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3.3. Veri Seti ve Analiz Sonuçları

3.3.3. Mersin Serbest Bölgesi'nin Dış Ticaret Dengesi

É importante iniciarmos a discussão a respeito das necessidades de formação no âmbito da formação continuada de professores, discorrendo sobre o conceito de necessidade a partir do referencial que fundamenta a nossa tese.

Dada a sua ambiguidade e caráter polissêmico, Rodrigues e Esteves (1993) afirmam que a definição de necessidade é sujeita à várias interpretações. Na linguagem usual, esta palavra é usada para definir fenômenos diferentes, tais como desejo, vontade, aspiração, querer ter alguma coisa ou alguma exigência ou carência. A necessidade tem existência no sujeito que a sente e é fonte de motivações para desenvolver determinados tipos de atividades. Não existem necessidades absolutas, todas as necessidades são relativas, face aos sujeitos, aos contextos culturais em que ocorrem e aos referenciais de que dependem.

Essa polissemia do termo necessidade se dá a partir de duas dimensões: uma, de significado subjetivo, ligada ao desejo, à vontade e aspiração; outra, de

aspecto objetivo, atrelada à uma exigência que nos remete para aquilo que é imprescindível ou inevitável.

Rodrigues (2006) apresenta uma conceituação que equilibra essas duas dimensões ao afirmar que a palavra necessidade é uma unidade dialética de movimentos objetivos e subjetivos, construída em contextos sociais específicos, dependendo, assim, do sujeito e do seu contexto, bem como dos sujeitos e dos contextos envolvidos na sua construção, identificação e análise.

Leontiev (1988) apresenta um conceito de necessidade articulado à teoria da atividade com base na psicologia histórico-cultural de Vygotsky (1988), no qual a necessidade é considerada como o motor da aprendizagem dos sujeitos. Ao teorizar sobre o conceito de aprendizagem numa perspectiva social, o autor confirma que há uma relação de interdependência entre os processos de desenvolvimento do sujeito e os processos de aprendizagem, sendo a aprendizagem um importante elemento mediador da relação do homem com o mundo, interferindo no seu desenvolvimento.

A partir do princípio vygotskiano de que a aprendizagem é uma articulação de processos externos e internos, visando à internalização de signos culturais pelo indivíduo, o que gera uma qualidade auto-reguladora às ações e ao comportamento dos indivíduos, Leontiev (1978;1988) teoriza sobre o conceito de necessidade e motivação, relacionando-os à teoria da atividade sócio-histórica e coletiva dos indivíduos na formação das funções mentais superiores. Para este autor, a atividade está ligada ao processo de satisfação das necessidades do indivíduo, por meio do objeto que motiva o sujeito a executar a ação, ou seja, é o motivo que o impulsiona a ter uma atitude frente à situação a ser resolvida. Desse modo, a atividade pode ser considerada uma estrutura do comportamento orientada por um motivo contido nas condições sociais que o fazem nascer.

Leontiev (1988) considera que os motivos são significações que os sujeitos dão às suas ações, transformando-as em atividade. O conceito de atividade é fundado no conceito de trabalho de Marx e Engels. O trabalho, no sentido do materialismo histórico dialético, constitui-se como produtor da vida material e espiritual quando não há separação entre o pensar e o fazer.

De acordo com a psicologia histórico-cultural, a necessidade é o que dirige e regula a atividade concreta do sujeito em um meio objetal. Uma necessidade, seja ela proveniente do estômago ou da fantasia (MARX,1987), primeiramente, não é

capaz de provocar nenhuma atividade de modo definido. Somente quando um objeto corresponde à necessidade, esta pode orientar e regular a atividade.

Leontiev (1988, p. 68) define como atividade:

[...] aqueles processos que, realizando as relações do homem com o mundo, satisfazem uma necessidade especial correspondente a ele. [...] Por atividade, designamos os processos psicologicamente caracterizados por aquilo que o processo, como um todo, se dirige, coincidindo sempre com o objetivo que estimula o sujeito a executar essa atividade, isto é, o motivo.

Ao longo da história da espécie humana, os homens construíram infindáveis objetos para satisfazerem suas necessidades. Ao fazê-lo, produziram não só objetos, mas também novas necessidades e, com isso, novas atividades. Superaram as necessidades biológicas, características do reino animal, e construíram a humanidade, lugar das necessidades espirituais, humano-genéricas. Analisar, portanto, as necessidades humanas, requer compreendê-las em sua construção histórica.

As atividades humanas são diferentes por diversas razões: condições de realização, questões de ordem emocional, formas de trabalho etc., mas o fundamental que distingue uma atividade de outra é seu objeto, isto é, “o objeto da atividade é seu motivo real” (Leontiev, 1988, p. 83). Uma necessidade só pode ser satisfeita quando encontra um objeto; a isso chamamos de motivo. O motivo é o que impulsiona uma atividade, pois articula uma necessidade a um objeto. Objetos e necessidades isolados não produzem atividades, a atividade só existe se há um motivo:

A primeira condição de toda a actividade é uma necessidade. Todavia, em si, a necessidade não pode determinar a orientação concreta de uma actividade, pois é apenas no objecto da actividade que ela encontra sua determinação: deve, por assim dizer, encontrar- se nele. Uma vez que a necessidade encontra a sua determinação no objecto (se “objectiva” nele), o dito objecto torna-se motivo da actividade, aquilo que o estimula. (LEONTIEV, 1978, p. 107-108).

Do mesmo modo, a atividade, tanto externa como interna, tem uma estrutura psicológica, cujos componentes são: necessidades, motivos, finalidades e condições de realização da finalidade. Ao curso psicológico da atividade corresponde à realização de diversas ações, cada ação composta por uma série de operações em correspondência com as condições peculiares da tarefa.

Há, segundo o autor, uma dependência do objetivo em relação ao motivo, ou seja, a atividade implica um sentido. Por sua vez, a ação é um processo cujo motivo não coincide com seu objetivo, mas reside na atividade da qual faz parte. Conforme exemplifica Leontiev (1988), a leitura de um livro somente para passar de ano não é uma atividade, é uma ação, porque não há um objetivo forte para motivá-la. A atividade é a leitura do livro por si mesmo, por causa do seu conteúdo, ou seja, quando o motivo da atividade passa para o objeto da ação, a ação transforma-se numa atividade.

Podemos compreender que o conceito de atividade contém elementos definidores da estrutura psicológica dos sujeitos e apresenta os seguintes componentes: necessidade – motivo – finalidade – condições para obter a finalidade (a unidade da finalidade e das condições que conformam a tarefa). A necessidade é o fator desencadeador da atividade; ela motiva o sujeito a ter objetivos e a realizar ações para supri-la. Considerando essa definição de atividade, podemos inferir que nem toda aprendizagem é uma atividade, mas somente aquela que é movida por uma necessidade.

Abstraímos do pensamento de Leontiev que o ensino e a aprendizagem se constituem em atividades encharcadas de necessidades sociais e individuais. As necessidades representam o sentido da aprendizagem. Se o sujeito não tiver uma necessidade para aprender, essa aprendizagem não acontecerá. Nesse movimento, o processo de construção de conhecimento é mediatizado pela cultura e os saberes e instrumentos cognitivos se constituem nas relações intersubjetivas, sua apropriação implica a interação com os outros já portadores desses saberes e instrumentos. Em razão disso, é que a motivação e o ensino se constituem formas universais e necessárias do desenvolvimento mental, em cujo processo se ligam os fatores socioculturais e as condições internas dos indivíduos.

A motivação depende da relação do sujeito com o ambiente no qual está inserido com os outros sujeitos que o rodeiam. Com base nessa compreensão, é possível dizer que as necessidades para realizar determinada tarefa nascem de um

motivo desencadeado numa relação social específica. De acordo com Leontiev (1988, p. 290):

As aquisições do desenvolvimento histórico das aptidões humanas não são simplesmente dadas aos homens nos fenômenos objetivos da cultura material e espiritual que os encarnam, mas são aí apenas postas. Para se apropriar destes resultados, para fazer deles as suas aptidões, “os órgãos da sua individualidade”, o ser humano, deve entrar em relação com os fenômenos do mundo circundante através de outros homens, isto é, num processo de comunicação com eles. Assim, aprende a atividade adequada. Pela sua função este processo é, portanto, um processo de educação.

Essa compreensão do conceito de necessidade construído por Leontiev nos remete a duas conclusões importantes do ponto de vista do encaminhamento pedagógico dado à nossa investigação:

1 – As necessidades são construídas no contexto da atividade pedagógica e são ligadas a motivos sociais;

2 – No processo formativo organizado a partir das necessidades de formação dos professores, há maiores possibilidades de acontecer aprendizagem efetiva dos conteúdos dessa formação.

Rodrigues e Esteves (1993) aproximam-se dessa perspectiva quando consideram a dialética entre as dimensões objetivas e subjetivas do conceito de necessidade:

As necessidades que cada um expressa não existem, são criadas num dado contexto num duplo sentido: porque o indivíduo as cria quando as expressa e porque expressa as necessidades para as quais o meio de alguma forma contribuiu (RODRIGUES; ESTEVES, 1993, p. 22).

Além disso, confirmam que não é possível realizar uma investigação sobre as necessidades de formação que não se vincule aos motivos da ação e cujos objetivos

estejam ligados às mudanças identificadas como necessárias. Esta ocupa ou deveria ocupar, “um lugar indispensável no ciclo sistemático e espiralado do processo de planificação-implementação-avaliação de um dado programa de formação” (RODRIGUES, 2006, p. 116).

2.4 A ANÁLISE DE NECESSIDADES NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Benzer Belgeler