2.4. Ders Kitaplarındaki Metinlerin Seçimi
2.4.1. Metinsellik Ölçütleri
na própria forma de intervir, que os arquitetos tiveram na HED, denotam uma posição clara do poder político em relação à arquitetura, pretendia-se uma arquitetura livre de saudosismos e receituários, livre, por assim dizer, de um nacionalismo suave.
No Nordeste de Portugal, vários dos novos centros de produção Hidroelétrica foram construídos, nos 850km do Rio Douro. O troço de 112km internacionais, que estabelecem a fronteira entre Portugal e Espanha, é caracterizado por um forte declive, média de 3m por km, e por um perfil transversal constantemente encaixado e abrupto. O Rio Douro que nos 112km pertence aos dois países, através da realização de um acordo que se estabeleceu em 1927, no Convénio Luso-Espanhol o modo a dividir e assegurar os proveitos económicos respetivos aos dois países, no que diz respeito à forma de partilhar o direito ao aproveitamento hidroelétrico do Douro Internacional. Partilha essa que atribuiu a utilização total das águas do Rio Douro Internacional, a Portugal o primeiro troço, a norte do afluente Rio Tormes, e a sul do mesmo é destinado a Espanha (Companhia Portuguesa de Produção de Electricidade [CPPE], 1991).
Foram aqui construídos os centros de produção elétrica de Picote, Miranda do Douro e Bemposta (Fig. 51).
Fig. 51 Bacia hidrográfica do Rio Douro e localização das 3 intervenções
Nos anos 50, é realizado em Picote, o Primeiro aproveitamento de produção de energia elétrica, prioridade dada a este devido ao estudo realizado pela empresa americana Knappen-Tippetis-Abbet-McCarthy, encomendado em 51 pelo governo. Em julho de 53, devido a este estudo, o grupo americano elabora o relatório Douro
Master Plan (McCarthy, Knappen, Tippettest, & Abbett, 1953) e segundo o Plano do
Fomento em vigor, foi constituída a Hidro-Eléctica do Douro, s.a.r.l, (HED), detida por uma sociedade tutorada e comparticipada pelo Estado, Caixas de Previdência e por alguns particulares. Primeiramente, são iniciados os estudos para a construção do escalão de Picote, de seguida o de Miranda do Douro e posteriormente o de Bemposta. Estas intervenções, devido ao grande número de trabalhadoras, mais de 4000, originam novos aglomerados, junto a Picote surge o de Barrocal do Douro, e em Bemposta o do Cardal do Douro, ainda hoje existentes, em Miranda do Douro devido à proximidade com a cidade existente, apesar de ter sido projetado parcialmente, esse aglomerado acaba por não se realizar. Estes aglomerados correspondem à fixação de todas as infraestruturas técnicas necessárias e indispensáveis de todo o programa, as quais são objeto de estudo desta dissertação.
A HED, ao contrário da Hidroelétrica do Cávado, da Hidroelétrica do Zêzere e da Companhia Nacional de Eletricidade que não contavam com arquitetos de forma permanente, foi a primeira empresa a recrutar arquitetos para os quadros, sendo de imediato reconhecida a necessidade da arquitetura participar nestas intervenções, a administração e direção da HED pretendia inovação e novas formas de intervenção num local totalmente virgem. Foi também aqui ultrapassada a prática corrente de apenas contratar engenheiros para estudos, projetos e resoluções construtivas em todas as obras, assim, os arquitetos eram chamados a intervir, eram-lhes solicitadas participações em tudo.
Neste contexto, o arquiteto João Archer de Carvalho foi o primeiro a integrar os quadros da HED, havendo interesse em inseri-lo nos quadros pelo facto de ter obtido resultados brilhantes enquanto aluno da ESBAP, coloca uma condição à partida, e abrangendo também os arquitetos que posteriormente convidou, era a seguinte: eles teriam de intervir e participar em todos os trabalhos a executar. Este também convida para fazer parte de toda a coordenação do projeto, os arquitetos Rogério Ramos e Manuel Nunes de Almeida. Neste tipo de obras, onde a engenharia era predominante, os arquitetos conseguiram que a arquitetura fosse sempre solicitada, e como requisito primordial dos mesmos, foram chamados a intervir em qualquer assunto, como refere João Archer de Carvalho nós fizemos tudo lá, desde escolher baixelas, que eu fiz, até discutir a cor dos lençóis de banho, dese harà osà o ogra as,à soli itava à aà ossaà parti ipaç oà e à tudo à (Carvalho, 2009) ou como também nos refere Manuel Nunes de Almeida
Fig. 52 Desenho de pormenor do dístico a colocar na entrada do edifício de comando e descarga de Picote
… ósà vía osà oà ue queríamos fazer, quando não solicitavam nós propúnhamos fazer, e as pessoas até diziam, vocês vão fazer isto?, vamos, porque o que se podia comprar naquela altura era tudo péssimo e de fraca qualidade, nós tínhamos de desenhar tudo, achávamos nós que tínhamos de desenhar tudo, o que não conseguimos desenhar tivemos de pedir a colegas, Pádua Ramos, Luiz Cunha, os móveis, as vestes litúrgicas, as peças litúrgicas, o sacrário, foi tudo desenhado (Almeida, 2009).
Os arquitetos foram sempre chamados a intervir em tudo, condicionando e coordenando o modo e condução dos trabalhos. Qualquer trabalho era discutido e estudado em equipa, entre arquitetos e engenheiros, complementando-se uns aos outros nos dois diferentes campos de ação e estudo.
Os arquitetos coordenadores dos projetos referentes às obras realizadas no Douro Internacional, foram: João Alexandre Cabral Archer de Carvalho; Manuel Carlos Duarte Silva Nunes de Almeida e Rogério Araújo de Oliveira Ramos, - frequentaram a Escola de Belas Artes do Porto, num ambiente único, na altura que se realizavam e reviam os métodos de ensino e da própria arquitetura. Como já abordado, através da figura de Carlos Ramos, quando esta se atualizava, abrindo caminhos mais do que indicar caminhos que certamente influenciou e proporcionou um enriquecimento da cultura artística destes arquitetos. Assim conseguiram libertar a própria subjetividade, dos cânones instalados, o que revela grande abertura ao que se fazia internacionalmente nesta época, ou seja, a revisão do Movimento Moderno. Ainda como estudantes da EBAP, estes três arquitetos, participam energicamente e como interventores nas atividades da ODAM, como se pode constatar, fecunda realmente a formação e cultura profissional dos arquitetos, que naquela épocaà fizera à própriaàaàliç oàdoàMovi e toàModer o à(Cannatà & Fernandes, 1997, p. 23). João Archer de Carvalho; Manuel Nunes de Almeida e Rogério Ramos, constituíram o grupo dos protagonistas Arquitetos da HED, que em 53 e 54 integram o quadro de responsáveis por elaborar as intervenções de Picote Miranda do Douro e Bemposta. Posteriormente, a convite dos mesmos, outros foram chamados a intervir nos projetos, e em diferentes áreas, arquitetura, escultura e pintura, entre eles: António Cândido; Hildeberto Seca; Fernando Paula; Fernando Leal; Costa Pereira; Freitas Lea; Mota de Sousa; Lúcio Miranda; Luiz Cunha; Pádua Ramos; Júlio Resende; Barata Feyo; entre outros.
João Alexandre Cabral Archer de Carvalho, nasceu no Porto em 19 de Junho de 1928.
Estuda arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP), onde concluiu a licenciatura em 1953, com o bairro residência para as caixas de Previdência em Bragança, desenhado no escritório de João Andersen, serve então
Fig. 53 Archer de Carvalho