4. BÖLÜM: YÖNTEM ve BULGULAR
4.9. Çapraz Tablolar
Em Cabo Verde, o processo de crescimento urbano ocorre de forma muito acelerado e sem nenhuma preparação, na medida em que, não houve tempo suficiente para se aperceber do seu alastramento, por isso, não houve um planeamento adequado, o que permitiu mudanças significativas na paisagem urbana, mas também pode-se entender que, foi por falta de uma visão e cultura de planificação. Tais mudanças podem ser observadas na falta de infra- estruturas (boas condições de moradias, saneamento básico, transportes, entre outros) e nos impactos ambientais (uso inadequado do solo, destruição de áreas verdes, poluição atmosférica, soterramento das ribeiras ou vias de passagem das águas pluviais, etc.).
Segundo o Conselho da Europa, 2000, “a paisagem constitui um elemento fundamental da identidade local e regional”. Se basearmos nesta definição concluímos que há uma necessidade urgente de intervenção para mudar o rumo das paisagens urbanas em Cabo Verde, dado que se constata que devido a uma diversidade de factores se encontram num processo acelerado de transformações em várias e diferentes direcções. É preciso um estudo sobre as relações entre os factores naturais e humanos como forma de encontrar bases adequadas para gestão integrada e equilibrada do espaço urbano, porque a paisagem reflecte a diversidade do território cabo-verdiano e por isso deve estar ligada ao Ordenamento do território que organiza os vários sectores em relação ao seu impacto no território.
É preciso definir como urgente a criação de uma política de paisagem, visando a sua protecção e gestão, e integrando-a em vários outros tipos de política, visando identificar as paisagens, seus limites, o seu carácter, as tendências e ameaças a que estão sujeitas sem esquecer que de uma boa política de paisagem pode depender a qualidade de vida de uma população, porque são interdependentes.
Segundo Bertrand (1971), “a paisagem não é simples adição de elementos geográficos disparatados”. É ainda segundo ele, numa determinada porção de espaço, o resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos, biológicos e humanos, que reagindo dialecticamente uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único e indissociável, em permanente evolução. O problema maior desta evolução é que as paisagens se modificam de acordo com as necessidades de alguns indivíduos, para satisfazer os
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interesses dos dirigentes locais que trazem para as cidades diversas actividades (industrias, lazer, educação e outras), as quais provocam o aumento da população, e como consequência acarretam os diversos problemas ambientais, como por exemplo, aumento de efluentes, lixos urbanos, ruídos, poluição, criminalidade, bairros degradados, escassez de solos etc.
As nossas cidades pelas suas qualidades atractivas (centros industriais e comerciais, administrativos, culturais e religiosos), para onde são canalizadas também as maiores quantidades de água e alimento, funcionam como verdadeiros pólos de atracção, que contribuíram para o aumento da população, que implica a busca de novos espaços para a habitação, provocando a ocupação de áreas que por lei deveriam ser protegidas como por exemplo (Áreas de Protecção Permanente), como encostas, áreas florestais, orla marítima, que por vezes são devastadas em alguns casos para suprir o mercado imobiliário, sendo estas ocupadas por habitações que, por vezes são autorizadas pelas Câmaras Municipais e por vezes construídas sem nenhuma autorização nem projecto, constituindo verdadeiras casas de lata (guetto), concebido fora de todas as normas regulamentares com prejuízo para a arquitectura paisagística e sanitária das cidades e por vezes leva ao desaparecimento de espécies endémicas nas zonas industrializadas ou urbanizadas.
O aumento da população urbana em cabo Verde, deve-se também, às migrações da costa africana, e fundamentalmente ao êxodo das zonas rurais para os centros urbanos devido a escassez do local de recursos hídricos, falta de chuvas, diminuição na produtividade dos solos, como consequência da seca e da erosão do solo, “bem como a sobre-exploraçao dos recursos pesqueiros constituindo deste modo, um quadro rural de desempregado generalizado que promove a busca de novas alternativas económicas e de subsistência” (PAIS, 2003:27). Este fenómeno, que movimenta pessoas em busca de melhores condições de vida, desafia as autoridades à tomada de medidas adequadas a novas situações. De acordo com o Presidente da Associação dos Municípios de Cabo Verde (AMCV),62 perante esta situação, ”é preciso adequar os Planos Directores Municipais à perspectiva de criação de redes de cidades”. Cabo verde está perante um desafio de política de cidades, de Planeamento e desenvolvimento, de políticas em matéria de habitação; desafios de urbanização, requalificação e saneamento, e mais recursos que permita actuar em tempo útil perante os desafios não só das alterações climáticas, mas também do processo de globalização.
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A ministra da Descentralização por sua vez, entende que há necessidade de, “uma
política inversa que possa conter o êxodo rural, como por exemplo criar atractivos urbanos nas zonas rurais”, porque 62% da população cabo-verdiana vive nos centros urbanos (Fig.3).
É uma situação que vem evoluindo há várias décadas, só na capital concentra cerca de 27%
da População.
Figura 3 - Evolução da População Urbana [1980-2010] e Distribuição da população actual
Fonte: Evolução P. urbana PNDUCC 2003 Fonte: Distribuição, Autor dados do QUIBB 2007
Da análise da Figura 3, nota-se que a tendência é para intensificação deste fenómeno,
com todos os problemas que isto representa. Temos uma crescente população urbana, sendo uma grande percentagem está vivendo nas cidades sem as mínimas condições de habitação, por além de outros problemas que são próprios das cidades cabo-verdianas que sofre de défice de gestão urbana, défice de planeamento, de equipamentos urbanos, problemas sociais derivados da falta de organização dos espaços urbanos. Tudo isso tem impacto provocatório na paisagem urbana.
Esses factores, associados ao trânsito engarrafado, poluição do ar, praias sujas e todos os espaços abandonados que são transformados em depósitos de lixo, esgotos sem tratamentos que se pode transformar em canaiscimentados, perigosos para a saúde pública, O que faz cair por terra, o sonho de viver em prédios, hospitais e escolas de luxo, ruas asfaltadas, praças de diversão. Em vez disso, encontra-se comunidades inteiras sem local para o destino final do lixo, violência estresse e baixa qualidade de vida.
Para combater esta concentração permanente nos centros urbanos que acarreta cada vez mais os problemas das cidades cabo-verdianas, concordamos que, urge, a criação de incentivo de vida nas localidades como forma de reter as pessoas. Por exemplo, construir estradas para o desencravamento de localidades, centros de saúde, água canalizada, escolas,
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jardins e apoiar as actividades produtivas que permitam aproveitar a produção local (agrícolas, pastorícia, artesanato, pesca). Assim fica resolvido em partes o problema de pressão ambiental nos centros urbanos, mas, para isso, é necessário prever outras medidas suplementares que promovam a redução do tráfico, através da utilização de meios de transportes mais limpos, com regulamentos ambientais aplicáveis aos veículos e combustíveis como forma de reduzir a poluição atmosférica.