BÖLÜM 1. ÖRGÜTSEL BAĞLILIK KAVRAMI
1.2. Örgütsel Bağlılık Kavramı
1.2.2. Örgütsel Bağlılığa Etki Eden Faktörler
1.2.2.4. Meyer ve Allen Modeline Göre Bağlılığa Etki Eden Faktörler
A análise empírica utiliza as observações referentes ao Município de São Paulo da amostra de uso público do Censo Brasileiro de 2000, que é a pesquisa mais recente com o nível de desagregação necessário para investigar o impacto da segregação na determinação dos salários. Contudo, dos noventa e seis distritos existentes na divisão oficial, em apenas onze a localização dos distritos é identificada, tendo em vista a norma do IBGE de não informar dados de unidades territoriais com menos de 200.000 habitantes. Dessa forma, das 102.749 observações de moradores da cidade, a amostra é reduzida para 27.045, das quais 9.239 correspondem a indivíduos entre 18 e 35 anos de idade, que é a coorte analisada.
A Tabela 5.1 apresenta a descrição resumida das variáveis do censo demográfico de 2001, utilizadas para a estimação do modelo, comparando os valores médios de toda a cidade e dos distritos com dados disponibilizados. Em 2000, a renda salarial média do grupo era de R$ 1.107,76, observando-se apenas no Jabaquara números superiores, em torno de R$ 1.236,31.95 Nos demais distritos, há grande heterogeneidade, com valores na faixa entre R$ 700,00 e R$ 900,00 encontrados na Brasilândia, Cidade Ademar, Jardim São Luís e Itaquera. As menores médias salariais são encontradas no Jardim Ângela, com R$ 599,82, e no Grajaú, com somente R$ 551,76, ambos localizados na Zona Sul da cidade.96 Com exceção do Jabaquara e do Sacomã, os demais distritos contidos na amostra possuem renda média inferior à estimada para toda a população de São Paulo.
As diferenças salariais por cor da pele são retratadas no Gráfico 6.1, conforme vemos a seguir. De modo geral, notam-se grandes diferenças, especialmente entre os brancos, sendo a população negra claramente mais homogênea e pobre, visto que, enquanto no primeiro grupo há uma oscilação de R$ 804,21 entre o máximo e o mínimo, no segundo a variação é muito menos pronunciada, de apenas R$ 142,58. Apesar disso, em todas as regiões os brancos ganham mais do que os negros, ampliando-se a diferença à medida que cresce a renda do distrito.
95 Valores atualizados para 2011, pelo IPCA.
96 A título de ilustração, para trabalhadores com mais de 25 anos, em 2000, a renda salarial média é
substantivamente maior, de R$ 1552,71, mantendo-se, porém, as posições relativas de cada distrito. No Jabaquara, o valor verificado foi R$ 1.584,7296, ao passo que no Grajaú, foi de somente R$ 619,99.
R$ 0,00 R$ 200,00 R$ 400,00 R$ 600,00 R$ 800,00 R$ 1.000,00 R$ 1.200,00 R$ 1.400,00 R$ 1.600,00 Brancos Negros
No tocante à proporção de pessoas empregadas na semana de referência, verifica-se uma variação de 15,98 pontos percentuais entre as regiões abrangidas, com o máximo sendo registrado no Jabaquara, onde aproximadamente 69,87% trabalham, e o mínimo no Grajaú, com 53,88%. Na média, 64,62%, dos paulistanos da coorte investigada trabalham, sendo que os dois distritos mais pobres representam justamente a área com a menor parcela de indivíduos trabalhando, abaixo dos 60,00%. A informalidade é maior nos distritos da Zona Leste da cidade, chegando a 49,45% do total em Itaquera. Em todo o município de São Paulo, a parcela dos trabalhadores sem carteira assinada corresponde a 41,38% do total, demonstrando a fraqueza das relações de trabalho.
Em termos de escolaridade, os extremos são também observados no Jabaquara e no Grajaú, com médias de, respectivamente, 9,44 e 7,11 anos de estudo. A média paulistana é de 8,96 anos, de sorte que todos os demais distritos na amostra possuem valor inferior. Dito isto, conclui-se que o jovem trabalhador paulistano típico possui baixa qualificação, não conseguindo terminar o Ensino Médio,97 o que é valido para brancos, pretos e pardos, como se observa no Gráfico 5.2.
97 Para a conclusão do Ensino Médio e do Fundamental, são necessários onze anos. Gráfico 5.1 - Médias salariais por grupo de cor
0 2 4 6 8 10 12 Brancos Negros
Não obstante, a despeito da diferença de apenas 2,06 anos de estudo entre brancos e negros no Jabaquara, o hiato salarial existente na região é muito mais elevado, somando R$ 679,41. No Jardim Ângela, a diferença salarial é de apenas R$ 17,78, não havendo praticamente diferenças no que tange à escolaridade. A disparidade dos rendimentos, porem, é mais bem explicada pela brutal diferença em termos de acesso ao Ensino Superior, uma vez que, enquanto no Jabaquara aproximadamente 15,68% dos indivíduos chegam à universidade, no Grajaú, apenas 3,03%, e no Jardim Ângela, 1,63%. O Gráfico 5.3, reproduzido a seguir, apresenta as respectivas porcentagens do total da população que cursou ao menos o primeiro ano do Ensino Superior, mostrando novamente grande similaridade nos distritos mais pobres, de sorte que a desigualdade racial cresce exponencialmente à medida que se avança para os locais mais abastados da amostra.
A comparação da distribuição das pessoas por cor da pele e a renda revela que, embora os brancos sejam maioria em todas as regiões, nas áreas mais ricas, há uma menor porcentagem de pardos e uma maior participação de amarelos. No Jabaquara, por exemplo, observa-se a maior concentração de pessoas de origem asiática, representando 4,20% da população, uma fração acima da média da cidade, que é de 1,58%. No Jardim Ângela, por sua vez, constata-se a maior concentração de pardos, com 45,70% e, também, a menor de brancos, com 47,20%. O grupo dos amarelos concentra-se, sobretudo, no distrito do Jabaquara e Cidade Ademar, possuindo médias maiores do que os demais grupos no que tange a salários, anos de estudo e ao acesso ao Ensino Superior. Levando em conta toda a população da cidade, os amarelos recebem R$ 1.244,88, em média, estudando aproximadamente 12,76 anos, sendo que 41,30% chegam a cursar uma universidade.
0,00% 2,00% 4,00% 6,00% 8,00% 10,00% 12,00% 14,00% 16,00% 18,00% 20,00% Brancos Negros
Do ponto de vista da origem dos indivíduos, a população de São Paulo é caracterizada pela grande presença de pessoas nascidas em outros Estados, que correspondem a aproximadamente 33,39% do total. No entanto, analisando-se o número de migrantes pela cor da pele, observa-se uma proporção relativamente maior de pretos e pardos, respectivamente, 35,04% e 48,61% do total, e menor de brancos e amarelos, 27,57% e 17,32%. Nos distritos considerados na amostra, sempre há menos paulistanos de nascimento entre os negros, quando comparados em termos relativos com os demais grupos. No caso dos pardos, por exemplo, a proporção de imigrantes nunca é inferior a 38,99%.
Com efeito, mesmo nos distritos mais abastados, a presença de migrantes é importante, sendo superior a 20% em todos os grupos, com exceção dos amarelos. Nos extremos em termos de renda, Jabaquara e Grajaú, a maior parte dos indivíduos que não nasceu no estado de São Paulo é originária das mesmas unidades da federação, ou seja, da Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e do Ceará, não importando o grupo de cor considerado. A diferença está justamente na proporção, pois, na área mais rica, apenas 27,99% são nascidos em outras Unidades da Federação, contra 49,23% do distrito mais pobre.
Por fim, no que concerne à estrutura familiar, nota-se grande similaridade, embora a parcela de indivíduos casados seja ligeiramente superior entre os brancos, com 32%, contra 27% entre negros. Quanto à presença de um filho vivo no domicílio, com menos de dez anos, no entanto,
a situação se inverte, havendo um maior número entre pretos e pardos, com 22%, versus 19% dos brancos.