3. YURT DIŞINDA GÖREVLENDİRİLECEK ÖĞRETİM ÜYESİ/ÖĞRETİM GÖREVLİSİ/
6.10. Görevlendirmenin Yapılmayacağı ve İptal Edileceği Haller
Antes de concluir a presente discussão, é imprescindível um parêntesis para dedicar atenção ao papel dos lideres na condução desses processos. Nas discussões propostas por Jänicke (2006a) e também na modelagem desenvolvida por Jacob e Volkery (2006) o papel do líder no pioneirismo ambiental não é negado, mas está arrolado entre as muitas variáveis de natureza situacional (situative factors) que são elencados ao longo da discussão. Considerando que a emergência de uma liderança comprometida com a questão ambiental é mais uma daquelas janelas de oportunidade que os países assumam a vanguarda da inovação ambiental.
A opção por não colocar tanta ênfase no papel que uma liderança individualmente pode desempenhar ao se comprometer com o pioneirismo na inovação para o meio ambiente pode estar tanto na dificuldade de estabelecer uma relação consistente entre os resultados observados e a ação dos líderes; como da dificuldade, do ponto de vista teórico, de suportar esta afirmação, haja vista a falta de convergência de opinião entre os vários estudiosos sobre o tema. (BAUER, 2006, p. 371).
Esta falta de convergência de opinião, entretanto, não permite desconsiderar a importância dos líderes nos processos de inovação, como para dar consequência às iniciativas de promoção do desenvolvimento sustentável em uma região. Em artigo que estudam as estratégias para a promoção do desenvolvimento sustentável em dezenove países, incluindo o Brasil, Volkery et. al. (2006) arrolam o papel da liderança como uma das dimensões a ser considerada, sem prejuízo da importância das capacidades institucionais, uma vez que em sua opinião:
“The challenge of sustainable development concerns all departments and levels of government. A valid commitment of all relevant actors can only be bought in by active leadership that provides clear directives and track recording. (VOLKERY et. al., 2006, p. 215).
Esta linha de argumentação aplicada à prática remete, por exemplo, ao trabalho de Lindemann (2006) sobre o gerenciamento de bacias hidrográficas dos quinze rios internacionais que cortam o Sul da África. Ao buscar resposta para seu questionamento quanto às razões da efetividade dos quatro casos de sucesso identificados em um ambiente que o próprio autor reconhece como um hot spot para conflitos relacionados com a água (LINDEMANN, 2006), ele encontra fatores determinantes muito similares àqueles sugeridos como necessários ao pioneirismo na inovação e à boa governança, chamando atenção, entretanto, para o papel das lideranças individuais. Nas suas palavras:
“Determinants of international regime effectiveness are not restricted to institutional regime design but also include country-specific characteristics (Mitchell 2001: 13). (…). Despite the obvious difficulty to integrate country- specific factors into an analytical framework – they range from cognitive- informational capacities, political-institutional attributes and economic- technological context to aspects of political culture and individual leadership…”. (LINDEMANN, 2006, p. 419).
A importância de dispor de lideranças colocadas nos locais certos para a inovação, e não apenas para a inovação ambiental, também foi detectada em estudos realizados em outros países e com outras conformações político institucionais. Recorrendo mais uma vez ao estudo desenvolvido por Fimm (2000) junto aos governos locais da Austrália, observa-se a ênfase dada ao papel dos indivíduos na condução dos processos de inovação dentro da organização, para ele
“The innovation process is one which is initiated and driven by individuals who are well placed within the organisation’s hierarchy, and who are driven by an innate curiosity to find new ways of working, and have an inherent belief in their own ability to succeed. (FIMM, 2000, p.6).
Nos governos locais, especialmente no caso dos municípios brasileiros, a emergência de uma liderança comprometida com os princípios do desenvolvimento sustentável que se engaje no esforço de modernização ambiental das políticas locais e das atividades produtivas desenvolvidas em seu território, pode ter um efeito determinante, não apenas para estimular ações de natureza inovadoras, do ponto de vista ambiental, mas na própria construção da coalizão verde e na capacitação institucional das esferas locais de poder para a boa governança.
Para uma análise do papel da liderança aplicado ao caso brasileiro, seria oportuno retomar a discussão relativa à importância do gestor da saúde nos estudos de Bloch e Balassiano (2000) que procuraram relações entre a inovação na gestão das políticas municipais de saúde e o porte do município, considerando um conjunto de variáveis organizadas em função da dimensão gerencial ou assistencial dos serviços. (BLOCH; BALASSIANO, 2000, p. 161). Em que pese terem encontrado resultados significativos quanto à influência dessas dimensões nos esforços de inovação, os autores destacam que
“foi observada uma forte relação entre gestor e inovação (0,70), e uma relação de 0,35 entre porte demográfico do município e gestor e de 0,30 entre porte demográfico do município e inovação. A partir daí, observa-se que o gestor está muito mais relacionado com a inovação do que o porte demográfico do município e que o porte demográfico está mais relacionado ao perfil do gestor do que a inovação”. (BLOCH; BALASSIANO, 2000, p. 161).
Tanto é assim, que os autores “pela forte correlação encontrada entre perfil do gestor e inovação na gestão”, consideraram em suas conclusões que seria “interessante pensar nos gestores como agentes de desenvolvimento local”. Ou seja, essas lideranças individuais teriam um perfil que os colocaria na condição de “agentes criativos com capacidade estratégica nas tarefas inerentes à gestão do desenvolvimento” e capazes de “responder com êxito aos novos desafios” que se apresentam para a gestão municipal (BLOCH; BALASSIANO, 2000, p. 163).
Chama a atenção o fato de que, embora o estudo esteja focado na gestão das políticas municipais de saúde, e não nas políticas ambientais, o papel que o gestor assume ao liderar os processos de diálogo, concertação e promoção da inovação em suas áreas os qualificam, segundo os autores em questão, para assumirem o papel de agentes locais de desenvolvimento. Confirmando de um lado a relação entre os elementos de boa governança, inovação e desenvolvimento local, mas por outro lado, alertando para o
papel decisivo que esta liderança pode assumir para o caso da inovação no nível municipal.