Como colocado anteriormente, discutiremos nesse subcapítulo de que forma a periferia urbana foi pensada nas diferentes pesquisas empíricas como um resultado no espaço e na sociedade que decorre do processo de transformações produtivas modernizantes ocorridas no Brasil, com destaque para a mecanização do campo e para a industrialização nas cidades. Nessas análises, ainda que a metrópole apareça como uma escala importante, ela é compreendida também como um resultado espacial das demandas industrais por mão de obra abundante, sendo essa modernização produtiva em escala nacional o motor das transformações na escala metropolitana e a consequente expansão periférica. Dessa maneira, a periferia contribui para a reprodução da totalidade social à medida em que abriga a moradia da classe trabalhadora, necessária para a produção industrial, e em que suas residências são construídas sobretudo por meio da autoconstrução e em terrenos com problemas legais, o que diminui o seu custo e, consequentemente, permite um rebaixamento salarial, aumentando as margens de lucro do capitalista. Dessa forma, trata-se de uma concepção de periferia que abarca uma totalidade espacial, mas que a ultrapassa, tendo como definidora a escala da sociedade nacional.
É nesse sentido que o mestrado de Sandra Lencioni (1985), cujo objeto de estudo é o município de Jardinópolis, no interior do estado de São Paulo, compreende o avanço do capital na agricultura e seus impactos urbanos. Trata-se de um estudo sobre uma das consequências da transformação produtiva pela qual passava o Brasil, cuja manifestação no interior paulista foi a mecanização agrícola, o que acarretou em uma alteração no mercado de trabalho local, proletarizando sua mão de obra, que por sua vez desdobrou-se em êxodo rural e na consequente formação de uma periferia urbana em Jardinópolis.
Em geral, os estudos sobre a periferia sob essa perspectiva compreendem as transformações produtivas e seus impactos espaciais, respectivamente, por industrialização e metropolização. Contudo, Lencioni pensa os efeitos desse mesmo macrofenômeno em uma outra realidade espacial, refletindo sobre a periferização das cidades pequenas. Ambas as noções espaciais com as quais a pesquisadora trabalha, periferia e cidade pequena, são passíveis de ambiguidade ou de polissemia e, a fim de resolver essa questão, Lencioni assinala logo no início do texto que sua compreensão de “cidade pequena” e de “periferia”
não coincidem, respectivamente, com uma dada quantidade demográfica aglomerada e com uma localização anelar intraurbana, mas sim com seus aspectos qualitativos sob o ponto de vista produtivo.
Do mesmo modo de que na questão urbana a noção de periferia deixa de ser uma denominação areolar para tomar foro de uma manifestação espacial de pauperização do trabalhador, a pequena cidade deixa, para nós, de ser dimensionada apenas quantitativamente para significar qualidade de uma cidade cuja materialização das condições gerais de produção são aquelas requeridas pelo processo de intensficiação do capital no campo e que apresentam restrito capital nas atividades urbanas. (LENCIONI, 1985, p.6)
Como se trata de pensar as especificidades com que as determinações gerais da modernização nacional ganham concretude na realidade de Jardinópolis, Lencioni apresenta uma análise histórica das transformações nos usos do território do município, buscando articular as atividades econômicas locais com as transformações produtivas e os acontecimento macroeconômicos em escala nacional e internacional. A pesquisadora aponta, dessa maneira, a inserção de Jardinópolis na economia cafeeira e de que forma suas condições naturais favoreceram esse processo; a chegada dos colonos para o cultivo desses cafezais e as relações que estabeleceram com os proprietários de terra, recebendo, em troca do trabalho, um lote para a plantação de culturas de subsistências; a implantação de infraestruturas pelo Estado, como a construção de ferrovias, que passavam pelo município, para o escoamento do café.
Demonstra-se, assim, que o território de Jardinópolis está sujeito às determinações externas, que são os imperativos da divisão internacional do trabalho, são materializados de acordo com as especificidades de cada lugar. Essa concretização de imperativos gerais ocorre de acordo com os interesses existentes de cada localidade, como por exemplo a necessidade dos produtores agrícolas em praticar a atividade mais rentável a cada momento, trocando de produção de acordo com as demandas externas, ou as ações governamentais para tentar adequar a configuração espacial às formas de produção exigidas pelos setores hegemônicos. Desse modo, o argumento geral é que a realidade local não tem o poder de frear ou resistir às determinações gerais do modo de produção, mas através dos interesses particulares e das ações estatais, pode-se filtrar como a estrutura será concretizada.
Há, dessa maneira, uma interdepedência entre determinações de múltiplas escalas na configuração da realidade local, o que faz com que o ritmo do município seja determinado por elementos alhures, considerando não apenas a sua produção agrícola, como também a sua vida urbana (LENCIONI, 1985, p.56). Assim, as alterações nas comercializações da produção agrícola de Jardinópolis dependiam de fatores econômicos nacionais e internacionais, como os incentivos governamentais, a presença de infraestrutura de transporte ou as demandas internacionais pela produção agrícola, e causava impacto na dinâmica da cidade como um todo, que poderia ser aquecida ou resfriada dependendo da conjuntura. Trata-se de uma perspectiva de que os processos territoriais e sociais são subordinados às necessidades de reprodução do capital, de modo que as transformações espaciais verificadas em Jardinópolis, com destaque para a capitalização do campo, o crescimento urbano e sua periferização, aparecem como resultados espaciais das esferas do capital e de seus processos de modernização e de acumulação.
Por essa razão, Jardinópolis é compreendida como uma fração do processo de modernização brasileira, cuja especificidade em termos de localização, desenvolvimento histórico-produtivo e características naturais faz com que sua participação nesse todo mais amplo se dê através da agricultura mecanizada. A modernização produtiva que ganha concretude no município altera o mercado de trabalho local e impõe transformações espaciais, que no caso são concentradas no êxodo rural e no consequente crescimento demográfico urbano, constituído sobretudo por trabalhadores agrários proletarizados, cuja moradia na cidade será estabelecida através da formação de uma periferia urbana.
A ideia fundamental é que a urbanização inicial de Jardinópolis está relacionada com o desenvolvimento anterior da cafeicultura, e que o crescimento urbano ocorrido nas décadas de 1970 e 1980 não pode ser explicado pela escala da cidade, mas pela capitalização da economia nacional, ou seja, pela industrialização de sua agricultura, que transforma o trabalhador rural em homem da cidade, mas em uma condição específica.
No transcurso da perda da hegemonia da cafeicultura e no bojo do processo de industrialização gestava-se um diferenciação urbana em todo território paulista baseada numa nova divisão do trabalho. Quando a industrialização se fez cada vez mais presente nas atividades agrárias é que cidades, como Jardinópolis, cuja concentração de atividades urbanas pouco se desenvolvia, conheceram um novo ritmo de expansão. Se de um lado a cultura
cafeeira significou o surgimento da cidade, de outro, a capitalização do campo é que lhe deu novo alento que transformou o trabalhador rural em homem também na cidade, desterrado do campo e lançado na periferia urbana, um quase cidadão. (LENCIONI, 1985, p.85- 86).
Essa compreensão de que os processos de periferização verificados nas cidades estão vinculados às transformações produtivas em escala nacional, em alguma medida, apontam limites para o antagonismo entre campo e cidade. Isso porque ambos seriam compreendidos como situações específicas de um processo totalizante, e nesse sentido, suas diferenças teriam um aspecto mais vinculado à complementariedade do que ao dualismo. Não se trata propriamente de pensar a transformação do campo em cidade através de um espraiamento urbano, o que implicaria em valorizar os objetos espaciais em si, conforme veremos no capítulo a seguir, mas de afirmar que, sob o ponto de vista produtivo, a diferença entre campo e cidade diz respeito às especificidades produtivas, considerando como e o que é produzido, de modo que essa distinção não pode se dar pela paisagem ou por demais aspectos vinculados à aparência.
É nesse sentido que Sandra Lencioni aponta que, no que diz respeito à Jardinópolis, a diferença entre campo e cidade está nos impactos que o avanço do capital tem em cada um dos contextos. Assim, o avanço do capital no campo atribui um novo dinamismo ao município, ao passo que a reprodução do capital na cidade não implica em uma capitalização do comércio e dos serviços em geral.
O trabalho assalariado homogeneizou campo e cidade, enquanto as condições de capitalização na diversificação das atividades urbanas e agrárias as diferenciava. A reprodução do capital no campo, sob novas formas, transfigurou o município de Jardinópolis fazendo com que a cidade saísse daquela letargia dos anos quarenta. No entanto a reprodução do capital nas atividades urbanas distanciou- se dos mecanismos de concentração permanecendo diminuta a dimensão do capital nas atividades comerciais e de serviços. (LENCIONI, 1985, p.107)
Esse assunto também aparece no mestrado de Antônio da Silva (1987), que analisa as Folias de Reis na Baixada Fluminense. Segundo o pesquisador, as periferias urbanas permitem um questionamento da divisão entre a “sociedade moderna”, associada ao urbano, e a “sociedade tradicional”, associada ao rural, em uma análise marcada pelo dualismo. Contudo, de forma distinta de Sandra Lencioni (1985), esse autor não terá como
baliza do seu argumento propriamente as esferas produtivas, mas sim os fluxos demográficos decorrentes da modernização nacional e que, nesse contexto, geraram a periferização urbana.
Através da falsa dicotomia entre cidade e campo, Silva estabelece dois pontos de contato entre as periferias e o rural. O primeiro, menos importante em seu argumento, é o fato do espaço periférico ser construído pela expansão do tecido urbano sobre a antiga área rural circundante. E o segundo é o pressuposto de que os moradores das periferias urbanas são constituídos sobretudo por migrantes rurais. Nesse sentido, e tendo Milton Santos68 como referência, o autor coloca que a dicotomia entre o rural e o urbano é um epifenômeno, e que há, nas periferias urbanas, uma justaposição de formas urbanas e rurais, que estabelecem relações complexas e variadas entre si. Assim, para Antônio da Silva (1987), ainda que os dois tipos de espaço possam ser identificados através da paisagem como realidades distintas, as relações estabelecidas entre cidade e campo impede uma separação estanque entre os dois, bem como uma compreensão hermética de cada uma de suas realidade.
As áreas de periferia aos grandes centros urbanos são justamente o “locus” da negação dessa falsa questão, por ser ali o lugar de superposição e interpenetração das formas mais variadas e complexas do “rural-urbano”.
Essa compreensão é esposada por Milton Santos69 quando afirma “que se pode compreender a oposição entre espaço urbano e espaço rural na linguagem geográfica, mas esta nada mais é do que destinada a definir um epifenômeno, a paisagem”, pois segundo ainda o referido Geógrafo, “não se podem isolar unidades espaciais como se estas constituíssem entidades que oferecem por si mesmas todos os elementos de sua própria interpretação”, sob pena, conclui, “de se partir de uma análise incompleta para se chegar a uma síntese imperfeita”. (SILVA, 1987, p.8)
O que Milton Santos realiza no trecho citado por Silva é a dissociação entre o
espaço paisagem e o espaço geográfico. O primeiro é definido pela percepção imediata e
diz respeito a determinada forma aparente em escala local. O segundo faz referência aos processos genéticos do espaço, que para Milton Santos é o único elemento capaz de explicá-lo de fato, e sua diferenciação ocorre através da estrutura das atividades desenvolvidas e de seus níveis de decisão. Assim, ainda que as paisagens agrária e urbana
68 SANTOS, M. O Trabalho do Geógrafo no Terceiro Mundo. São Paulo: Hucitec, 1980. 69 SANTOS, M. op. cit., p.65.
sejam distintas, tais quais as atividades realizadas em cada uma delas, elas se integram se a escala for alterada. Milton Santos aponta que a escala de estudo deve ser a escala das decisões das atividades em questão. Isso porque, ainda que as atividades analisadas possam ter manifestações locais, as forças de organização e de reorganização do espaço estão nos fluxos de decisão, que ultrapassam o lugar. É por tal razão que uma realidade específica não pode ser compreendida a partir dela mesma, precisando de uma escala que abarque seus processos genéticos (SANTOS, 2013 [1978], p.75-76).
A dissociação geográfica das atividades determina uma subdivisão em espaço agrário e espaço urbano. Essa subdivisão é apenas aparente, desde que a apreendamos bem. Manifesta-se ela concretamente na paisagem em que se integra, mas sempre há uma outra integração, cujo nível pode não ser forçosamente o nível elementar. O âmbito dessa integração pode ultrapassar – e muitas vezes ultrapassa – o quadro do espaço-paisagem, para se colocar ao nível de outra região ou de uma cidade mais importante, próxima ou distante.
Por conseguinte, cada atividade tem um reflexo espacial e uma escala espacial diferentes, dependendo tanto do nível de desenvolvimento econômico como do próprio nível da atividade. É a essa escala que deve corresponder a escala de estudo. Entretanto, se alguns dos fluxos relativos à atividade em questão podem ser colocados em níveis inferiores, o mesmo não ocorre com os fluxos de decisão. Ora, é a estes que se vinculam, direta ou indiretamente, as forças de organização e de reorganização do espaço.
Isso equivale a dizer que não se pode isolar unidades espaciais como se estas constituíssem entidades que oferecem por si mesmas todos os elementos de sua própria interpretação, sob pena de se partir de uma análise imcompleta para se chegar a uma síntese imperfeita. (SANTOS, 2013 [1978], p.76)
Dessa forma, o que Silva (1987) aponta é que, ainda que o campo e a cidade tenham paisagens distintas, eles são forjados em um mesmo processo, cuja escala é mais ampla do que essas realidades particulares. Tendo em vista seus objetivos especificamente centrados na Folia de Reis realizada em Nova Iguaçu, o autor faz uso dessa reflexão de Milton Santos de que essas paisagens seriam apenas “epifenômenos” e aponta para uma integração entre suas realidades como recurso para problematizar a cisão entre a cultura popular urbana e rural. Nesse sentido, o autor assinala que as Folias de Reis são uma manifestação cultural de origem rural, mas cujas práticas estão ocorrendo nas periferias urbanas das grandes cidades, o que é uma decorrência das transformações no mercado de
trabalho nacional, causada pelo seu processo de modernização. Além disso, Antônio da Silva compreende que as culturas populares integram um movimento da totalidade social, ou seja, expressam um determinado modo de agir e de pensar das camadas populares, que só podem ser comprendidas através das relações de classe e da condição de dominado, como veremos de forma mais aprofundada no terceiro ponto desse capítulo.
A partir dessa concepção de que cada fração do espaço está articulada com imperativos econômicos e políticos de escala mais amplas, Antônio da Silva (1987), tal qual outras pesquisas, também recorre a uma análise do desenvolvimento histórico de Nova Iguaçu. Ele aponta, assim, que até a II Guerra Mundial, o município de Nova Iguaçu era um importante exportador de laranjas. Tal conflito comprometeu os meios de transporte da produção para o exterior, o que decorre num segundo problema, já que o Porto do Rio de Janeiro não tinha capacidade para estocar o fruto que aguardava o despacho, impondo severas perdas ao setor, que entra em declínio após a década de 1940. Contudo, a citricultura havia estimulado a abertura de uma rede de estradas vicinais, e quando houve a expansão da metrópole do Rio de Janeiro, na década seguinte, Nova Iguaçu contava com as condições necessárias para a abertura dos loteamentos (SILVA, 1987, p.32 e segs.).
No entanto, segundo Silva (1987, p.34), o mero estudo da evolução territorial e das fases econômicas de Nova Iguaçu não conseguem elucidar a condição periférica do município durante a década de 1980. Para conseguir tal compreensão, é necessário atingir o fenômeno mais amplo que atuou como motor da periferização nas diferentes cidades brasileiras, com destaque para aquelas localizadas no centro-sul do país, compreendidas como uma expressão do processo de industrialização do Brasil que está vinculada com os locais nos quais a classe trabalhadora urbana se concentra e se reproduz.
Como já delineado, Silva argumenta que os loteamentos residenciais precários de Nova Iguaçu devem ser compreendidos dentro de um contexto nacional de expansão industrial e da consequente atração demográfica que isso exerce, e das simultâneas transformações produtivas no campo, que causaram desemprego rural e êxodo rural. Dessa forma, os loteamentos periféricos seriam uma das expressões espaciais da política nacional para as indústrias e para a agricultura.
O processo histórico recente de expansão do espaço urbano em Nova Iguaçu não pode estar dissociado dos movimentos idênticos, observados nas mais diferentes cidades brasileiras, a partir do processo de industrialização capitalista, sobretudo após os anos
sessenta.
Fenômeno em maior evidência notadamente no centro-sul do país, onde a expansão do capitalismo industrial se faz com maior vigor, processo esse aguçado após as consequentes modificações de organização da produção no campo, refletidas no assalariamento do trabalhador rural.
Os loteamentos periféricos onde se concentra a grande massa trabalhadora exigida pelas novas formas de reprodução social do trabalho passam a representar uma das maiores expressões do referido processo.
O desenvolvimento industrial, iniciado no pós-guerra através da modernização do setor de bens de consumo, foi praticamente consolidado nos meados da década de sessenta, quando é estabelecida uma bem urdida articulação entre o Estado e as grandes empresas nacionais e multinacionais, com hegemonia destas, expressas em financiamentos, facilidades de instalações e isenções fiscais.
Nesse sentido, cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo com “forum” de metrópoles nacionais, foram as que mais receberam o impacto de um crescimento desordenado, pois passam a receber as grandes levas de imigrantes oriundas do “hinterland” agrário brasileiro.
Como reflexo direto desse processo, o Sudeste desponta como a área de maior recepção de imigrantes e o Rio de Janeiro (ainda como o detentor da categoria de centro de decisões políticas e capital cultural do país) passa a sofrer as consequências dos fortes impactos desses fluxos populacionais.
Se bem que o circuito imobiliário resultante não possa ser totalmente dissociado da expansão capitalista então em movimento, o processo de crescimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro – RMRJ, onde está inserido o município de Nova Iguaçu, se fez muito mais em função do sistema de relações estabelecidas entre a cidade do Rio de Janeiro e o conjunto do país. (SILVA, 1987, p.34-36)
Segundo o argumento apresentado, a força dos processos em escala nacional na transformação do espaço de Nova Iguaçu é tamanha que sobra pouco dos objetos geográficos dos ciclos econômicos anteriores. Assim, é como se houvesse algo na indústria que submete os diferentes espaços às suas demandas, varrendo os objetos espaciais anteriores e impondo uma produção do espaço voltada para interesses exógenos. Isso é contraposto ao modo como os usos do solo anteriores são compreendidos, em que haveria uma maior organicidade entre os diferentes estágios produtivos, que teria sido rompido pela indústria. O imperativo posto pela industrialização de formar uma massa operária
engendra uma expansão inexorável da metrópole, que acaba por “engolir” Nova Iguaçu, o que implica na transformação de uma cidade com núcleo urbano estruturado em um subúrbio periferizado do Rio de Janeiro. Dessa forma, a maneira como a estrutura produtiva do Brasil ganha concretude no Rio de Janeiro acaba por submeter outros territórios às suas demandas, tornando os objetos espaciais mais plásticos a esses imperativos estruturais.
Além disso, somente ao ser engolida pelo Rio de Janeiro é que Nova Iguaçu é transformada em um “subúrbio periferizado”. Conforme veremos no ponto a seguir, isso nos aponta que a concepção de periferia nas reflexões de Silva (1987) não está na sua localização no tecido intraurbano ou em determinada distância de um centro urbano, mas sim na função que esse espaço específico tem na manutenção e na reprodução de