Anteriormente a qualquer tratamento, é necessário fazer algumas correções nos dados para eliminar as variações devidas às causas não geológicas, como a variação diurna, correção topográfica (desnível dos pontos de amostragem), às vezes, correções de latitude (escalas meso a macroscópica) e a remoção do IGRF (International Geomagnetic Reference Field – Campo geomagnético de referência internacional).
Os métodos potenciais podem facilitar as interpretações geológicas através de tratamentos dos dados medidos. Esses tratamentos, em geral, não são diretamente definidos pela distribuição de fontes, porém fornecem idéias que auxiliam na construção de um entendimento geral da natureza das fontes magnéticas (Blakely 1996).
O tratamento de dados magnetométricos, definido como filtragem, baseia-se em técnicas matemáticas aplicadas sobre os dados. Os filtros têm o propósito de realçar, atenuar, eliminar ou
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transformar determinadas feições lineares e/ou planares, em função dos dados e objetivos de integração com dados geológicos.
A aplicação de filtros e os procedimentos realizados se deram a partir do programa Geosoft/MAGMAP, utilizando a técnica da transformada de Fourier (Winograd 1978, McClellan & Nawab 1979, Blakely 1996) que permite a manipulação dos dados no domínio da freqüência.
Somente os filtros utilizados na presente dissertação são descritos neste capítulo, com exceção do filtro de redução ao pólo.
• Corrigido de IGRF (International Geomagnetic Reference Field)
O IGRF é baseado nos coeficientes de Gauss de grau e ordem 10, onde os termos de baixa ordem são representados, em grande parte, pelo campo magnético gerado no núcleo da Terra. Subtraindo os termos de baixa ordem pela medida do campo magnético terrestre resulta na representação do campo magnético associado às rochas da crosta.
O primeiro IGRF foi adotado em 1968 pela International Association of Geomagnetism and
Aeronomy (IAGA), o IGRF-1965. Desde então, cada IGRF prevê as variações seculares do campo e é
calculado entre 5 e 10 anos. Pode ser utilizado para calcular o campo magnético para pontos específicos ou determinar anomalias magnéticas de campo observado (Luiz & Silva 1995).
• Transformada de Fourier
A transformada de Fourier pode ser definida matematicamente, para uma função f(x, y) no domínio do espaço, como:
∞ ∞
f (µ, ν) =
∫∫
f (x, y). e - i(µx + νy) dx dy (4.8)-∞ -∞
e a transformada inversa de Fourier é definida pela equação: ∞ ∞
f (x, y) = 1
∫∫
f (µ, ν). e - i(µx + νy) d µ dν (4.9) 4π -∞ -∞onde µ e ν são números de onda nas direções x e y respectivamente, medidos em radianos/m se x e y possuem unidades em metro.
O grid de dados no domínio do espaço é transformado para o domínio da freqüência através da transformação rápida de Fourier (FFT: Fast Fourier Transform). A transformação apresenta freqüência com unidades de ciclos/m e componentes real e imaginária. A função do campo potencial no domínio do espaço é singular e única, o mesmo ocorre com a função do campo no domínio da freqüência cujas unidades são: [1/(tamanho do grid)(ciclos/m)] entre 0 e o corte de freqüência de Nyquist (1/[2 x tamanho da célula]) (Winograd 1978, McClellan & Nawab 1979).
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A transformada de Fourier para o campo potencial de um corpo prismático tem amplo espectro cuja localização máxima de topos, profundidades, níveis de superfície e amplitude são determinadas a partir de densidades e magnetização.
• Tipos de Filtros
a) Continuação para Cima
O filtro de continuação para cima transforma as medidas do campo potencial, referentes a uma superfície, para o campo que pode ser medido a partir da superfície distante de todas as fontes. Essas transformações atenuam as anomalias de acordo com a freqüência, ou seja, quanto menor a freqüência, melhor a atenuação (Blakely 1996).
b) Derivadas Direcionais
Os filtros direcionais são capazes de realçar ou remover feições lineares. A derivada em X destaca as anomalias de direção leste-oeste. A derivada em Y realça as anomalias de direção Norte-sul e a derivada em Z, as anomalias de fontes mais rasas, eliminando as feições de fontes mais profundas (CPRM 1994).
c) Derivada Vertical de segunda ordem
A segunda derivada vertical auxilia na interpretação de fontes mais rasas cujo resultado é o produto da transformada de Fourier do campo potencial por k2, sendo k o número de onda que enfatiza o efeito das anomalias locais, resultando na interpretação e na delimitação aproximada do corpo causador da anomalia (Padilha 1982, Blakely 1996).
d) Passa Baixa
O filtro passa baixa é utilizado para obtenção de uma faixa de freqüência específica da fonte investigada (Luiz & Silva 1995).
e) Redução ao Pólo
A redução ao pólo tem como objetivo suprimir a influência da latitude magnética sobre as anomalias. Em qualquer mapa magnético, as anomalias das rochas magnetizadas aparecem distorcidas e picos deslocados. Para remover este efeito, Baranov (1957) desenvolveu uma transformação matemática que permite obter, a partir das anomalias medidas, o campo que as mesmas fontes produziriam no pólo magnético, onde o campo indutor é vertical. Um dos problemas da utilização da redução ao pólo em regiões de baixas latitudes magnéticas é a geração de pseudo-anomalias onde a inclinação do campo tende a zero (Padilha 1982).
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f) Redução ao Equador Magnético
Leu (1981) foi um dos pioneiros na implementação da redução do campo magnético ao equador magnético. A proposta se deu pela dificuldade da redução ao pólo nas regiões de baixas latitudes. A diferença fundamental é a direção ao qual o campo é transformado. Na redução ao pólo a direção é vertical ao longo do eixo z. Para a redução ao equador, o campo é reduzido ao plano x-y, numa direção arbitrária ē, dada pela declinação calculando o campo no Equador (Padilha 1982).
g) Amplitude do Sinal Analítico
A amplitude do sinal analítico resulta da combinação de gradientes horizontais (x, y) e vertical (z) de anomalias magnéticas. O sinal analítico identifica a forma de corpos magnéticos dependendo da localização dos mesmos e não das direções de magnetização. Nabighian (1974) sugeriu uma aplicação para corpos bidimensionais estimando a profundidade e a posição das fontes. Mais recentemente, o método tem sido expandido para corpos tridimensionais auxiliando nos problemas de mapeamento e profundidade de fontes (Blakely 1996).