• Sonuç bulunamadı

Foram entrevistados policiais militares de ambos os sexos, que se encontram empregados no serviço operacional da PMPB, ou seja, em sua atividade-fim, sendo três Oficiais, um Major (Entrevistado 5), um Tenente (Entrevistado 6), uma Tenente

(Entrevistada 7); seis Praças, sendo dois Sargentos, um do sexo masculino (Entrevistado 8) e outro do sexo feminino (Entrevistada 9); dois Cabos

(Entrevistados 10 e 11) e dois Soldados (Entrevistados 12 e 13), também um de cada gênero sexual.

Dentre os Oficiais, observa-se que os subalternos ou os Tenentes aproximam suas respostas, quando se buscou saber se existe ou não crime organizado na Paraíba, respondendo ambos de forma positiva para a existência das facções criminosas aqui estudadas:

Sim, existe crime organizado.

O estágio ainda é “amador”, porém vem em ascensão, concentrando ainda nas grandes cidades. (ENTREVISTADO 6).

É do conhecimento de todos, a existência das facções criminosas Al Qaeda e EUA.

E a cada dia que passa, se tornam mais fortes e mais organizados, definindo e defendendo territórios, bem como interiorizando suas ações para outros municípios nas diversas regiões do Estado. (ENTREVISTADO 7).

Já o Oficial Superior (Major) discorda do posicionamento dos dois Tenentes, por ele entender que apenas existe crime organizado, quando essa atividade encontra-se engendrada em todas as esferas públicas:

Não acredito, partindo do princípio que o crime organizado possui tentáculos em todas as esferas do poder, ou seja, no Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como no Ministério Público e na imprensa. Isso não ocorre aqui na Paraíba. (ENTREVISTADO 5).

No entanto, admite a existência das facções criminosas Okaida e EUA: Facções como Okaida e EUA não podem ser consideradas crime organizado, é bom que se registre isso. Portanto, são grupos desorganizados e que primam seus procedimentos, pelo tráfico de drogas e pela violência. (ENTREVISTADO 5).

Porém, ambos os Oficiais – Superior (Major) e Subalternos (Tenentes) – aqui entrevistados, corroboram o entendimento de que a PMPB atua no enfrentamento às atividades criminosas das duas facções, ainda de forma reativa, pois, constitucionalmente, essa atividade é atribuição da Polícia Civil:

Não atua especificamente, mas possui uma equipe de inteligência que acompanha crimes dessa natureza de um modo geral. (ENTREVISTADO 5). A PMPB ainda é muito reativa, agindo muitas vezes após ocorrido, apesar de não ser função constitucional da PM a investigação, ou seja a inteligência, deveria ser implementada na nossa atividade, até porque a Polícia Civil ao meu ver tem um desempenho insatisfatório. (ENTREVISTADO 6).

A PMPB é responsável pelo policiamento ostensivo, pela prevenção, a investigação desse tipo de atividade é atribuição da Polícia Civil. (ENTREVISTADO 7).

Os Praças aqui entrevistados são unânimes no reconhecimento das atividades criminosas das facções Okaida e EUA, atestando, também, que essas facções já se encontram bem estruturadas:

Acredito que sim.

Crítico, pois apesar de ter o nome de crime organizado demonstra que perdeu o controle até mesmo da organização dos criminosos causando divisões e intrigas dentro das próprias facções. (ENTREVISTADO 8).

Existe sim a atividade criminosa das facções Okaida e Estados Unidos. E suas atividades já se apresenta, bem estruturada. (ENTREVISTADO 9). Reconheço que existem duas facções que aterrorizam a Paraíba, são elas a Okaida e os estados Unidos.

Se mostram como organizações estruturadas para atividades criminosas como tráfico de drogas e práticas de homicídios. (ENTREVISTADO 10). Existe sim duas facções criminosas.

Elas atuam no tráfico de drogas e no cometimento de assassinatos, principalmente dos rivais. (ENTREVISTADO 11).

Tenho conhecimento da existência da Okaida e Estados Unidos.

Se estruturaram em algumas áreas de João Pessoa e vivem em pé de guerra querendo uma invadir o território da outra, para hegemonia do tráfico de drogas. (ENTREVISTADO 12).

Existe sim.

A Okaida e Estados Unidos surgiram e se firmaram na comercialização de drogas e prática de homicídios. (ENTREVISTADO 13).

Dentre os Policiais Civis, foram entrevistados dois Delegados (Entrevistado

14 e 15) e dois Agentes de Investigação (Entrevistados 16 e 17). Os Policiais Civis

não entendem as atividades das duas facções como criminalidade organizada, corroborando ambos o entendimento do Major da PMPB, mas sim como apenas atividade de gangs:

Não existe o crime organizado no nosso Estado.

Apenas existe atividades de gangs, travestidas de facções criminosas. (ENTREVISTADO 14).

Não existe o crime organizado na Paraíba.

Confundem brigas de gangs, com atividades de facções criminosas, é certo que ambas se estruturaram em torno do tráfico de drogas, mas daí a entender como criminalidade organizada, é bem distante. (ENTREVISTADO 15). Não existe o crime organizado.

Apenas facções criminosas que atuam no tráfico de drogas e na prática de homicídios. (ENTREVISTADO 16).

Não se pode entender as atividades da Okaida e dos Estados Unidos como criminalidade organizada.

Tais Atividades não tem nada de organizada, é do conhecimento de todos que existe inclusive rachas dentro das próprias facções, o que existe sim, são atividades violentas com a prática de homicídios, bem como a comercialização de drogas. (ENTREVISTADO 17).

Foram entrevistados, também, funcionários da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SECAP), que atuaram na gestão e na execução dos serviços penais no Estado da Paraíba.

Na atividade de gestão, foram entrevistados o Gerente Executivo do Sistema Penitenciário (GESIPE) e o Gerente Executivo de Planejamento, Segurança e Informações (GEPLASI), aqui denominados, respectivamente, de entrevistado 18 e

entrevistado 19. Os gestores entrevistados corroboram o entendimento sobre a

existência de como se encontram estruturadas as facções criminosas que, atualmente, funcionam na Paraíba:

Sim. Existe a presença do crime organizado no território paraibano.

São ramificações das facções criminosas do eixo Rio-São Paulo, porém ainda se apresenta como uma atuação de pouca monta no território paraibano. (ENTREVISTADO 18).

Evidente que sim.

Comprovadamente, observa-se no interior dos presídios paraibanos integrantes do CV e do PCC, e esses criminosos de certa forma influenciaram as duas facções criminosas Okaida e Estados Unidos, não conseguiram ainda dominá-los, mas já influenciam suas ações, principalmente, no tocante ao tráfico de drogas. (ENTREVISTADO 19).

Na atividade de execução, foram entrevistados dois Diretores (Entrevistados

20 e 21) e dois Agentes de Segurança Prisional (Entrevistados 22 e 23), onde

observa-se o seguinte:

Existe sim crime organizado.

Atualmente, eles atuam comandando o tráfico de drogas em todo o Estado, emanando ordens de dentro das penitenciárias para seus comparsas do lado de fora. (ENTREVISTADO 20).

Sabe-se da existência das facções criminosas Okaida e Estados Unidos. Tais facções atuam dentro e fora dos presídios paraibanos, comandando o tráfico de drogas e a prática de homicídios contra os devedores e os inimigos das facções rivais. (ENTREVISTADO 21).

Comandando o tráfico de drogas e o cometimento de assassinatos, inicialmente, na capital e, atualmente, em todo o Estado. (ENTREVISTADO 22).

Sim, existem as facções Okaida e Estados Unidos.

Essas facções, hoje, aterrorizam todo o Estado com práticas violentas e com o tráfico de drogas. (ENTREVISTADO 23).

Quando se buscou saber como as instituições que compõem o Sistema de Justiça Criminal paraibano encontra-se atuando para o enfrentamento ao crime organizado na Paraíba, observou-se que, na percepção dos policiais militares entrevistados, existem opiniões contraditórias.

Na visão dos Oficiais, que embora também participem da execução do serviço operacional, mas, principalmente, são eles os responsáveis pelo planejamento e pela gestão das operações policiais, já se observa os posicionamentos contraditórios:

Acredito que os setores de inteligência das nossas policiais estão preparados para esse tipo de atividade criminosa, porém, não combatem Especificamente esses crimes. (ENTREVISTADO 5).

A segurança paraibana tem metas e planos de operações, porém na minha opinião são ineficazes, falasse em redução de homicídios, porém não se preocupa e nem se cria uma diretriz para tal combate, não acredito que apenas o aumento de policias nas ruas diminua os crimes violentos letais intencionais (CVLI), e sim deveria haver uma repressão qualificada. (ENTREVISTADO 6).

As Instituições que compõem o sistema de segurança paraibana, mesmo com todo esforço de seus integrantes, não conseguem minimizar a atuação dessas facções criminosas em nosso Estado, dado ao amadorismo dos Gestores maiores, que por vezes se omitem e mascaram a realidade. (ENTREVISTADO 7).

Na percepção dos Praças, também encontram-se ressaltadas essas opiniões divergentes:

A polícia civil atua investigando e descobrindo quem são os líderes, prendendo quando possível.

A polícia militar saturando as áreas onde os índices apontam maior concentração de tais facções.

O sistema penal atua separando as lideranças de tais facções, tentando cortar a comunicação com os criminosos que estão fora dos presídios. (ENTREVISTADO 8).

Sem aparato, nem apoio, na verdade de mãos atadas. Os homens e mulheres combatentes estão enxugando gelo. (ENTREVISTADO 9).

Os policiais civis entendem que as instituições que integram o Sistema de Justiça Criminal paraibano atuam de forma satisfatória, porém os parâmetros legais empregados pela legislação em vigor propiciam e conduzem, por vezes, os policiais a um sentimento de impotência, junto ao enfrentamento do crime no território paraibano. Necessário se faz o fortalecimento das políticas públicas nas áreas econômica, social e cultural, particularmente na área da educação e na geração de emprego e renda, e também da redução da impunidade através de mudanças na legislação e do aperfeiçoamento da atuação das organizações dos sistemas de segurança pública e justiça criminal, pois não é apenas com a repressão policial que se resolverá o problema do aumento da criminalidade e da violência urbana. (ENTREVISTADO 14).

Observa-se na grande maioria dos casos, a impunidade, combinando-se problemas na aplicação da lei e de deficiências nos sistemas de segurança pública e justiça criminal, principalmente, quando se trata de ocorrências envolvendo menores e adolescentes. (ENTREVISTADO 15).

Não apenas na Paraíba, mas também, como em todo território brasileiro, vê- se a dificuldade dos agentes de segurança pública em decorrência de falhas na legislação e de carências e por vezes omissões, na atuação dos integrantes dos sistemas de segurança pública e justiça criminal paraibano. (ENTREVISTADO 16).

A dificuldades no enfrentamento ao crime organizado na Paraíba se dá, especificamente, pela falta de apoio por parte de setores do governo, da justiça, da sociedade e até mesmo da polícia. (ENTREVISTADO 17).

Com relação à opinião dos integrantes do Sistema Penitenciário Paraibano, observa-se que também corroboram a visão dos policiais civis, no tocante à omissão do Estado, nas questões relativas ao enfrentamento do crime organizado.

Na Paraíba observamos que o Estado deixou de cumprir a lição de casa, ao punir e não ressocializar o criminoso, deixando o detento à mercê das facções criminosas existentes no interior do próprio sistema. (ENTREVISTADO 20). O poder público paraibano vem apresentando falhas por não detectar a mobilização das facções criminosas dentro das prisões, subestimando-os, sendo na maioria das vezes surpreendido por suas ações dentro e fora das penitenciárias paraibanas. (ENTREVISTADO 21).

A omissão do poder público foi que fez crescer o crime organizado na Paraíba, destacando-se as duas facções que agem dentro e fora dos presídios, a Okaida e os Estados Unidos. (ENTREVISTADO 22 e 23). Observa-se, portanto, a relevância da opinião de todos esses atores entrevistados, pois o entendimento e a experiência profissional de todos demonstraram uma importante contribuição, quanto à compreensão do surgimento e

o modus operandi das facções criminosas que agem dentro e fora dos presídios paraibanos, evidenciando-se, muitas vezes, a omissão e o descaso do Poder Público com esse crescente problema.

No entanto, mostra-se preocupante tais afirmações, pois demonstra o quão são desconexos os serviços da Justiça Criminal do Estado da Paraíba, o que, certamente, reproduz a realidade brasileira. Instituições essas que deveriam compartilhar informações, normas, ideias, identidades sociais e símbolos, buscando- se, com isso, o desenvolvimento técnico-profissional dos operadores da segurança pública.

A criação de fóruns e de debates seria uma eficiente forma de desenvolvimento de valores a serem compartilhados, contando sempre com a participação e a opinião dos profissionais de segurança pública, possibilitando, dessa forma, os Estados celebrarem alianças recíprocas, propiciando a confiança mútua para o enfrentamento da criminalidade e o desenvolvimento de uma cultura de compreensão dessas ameaças, que, hoje, ultrapassam as divisas estaduais, viabilizando-se, assim, adotar uma postura efetiva, bem como a implementação de políticas públicas para esse enfrentamento.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Existe certa controvérsia, no tocante às origens do Crime Organizado no Brasil, pois são atribuídas diversas origens, que perpassam por vários momentos históricos. Alguns estudiosos identificam o cangaço como antecedente do crime organizado no Brasil, por serem os cangaceiros organizados hierarquicamente, além de realizarem saques à vilas, à fazendas e à pequenas cidades, extorquiam dinheiro mediante ameaça, realizavam ataques e pilhagem, bem como sequestro de pessoas importantes.

Outra proposição explicativa para tal surgimento remete à gestão do “jogo do bicho”, que passou a ser gerenciada por grupos mediante a corrupção de policiais e de políticos, por se tratar de um excelente meio de lavagem de dinheiro.

Outra hipótese para a origem do Crime Organizado no Brasil, defendida por vários autores, foi o suposto envolvimento dos presos políticos nos anos da Ditadura Militar Pós-64, com os presos comuns, a que foi ensinado as táticas de guerrilhas, forma de organização, de hierarquia de comando e clandestinidade, levando, com isso, o planejamento para os atos criminosos, garantindo, assim, o sucesso ao ato ilícito. É tal razão que o crime praticado com métodos avançados de planejamento e de organização passou a denominar-se crime organizado, devido às facilidades de comunicação, o que propiciou a parceria com grupos criminosos de outros países.

Assim, nas décadas de 70 e 80, surgiu nos presídios brasileiros, fruto da união dos presos políticos de esquerda com os presos comuns, o grupo criminoso denominado de “Comando Vermelho”, ocorrido, principalmente, no Presídio da Ilha Grande.

Há, por outro lado, quem acredite que o crime organizado não surgiu nas prisões, mas sim nas favelas cariocas, dado o descaso do Estado. Tal descaso teria feito emergir locais de segregação e de profunda miséria, possibilitando, com isso, o surgimento de uma geração de excluídos, que se uniram e se organizaram em resposta a essa exclusão, com vistas a suprirem suas necessidades básicas de sobrevivência, instaurando os territórios da criminalidade e instituindo o poder paralelo ao Estado.

Na atualidade, é sabido que um dos principais problemas para os Estados modernos, democráticos, é o controle social, ou seja, é a integração da sociedade

com a administração pública, com vistas à busca por soluções de problemas comuns de uma sociedade complexa, bem como solucionar as deficiências sociais com mais eficiência. O Controle Social, então, torna-se um importante instrumento democrático para a promoção de políticas públicas, onde a participação social no exercício do poder exprime sua vontade como fator de avaliação para a criação e metas a serem alcançadas no âmbito da segurança pública.

Cada sociedade vive o contexto de sua cultura. A cultura do grupo é constituída pelo conjunto dos modos de sentir, de pensar e de agir dos membros desse grupo. Em seu todo, estão integrados os seus costumes, suas tradições, seus padrões de vida corrente. Ela mesma cria certas técnicas de controle no interesse de manter-se íntegra, permitindo a continuidade social. Essas técnicas se manifestam pelos padrões de comportamento, variáveis em importância, de acordo com os níveis do grupo.

Do ponto de vista da investigação sociológica, compreende-se que o locus constituído pelos noticiários policiais dos jornais de circulação nacional e estadual, fundamentou o objeto desta pesquisa, por haver auxiliado, no tocante à percepção de como o problema envolvendo criminalidade e das facções criminosas vem se desenvolvendo no território paraibano, contrapondo-se às informações ignoradas, sonegadas ou encobertas pelas fontes oficiais do Poder Público paraibano.

No que se refere ao caso pesquisado, observa-se que não ficou evidenciado uma possível data para o surgimento dessa atividade criminosa na Paraíba, porém ressalta-se o ano de 2008, como sendo o provável lapso temporal para esse surgimento.

Vê-se que as duas facções aqui estudadas – Al Quaeda ou “Okaida” e “Estados Unidos”, – guardam alguns pontos em comum, quando se analisa o modus operandi de suas atividades criminosas: o primeiro é a atividade econômica que subsidia as ações de ambas as facções, que é o tráfico de drogas; o segundo é a guerra por territórios, o que propicia um enfrentamento violento entre elas, dando causa à grande parte dos homicídios hoje presenciados no território paraibano; o terceiro é o ingresso de jovens cada vez mais novos em ambas as facções.

Assim, para a consecução deste estudo, foram escolhidos jornais de grande circulação, seja ele de abrangência nacional, como “A Folha de São Paulo”, regional, como o “Jornal do Commércio” de Pernambuco e estadual, como o “Portal do

Jornal Correio da Paraíba”, bem como a revista “Isto É independente”, pois, além

do reconhecimento e da representatividade social, esses veículos midiáticos são as únicas fontes que disponibilizam informações sobre o assunto pesquisado.

De tal modo, analisando-se o que foi noticiado, vê-se que, na Paraíba, mais precisamente, na cidade de João Pessoa, surgia a aproximadamente, dez anos passados, inspirados no incidente ocorrido nos Estados Unidos da América, no dia 11 de setembro de 2001, duas facções criminosas que disputam o controle de comunidades na capital do Estado: a “Okaida”, denominação que equivale a Al- Qaeda, porém é grafada dessa forma, dada a baixa escolarização de seus integrantes e os Estados Unidos.

A “Okaida” surgiu de um grupo de presos que buscavam se estabelecer em determinados bairros e comunidades de João Pessoa, tais como: Mandacaru, São José, Bairro dos Novais, Alto do Mateus e Ilha do Bispo, e, nestes locais, montaram uma estrutura de tráfico de drogas usando, para isso, extrema violência. As drogas seriam fornecidas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), organização que age nos presídios de São Paulo.

Quando se tentou reprimir o tráfico, através de operações policiais, os integrantes da “Okaida” promoveram várias badernas na cidade, onde vários ônibus foram incendiados. Os homicídios fazem parte do "ritual de iniciação" para quem deseja integrar essa organização criminosa, onde as principais vítimas seriam os devedores do tráfico, podendo ser extensivo a qualquer pessoa, quando não existam alvos específicos. Atualmente, desafiam o Estado, quando picham muros com frases do tipo: "Não entre. Vai levar bala", e fecham escolas com boatos de incendiá-las, marcando seus muros com a sigla do grupo (OKD).

Já a facção “Estados Unidos” surgiu depois da “Okaida”, com vista a fazer o enfrentamento aos rivais e inimigos da “Okaida”, atuando, principalmente, nos bairros de Mandacaru e Bairro dos Novais, e também na comunidade Bola na Rede. O modus operandi das duas organizações criminosas se assemelham, inclusive na forma de recrutamento de seus integrantes, onde a “Okaida” e os “Estados Unidos” têm como atributo recrutar exércitos de viciados, por vezes, até crianças e adolescentes, para atuar como soldados do narcotráfico. O serviço é pago com drogas, principalmente, a maconha e as pedras de crack. Relatos dão conta de que, para ser admitido em

qualquer um dos grupos, o iniciante deve cometer um homicídio, onde as vítimas são, em sua maioria, viciados endividados com os traficantes.

Assim, dialogando-se com os ensinamentos de Souza (2009), ressalta-se ambas as facções que atuam dentro e fora dos presídios paraibanos, buscam a construção de sua própria identidade, que o autor denomina de pertencimento coletivo, no entanto essa construção leva em consideração os interesses e os valores que extrapolam o indivíduo e o pertencimento não se determina por laços de sangue, localidade ou vizinhança, por entender o autor serem esses laços restritivos, mas sim pelo sentimento de uma comunidade em sentido amplo.

Ambas as facções apresentam uma semelhança na forma de recrutamento e na forma de atuação de seus integrantes, fato que corrobora o pensamento de Elias e Scotson (2000), no tocante à relação de poder existente entre as facções Okaida e Estados Unidos, relação essa que não se diferencia quanto à ocupação, à religião, à classe social, à cor da pele, ao nível de letramento etc., mas sim ao tempo de pertencimento em cada facção, denominado pelos autores de “estabelecidos”, para com aqueles que buscam entrar para as facções, os “outsiders”.

Os outsiders, na busca por reconhecimento dentro da facção, submetem-se ao que eles denominam de ritual de iniciação, para, assim, deixarem de ser vistos

Benzer Belgeler