4. PLANLAMA KARARLARI
4.4. GENEL ARAZİ KULLANIM KARARLARI
4.4.4. Sanayi Alanları
4.4.4.5. Cüruf Depolama ve Geri Kazanım Alanı
Foi na prática do ensino de filosofia que despertamos para a reflexão sobre esse ensino e foi na prática que esboçamos uma ideia inicial que relacionava a filosofia com o filosofar e, por extensão, do ensino de filosofia com o ensino-aprendizagem do filosofar. Na mesma época em que atuamos como docente, também, dávamos continuidade à nossa formação acadêmica no campo da Ética. Através desta, podemos perceber aquilo que denominamos de dimensão pedagógica da filosofia. De modo geral, pode-se dizer que a Ética é o campo da filosofia dedicado à razão ou à racionalidade prática.
No entanto, da maneira como a entendemos, a Ética não é “prática” apenas por se tratar
de uma teoria do agir ou do ethos e da praxis (VAZ, 2000a), mas, sobretudo, porque ela é, em si mesma, atividade, formação, criação. Através da Ética é possível perceber que o exercício filosófico ou a prática do filosofar não se restringe a uma atividade do pensamento ou da inteligência, mas, é, principalmente, praxis, isto é, uma atividade na qual o homem cria a si mesmo e o mundo, transformando o mundo natural e social para fazer dele um mundo humano (VÁZQUEZ, 1990). Por essa razão, a hipótese inicial desse trabalho, frente ao problema sobre em que consiste ensinar e aprender filosofia no Ensino Médio é perpassada pelas reflexões que desenvolvíamos no campo da Ética. Foi através da Ética que desenvolvemos nossa primeira concepção de filosofia, do filosofar e do ensino de filosofia como prática do filosofar e, posteriormente, do ensino de filosofia como experiência do
filosofar, enquanto uma experiência de criação do pensamento e da ação filosóficos, isto é, na em que o sujeito-filósofo “produz”, “cria” a si mesmo e o mundo através da filosofia.
Motivados pelas inquietantes vivências como professor e por uma compreensão ético- pedagógica da atividade filosófica, demos continuidade a um projeto pessoal de doutoramento, que pudesse contribuir com o ensino de filosofia, a partir da construção de uma proposta teórica que pudesse ajudar a repensar e/ou recriar a prática docente e, quiçá, propor alterações nos currículos de filosofia. Embora nosso principal contexto de reflexão seja a filosofia no nível do Ensino Médio, o desenvolvimento de uma compreensão da filosofia, enquanto uma prática ou uma experiência não se restringe a esse nível e modalidade de ensino. Através de nossa atuação no ensino superior e do andamento da pesquisa, verificamos que, guardada as devidas peculiares, as ideias desenvolvidas poderiam contribuir com o ensino de filosofia de modo geral, independentemente sua modalidade e nível.
Concordamos com Sardi (2008, p. 194), quando afirma que “toda concepção acerca do ensinar-aprender filosofia remonta a uma problematização sobre o sentido da filosofia, ou
sobre o que é a filosofia”. Conforme assinalamos no início desse capítulo, a despeito de todas as possíveis perguntas que o tema “ensino de filosofia” desperta, saber em que consiste
ensinar e aprender filosofia, em um contexto tão específico como o do Ensino Médio, foi aquela que mais nos chamou a atenção, desde o início da pesquisa, porque, na prática docente e/ou na pesquisa sobre esse tema, há que, necessariamente, se partir de uma concepção acerca do que seja ensinar e aprender filosofia. Uma concepção que poderá ser fruto de um processo de elaboração teórica ou revisão e análise.
Nesse trabalho, o principal caminho que adotamos foi o da construção de uma concepção teórico-prática acerca da filosofia e do seu ensino, partindo de uma concepção na qual a atividade ou experiência filosófica corresponde a uma atividade criativa e criadora da inteligência e cujos processos de ensino-aprendizagem se constituem como experiências do filosofar. Sem confundir-se com uma creatio ex nihilo, isto é, uma “criação a partir do nada”, a atividade filosófica não consiste em um movimento de repetição de dados ou na rememoração de algo absoluto. O filosófico é, antes de tudo, uma força de criação e seu ensino uma experiência de criatividade.
A filosofia é um dos saberes que ao longo do tempo a humanidade tem produzido e que, juntamente com outras formas tradicionais de saber, compõe um precioso patrimônio intelectual, histórico e cultural11. Como afirma Severino (2007, p. 19), a filosofia “é tida como
11Não fazemos distinção entre os termos “saber” ou “saberes” do termo “conhecimento” e sim uma correlação semântica entre ambos. Os mesmos são pensados como dado e, ao mesmo tempo, como atividade criadora.
uma forma de conhecimento ao lado de outras formas de conhecimento – como o senso comum, o mito, a religião, a arte e a ciência, que também são outros tantos esforços do
homem compreender essa mesma realidade”.
Contudo, além de ser um produto da cultura, uma obra intelectual, um tipo de saber que reúne em si conteúdos específicos e que, consequentemente, demanda métodos próprios de se ensinar, a filosofia também deve ser vista como uma experiência, um exercício filosófico, uma ação do pensamento, um filosofar, propriamente dito.
Esses dois modos de compreender a filosofia – como produto e como experiência – a despeito de uma pretensa dicotomia entre eles, estão, na verdade, profundamente imbricados. Trata-se de uma relação entre aquilo que já está constituído e é composto pela multiplicidade das produções filosóficas, e aquilo que ainda não está pronto e que corresponde à experiência contínua do pensamento que, de tempos em tempos, cria e recria o universo conceitual filosófico (RODRIGUES, 2012). A pesquisa filosófica, desde o seu surgimento, é perpassada pela diversidade e o embate de ideias, a ponto de, no conjunto de sua historia, se poder falar não em uma única e unívoca filosofia, mas de filosofias que alternam entre si, algumas vezes convivem em relativa harmonia no interior de uma escola filosófica ou que divergem radicalmente e promovem novas possibilidades e caminhos para o pensamento.
O ensino que defendemos não reduz a filosofia a um conjunto de doutrinas acumuladas durante seus mais de dois mil anos de existência, mas a concebe, fundamentalmente, como uma prática (FERRARI, 2011). Ao compreender a filosofia como uma prática, resgata-se a
força e ancestralidade do termo “philia”, sempre associado a uma determinada atividade. De maneira geral, desde Homero, as palavras compostas em philo- serviam para designar a disposição de alguém que encontra seu interesse, seu prazer, sua razão de viver, na dedicação a essa ou àquela atividade: philo-posia, por exemplo, é o prazer e o proveito que se tem ao beber, philo-timia é a propensão para angariar honras, philo-sophia será, portanto, o interesse pela sophia. (HADOT, 1999, p.37, grifo do autor).
Esse trecho reforça a ideia de que, desde Antiguidade, a filosofia consiste em uma atividade. O que muda e acaba por caracterizar é o modo como essa atividade é realizada ou conduzida em cada experiência filosófica produzida. Mesmo uma filosofia contemplativa, como a de Platão, é fruto de uma atividade filosófica, de uma experiência do filosofar. Esta filosofia, não é menos ativa do que, por exemplo, a filosofia revolucionária de Marx. Simplificando, poderíamos dizer que atividade filosófica platônica caracteriza-se como uma atividade contemplativa (theorein), pois parte de uma compreensão da realidade como
portadora de uma essencialidade oculta sob a forma puramente inteligível da Ideia. Somente através de uma atividade puramente racional é possível contemplar as coisas como elas realmente são e não como elas parecem ser através da experiência sensível. Para Platão o mundo sensível, o mundo material é o mundo das aparências (onde tudo parece-ser). As ideias são do plano das essências (onde tudo é). Filosofar é como se libertar de uma caverna regida pelas coisas que parecem ser, mas, de fato, não são (aparências) e ascender para um
plano de onde se pode “ver” as coisas como elas realmente são (essências). Esse movimento
de subida ou de libertação do cativeiro das aparências que são aprendidas na sensibilidade, representa bem o que é o exercício do filosofar na filosofia platônica (MORAVCSIK, 2006).
Para Marx, por exemplo, a realidade é um produto do trabalho humano e o homem se define como um ser prático e produtor.
O homem se define essencialmente pela produção, e desde que começa a produzir, o que só pode fazer socialmente, já está na esfera do humano. [...] A essência, separada da história efetiva, não passava de uma abstração vazia. Seu lugar é agora ocupado pelo estudo do que os homens são na vida real, isto é, como seres práticos produtores. (VÁZQUEZ, 1990, p. 420).
Em Marx, não há essência separada da existência e a atividade filosófica se converte em uma filosofia da praxis. No entanto, diferente do idealismo alemão satisfeito em “interpretar” o mundo, o materialismo de Marx propõe uma filosofia da transformação do mundo, portanto, totalmente voltada para a praxis e suas contradições, com vistas à instauração de uma prática revolucionária. Portanto, filosofar é exercer uma atividade produtiva de transformação (prática) da realidade.
De formas diferentes, tanto Platão quanto Marx apresentam a filosofia como uma atividade, como um exercício, seja de contemplação da realidade, seja como produção dessa mesma realidade. Enquanto produto, o que ficou desses dois magníficos pensadores foram suas filosofias, aquilo que a experiência ou a prática filosófica de cada um deixou como criação de seu pensamento. O mesmo pode-se dizer de todas as filosofias existentes. São todas construções teóricas, que nasceram das experiências filosóficas que cada filósofo fez.
Muitas são parecidas, pertencem à mesma “escola” ou linha. Outras, nem tanto. Há, inclusive,
aquelas que parecem divergir completamente umas das outras e que nos proporcionam belíssimas discussões, como as velhas querelas entre nominalistas e universalistas, racionalistas e empiristas, sem, esquecer, é claro, o caleidoscópio de filosofias que surgiram ao longo de todo século passado (existencialismos, marxismo, neo-pragmatismo, pós- modernismo etc.).
Sendo múltiplas as filosofias e variados os estilos de filosofar existentes na pluriversalidade do saber filosófico, não é possível falar em uma “filosofia geral”, tampouco, um ensino da filosofia como se tratasse de algo universal. Como afirma Gallo (2012a, p.74),
“falar em ensinar filosofia é falar em ensinar uma determinada filosofia, ou ensiná-la a partir
de uma determinada perspectiva”. Não existe “a” filosofia, mas, filosofias e, sobretudo, o filosofar. Portanto, nos parece correto afirmar que há algo de irredutível em tudo isso: a filosofia será sempre uma atividade, uma experiência, um exercício da inteligência, uma prática na qual filosofia e filosofar estão profundamente imbricados entre si. E quanto ao
ensino filosófico, este não será outra coisa, senão, o “lugar” da experiência do filosofar.
Toda problemática acerca do ensino de filosofia, conduz, inicialmente, à reflexão sobre o sentido da filosofia, ou sobre o que é a filosofia. É o que afirma Sardi (2008), no seguinte trecho:
No âmbito de cada filosofia, a formulação do problema filosófico dos limites e do sentido da filosofia, assim como possíveis resoluções do mesmo, propostas por cada filósofo, delimitam uma posição sobre o ensinar - aprender filosofia. Nesse caso, não há como se manter imparcial quanto à filosofia ou à concepção de filosofia que, implícita ou explicitamente, sustenta e delimita a coerência interna dos pressupostos metodológicos do ensinar-aprender filosofia. Uma concepção acerca do ensinar-aprender filosofia é e deriva, pois, de uma concepção filosófica. (SARDI, 2008, p. 194, grifo nosso).
Concordamos com Sardi: uma posição acerca do ensino e aprendizagem de filosofia
resulta do sentido que se dá à filosofia e ao filosofar, isto é, “deriva, pois, de uma concepção filosófica” (id. ibid.). Portanto, se ensinar Filosofia é proporcionar aos estudantes a
oportunidade de fazerem uma experiência filosófica, em que consiste essa experiência?
O tema do ensino de filosofia em relação à prática do filosofar não é novidade. Autores como Gelamo (2009), por exemplo, nos recordam que Kant e Hegel discutiram esse assunto em suas reflexões. Enquanto Kant dizia ser impossível ensinar a filosofia, mas, “apenas” o filosofar, Hegel defendia que ninguém poderia chegar a filosofar, sem aprender, primeiro, a filosofia, a partir de sua história. E, pelo menos desde esses dois célebres filósofos, as questões sobre o ensino de filosofia e o filosofar têm estado presentes nas produções dedicadas à temática.
Partimos de uma concepção de ensino na qual o aprendizado da filosofia e a experiência do filosofar correspondem entre si. Uma vez respondida à questão sobre em que consiste a experiência do filosofar, podemos nos perguntar: quais seriam os limites e possibilidades
dessa experiência, a partir dos textos que pensam, normatizam e subsidiam o ensino de filosofia em nosso país? Isto é, o que dizem as produções científico-acadêmicas e as normas e diretrizes do MEC sobre o ensino de filosofia? Qual(is) a(s) concepção(ões) adotada(s) e promovida(s)? Como essa(s) concepção(ões) relacionam o ensino de filosofia com a experiência do filosofar e como define(m) essa experiência?
Entendemos que tentar responder a essas questões é fundamental para que possamos identificar e promover um ensino experiencial da filosofia, avaliando o potencial filosófico das ações pedagógicas e estratégias didáticas no ensino dessa disciplina. O presente trabalho se desenvolveu em torno dessa problemática acerca da filosofia e do seu ensino enquanto experiência do filosofar e seus limites e possibilidades ao analisarmos as produções dedicadas ao tema. Todos os procedimentos de pesquisa e metodologia de trabalho adotados, voltam-se para esses questionamentos, conforme será explicado a seguir: