo estão seriamente ameaçadas por medidas diversas adotadas pelo aparato de propaganda neoliberal, o que foi robustecido pelo incremento da microeletrônica nos meios de comunicação.

A ideologia neoliberal resgata, em alguma medida, a vocação expansionista do capitalismo notada com maior clareza no momento de sua afirmação como regime econômico dominante, tendo como pressuposto a liberdade absoluta do sistema para implementar ações sem interferências externas, salvo aquelas indispensáveis para reforçar o seu próprio poder despótico.

István Mészaros afirma o seguinte:

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MARX, Karl. ENGELS. Friedrich. A ideologia alemã. [online]. Disponível em: <http://www.jahr.org>. Acesso em 17 jul. 2014.

em nossas sociedades tudo está 'impregnado de ideologia', quer a percebamos, quer não. Além disso, em nossa cultura liberal-conservadora o sistema ideológico socialmente estabelecido e dominante funciona de modo a apresentar – ou desvirtuar – suas próprias regras de seletividade, preconceito, discriminação e até distorção sistemática como 'normalidade', 'objetividade' e 'imparcialidade científica'.98

Para o filósofo húngaro,

a ideologia dominante do sistema social se afirma fortemente em todos os níveis, do mais baixo ao mais refinado. De fato, há muitos modos pelos quais os diversos níveis de discurso ideológico se intercomunicam. Podemos lembrar neste contexto que alguns dos mais conhecidos intelectuais do pós- guerra declararam em seus livros e estudos acadêmicos que a 'antiquada' distinção entre esquerda e direita políticas não tinha sentido nenhum em nossas sociedades 'avançadas'. Sabe-se muito bem que essa idéia foi abraçada entusiasticamente pelos manipuladores da opinião pública e amplamente difundida com o auxílio de nossas instituições culturais, a serviços de determinados interesses e valores ideológicos. Graças a tal interação entre o 'sofisticado' e o 'vulgar', tornou-se comum referir-se aos representantes da direita como 'moderados' e aos da esquerda como 'extremistas', 'fanáticos', dogmáticos e coisas similares.99

O fatalismo anunciado pela classe dominante sustenta não existir alternativa fora do mercado livre. Segundo essa visão, somente a economia de mercado livre consolida a democracia multipartidária, sem a intervenção estatal nas relações de natureza econômica. O neoliberalismo defende a tese de que o mercado livre é sinônimo de democracia multipartidária, cuja forma de organização é a única com capacidade de conduzir a sociedade ao jogo de regras democráticas, porque a compreende em sua inteireza. Sob um forte viés ideológico, a mensagem neoliberal pretende eternizar a situação e, ao mesmo tempo, impedir qualquer tipo de reação ao modelo vigente de relações econômicas e sociais. Em outras palavras, a ideologia neoliberal busca submeter o destino de todas as relações sociais e as atividades produtivas das pessoas à trajetória do capital, para que somente assim o regime econômico capitalista controle de maneira aberta todos os movimentos, sob pena de não haver democracia multipartidária, felicidade e liberdade na doutrina dos neoliberais.Só existe uma

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MÉSZÁROS, István. O poder da ideologia. São Paulo: Boitempo, 2004. p. 59.

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ideologia, a ideologia-mundo, tipo de manifestação responsável pela desqualificação de outras ideias, as quais são tidas pelo grupo estabelecido como irracionais e incertas, como se o modelo atual fosse eficiente e justo.

É falacioso o discurso do capital que trata a solução das questões de um ponto de vista estritamente individual, anunciando que “nós somos responsáveis diante das consequências de nossas eleições e decisões” e ”somos responsáveis por tudo, mas não podemos questionar” bem como trabalhando com o falso conceito da inevitabilidade, de que tudo assim ocorre porque tem que ocorrer. Esquece-se, no entanto, de um elemento básico na avaliação desse quadro, qual seja, o da desigualdade real existente entre as pessoas na sociedade capitalista. Ou tudo seria obra do acaso e da falta de esforço dos explorados, como diziam os marginalistas? É que as pessoas têm acesso aos bens, materiais e imateriais, de forma muito diversa, injusta e desigual. A vida digna de ser vivida passa a ser privilégio de poucos, mais especificamente daquele grupo que ascende aos bens sem os percalços da imensa maioria da população.100

É disso que se cuida. A ideologia neoliberal difunde as suas concepções entre os mais variados espaços de disputa política e cultural, na certeza de que as injustiças sociais serão naturalizadas, quando não enaltecidas pela falácia da igualdade de oportunidades oferecida às pessoas pela economia de mercado globalizada. O consumismo, o individualismo, o ter em detrimento do ser, a concorrência, a esperteza, o voo de águia, o estímulo ao enriquecimento pessoal, o espaço físico “asséptico” do shopping center como paradigma da modernidade avançada, as futilidades, o mundo virtual alienante, o reacionarismo político, a aversão ao conhecimento crítico, a adoção global do jeito único de ser do Ocidente totalmente capturado pelos valores dominantes, entre outros, são postulados essenciais da cultura neoliberal como sustentáculo político do neoliberalismo econômico.

Benzer Belgeler