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Avançando para outro elemento do perfil dos (as) estudantes participantes da pesquisa de campo apresentamos a variável sobre a faixa etária, a qual caracteriza o segmento juvenil de 18 a 24 anos de idade como predominante. Antes de estabelecermos um comparativo entre as populações dos municípios de residência do público pesquisado, cabe informar sobre a composição heterogênea dos territórios de origem dos (as) jovens em questão.

Tabela 07: Grupo Etário/ Município

Município Hab. Grupo de 18-24 anos (%) Grupo de 18-29 anos (%)

Umirim 19.835 14% 21% Itapajé 50.721 13% 21% Itapipoca 121.569 13% 22% Apuiarés 14.792 12% 19% Tejuçuoca 17.740 14% 22% Pentecoste 37.343 12% 20%

São Luís do Curu 13.066 13% 21%

Fonte: IBGE, Censo Demográfico 201063.

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As informações foram extraídas município por município através do site: <http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/home.php> Acesso em 15 de julho de 2017.

Umirim pertence à região do Vale do Curu64, o qual possui 12 municípios componentes, a saber: Amontada, Apuiarés, General Sampaio, Irauçuba, Itapajé, Itapipoca, Miraíma, Pentecoste, Tejuçuoca, Tururu, Umirim e Uruburetama. Desses municípios 07 estão destacados como aqueles com maior incidência de matrículas em 2016.265 nas turmas de Subsequente do Curso de Agropecuária: Umirim, 39% das matriculas; Itapajé, 21% das matriculas; Itapipoca, 8% das matriculas, Apuiarés, 6% das matriculas, Tejuçuoca, 5% das matriculas, Pentecoste e São Luís do Curu com 3% das matriculas, cada. Portanto, tomando como base o grupo etário predominante em nossa pesquisa, de 18 a 24 anos, analisamos como ele se expressa dentro dos contingentes populacionais das cidades destacadas.

Ainda na Tabela 07 é possível identificar uma proporcionalidade no que tange ao número de pessoas inseridas no mesmo intervalo de idades, com um percentual aproximado em cada um dos municípios analisados. Quando ampliamos a faixa etária até os 29 anos de idade, percebemos relativo acréscimo do contingente, mantendo-se a proporcionalidade entre os municípios. Para ampliar a caracterização dos grupos, a partir da compreensão das faixas etárias nos períodos escolares, elaboramos o Quadro 01:

Quadro 01 – Definição das faixas etárias e escolaridade adequada

Faixa etária Ciclo escolar Escolaridade

04 e 05 anos Educação Infantil Pré escolar.

06 a 14 anos Ensino Fundamental Frequenta da 1ª à 9ª série do ensino fundamental.

15 a 17 anos Ensino Médio O período mínimo para sua conclusão são três anos, resguardados os casos previstos pela LDB (1996). Há possibilidade de articulação com a educação profissional de nível técnico.

Acima de 18 anos Educação superior ou Outras modalidades de Ensino

Educação Superior; Educação Profissional; Educação de Jovens e Adultos; A idade ideal para conclusão da educação básica é 18 anos.

Fonte: Elaboração própria (2017).

A descrição do ciclo escolar e da escolaridade adequada a cada faixa etária, conforme o Quadro anterior serviu de referência para a identificação dos intervalos de idade dentro dos territórios de origem dos (as) alunos (as) que compõem o Curso pesquisado no campus Umirim/CE. Esses intervalos representam o perfil geracional desses municípios, sendo fundamental para o recorte de políticas sociais e para a criação de ações públicas direcionadas aos grupos etários de acordo com seus interesses e demandas.

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IPECE. Perfil das regiões de planejamento Litoral Oeste/Vale do Curu – 2016. Disponível em:< http://www2.ipece.ce.gov.br/estatistica/perfil_regional/2016/Regiao_LitoralOeste_Vale_Curu2016.pdf> Acesso em 15 de julho de 2017.

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Ilustramos no Gráfico 02 os percentuais de participação das populações nos intervalos de idade entre: 4 e 5 anos, 6 a 14 anos, 15 a 17 anos, 18 a 24 anos e de 18 a 29 anos, com base nas populações totais de cada território, de acordo com o Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.

De acordo com as referências de idade estabelecidas pelos anos escolares é possível identificar, por exemplo, que nos municípios onde residem os (as) estudantes do Curso de Agropecuária do campus Umirim há um contingente elevado de crianças e adolescentes em fase escolar, com notório destaque para a faixa de 06 a 14 anos, como está representado como segue:

Gráfico 02: Faixa etária por município de Origem

Fonte: Dados IBGE, Censo 201066.

Com base na imagem observamos valores similares para cada intervalo nas populações dos sete municípios, o que nos sugere o mesmo perfil etário comparativamente. Tomando como base os intervalos adotados, utilizamos para a classificação entre as faixas etárias, apenas o grupo representado pelas idades de 18 a 29 anos, suprimindo o grupo de 18 a 24 anos, uma vez que na definição de políticas voltadas para a juventude a demarcação tem se estendido até os 29 anos.

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Elaboração própria, em 2017. Dados disponíveis em: <http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/home.php> Acesso em 15 de julho de 2017.

Justificamos que, para efeito da representação gráfica, foi considerada a faixa de 18 a 24 anos, por ser esse o perfil dos (as) jovens participantes da pesquisa de campo que envolve esse estudo, sendo importante destacar que o público predominantemente atendido pela política de educação profissional desenvolvida pelo campus Umirim, na modalidade de curso subsequente, possui um percentual relevante no conjunto das populações totais, com percentual médio de 12% a 13%.

Portanto, as faixas etárias de maior representatividade e menor representatividade nos municípios pesquisados, foram respectivamente, de 18 a 29 anos e de 4 e 5 anos. Os dados revelam ainda um percentual significativo de crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos, seguido daqueles (as) entre 15 e 17 anos.

A delimitação etária se faz necessária tanto para fins de definição de política pública, elaboração de legislações, assim como para a realização de pesquisas. No nosso caso, o grupo etário de 18 a 24 anos caracteriza particularidades próprias de uma fase da vida que precisa ser compreendida dentro de um processo permanente de construção social e histórica, variando no tempo de uma cultura para outra, e até mesmo no interior de uma mesma sociedade.

No Brasil, a adoção do recorte etário de 15 a 29 anos no âmbito das políticas públicas é bastante recente, anteriormente tomava-se por “jovem” a população na faixa etária entre 15 e 24 anos. A ampliação desta faixa para os 29 anos não é uma singularidade brasileira, configurando-se, na verdade, numa tendência geral dos países que buscam instituir políticas públicas de juventude. Se observarmos as cidades onde residem os (as) jovens matriculados (as) no Curso de Agropecuária do campus Umirim é possível identificar que as suas populações têm maior contingente no grupo de 18 a 29 anos, seguido do grupo de 6 a 14 anos, denotando dois perfis com demandas específicas no tocante às políticas sociais.

Camarano67 (2006), responsável pela organização da obra - Transição para a

vida adulta ou vida adulta em transição? - ajuda-nos a explicar as mudanças que influenciaram a alteração na demarcação etária do grupo jovem no Brasil, onde se destacam a maior expectativa de vida para a população em geral, e maior dificuldade desta geração em ganhar autonomia em função das transformações no mundo do trabalho.

O estudo organizado pela autora explica que as transformações na esfera produtiva e no mundo do trabalho são apenas parte dos aspectos levados em conta na reflexão em torno da problemática da transição para a vida adulta na atualidade, apontando que a

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Ana Amélia Camarano é pesquisadora da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (DISOC) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

emergência de novos padrões comportamentais no exercício da sexualidade, da nupcialidade e na configuração dos arranjos familiares também tem sido considerada nas tentativas de compreensão e explicação das mudanças nos marcos tradicionais da passagem da condição jovem para a condição adulta.

A inserção na escola e no mercado de trabalho são eventos que informam sobre as características das juventudes de acordo com variáveis de gênero, classe social, etnia, entre outras que demarcam o lugar social desses sujeitos. Segundo os dados apresentados no estudo de Camarano e Kanso (2012) sobre os (as) jovens que não estudam, não trabalham e que não procuram trabalho, as autoras apontam que as mulheres notadamente são as mais afetadas entre o subgrupo jovem que não estuda e não trabalha, sendo 23,2% o percentual feminino, enquanto que entre os homens jovens esse percentual é de 11,2%, segundo dados do IBGE em 2010.

Apesar de ter sido verificado que entre os homens esse contingente aumentou em 1.107 mil pessoas e que entre as mulheres diminuiu em 398 mil, ainda é predominante a desigualdade entre os dois sexos. Os fatores normalmente associados ao desempenho da maternidade e do trabalho doméstico, tradicionalmente remetido à mulher, revelam um forte componente de gênero que influencia diretamente a relação com a escola e com a vida laboral.

Portanto, as discrepâncias entre os sujeitos variam de acordo com diversos determinantes sociais, que nos colocam diante do desafio de observá-los, analisa-los e descrevê-los, estabelecendo relações de interação entre os variados fenômenos e suas consequências.

As demandas no campo das políticas de educação, cultura, esporte, lazer e trabalho para a população jovem é comum em todo o território brasileiro, contudo, exige-se maior atenção por parte do Estado para aqueles municípios com baixos índices de desenvolvimento social e econômico, vítimas das discrepâncias regionais, urbanas e rurais, as quais afetam fortemente a vida dos indivíduos, com o aprofundamento dos níveis de desigualdade e violência, como é o caso de Umirim.

Ao constatarmos, por exemplo, o número de instituições de ensino médio, superior e profissional nos municípios de residência dos (as) jovens circunscritos no objeto da nossa pesquisa, denota-se a dificuldade daquela juventude na continuidade dos estudos, tanto para o término da educação básica (conclusão do ensino médio) como para o acesso à formação profissional de nível técnico ou o ingresso na educação superior.

Marcadamente, os dois campos de maior centralidade nas discussões que envolvem esse segmento, educação e qualificação para o trabalho, apresentam um déficit no que tange ao número de vagas das instituições de ensino, apesar do que aponta Andrade (2010) sobre a política de ampliação de vagas na modalidade de ensino médio integrado à educação profissional para o interior do Estado, cujo objetivo é o atendimento de uma significativa parcela de jovens residentes nos municípios cearenses.

A oferta do Curso Técnico em Agropecuária, na modalidade Subsequente e, articulado ao ensino médio, em uma instituição federal de ensino, garantiu aos (às) adolescentes e aos (às) jovens de Umirim e das localidades circunvizinhas a ampliação de oportunidade para a conclusão da educação básica e para a qualificação profissional, com notório interesse dos (as) filhos (as) de produtores locais, pequenos (as) agricultores (as), especialmente aqueles (as) voltados para a prática da agricultura familiar ou de autoconsumo, como já mencionamos.

A inserção dos segmentos mais isolados, em comunidades mais afastadas, trouxe ao campus Umirim um público marcado predominantemente por uma condição social precária, com forte demanda por trabalho e renda, de baixo acesso a política de saúde e com alto déficit de aprendizagem nos anos iniciais da educação básica, o que faz com que nos deparemos com níveis acentuados de vulnerabilidade das famílias e dos (as) estudantes, onde seus direitos básicos foram violados ou não garantidos de maneira plena.

As questões que se relacionam à dimensão socioeconômica de alunos (as) sem condições para custear o deslocamento até a unidade de ensino, com dificuldade de moradia na cidade para fins estudantis e de alimentação, tem sido o grande mote de atuação dos (as) profissionais da assistência estudantil no campus Umirim. Nesse sentido, os Programas de Auxílios, de Moradia Estudantil e o serviço de Restaurante Estudantil têm contribuído para a inserção da população urbana e, principalmente rural, tanto da cidade de Umirim como dos municípios vizinhos, nesta unidade do IFCE.

Com base nos dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD (2015)68 sobre o rendimento da renda per capita69 dos (as) brasileiros (as), a média foi de R$ 1.270,00 (mil duzentos e setenta reais). Considerando as desigualdades regionais verifica-se no mesmo estudo que o rendimento médio da renda per capita nas

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Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios: síntese de indicadores, 2015 / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. Rio de Janeiro: IBGE. 2016. p.108. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv98887.pdf> Acesso em 19 de julho de 2017.

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Grandes Regiões foi de R$ 859,00 (oitocentos e cinquenta e nove reais) no Norte; de R$ 796,00 (setecentos e noventa e seis reais) no Nordeste; de R$ 1.504,00 (mil e quinhentos e quatro reais) no Sudeste; de R$ 1.513,00 (mil e quinhentos e treze reais) no Sul; e de R$ 1.525,00 (mil quinhentos e vinte e cinco) no Centro-Oeste.

Em 2016 o Ceará registrou uma média de renda por pessoa no domicílio familiar no valor de R$ 751,00 (setecentos e cinquenta e um reais), segundo a PNAD70 daquele ano. Para fins de comparação, identificamos a maior e a menor renda per capita entre os (as) 26 alunos (as) respondentes ao questionário de pesquisa, obtendo-se respectivamente os valores de R$ 700,00 (setecentos reais), e R$ 28,57 (vinte e oito reais e cinquenta e sete centavos)71.

Esses dados evidenciam a pobreza das famílias dos (as) alunos (as) e denotam as distorções entre os estados brasileiros, em que o Ceará desponta muito aquém das médias da região nordeste e do Brasil.

Salientamos que não contabilizamos para efeito de cálculo da renda bruta os benefícios assistenciais. Desse modo, podemos afirmar que são elevadas as assimetrias entre as famílias do público pesquisado, apresentando um alto nível de vulnerabilidade socioeconômica, como podemos verificar no Gráfico 03:

Gráfico 03: Renda per capita familiar

Fonte: Elaboração própria, 2017.

A maior parte dos (as) pesquisados (as) possui renda per capita de até R$234,25 (um quarto de salário), seguido daqueles (as) com per capita maior que ¼ do salário mínimo

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Fonte: PNAD, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016. Disponível em: <http://ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=ce> Acesso em 19 de julho de 2017.

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Para efeitos de informação destacamos que foram considerados apenas os dados com base na renda monetária do sistema capitalista. Portanto, não foram registradas as rendas indiretas, com a produção de alimentos na atividade de agricultura, por exemplo, responsável pela reprodução familiar, assim como não foram informadas

até meio salário (R$468,50). A renda mensal média entre o grupo chegou ao máximo de dois salários (R$1.874,00), com registro de 35% das famílias com renda mensal menor que um salário mínimo.

Se observarmos a informação sobre a composição da renda familiar desses (as) jovens percebemos que a responsabilidade financeira pelas famílias ainda está centrada na figura do pai e/ou da mãe, representando 69% das realidades pesquisadas, em que a principal atividade exercida como geradora de renda é a agricultura. Dos (as) respondentes ao questionário 65% informaram que suas famílias possuem inserção na agricultura e destes 17% também exercem a atividade. Inferimos, desse modo, que o grupo participante desse estudo, estabelece uma relação direta entre a prática da agricultura como principal atividade para geração de renda na família.

Ainda sobre o componente socioeconômico temos uma forte adesão das famílias dos (as) discentes aos programas da assistência social, tendo sido mencionado por 46% dos (as) pesquisados (as), 12 de 26 jovens, o recebimento de benefícios socioassistenciais.

O Gráfico 04 informa que 71% daqueles (as) que participam de programas assistenciais do governo recebem o benefício do Programa Bolsa Família, o qual é voltado principalmente para as populações em situação de extrema pobreza. Os outros 29% informaram receber outros benefícios assistenciais.

Gráfico 04: Benefício da Assistência Social

Fonte: Elaboração própria, 2017.

Desse modo, os dados ratificam o perfil de pobreza do público inserido na política de educação profissional ofertada no campus Umirim - IFCE.

Refletindo sobre o fenômeno da desigualdade social que tem raízes no processo de acumulação capitalista e possui sua base na desigualdade econômica, apontamos os dados

do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, a partir das análises sobre os dados da PNAD de 2014.

A nota técnica intitulada PNAD 2014 – Breves Análises72, produzida pelo Diretor da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais - DISOC, André Calixtre, apresenta elementos para justificar as mudanças sociais ocorridas no período marcado pelos governos petistas, entre os ciclos de (2003-2010) e (2011-2014), atribuindo ao desenvolvimento observado nos últimos anos a combinação do avanço da política social (tanto as universais quanto as focalizadas) e das melhorias estruturais do mercado de trabalho, donde se aponta a redução do desemprego e ganhos reais no salário mínimo.

Comparativamente, observou-se uma redução da taxa de pobreza extrema em todas as linhas de corte utilizadas. Os dados da PNAD (2014) registraram, com relação à linha de R$ 77,00 (setenta e sete reais) do programa bolsa família, que 2,48% da população estava naquele período em situação de pobreza extrema, índice 63% menor que o do ano de 2004. Entre os anos de 2013 e 2014 a redução foi de 29,8%, segundo a análise realizada pela DISOC.

Portanto, o documento associa a redução do número de brasileiros (as) na linha de pobreza extrema ao reajuste de 10% nos valores do Programa Bolsa Família, à ampliação do acesso ao Benefício de Prestação Continuada e ao aumento do número de pessoas protegidas pela previdência social, além da melhoria metodológica, pelo IBGE, para o registro das rendas extremamente baixas no ano da pesquisa, 2014. Explica ainda o documento que a trajetória de redução da pobreza extrema foi combinada com a redução da desigualdade da renda, expresso pelo índice de Gini73, de 0,515, que revelou a redução de 9,7% das assimetrias relacionadas à renda no país, desde 2004, e pela elevação da renda domiciliar per capita real de R$ 549,83 (quinhentos e quarenta e nove reais e oitenta e três centavos) em 2004 para R$ 861,23 (oitocentos e sessenta e um reais e vinte e três centavos) em 2014.

Apesar do notório avanço observado nos indicadores registrados até 2014, os quais denotam o crescimento da renda do trabalho, a diminuição de suas desigualdades, o aumento da escolaridade e das condições gerais de vida dos indivíduos, ainda há enorme

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IPEA. Nota Técnica. PNAD 2014 – Breves Análises. Nº 22, Brasília, 2015. Disponível no site: <http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/151230_nota_tecnica_pnad2014.pdf> Acesso em 19 de julho de 2017.

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É uma medida do grau de concentração de uma distribuição, cujo valor varia de zero (a perfeita igualdade) até um (a desigualdade máxima). Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. IBGE, 2015. Disponível: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv98887.pdf> Acesso em 19 de julho de 2017.

discrepância na efetivação da igualdade de condições entre negros (as) e brancos (as), mulheres e homens, trabalhadores (as) rurais e urbanos, heterossexuais e homossexuais, entre outros segmentos, que precisam ser questionadas e superadas.

A pauperização dos (as) estudantes que chegam ao campus Umirim é marcada pela dificuldade de manutenção de muitos deles (as) no curso, especialmente aqueles (as) que saíram de suas cidades e/ou localidades para estudarem naquela unidade do IFCE. Os laços de solidariedade surgem em meio ao desejo comum da formação e pela identificação com as realidades assemelhadas, com a observância de que alguns/mas já estabelecem laços de parentesco ou de amizade fruto de uma convivência anterior nas comunidades de origem. Entretanto, há aqueles (as) que são totalmente estranhos (as) e que as relações passam a se estreitar muitas vezes para o espaço fora do ambiente institucional, uma vez que constituem, em vários casos, moradias coletivas engendrando relações de afetos e cuidados entre eles, como também de conflitos.

O público jovem é por natureza o segmento da sociedade que mais facilmente se vincula tanto ao cometimento de atos de natureza violenta e discriminatória como são as principais vítimas dessas mesmas ações. Essa constatação nos coloca diante do desafio de planejar atividades, projetos, programas que sejam capazes de dialogar com aqueles (as) que atuam violando direitos, como com aqueles (as) que sofrem essas violações, fato nem sempre causados por outro (a) jovem.

Nessa mistura, estão presentes as diversidades, as quais se caracterizam como desafio, mas também como potencialidade para o trabalho dos (as) profissionais da educação, com ênfase para aqueles (as) que atuam no suporte direto aos (às) estudantes e aos (às) professores (as), no exercício da reflexão sobre as diferenças e a produção das desigualdades de gênero, sexual, étnico-raciais, entre outras.

A seguir, daremos continuidade ao percurso das desigualdades no Brasil abordando aquelas com o viés étnico-racial.

Benzer Belgeler