Na Creche Casa da Criança as relações entre adultos e crianças ocorrem em um ambiente de afetividade e respeito. A acolhida é feita pelas próprias Monitoras na sala em que as crianças permanecem na maior parte do tempo. As mães, em sua maioria, ao chegarem, e se dirigem às salas das crianças, conversando amistosamente com as profissionais. Algumas crianças chegam ao local de perua, outras, geralmente as mais pequenas, são entregues às profissionais dormindo. Estas são colocadas em colchonetes ou berços, dependendo do arranjo da sala, até acordarem.
De modo geral, parece haver muito respeito entre os pais e as Monitoras. As informações sobre as crianças são repassadas por meio de comunicado na caderneta ou de forma informal, por meio de conversa no horário da saída. Quando há algum problema de saúde, as mães são chamadas imediatamente via telefone, caso tenham. Bononi (1998) afirma que o tipo de relacionamento entre pais e Monitoras de Creche está ligado à imagem de Creche e o significado que se tem da figura da educadora. Essas profissionais-docentes tradicionalmente são vistas como substitutas da mãe. No entanto, atualmente procura-se fugir dessa alternativa, “... identificando na educadora uma figura profissional capaz de relacionar-se com a criança sem “imitar” a mãe e sem refugiar-se na tarefa do professor, inadequada e insuficiente diante da criança pequena” (p. 161). Tal fato evidencia-se na Creche Casa da Criança, principalmente com relação ao comportamento das Monitoras.
Entretanto, algumas profissionais-docentes queixam-se de uma minoria de pais que preocupam-se apenas com os aspectos de cuidado, higiene e alimentação ou ainda, há pais que não tratam da saúde das crianças e possuem
maus hábitos em relação à educação das mesmas. Esse tipo de conflito, que freqüentemente torna-se crônico, pode criar um bloqueio na relação entre os adultos que prejudicará a relação com criança. Segundo Bononi (op. cit. p. 172) para sair dessa lógica, é necessário abrir um espaço de compreensão recíproca, de diálogo e de escuta, cuja iniciativa deve partir da instituição e da educadora, tornando a Creche um espaço capaz de acolher muitas e diversificadas famílias.
A autora (op. cit. 1998) esclarece ainda, que momentos prazerosos de festa em que os pais participam diretamente são importantes para promover o envolvimento entre adultos e crianças. Um desses momentos, o café da manhã preparado para comemorar o Dia das Mães, foi observado na Creche Casa da Criança. Evidenciou-se o respeito das Monitoras e das mães, bem como a relação de ambas com as crianças. Na fala de uma das profissionais-docentes às mães, porta-voz das demais, ressaltou-se a importância de ser mãe e a confiança que estas precisam depositar diariamente ao entregar seu filho nas mãos de outra pessoa.
No dia-a-dia, as Monitoras de Creche observam atentamente o comportamento das crianças e suas necessidades. Geralmente, elas são ouvidas e atendidas e quando não há possibilidade de atendimento, o adulto oferece explicações diretas e simples às mesmas, de acordo com a faixa etária. As crianças parecem sentir-se à vontade e felizes no grupo com os colegas e com os adultos.
A interação entre as crianças da sala ocorre por meio de estratégias não- verbais, como o toque, o gesto, a observação, o sorriso, o choro ou a imitação ou, também, pela comunicação verbal, que ainda é precária. As crianças se percebem e muitas vezes disputam entre si a atenção do adulto ou de um objeto.
Ocorre ainda, interação entre as crianças maiores de outras salas que estão no mesmo prédio, pois como já foi dito, há dificuldade de locomoção das mesmas entre as duas unidades. No entanto, os bebês do Infantil I parecem entrar em contato com outras crianças, especialmente as do Infantil II, apenas no horário de almoço e janta.
Para Foni (1998, p. 146) a qualidade das interações entre crianças e adultos ou crianças e crianças dependem das condições ambientais e organizacionais da Creche, que são variáveis. Assim, o estilo de intervenção dos adultos, o número de crianças na sala, o tipo e variedade de materiais e as condições para a brincadeira e as atividades, evidenciam os tipos de interações que podem ocorrer no interior da instituição.
Como foi dito anteriormente, as Monitoras de Creche têm dificuldade para se reunirem e planejarem atividades coletivas, visto que não há um horário específico para isso. As reuniões são geralmente realizadas no horário do sono das crianças, havendo a necessidade de sempre permanecer uma profissional para tomar conta das crianças, não sendo possível reunir o coletivo de Monitoras. Em relatos informais, as profissionais se recentem desse fato, pois acreditam que esse espaço pode auxiliar na reflexão e na troca de experiências para melhoria da qualidade do trabalho.
Nesse cenário real e dinâmico, há práticas que levam em consideração as necessidades da criança e oferecem pequenos desafios a elas. Há situações provocadas, fruto de planejamento de ações intencionais e de observações do desenvolvimento infantil. Existe, também, em menor proporção, posturas de profissionais que evidenciam práticas adultocêntricas, que resultam em longas esperas por parte das crianças, sem intencionalidade de uma ação educativa.
Todos esses aspectos relacionados às contribuições da formação acadêmica realizada pelas profissionais- docentes pesquisadas serão retomados no capítulo III, para que possamos refletir sobre a forma singular da instituição Creche, que em Santos,em breve, será denominada U.M.E.
2.5. A opinião das Monitoras de Creche sobre sua formação