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3. MENFAAT SAHİPLERİ

Os Encontros do Fórum ocorriam geralmente no último sábado de cada mês, com revezamento da escolha do município sede do Encontro, visando concretizar a proposta inicial de articulação regional e de ampliação da participação de jovens de toda Baixada Santista.

A metodologia político-pedagógica utilizada tinha como objetivo a reflexão, conscientização e participação ativa dos jovens na busca de soluções para as problemáticas enfrentadas em seu cotidiano, e conseqüente transformação de sua realidade.

Os Encontros eram coordenados pelos próprios jovens e giravam em torno de temas previamente definidos, a partir de seus interesses e demandas. Entre um Encontro e outro, cada grupo de jovens tinha a tarefa de realizar uma pesquisa na sua comunidade, sobre a realidade e a política local voltada à juventude, com relação ao tema a ser discutido. Esta pesquisa era feita por meio de levantamento de dados junto a jornais, órgãos públicos e ONG´s, entrevistas com autoridades, profissionais, moradores e outros jovens não integrantes do Fórum, visitas de observação a serviços, programas e projetos de atendimento.

Os dados sistematizados e discutidos, num primeiro momento em seus próprios grupos de origem, eram apresentados no início dos Encontros e forneciam subsídios para, em sub-grupos heterogêneos, formados por representantes de todos os municípios, os jovens realizarem uma nova leitura e uma reflexão ampliada da realidade, elaborando propostas de ação. O processo de discussão e reflexão era mediado por educadores dos programas, projetos e ONG´s envolvidas, na perspectiva de fortalecimento do protagonismo juvenil.

Ao final das discussões, os resultados eram apresentados ao conjunto do Fórum, por meio de diferentes linguagens - painel, cenas de teatro, música, poesias, textos -, e, na Plenária Geral, definiam-se as ações prioritárias a serem desenvolvidas nas comunidades, visando a transformação da realidade analisada. As ações de âmbito local eram assumidas como responsabilidade dos grupos e desencadeadas nas comunidades de origem. As ações de nível regional, organizativas, de encaminhamento mais geral e de contato com autoridades eram assumidas pelos jovens integrantes da Comissão Coordenadora.

Essa metodologia possibilitou a conscientização dos jovens, a construção de novas representações sobre si mesmo e sobre a realidade, uma nova leitura de mundo e uma significativa transformação no posicionamento perante a vida. E consolidou o Fórum como um espaço de reflexão e ação juvenil, de construção de novas relações

sociais, de constituição de novas subjetividades e de ressignificação da categoria juventude.

O trabalho político-pedagógico do Fórum Regional Juvenil foi bastante significativo em nível individual para muitos participantes envolvidos, que se destacaram na atuação social, despontando como lideranças positivas, propositivas e alterativas da realidade. Como resultado, alguns foram formalmente convidados para trabalhar na implantação e execução de programas e projetos para a juventude em ONG´s e Secretarias Municipais. Outros foram chamados por partidos políticos para se candidatar à vereança, o que não aceitaram por se sentirem despreparados para a envergadura da tarefa. E uma integrante da Praia Grande se tornou multiplicadora de cidadania em um projeto desenvolvido pelo Instituto Ayrton no município.

Em âmbito coletivo, o Fórum contribuiu para:

- a participação dos jovens no planejamento, execução e co-gestão do Centro de Referência da Juventude e da Comissão Municipal da Juventude na Prefeitura de Santos;

- a articulação de Comissões Municipais da Juventude nos demais municípios da região; - a participação ativa da juventude em Conferências Municipais e Regionais dos Direitos da Criança e do Adolescente (2003);

- a eleição, em Santos e São Vicente, de numerosos delegados jovens para a Conferência Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente, em 2004, chegando a superar o número de adultos, fato inédito na história do movimento em defesa dos direitos infanto-juvenis na região;

- ativa participação dos jovens na construção das propostas da Carta da Juventude, documento de proposição de políticas públicas para a juventude, resultante da Semana da Juventude, organizada pelo SESC-Santos, em 2003;

- participação dos jovens na elaboração do Plano Municipal dos Direitos Humanos, resultante da Conferência Municipal dos Direitos Humanos, organizada pela Comissão Permanente de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Santos.

No final de 2004, mudanças no panorama político da região e na dinâmica de funcionamento de algumas ONG´s parceiras, a inserção de vários jovens na implementação de programas e projetos nos municípios, e problemas particulares de

alguns educadores, importantes mediadores do processo, provocaram um esvaziamento do Fórum Regional Juvenil.

Mas, se a experiência se interrompeu em 2005, porque relatá-la em uma Tese de Doutorado? O esvaziamento não representa o fracasso da proposta? O que há de tão significativo nela que mereça destaque em um estudo sobre protagonismo juvenil?

Em primeiro lugar, por ser uma vivência concreta da autora, em que foram colocados em prática pressupostos teóricos e metodológicos pedagógicos alinhados com uma visão de educação como instrumento de conscientização, transformação, libertação e construção de novos sujeitos sociais.

Em segundo lugar, porque foi uma experiência que confirmou o jovem como parceiro do processo de construção de uma nova sociedade, onde ele é sujeito e, sendo sujeito, constrói novas relações sociais e um novo significado para a juventude - de que ser jovem é muito mais do que vir a ser (adulto) ou não ser mais (criança).

E, finalmente, porque a todo momento, em diferentes lugares, encontramos os jovens que viveram conosco esta experiência, e constatamos que, independentemente do que estejam fazendo, estudando, trabalhando, militando, cuidando dos filhos, todos têm uma consciência clara de seu papel na sociedade e todos, de alguma forma, investem para que outros jovens possam ter a oportunidade de também se sentir sujeito do processo coletivo da vida. Percebemos isso em seus depoimentos, em suas ações, em seu compromisso e, principalmente, em seu modo de ser e de se colocar no mundo como cidadão.

A experiência do Fórum Regional Juvenil foi transformadora não apenas para os jovens. Todos nós que participamos dele saímos diferentes, acreditando que investir na juventude torna concreta a possibilidade de construir um mundo mais solidário e humano.

No próximo Capítulo, vamos aprofundar a análise das contribuições das pedagogias aqui apresentadas e da experiência do Fórum Regional Juvenil, correlacionadas com as categorias da teoria de Vigotski e com a concepção sócio- histórica de juventude, para construir uma proposta de protagonismo juvenil como práxis sócio-histórica.

CAPÍTULO V

O PROTAGONISMO JUVENIL COMO PRÁXIS SÓCIO-HISTÓRICA

É difícil abandonar a própria consciência depois que ela se instala, porque ela cresce, invade cada célula do corpo, questiona cada certeza. Ativa a nossa mente com respostas cada vez mais claras, até que um dia irrompe e vem à luz. E o nosso olhar sobre o mundo nunca mais será o mesmo (LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA).10

Neste Capítulo, a partir dos estudos e análises feitas ao longo do trabalho, vamos apresentar uma proposta de protagonismo juvenil, como práxis sócio-histórica de empoderamento da juventude e de potencialização de seu desenvolvimento histórico, social e pessoal.

Nosso objetivo é construir um referencial metodológico, ancorado no diálogo, na participação ativa e no desenvolvimento da consciência crítica do jovem. Acreditamos que a consciência sobre os múltiplos determinantes da constituição da subjetividade social que, internalizada, se transforma em subjetividade individual, abre novos ângulos de leitura e compreensão da realidade coletiva e pessoal, permitindo o resgate da historicidade presente nos processos sociais e nos fenômenos psicológicos.

Integrando social e individual, numa visão dialética de síntese, o protagonismo juvenil, como práxis sócio-histórica, abre possibilidades concretas de constituição de

10 Trecho de discurso proferido em 20 nov. 2003, Dia Nacional da Consciência Negra. Disponível em www.uol.com.br Acesso em 21 nov. 2003.

subjetividades, em um novo patamar de humanidade, e de ressignificação do jovem como artífice de seu futuro, efetivo parceiro do desenvolvimento histórico, social e cultural do país.

Com essa proposta metodológica, pretendemos contribuir para o resgate da função social e cultural da educação, para o fortalecimento da integração desta com a psicologia social e para a implementação de uma política nacional de/para/com a juventude democrática, humanista, promotora dos direitos humanos e da igualdade social.

Benzer Belgeler