3. YURT DIŞINDA GÖREVLENDİRİLECEK ÖĞRETİM ÜYESİ/ÖĞRETİM GÖREVLİSİ/
3.2 Mesleki Yeterlilik Sınavı Giriş Belgesi
Nos estudos desenvolvidos por Jacob e Volkery (2006) e Jänicke (2006b), os fatores que explicam o pioneirismo dos governos na adoção de uma postura inovadora de caráter pioneiro podem ser organizados em dois grupos: os fatores de natureza estrutural e os fatores de natureza situacional, ademais da necessidade de uma coalizão verde fortalecida.
Enquanto os fatores estruturais podem ser organizados em sócio- econômicos, político-institucionais e cognitivos; os fatores conjunturais podem ser relacionados a aspectos situacionais, que são janelas de oportunidade para uma ação pioneira; temas específicos, que nascem da existência de condições ou problemas específicos que exigem que o país inove para dar resposta a uma questão emergente; ou, a uma dimensão estratégica que, se relaciona às escolhas políticas dos países e de suas lideranças.
No caso do trabalho desenvolvido por Fimm (2000), o autor, depois de analisar as quatro municipalidades16 que haviam sido premiadas por sua atitude inovadora naquele ano, aponta três importantes fatores que contribuíram para este resultado: o foco em questões específicas das comunidades (fator específico); a capacidade de aprender coisas novas (fator cognitivo-informativo); e, organizações flexíveis e funcionais (fator político-institucional). (FIMM, 2000, p. 25)
Em seu trabalho na região de Chicago, Nelson, Woods e Gabris (2011) avançaram mais que seu colega australiano ao propor um modelo de capacitação para o gerenciamento da inovação por parte dos governos municipais. De acordo com esses autores, a capacidade de um governo local para a gestão da inovação dependeria de uma boa relação entre o conselho local e a burocracia municipal (staff); da qualidade da gestão da equipe (staff); e, da capacidade da liderança.
16 Na realidade, os conselhos locais, já que no sistema australiano – como na maior parte dos países parlamentaristas – o governo local é da competência de um “council”.
A partir deste modelo os autores propuseram as seguintes hipóteses de trabalho: a primeira que haveria uma relação estatística positiva entre o número de inovações relatadas pelos gestores e o nível de capacidade da a gestão da inovação percebido, controlando-se os resultados para a renda per capita, a taxa de crescimento da população, aspectos relacionados com a governança local e a taxa de desemprego; e, a segunda e que esta relação também se apresentaria entre o grau de efetividade das inovações declarado pelos gestores e o mesmo índice, controlando-se as mesmas variáveis externas, uma vez que para eles:
“Socio-economic conditions influence the adoption of innovation practices (Moon & deLeon, 2001; Damanpour & Schneider, 2006; Walker, 2008); thus, the authors used the unemployment rate and per capita income as control variables. Damanpour and Schneider found a positive relationship between population growth and municipal innovation. Form of government and other institutional features—non-partisan elections, organization size, and number or municipal employees—appear to be related to innovation adoption (Kearney, Feldman, & Scavo, 2000; Moon & deLeon, 2001; Damanpour & Schneider, 2006, 2009). Finally, the authors used home rule status as a control variable because we believe that home rule cities innovate more often and effectively than non-home rule municipalities because home rule cities have more fiscal and regulatory options than do non-home rule municipalities”. (NELSON; WOODS; GABRIS, 2011, p. 311).
Em suas conclusões os autores declaram ter encontrado uma correlação positiva entre a taxa de adoção de inovações por parte dos municípios, assim como o fato de que quanto mais alta a taxa de desemprego, maiores são as tentativas de inovar. De outro lado, os resultados apontam que as comunidades que têm “home rule” são mais inovadoras do que aquelas que não se encontram nesta condição, mas que a forma de governo e o ritmo de crescimento da população não apresentaram relação significativa com a taxa de inovação (NELSON; WOODS; GABRIS, 2011, p. 314).
Do conjunto de variáveis adotado pelos autores americanos para testar seu modelo de gestão da inovação extraem-se informações importantes para discutir as variáveis que poderiam conformar um modelo de inovação ambiental para os municípios brasileiros, ajustando-se à proposta de traduzir os fatores estruturais em indicadores socioeconômicos, gerenciais e demográficos.
Voltando os olhares para as especificidades dos municípios brasileiros, pode-se recorrer, mais uma vez, ao estudo de Bloch e Balassiano (2000) como uma aproximação dos processos de inovação nos governos municipais. Desde pronto, não se pode perder de vista que em suas conclusões a dimensão gerencial, ou seja, suas características de natureza organizacional e institucional, os resultados observados
apresentaram forte relação desta variável com o processo de inovação nas políticas de saúde, destacando-se entre os fatores observados pelos pesquisadores, conjunto de instrumentos e práticas que se relacionam com os princípios da boa governança.
Por outro lado, ainda de acordo com o artigo em questão, o “porte do município”, uma das variáveis que hipoteticamente poderia explicar as dinâmicas inovadores de uns municípios em relação a outros, apresentou baixo poder de explicação, levando a presumir que variáveis demográficas ou de natureza geográfica seriam pouco relevantes neste processo.
Sem acatar ou descartar qualquer uma das conclusões e hipóteses até aqui analisadas, o conjunto das observações consideradas permite que se forme uma ideia sobre o conjunto das variáveis e dos aspectos que precisaram ser levados em conta no desenho de um modelo que explicassem o pioneirismo na inovação nos municípios brasileiros, envolvendo aspectos sociais, demográficos, econômicos, políticos, gerenciais, locacionais, entre outros.
As digressões realizadas com base nas experiências dos vários autores revisados ao longo deste capítulo mostram-se convergentes com os fatores explicativos para o pioneirismo da inovação defendidos por Jacob e Volkery (2006) e Jänicke (2006b), que de modo sintético poderiam ser expressos como na Figura 6 a seguir.
Figura 6 - Fatores Explicativos do Pioneirismo na Inovação Ambiental.
Pioneirismo na
Inovação Ambiental
ƒ
Coalizão Verde+
Estruturais Fatores+
Conjunturais FatoresFonte: Elaboração Própria, 2017.
Considerando, entretanto, que o objetivo do presente trabalho é identificar, junto aos governos municipais, indicadores de capacidade para a boa governança do desenvolvimento sustentável e, ao mesmo tempo, tendo presente que os fatores conjunturais são, por definição, efêmeros em sua atuação e exógenos às organizações governamentais municipais, não faz sentido aprofundar as discussões com relação a este conjunto de fatores, ainda que reconhecendo sua importância para os processos inovadores.
Assim, os esforços do estudo devem se concentrar sobre os fatores mais permanentes a justificar o pioneirismo da inovação: a coalizão de forças políticas necessárias para dar sustentação a este processo e os fatores socioeconômicos, político- institucionais e da base de conhecimento que criam a estrutura necessária para que a inovação possa acontecer. De sorte que a proposição anteriormente representada (FIGURA 6) passaria para a seguinte conformação (FIGURA 7):
Figura 7 - Fatores do Pioneirismo na Inovação Ambiental Objetos da Estratégia de Capacitação Institucional dos Governos Municipais.
Pioneirismo na Inovação
Ambiental
ƒ
Coalizão
Verde
+
Estruturais Fatores*
Ɵ
Fonte: Elaboração Própria, 2017.
Onde Ɵ representa o conjunto de fatores de natureza conjuntural, sejam eles situacionais, estratégicos ou específicos que, embora tenham poder explicativo sobre o comportamento pioneiro dos governos municipais, não serão considerados para o desenho de uma eventual política de capacitação.
A premissa adotada para justificar esta opção e para avançar na presente discussão é a de que, via de regra, essas oportunidades e especificidades incidem de forma relativamente equitativa sobre todos os casos analisados e que os diferentes resultados esperados derivariam dos fatores estruturais que seriam diferentes em cada municipalidade, de sorte que estas variáveis teriam efeitos de “constante” para todas as situações.
Com isto em mente e com o intuito de caminhar para a conclusão desta discussão, cumpre, depois de relacionar os fatores do pioneirismo da inovação com o desenvolvimento sustentável, estabelecer a relação entre esses fatores e os princípios da boa governança, tendo por base a proposição e na apresentada na Figura 6, de tal modo que tais princípios fossem destacados como variáveis explicativas da inovação ambiental, como tentado no modelo apresentado na Figura 8.
Figura 8 - Fatores do Pioneirismo na Inovação Ambiental Objetos da Estratégia de Capacitação Institucional dos Governos Municipais, com Destaque para a Boa Governança. Pioneirismo na Inovação Ambiental
ƒ
Coalizão Verde Fatores Político Institucionais+
Fatores Econômicos Fatores Cognitivos*
Ɵ
Boa Governança Outros Fatores Estruturais
Fonte: Elaboração Própria, 2017.
Ou seja, o pioneirismo na inovação ambiental seria função da boa governança, que estaria relacionada com os elementos da coalizão verde e com os fatores políticos-institucionais definidos por Jänicke (2006a). O pioneirismo também seria função dos demais fatores estruturais considerados na modelagem apresentada anteriormente, que se relacionam com aspectos socioeconômicos dos municípios, com os investimentos em desenvolvimento e difusão de tecnologias e, eventualmente, com aspectos de natureza demográfica que poderiam afetar a capacidade dos governos municipais de inovar.