1.1. Mesleki ve Teknik Eğitim Kavramı
1.1.4. Mesleki Teknik Eğitimi Etkileyen Önemli Gelişmeler
reconhecem este ultimo como Soberano legitimo da Belgica. Resta ver esse Tratado ratificado polas Cortes de Petersburgo, Berlin e Vienna, e então será ainda muito mais enigmatica a tenacidade com que o Rei da Hollanda continúa a resistir ás decisoens
[fl. 1. v. ]
[fl. 2 ]
da Conferencia de Londres.
Tem havido mui serias desordens em alguns lugares da França. Mas agora parece que as cousas apresentam ali um aspecto mais favoravel.
Os navios pertencentes á expedição contra Portugal, que // se achavam aqui embargados por contravenção do Foreign Enlistment Bill, ha muitos dias que foram postos em liberdade, e seguiram todos para Brest onde se diz que hão de receber grande porção de armamento, e alguma gente, para então dirigirem-se á Ilha Terceira; e de lá para o Tejo com a tropa que hoje guarnece aquella Ilha.
A Duqueza de Bragança deo á luz uma Princesa no 1º do corrente. Dizem-me, mas não creio, que por essa occasião se observaram as mesmas formalidades usadas anteriormente no Rio de Janeiro em casos semelhantes.
O Rei dos Francezes tem de ser o padrinho da Princesa recem-nascida, e quer que o baptisado se faça no Palacio das Tuilleries. Não se sabe porem ainda quando terá lugar a ceremonia.
A jovem Rainha de Portugal escapou de ser assassinada em Paris. Sua Magestade achava-se no seu quarto com Dona Leonor da Camara, quando com uma espingarda de vento alguem disparou do jardim contra a janella do quarto, um tiro, cuja bala atravessou as cortinas da cama da Rainha, e foi cravar-se na parede opposta. A Policia faz rigorosas indagaçoens sobre esse objecto, e não me consta ainda que dellas resultasse a descoberta do criminoso, si existe um. //
Faleceo a Duquesa de Saxe-Cobourg-Gotha, e esta Corte ha conseguintemente tomado luto por 15 dias, a contar de 4 do corrente.
O addido desta Legação Manoel de Cerqueira Lima é o portador da correspondencia desta e das outras Legaçoens e Consulados Imperiaes, que vão acompanhados das costumadas gasetas.
Deos guarde a Vossa Excellencia. Londres em 7 de dezembro de 1831. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Francisco Carneiro de Campos
Eustaquio Adolfo de Mello Mattos
[fl. 2. v. ]
[fl. 3 ]
Documento 12
Datas: Londres. 1832, janeiro 18. Notação: 217.3.2
Descrição: Ofício reservado relatando a posição do governo inglês sobre restauração do ex-imperador.
[fl. 1 ] Numero 2 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor,
Reservado
Na ultima conferencia que tive com Lord Palmerston, disse-lhe que chegando ao meu conhecimento certos boatos sobre um plano projectado por alguns Gabinetes da Europa, a fim de restituirem ao throno do Brasil o ex-Imperador Dom Pedro, houvesse Sua Excellencia de esclarecer-me ácerca de semelhante objecto. Lord Palmerston respondeo que apenas sabia da existencia de um ou outro artigo publicado em gasetas, e sem duvida nesse sentido, mas que lhe não pareciam dignos do menor credito, e assegurou-me que a Inglaterra jamais entraria em ajuste algum tendente á mais leve interferencia nos nossos negocios internos.
A Hespanha não respondeo ainda ás proposiçoens que lhe foram feitas relati- vamente ao Senhor Infante Dom Miguel; e a Prussia, Russia e Austria guardam igual silencio sobre as communicaçoens que se lhe dirigio ao mesmo tempo e no mesmo sentido.
A expedição do ex-Imperador ainda não // partio, e espera-se que isso tenha lugar dentro de poucos dias. Tenho alguns dados para crer que ella ha de dirigir-se primeiro contra a Ilha da Madeira. Era ali Consul deste Payz, na occasião da tomada da Ilha polo Governo Usurpador, um inglez que foi chamado e suspenso de suas fun- çoens por Lord Aberdeen, em rasão do interesse que tomava pela causa da Rainha. Mas Lord Palmerston acaba de reintegral-o no seu posto, para onde o fez ir com a maior pressa possivel, segundo todas as apparencias, a fim de elle continuar em seus bons officios a prol da dita causa, agora mais que nunca necessarios.
Ouço que o Marquez de Palmella quer abandonar o serviço do ex-Imperador, em cujo valimento estão hoje Saldanha e os seus, e contra quem cresce cada dia a in- disposição dos emigrados tanto aqui e na França, como na Ilha Terceira. //
Deos guarde a Vossa Excellencia. Londres em 18 de janeiro de 1832. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Francisco Carneiro de Campos
Eustaquio Adolfo de Mello Mattos
[fl. 1. v. ]
[fl. 2 ]
Documento 13
Datas: Londres. 1832, fevereiro 8. Notação: 217.3.2
Descrição: Ofício reservado relatando a posição de Espanha, Rússia, Prússia e Áustria na “questão portuguesa” e informando a recusa na emissão de passaporte de entrada no Império para João Carlos Pardal.
[fl. 1 ] Numero 3 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor,
Reservado
Depois que tive a honra de [vir] á presença de Vossa Excellencia por meio do meu officio reservado numero 2 do 18 de janeiro ultimo, constou-me haver finalmente chegado a esta Corte a resposta da Hespanha ás proposiçoens que mencionei em outro officio tambem reservado, de 21 de dezembro de 1831. Essa resposta foi negativa, segundo previam todas as pessoas bem informadas da especie de interesse que o Governo hespanhol toma pola questão portugueza, em que lhe vai tanto quanto é possível da sua propria segurança e tranquillidade. El Rei Fernando 7º não quer ouvir fallar da ida para Portugal, nem do Duque de Bragança, nem da Rainha A Senhora Dona Maria Segunda, debaixo de nenhuma condição, e persiste no proposito de soccorrer o Usurpador, caso elle seja atacado por qualquer força externa. O Governo da Austria, como ja escrevi a Vossa Excellencia, e agora far-lhe-hei constante polas inclusas copias de uma Nota do Principe de Metternich ao Ministro hespanhol na Corte de Vienna, e de um Memorandum e officio dirigidos polo mesmo Principe // ao Embaixador austriaco junto a Sua Magestade Britannica, sustenta as pertençoens da Hespanha. Outro tanto fazem a Russia e a Prussia. O Imperador Nicoláo chegou mesmo a exprimir-se sobre este negocio de maneira a deixar vér que ainda quando o Duque de Bragança consiga entrar em Portugal, elle não [reputará] a cousa concluida, nem deixará por isso de apoiar o Rei da Hespanha em quaesquer medidas que Sua Magestade Catholica julgue acertado tomar para a conservação da ordem nos seus dominios e em toda Europa. Como porem a França e a Inglaterra pareçam haver-se dado as mãos em favor do Duque de Bragança, ou antes da Senhora Dona Maria Segunda, o caso muda muito de figura, e torna-se ainda mais espinhoso. Assim vejo que de ambos os lados há [inumeras] difficuldades a superar, e pois que
[fl. 1. v. ]
todas as Partes interessadas as tem tambem, ou ao menos o germe dellas mesmo dentro de casa, nada se pode aventurar sobre a conducta que cada uma ha de adoptar em tendo de sustentar seus principios ou caprichos, por ora meramente enunciados. Os factos dissiparão estas duvidas, e para elles appello. Entretanto permitta Vossa Excellencia, que eu de novo chame Sua attenção sobre a necessidade de estarmos sempre preparados para o peior, ou o Duque de Bragança triunfe, ou não.
Ouço que o Coronel Pardal, que tem estado em Paris como criado do Duque de Bragança, pertende agora regressar a essa Corte, por via de Londres. É porem mi- nha tenção recusar-lhe o necessario Passaporte, por julgar hoje aquelle official em cir- cumstancias semelhantes ás que fizeram com que Vossa Excellencia me autorisasse para proceder de igual maneira a respeito do fallecido ex-coronel Plasson.
Deos guarde a Vossa Excellencia. Londres em 8 de fevereiro de 1832 Illustríssimo e Excellentíssimo Senhor Francisco Carneiro de Campos
Eustaquio Adolfo de Mello Mattos
Documento 14
Datas: Londres. 1832, fevereiro 8. Notação: 216.1.13
Descrição: Ofício ostensivo discutindo a questão da emissão de passaportes de entrada no Império.
[fl. 1 ] Numero 12 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor,
Em quanto o despreso com que Sabino Ribeiro de Oliveira, desde a sua chegada a Londres, tem constantemente tratado esta Legação, parecia dirigir-se á minha pessoa em particular, nunca tive o menor desejo de leval-o ao conhecimento de Vossa Excellencia. Mas hoje que elle tem subido ao ponto de ser prejudicial ao serviço do Imperio, eu faltaria ao meu dever si o occultasse mais tempo.
Terei pois a honra de pór na presença de Vossa Excellencia a inclusa e litteral copia de todos os officios que até esta data hei escrito áquelle empregado, e bem assim os proprios originaes dos que delle hei recebido. Esta correspondencia não precisa commento. Ignoro ainda quem sejam os Vice-consules do Imperio nos diversos // portos da Inglaterra, e vejo-me por isso impossibilitado de trasmittir-lhes instrucçoens que julgo bem necessarias para preencher cabalmente o importante
[fl. 1 v. ]
objecto do Despacho circular que Vossa Excellencia me expedio em 17 de setembro ultimo. Por essa Secretaria de Estado ordenou-se ao Consulado de Londres que não desse passaportes a ninguem. Repeti a mesma cousa a Sabino Ribeiro de Oliveira em officio de 9 de janeiro deste anno (copia X), e por fim constou-me que elle dava Passaportes a quem lh'ós pedia. Quiz verificar isto, e roguei a alguem que se apresentasse no Consulado a requerer Passaporte para a Bahia. Foi lá esta pessoa, e sem a menor duvida recebeo o Passaporte incluso, que suppoem tres // anteriores, e polo qual foram pagos cinco xelins. Os inconvenientes deste abusivo procedimento são mui obvios para que eu < me > dilate sobre elle. Deixal-o-hei pois, assim como tudo mais, entregue ao discernimento e à justiça que caracterisam Vossa Excellencia.
Deos guarde a Vossa Excellencia. Londres em 8 de fevereiro de 1832 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Francisco Carneiro de Campos
Eustaquio Adolfo de Mello Mattos
[fl. 2 ]
Documento 15
Datas: Londres. 1832, abril 4. Notação: 216.1.13 Descrição: Ofício ostensivo relatando a prisão do vice-cônsul do Brasil no Porto.
[fl. 1 ] Numero 37 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor,
Acabo de receber o officio incluso por copia, do vice Consul do Brasil em Lisboa, o qual noticia-me a prisão do nosso Vice Consul no Porto, e a apprehensão de todos os seus papeis, mesmo officiaes, e pede que eu me empenhe a favor do dito empregado, assim como dos brasileiros residentes em Portugal, e expostos a continuos vexames da parte do actual Governo daquelle Reino. Quanto a estes, ha muito tempo que Lord Palmerston, a instancias minhas, os recommendou ao Consul Britannico, determinando-lhe que apoiasse as respectivas representaçoens do mesmo Vicente Ferreira da Silva.
Agora vou pedir que se reitere a dita // recommendação da maneira a mais efficaz que for possivel, e farei particular menção do tal Marcellino Rodrigues da Silva, cujo caracter publico alias não parece haver sido jamais reconhecido pelo
[fl. 1. v. ]
Governo Usurpador, a quem nunca se pedio o exequatur6 da sua Patente, segundo confessa Vicente Ferreira da Silva. Este é o unico passo que infelizmente me cabe dar a bem daquelles nossos compatriotas, visto que não temos relaçoens estabelecida [sic] nem com o Governo Usurpador, nem siquer com a Hespanha, e levarei ao conhecimento de Vossa Excellencia o resultado de minhas diligencias. //
Deos guarde a Vossa Excellencia. Londres em 4 de abril de 1832. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Francisco Carneiro de Campos
Eustaquio Adolfo de Mello Mattos
[fl. 2 ]
Documento 16
Datas: Londres. 1832, abril 18. Notação: 216.1.13 Descrição: Ofício ostensivo relatando a prisão do vice-cônsul do Brasil no Porto.
[fl. 1 ] Numero 45 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor,
Em referencia ao meu officio numero 37, de 4 do corrente, terei a honra de partecipar a Vossa Excellencia que encontrando-me ultimamente com o Ministro de Hespanha no Palacio de Saint James, e fallando-lhe sobre a prisão do nosso Vice Consul na Cidade do Porto, disse-me elle que tinha recebido uma carta do seu collega em Lisboa, o qual dá como cousa provada, que o tal Vice Consul achava-se á testa de uma conspiração contra o actual Governo portuguez, a favor do Duque de Bragança, e que por isso forá preso, visto que o seu caracter official, embora tolerado, não havia sido ainda formalmente reconhecido pelo dito Governo. Prometteo-me porem o mesmo Ministro, que apesar de esperar // noticias mais circumstanciadas a semelhante respeito, ia pedil-as novamente, e instar a fim de que se nos desse as explicaçoens necessarias sobre o procedimento adoptado para com o referido agente.
Entretanto, havendo Lord Palmerston, a instancias minhas recommendado ao seu Consul em Lisboa que coadjuvasse Vicente Ferreira da Silva em todas as reclamaçoens que elle houvesse de fazer a bem dos subditos brasileiros, espero que isso concorra, quando menos, para accelerar os esclarecimentos deste facto.
[fl. 1 v. ]
[fl. 2 ]
6 Trata-se de um documento, expedido por um Estado, que reconhece o caráter oficial de membros do corpo diplomático ou consular de país estrangeiro no seu território.
Deos guarde a Vossa Excellencia. // Londres em 18 de abril de 1832. Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Francisco Carneiro de Campos
Eustaquio Adolfo de Mello Mattos
Documento 17
Datas: Londres. 1832, junho 20. Notação: 216.1.13
Descrição: Ofício ostensivo acusando o recebimento das notícias de revoltas contra a Regência ocorridas no Rio de Janeiro, bem como das ordens emitidas pelo ministro da Justiça para a restrição à emissão de passaportes de entrada no Império.
[fl. 1 ] Numero 73 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor,
Tive a honra de receber os Despachos circulares que Vossa Excellencia me expedio em 12 e 25 de abril ultimo7, noticiando-me as deploraveis occurrencias dos dias 3 e 16 do mesmo mez8, e sciente dos seus importantes conteúdos, cabe-me unicamente informar a Vossa Excellencia, que hei já tido mais de uma occasião de aproveitar-me delles, a fim de dissipar a desfavoravel impressão, que semelhantes occurrencias poderiam produzir em certos espiritos, mais dispostos a pensar mal do que bem, ácerca do estado desse Imperio, e da solida base, em que se firma a authoridade do Governo Imperial.
Chegou tambem a esta Legação outro Despacho circular de Vossa Excellencia
7 Os dois despachos circulares mencionados foram publicados em: FUNDAÇÃO ALEXANDRE DE GUSMÃO. CENTRO DE HISTÓRIA E DOCUMENTAÇÃO DIPLOMÁTICA. Cadernos do CHDD. Brasília, 2004. Número 3. pg. 49-51. No primeiro documento, Francisco Carneiro de Campos acusa o recebimento das informações, vindas anteriormente da Europa, sobre plano contrário à Regência e ao Império. Ver documentos 5, 6 e 12.
8 Tratam-se de fatos ocorridos nos dias 3 e 16 e 17 de abril de 1832. O primeiro deles, segundo Paulo Pereira de Castro e os documentos editados pelos Cardenos do CHDD, refere-se a uma sublevação de cerca de 140 militares, liberais radicais, contra a Regência, liderados pelo major Frias, ocasionando a morte de 10 rebelados, 120 presos e a fuga para os Estados Unidos da referida liderança. No segundo acontecimento, promovido pelos “caramurús”, restauradores, em que se envolveram 300 pessoas, lideradas por David Fonseca Pinto e pelo desconhecido barão de Bulow, deixou cerca de 20 mortos e presos sem referência precisa. Ver: CASTRO, P. P. A “experiência republicana”, 1831-1840. In: HOLANDA, S. B. H. et alii. História Geral da Civilização Brasileira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010. (Tomo 2; Volume 1). pg. 19-84.
com data de 27 do referido mez9, incluindo um Numero do Diario Fluminense, onde vem o Aviso, dirigido a Vossa Excellencia pelo Excellentissimo Ministro da Justiça sobre as medidas adoptadas para impedir a entrada de estrangeiros vadios, e viciosos nesse Imperio, às quaes não deixarei de dar publicidade // e execução, como Vossa Excellencia me determina.
Deos guarde a Vossa Excellencia. Londres em 20 de junho de 1832 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Francisco Carneiro de Campos
Eustaquio Adolfo de Mello Mattos
[fl. 1. v. ]
Documento 18
Datas: Londres. 1832, julho 4. Notação: 216.1.13
Descrição: Ofício ostensivo informando a publicidade dada às ordens expedidas pelo ministro da Justiça do Brasil para a restrição à emissão de passaportes de entrada no Império.
[fl. 1 ] Numero 7910 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor,
Depois de apparecer em quasi todas as gasetas desta Capital, o conteúdo do Aviso dirigido a Vossa Excellencia pelo Excellentissimo Ministro da Justiça em 12 de Abril ultimo, e annexo ao Despacho circular dessa Repartição de 27 do mesmo mez, notifiquei-o ao Consul Geral Sabino Ribeiro de Oliveira, a fim de elle fazel-a publicar e cumprir pelos Vice-consules seus subordinados. Da copia inclusa verá Vossa Excellencia o que sobre esse objecto escrevi ao dito Consul Geral, o qual, segundo o seu costume, não me ha dado resposta alguma, nem talvez execute o que lhe recommendei. //
Deus Guarde a Vossa Excellencia. Londres em 4 de julho de 1832. Illustrissimo e Excellentissimo SenhorFrancisco Carneiro de Campos
Eustaquio Adolfo de Mello Mattos.
[fl. 1. v. ]
9 O despacho circular mencionado foi publicado em: FUNDAÇÃO ALEXANDRE DE GUSMÃO. CENTRO DE HISTÓRIA E DOCUMENTAÇÃO DIPLOMÁTICA. Cadernos do CHDD. Brasília, 2004. Número 3. pg. 52 10 Este documento foi anexado ao códice onde se encontram os ofícios em ocasião posterior. Nele, pode-se ler a
passagem: “Copia extrahida do Livro Número 6 de registro da correspondencia ostensiva da Legação Imperial
em Londres com a Secretaria d'Estado dos Negocios Estrangeiros – Conforme o original. A. Loureiro”.
Documento 19
Datas: Londres. 1832, julho 14. Notação: 216.1.13
Descrição: Ofício ostensivo relatando a conjuntura geopolítica da Europa, a situação no México e informando a chegada de Francisco José Martins naquele país.
[fl. 1 ] Numero 81 Illustrissimo e Excellentissimo Senhor,
Depois da sahida do ultimo paquete, os negocios da Europa tem tomado um aspecto cada dia mais interessante. A muito [sic] que os principios liberaes gradualmente se desenvolviam na Allemanha. Os derradeiros acontecimentos da França, e da Inglaterra deram-lhes tal impulso, que as grandes Potencias do Norte já os não podem olhar sem receio. Dahi resultou uma liga das ditas Potencias, que é promovida em Berlim, debaixo da direcção do Principe de Metternich, e com o pretexto de manter a Confederacção Germanica no pé em que a puzéra o Congresso de Vienna. O plano dos liberaes era formar dos pequenos Estados allemaens certo numero de Potencias respeitaveis, que pudessem tornar-se menos dependentes da Prussia, e Austria. Nesse caso teriam a ganhar a Baviera, Wurtemberg, e a Saxonia, que provavelmente serviriam de centros para a // formação dos novos Estados. Essas porem foram induzidas a oppor-se ao seu proprio engrandecimento, e de mãos dadas com os Gabinetes de Vienna, Berlim, e São Petersburgo, tem ja feito marchar para o Rhim tropas, que talvez venham a obrar bem diversamente do que por ora pensão os respectivos Governos. Conhecendo que simelhantes movimentos militares a nada menos tendem do que a preencher as vistas da Santa Alliança, a respeito do Sul da Europa, este governo, e o francez não podem vel-os com indifferença, e assim parece provavel, que dentro em pouco tempo, rôto o véo que por ora cobre todas estas manobras, tenhamos de ver a Europa em armas, sustentando uma guerra geral, que decidirá a grande questão pendente entre os Reis, e os Povos.
Mui perto estamos de ver o resultado da expedição de Dom Pedro contra Portugal. Lord William Russel apenas findou a sua quarentena, teve úma conferencia
// com o Visconde de Santarem, e alcançou licença para irem dous officiaes inglezes
para Elvas, a fim de observar a conducta do exercito hespanhol, postado nas
[fl. 1. v. ]
[fl. 2 ]
fronteiras. El Rey Fernando pune pelo seu direito de conserval-o ali, em quanto os inglezes tiverem uma esquadra no Tejo, e de intervir a favor de Dom Miguel, logo que conste que a Inglaterra ajuda ao Duque de Bragança, para observar o que, ha igualmente enviado a Lisbôa dous officiaes hespanhoes. Assim foi declarado por Monseñor Zea-Bermudez a Lord Palmerston. Alem disto os Ministros de Russia, Prussia, e Austria passaram no dia 15 de junho Notas ao mesmo Lord, nas quaes os dous primeiros simplesmente lhe mostram os perigos que ameaçam a Europa do lado de Portugal, e chamam a attenção deste Governo sobre aquelle Reino. O Austriaco porem acrescenta que = Não é tenção da Hespanha // interferir a favor de Dom Miguel, salvo o caso de outras Potencias protegerem abertamente a outra parte, e que neste caso, assim como em qualquer outro de imminente perigo para a Monarchia hespanhola, supposto mesmo que Dom Pedro se estabeleça em Lisbôa, O Imperador Francisco não poderia deixar de reconhecer no Rey Fernando o direito de obrar, como pedissem os interesses da Hespanha.=
Sobre a partida da expedição nada ha de certo. Correo primeiro que ella sahia a 5, depois a 11, e finalmente a 16 de junho; mas ha quem supponha, que ainda não largou dos Açores. A todos os instantes se espera uma barca de vapôr de Lisbôa, que trará noticias mais positivas.
Acha-se a final revogado o Decreto que declarou Paris em estado de cerco, e as sentensas da Commissão Militar foram todas annulladas pelo Supremo Tribunal de Justiça. Este facto que mostra // naquelle Tribunal um espirito de independencia, talvez inesperado, tem enchido de animo os amigos das liberdades publicas em toda a parte. Não há ainda decisão sobre o novo Ministerio francez, mas é geralmente acreditado, que Monsieur Dupin será o Presidente do Conselho.
Acaba de chegar a este Paiz no navio inglez - Brazilian - o rebelde Martins, chefe do Partido, cujos excessos causaram ultimamente em Pernambuco a effusão de