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METABOLİTLERİN KLİNİK ÖNEMİ

Se o termo revolução descreve o arco tensional de um giro que implica uma mudança de esquadro, a adição da palavra global nos sugere uma duplicação revolucionária no elemento revolucionado: duplo giro do mundo sobre a alma, duplo giro da alma sobre si mesma. Portanto, dupla superação do mundo. A revolução global é aquela que não se assenta sobre a ilusão de um porto seguro, ancorado em uma eventual razão esclarecida e não-reificada. Adorno estava certíssimo ao postular toda a forma da vida como materialização de uma forma histórica. E se, como quer Sloterdijk, a vida é forma, as formas que a vida assume em seu percurso temporal são amálgamas indissociáveis de uma historicidade profunda que cada forma vital assume ao vir à luz. Porém, nesse sentido, não podemos levar a indagação mais adiante? Não podemos supor que o sentido histórico da forma reflexiva de um pensamento que se pensa a si mesmo enquanto negatividade e postula a totalidade do real como forma histórica não deixa de ser uma forma mentis também ela engendrada por aquilo que engendra, ou seja, implicada na dialética do processo que descreve? Nesse sentido, se a ideologia é sempre o fruto podre da objetivação, a razão cínica, ao negar seu estatuto, seria uma produção ideológica de segundo nível860. Pois ela consiste em sugerir a hipótese inverossímil de que haja esferas da sociedade que não sejam objetiváveis. Por isso, enquanto o pensamento dialético não operar um giro sobre si mesmo, pensando-se a si mesmo como refém da objetivação, continuará a ser uma razão triste e a pregar uma pseudossalvação melancólica. Nos termos matemáticos do teorema da incompletude de Kurt Gödel, não terá encontrado nenhuma legitimidade extrassistêmica que lhe forneça consistência. Para usar as categorias de Niklas Luhmann, autor central para Sloterdijk, não terá trabalhado o grau último dos sistemas em sua redução da indeterminação à determinação861.

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Mas e quando o que se postula como sistema é a própria totalidade a que chamamos

mundo? Qual seria então o ponto fora do mundo no qual é possível nos apoiarmos em

queda livre? Qual o caminho para se chegar a esse grau zero do existente? Sloterdijk, partindo de um cotejo entre a tradução standard do Fédon feita por Schleiermacher e a de Gadamer, analisa um termo central na doutrina platônica: metoikesis862

. Enquanto o primeiro o traduz pelo duvidoso termo transmigração, o segundo encontra uma solução mais feliz: transporte de elemento. De fato, a metoikesis não é uma transferência anímica de uma mesma substância em formas diferentes, tampouco o desdobramento de uma forma em matérias distintas, o que invalidaria a universalidade formal das espécies. Pelo contrário, a metoikesis é a migração ontológica de diversas formas no interior de uma única substância, mas que nesse percurso ainda retêm uma centelha de unidade formal.

Há muita distância entre uma acepção e outra. Enquanto na primeira temos uma unidade subsistente da alma que independe dos suportes materiais às quais ela se submeta, na segunda temos um desdobramento da própria substância do mundo que recebe inscrições e formalizações distintas, conformes aos distintos planos de existências, mas todas partícipes da mesma unidade do ser. Esse transporte de elemento caracteriza muito melhor a concepção platônica, pois evita uma dualidade ontológica inadmissível. Se há dualidade de corpo e alma no Fédon, essa dualidade só se dá no nível concreto dos corpos, ou seja, enquanto ainda não reabsorvida na unidade suprema das formas e das ideias. Em resumo, a dualidade platônica é real no plano moral, porque eficaz, mas relativa no plano ontológico, porque insuficiente.

No que consistiria então a experiência gnóstica? Basicamente, em uma translação de elementos mediante a qual a própria dualidade representacional da realidade se resolvesse em uma suprarrealidade meta-histórica, mas nem por isso metafísica. Em outras palavras: quando, capazes de aniquilar o mundo, sairmos do regime intramundano sem abandonar as formalizações que nos constituem como somos. Em termos nietzschianos e também sloterdijkianos: quando nos tornarmos o que somos. Nessa trajetória não está em jogo apenas uma perda ou aquisição da própria vida, mas um regime de salvação implícito, sem

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o qual continuaríamos ancorados na matéria e, portanto, incapazes de dar o salto qualitativo que nos desvincula das falsas aporias da dialética. Nesse sentido, em termos formais, pensando uma eventual categoria religiosa que se possa deduzir do pensamento de Sloterdijk, poderíamos dizer que ele oscila entre uma divinização da experiência do puro Interior e um Deus estrangeiro. Portanto, um Deus que só se materializa na história mediante uma desarticulação da imanência dialética. Porém, a forma psicológica dessa materialização tem um nome: Eu. Mais uma vez o modo relacional se formula como paradoxo. Mais uma vez a díade se revela como estrutura originária da realidade. Eis-nos diante da oscilação aparentemente contraditória entre intimização esférica e estranhamento do mundo. Apenas um deus que ressoe na pura interioridade da primeira pessoa do singular pode servir a uma dialética negativa de segundo grau. Estamos aqui diante da forma pura da soberania.

Leitor fino de Carl Schmitt e em convergência com algumas propostas de Giorgio Agamben, Sloterdijk sabe que “soberano é aquele que decide sobre a exceção”863

. Ora, se assim o é, nenhum gesto é mais soberano do que o gesto indicativo de transformar a totalidade do mundo em exceção. Nessa inversão, é a própria lógica do senhor e do escravo que se desarticula, pois lança-se por terra a possibilidade de um poder que não emane do próprio Eu. Em uma radicalização da aristocracia espiritual de Nietzsche e Berdiaev, a revolução global, de fundamento gnóstico, é aquela que, no mundo contemporâneo do cinismo, ou seja, do estado de exceção que se legitima democraticamente mediante técnicas de ocultando e renega, em si, a lógica dos senhores que o move, consegue reativar a potência cínica (kynikē) adormecida dos antigos. Ou seja:

é o único agente capaz de instaurar de fato uma crise de consciência nas malhas e nos jogos de linguagem do poder contemporâneo.

863 “Todos aqueles que falam em nome da humanidade o fazem com o intuito de enganar”. Essa é a máxima

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Benzer Belgeler