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2.7 Bronşial astımda tamamlayıcı ve alternatif tedaviler

2.7.1 Alternatif tedavi yöntemleri

2.7.1.1 Bitkisel ilaçlar/Şifalı otlar

2.7.1.1.1 Meyan Kökü (Glycyrrhiza Glabra)

Públicos ou íntimos, sobre a vida ou a morte, os aspectos do cotidiano das mulheres, a partir da análise dos textos, afloram com tal intensidade que seria impossível a eles ficarmos indiferentes. As narrativas convidam os leitores a entrarem no mundo recôndito dos

sentimentos e das dificuldades do dia a dia. Nas formas protocolares e requintadas de uma escrita padrão, deparamo-nos, por vezes, com narrativas de cunho pessoal, libertas e aconchegantes. Torna-se possível, desse modo, conhecer, por distintos caminhos, as trajetórias dos sujeitos e entender como as experiências foram relatadas por seus protagonistas, seja em tons de despedida, de melancolia, de alegria, de fé ou de suplício.

No esforço de resgatar as lembranças, de fazer sentir os afetos, de expressar as crenças, desejos e valores, as narrativas acomodam indícios de um modo de viver que extrapolava as paredes das casas, para, teimosamente, dar a conhecer no papel, a organização e a percepção do lugar social supostamente ocupado, a expressão dos vínculos sociais e a comunicação do almejado. Estratégicas ou não, as palavras e as expressões utilizadas davam passagem, em fatias de textos, aos interiores, aos matrimônios, às amizades, aos relacionamentos, às expectativas e à solidão. As palavras remetem às subjetividades que invadem, com o impulso das emoções, a substância escrita.

Por certo, importa bem menos conhecer se as mulheres escreveram por suas próprias mãos do que como escreveram e com quais intenções. Interessa-nos retirar desses relatos pistas sobre como tornaram inteligível sentimentos e esperanças, e tentar compreender as formas pelas quais as narrativas eram construídas e articuladas para o atendimento de seus anseios. Não estamos à procura da cópia literal dos dizeres das testadoras. Em escritas simples ou prodigiosas, vão se mostrando usos, itinerários, possibilidades de atuação social que buscamos evidenciar.

Ao analisarmos os conteúdos discursivos, devemos ter em conta a ambivalência que comportam: se, por um lado, apresentam aspectos de um gênero20 textual específico, por

outro, envolvem sonhos, desejos e afetividades, personagens, situações, representações e percepções reais vis-à-vis o contexto em que viviam. A despeito da formalidade e do conjunto de regras estipuladoras dos documentos, a transferência das palavras que caracterizam a fala cotidiana é, por vezes, visível nos textos. As expressões carregadas dos elementos da vida comum anunciavam e propagavam valores e aspirações e desenhavam os contornos do presente e do futuro almejado. Eis o que a leitura dessas fontes nos faculta: conhecermos aspectos da cultura de um tempo, das formas de pensar dos sujeitos e percebermos que, por meio do uso da escrita e da produção de mensagens, as expectativas não são meros sonhos, mas propósitos formatados e formalizados. A efetivação de direitos, a alforria de escravos, o

legado de bens ou a esperança de se ter a “boa morte” são aspirações materializadas e legitimadas no texto escrito. No jogo das interações sociais, a escrita assume o status de arranjo estrutural das práticas, medida norteadora das ações e, ao mesmo tempo, “espaço” definido pelos acontecimentos diários. Traduz, em sua lógica, as formas de pensar e a síntese das histórias pessoais.

Como deixar de ver e perceber, assim, a apreensão e o uso da palavra escrita por esses sujeitos, mesmo quando “não sabiam ler e escrever”? Esse movimento só é possível à medida que realizamos a dissociação da ideia de uso social da escrita da redação de próprio punho. Por isso, tentamos evidenciar a utilização da escrita pelas mulheres mesmo na ausência da pena em suas mãos.

Na heterogeneidade de que se compõem os discursos escritos, rastreamos quais assuntos eram mais vivenciados e transformados em textos oficiais. Selecionamos os temas, elencamos dados relativos à condição econômica, às redes de sociabilidade, aos aspectos da religiosidade para buscarmos evidenciar as formas argumentativas mais usuais e correlacioná- las às características sociais mencionadas. Preocupou-nos compreender, portanto, o sentido social assumido pela escrita no contexto e suas decorrências (e não somente o domínio do sistema alfabético). O recorte cronológico selecionado permitiu-nos abordar o uso da escrita em um continuum, isto é, em seu aspecto histórico, evidenciando as semelhanças e as possíveis transformações das redações.

Quando pensamos na escrita cartorária, modalidade privilegiada neste trabalho, ressaltamos que o texto guarda uma espécie de paradigma, modelo e valoração da língua relacionada ao seu conteúdo e, igualmente, à forma. Sobre ele recai determinado padrão gráfico e modelo estilístico.21 Essa valoração carrega um sentido político e cultural, e quem a ela não “pertencesse” ou a ela não “recorresse” estaria, em parte, excluído do funcionamento social. Nessa linha, a escrita oficial e seu invólucro, com formatação e meio próprios de se mostrar, padroniza, hierarquiza e, em alguns momentos, exclui outras maneiras de escrever. Consequentemente, é fundamental perceber e tentar identificar as virtudes ou qualidades e os valores que são associados a determinado modo de se escrever. Ampliamos essa problemática ao enfocarmos as especificidades dos textos geradas pela incorporação, aos valores da escrita padrão, das particularidades de cada existência.

21

Sobre a diversidade de padrões gráficos e formas estilísticas e para a classificação e demonstração dos tipos de letras existentes no Antigo Regime, ver: ALMADA (2012), especialmente o capítulo 1.

Daí decorre que a análise realizada não se reduziu à intenção de restituição das falas das mulheres supostamente suplantadas pela dominação masculina e pelos padrões discursivos, mas buscou entender a própria atuação do sujeito numa perspectiva crítica e dialógica que considera a tensão que emana do espaço social. Com esse movimento, acabamos por problematizar a identidade de “analfabeta”, sustentados pela percepção dos confrontos e das articulações nascidas e estruturantes da sociedade. Alicerçados, também, pelo entendimento de que os usos sociais da escrita independem de tal condição, apresentando dimensão política e histórica. São construções e formas de atuação e não meros frutos do acaso.

Entendidas, portanto, em sua complexidade e separadas por eixos norteadores presentes nas narrativas, tentamos construir as categorias dos usos da escrita, de acordo com suas temáticas, finalidades e modos de utilização. Coloca-se em pauta a origem da construção desse discurso. Nesse sentido, interrogamos o próprio documento acerca de sua constituição. Quando as análises da elaboração discursiva e dos usos da escrita são encaradas a partir desse ângulo passam a interessar em igual medida à educação e à história, pois são descortinadoras da mentalidade de uma época, escondida por trás dos textos.

Tal escolha tem por base o entendimento de que a escrita é sempre a redação de algo, versa sobre determinado conteúdo e, por isso, apresenta intenções, objetivos e estratégias. Os relatos remetem aos acontecimentos da vida cotidiana que subjazem aos valores, hábitos, crenças, enfim, aos modos de viver. O uso da escrita, sob tal ótica, é flagrantemente construção, produto e produtor das práticas sociais.

Benzer Belgeler