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Os Incoterms são cláusulas contratuais utilizadas no comércio internacional para definir claramente até onde vai a responsabilidade do exportador e onde começa a responsabilidade do importador em relação ao contrato de venda e compra de mercadorias.

Essas normas de negociação foram consolidadas em dois conjuntos, a saber: Definições Americanas Revisadas para o Comércio Exterior, 1941 (Revised American Foreign Trade Definitions, 1941) resultantes do XXVII Congresso Nacional do Comércio Exterior, realizado nos Estados Unidos em 1940; e

Incoterms, que surgiram em 1.936 por publicação da Câmara de Comércio Internacional (CCI). Devido à dinâmica do comércio internacional, esses termos são periodicamente revistos, sendo a última a Revisão 2000, publicação nº 560, que passou a vigorar a partir de 01/01/2.000.

Embora os Incoterms sejam hoje as normas mais utilizadas mundialmente, são de uso facultativo, devendo o comerciante que deseje utilizá-los mencionar isso claramente em seu contrato de venda e compra e, uma vez mencionado, passa a ter força legal.

Conforme LUNARDI (2003:39), os Incoterms permitem, com clareza, definir : o preço e o que nele se contém, identificando, com precisão, a divisão de custos da operação; o momento e local exatos para entrega dos bens, identificando também, com precisão a divisão dos riscos por perdas ou danos sobre a carga.

RATTI (2001:383) se referindo aos Incoterms expressa que a principal função dessas fórmulas é precisar em que momento o exportador cumpriu suas obrigações, de modo que se possa dizer que, do ponto de vista legal, as mercadorias foram entregues ao importador e que o exportador tem direito a receber o pagamento estipulado.

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Na atual revisão os Incoterms são compostos de 13 cláusulas, representadas por três letras da sua abreviação da palavra inglesa, conforme segue:

4.2.2.1 EXW ex works (named place) Na Origem (local designado)

Nessa cláusula o vendedor (exportador) entrega a mercadoria ao comprador (importador) em seu estabelecimento, o qual deverá ser definido (local designado). Essa cláusula representa a menor obrigação para o vendedor. Essa cláusula pode ser usada em qualquer modalidade de transporte.

Conforme BIZELLI (2000:33), Na Origem significa que o vendedor entrega as mercadorias quando ele as coloca à disposição do comprador, em sua propriedade ou outro local nomeado (isto é, estabelecimento, fábrica, armazém, etc.), não desembaraçadas para exportação e não embarcadas em qualquer veículo coletor.

4.2.2.2 FCA free carrier (named place)

Livre no transportador (local designado)

Nessa cláusula a responsabilidade do vendedor estende-se até a entrega da mercadoria no transportador indicado pelo comprador. Esclarece ainda a publicação da CCI que, se a entrega ocorrer na propriedade do vendedor, ele é responsável pelo embarque; se ocorrer em qualquer outro lugar, o vendedor não é responsável pelo embarque, (BIZELLI 2000). Essa cláusula pode ser utilizada em qualquer modalidade de transporte.

4.2.2.3 FAS Free Alongside Ship (named port of shipment)

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Aqui a responsabilidade do vendedor vai até a mercadoria ser colocada no cais do porto de embarque, indicado pelo comprador, ao lado do navio. Compete ao vendedor entregar a mercadoria liberada para exportação, incluindo a documentação relativa à licença e direitos aduaneiros. Este termo só pode ser utilizado para o transporte marítimo ou por águas internas.

4.2.2.4 FOB Free On Board (named port of shipment) Livre a Bordo (porto de embarque designado)

Nesse caso a responsabilidade do vendedor se extingue quando a mercadoria transpõe a amurada do navio no porto de embarque indicado pelo comprador. Também, nesse caso, é responsabilidade do vendedor entregar a mercadoria liberada para exportação, incluindo a documentação relativa à licença e direitos aduaneiros. Este termo só pode ser utilizado para transporte marítimo ou por águas internas.

4.2.2.5 CFR Cost and freight (named port of destination) Custo e Frete (porto de destino designado)

Aqui o vendedor arca com as responsabilidade da cláusula FOB, mais o frete internacional para levar as mercadorias ao porto de destino designado pelo comprador, porém o risco de perdas ou danos às mercadorias cessam com o embarque da mercadoria. Este termo só pode ser utilizado para transporte marítimo ou por águas internas.

4.2.2.6 CIF Cost, Insurance and Freight (named port of desination) Custo, Seguro e Frete (porto de destino designado)

Nesta hipótese o exportador é responsável pelas obrigações constantes da cláusula FOB mais o frete e o seguro internacionais até o porto de destino. Uma vez embarcada a mercadoria, pagos o frete e o seguro internacionais, o risco de perda ou dano às mercadorias, ou quaisquer outros custos adicionais ocorridos após o embarque, passam a ser de responsabilidade do comprador. Este termo só pode ser utilizado para transporte marítimo ou por águas internas.

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4.2.2.7 CPT- Carriage Paid to (named place of destination) Transporte Pago até (local de destino designado)

O vendedor entrega a mercadoria desembaraçada para exportação ao transportador designado pelo comprador e paga o frete internacional para levar a mercadoria até o seu destino. Entregue a mercadoria ao transportador e pago o frete internacional, todos os riscos e danos causados à mercadoria e quaisquer outros custos que ocorram depois disso passam a ser responsabilidade do comprador. Esse termo pode ser utilizado em qualquer modalidade de transporte, inclusive o multimodal.

4.2.2.8 CIP - Carriage and Insurance Paid to (named place of destination) Transporte e Seguro Pagos até (local de destino designado)

As mesmas condições da cláusula anterior (CPT), porém o exportador paga também o seguro da mercadoria até o local de destino. À semelhança da cláusula CIF, entregue a mercadoria ao transportador, pagos o frete e o seguro internacionais, cessam as responsabilidades do exportador. Esse termo pode ser utilizado em qualquer modalidade de transporte, inclusive o multimodal.

4.2.2.9 DAF Delivered at frontier (named place) Entregue na Fronteira (local designado)

Nesta cláusula contratual é responsabilidade do vendedor colocar a mercadoria no ponto combinado da fronteira, porém antes da divisa alfandegária do país importador. O vendedor é responsável pelo desembaraço da exportação, porém não da importação. Esse termo deve ser utilizado quando a mercadoria deve ser entregue numa fronteira terrestre.

4.2.2.10 DES Delivered ex ship (named port of destination) Entregue no Navio (porto de destino designado)

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Neste caso compete ao vendedor colocar a mercadoria à disposição do comprador a bordo do navio no porto de destino designado. A responsabilidade do comprador começa a partir do momento do recebimento da mercadoria no porto de destino com o desembaraço de importação por conta do comprador. Este termo deve ser utilizado quando o transporte for marítimo ou hidroviário, interior ou multimodal, com um navio no porto de destino.

4.2.2.11 DEQ Delivered Ex Quay (named port of destination) Entregue no Cais (porto de destino designado)

Aqui significa que a mercadoria deve ser colocada à disposição do comprador no cais (atracadouro) do porto de destino combinado. Assim, o vendedor é responsável por levar a mercadoria até o porto de destino e desembarcá-las no cais. A partir daí, incluindo o desembaraço de importação e demais formalidades, as despesas passam a ser responsabilidade do comprador. Este termo só pode ser utilizado para transporte marítimo ou por águas internas ou multimodal, com um navio no porto de destino.

4.2.2.12 DDU Delivered Duty Unpaid (named place of destination)

Entregue Direitos Não Pagos (local de destino designado)

O vendedor é responsável pela colocação das mercadorias em local combinado, entregando os bens para o desembaraço de importação sobre o veículo transportador. Passa a ser responsabilidade do comprador a descarga, desembaraço de importação, pagamentos dos direitos, impostos e outros encargos. Essa cláusula pode ser utilizada em qualquer meio de transporte.

4.2.2.13 DDP Delivered Duty Paid (named place of destination) Entregue Direitos Pagos (local de destino designado)

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Compete ao vendedor, nessa hipótese, colocar a mercadoria em local designado pelo importador, inclusive se responsabilizando pelo pagamento dos direitos, impostos e outros encargos oficiais de importação até a entrega da mercadoria ao comprador. Este termo pode ser utilizado por qualquer modalidade de transporte.