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Focalizaremos neste capitulo, os resultados do estudo experimental, assim como a discussão deste resultado.

4.1 Análise da Covariância

Para testar a existência de diferença entre os dois métodos de ensino, usou-se u método estatístico que permite controlar a interferência de vários fatores estranhos aos métodos no rendimento dos alunos; tal técnica é usualmente chamada “análise de covariância” (Kerlinger e Perdhazur, 1973). As covariâncias foram: notas no vestibular, notas em Biofísica, notas em Neurofisiologia, notas na avaliação diagnóstica de Fisiologia Cárdio-respirátoria, percentil em inteligência não- verbal, raciocínio verbal e uso de linguagem (ortografia e sentenças).

Como o teste do critério foi subdividido em cinco partes, medindo cada semana do curso, análise da covariância foi feita utilizando média geral dos alunos nas cinco notas.

A tabela 11mostra a análise da covariância, usando a média das notas de cada aluno nas cincos semanas do curso.

CURSO DE FISIOLOGIA CÁRDIO-RESPIRATÓRIA, 1º semestre, 1974.

Tabela 11 – Resultado da análise da covariância dos três grupos (experimental, controle voluntário, controle não-voluntário),

usando como covariantes – os resultados das notas de vestibular, notas em Biofísica, notas em Neurofisiologia, pré- teste em fisiologia cárdio-respiratória, inteligência não-verbal, raciocínio verbal, uso de linguagem.

FONTES DE VARIAÇÃO RESIDUAL GL SQ MQ F ENTRE 2 3, 4348 1, 7174 1. 974* INTRA 66 57, 4144 0, 8699 TOTAL 68 60, 8492

*Não significante ao nível de 0,05.

Desde que, através da tabela F pode-se verificar que um valor mínimo de 3,14 seria necessário para a rejeição de hipótese nula com um nível de confiança de 0,95e graus de liberdade de 2 e 66, concluímos que os dados não parecem indicar, existir diferença significante entre a média dos alunos submetidos ao método de auto-instrução e a média dos alunos submetidos ao método tradicional.

O experimento teve a duração de cinco semanas. Para avaliarmos a possível interferência dos efeitos do tempo no desempenho dos alunos, além de fazermos uma análise da covariância com as médias das cinco semanas (descrita anteriormente na tabela 11), fizemos cinco outras análises de covariância, uma para cada semana de curso.

CUSO DE FISIOLOGIA CÁRDIO-RESPIRATÓRIA, 1º semestre, 1974. Tabela 12 – Resultado das cincos análises da covariância dos três grupos

(experimental, controle voluntário, controle não voluntário), usando como covariantes os resultados das notas de vestibular, notas em Biofísica, notas em neurofisiologia, pré-teste em Fisiologia Cárdio-respiratória, inteligência não-verbal, raciocínio verbal e uso de linguagem.

A – 1ª semana FONTES DE VARIAÇÃO RESIDUAL GL SQ MQ F ENTRE 2 8, 8801 2, 5202 1, 762* INTRA 107 269, 6587 4, 4401 TOTAL 109 278, 5388 B – 2ª semana FONTES DE VARIAÇÃO RESIDUAL GL SQ MQ F ENTRE 2 2, 6228 1, 3114 0, 507* INTRA 107 279, 7151 2, 5861 TOTAL 109 279, 3379 *Não-significante ao nível de 0,05.

FONTES DE VARIAÇÃO RESIDUAL GL SQ MQ F ENTRE 2 5, 6809 2, 8405 1.764* INTRA 107 172, 2569 1, 6099 TOTAL 109 177, 9378 4ª semana FONTES DE VARIAÇÃO RESIDUAL GL SQ MQ F ENTRE 2 16, 9160 8, 4580 2, 239* INTRA 107 404,1179 3, 7768 TOTAL 109 421, 0339 5ª semana FONTES DE VARIAÇÃO RESIDUAL GL SQ MQ F ENTRE 2 5, 9192 2, 9596 0, 881* INTRA 107 359, 3274 3, 3582 TOTAL 109 365, 2466 *Não-significante ao nível de 0,05.

Através, da tabela F pode-se verificar que um, valor mínimo de 3,06 seria necessário para a rejeição de hipótese nula com um nível de confiança de 0, 95 e graus de liberdade 2 e 107.

4.2. Análise de regressão por passos.

Com objetivo de identificar quais as variáveis de controle que explicam mais eficazmente os resultados dos alunos no teste de critério, decidimos realizar uma análise de “regressão por passos” (Draper & Smith, 1966).

Para isso, consideramos os 78 alunos que, além dos testes descritos anteriormente, também fizemos o teste de personalidade 16-PF.

Os resultados da análise de regressão por passos indicaram que, no caso de média final dos alunos na disciplina Fisiologia Cárdio-respirátoria, os fatores que mais influenciaram, por ordem de importância, são os seguintes: N2, p2, N3 e Q2.

A lista abaixo, das porcentagens da variância explicada, serve para indicar a seqüência dos fatores incluídos na equação de regressão.

FATOR R2 Q3 0,24 N3 0,32 P2 0,38 N2 0,43

A equação de regressão obtida foi a seguintes: f = 1,37 + 0,37 (N2) + 0,25 (P2) + 0,01 N3 ÷ 0,01 Q2

Da equação acima podemos dizer que o modelo, incluindo apenas N2, seria perfeitamente razoável para a predição da nota do aluno na

disciplina Fisiologia Cárdio-respiratória.

qual teria sido o desempenho de cada grupo na média do teste-critério, se tivessem sido equivalentes no início com relação às variáveis de controle.

A tabela 13 mostra as médias ajustadas dos três grupos (experimental, controle voluntário e controle não-voluntário), assim como as médias dos três grupos nas variáveis de controle.

voluntário -. Vesti- bular Biofio- sica Neuro Pré- teste Raven R.V Uso de Lingua- gem Média teste critério Média ajust. GRUPO EX- PERIM. 2278 7,49 6,08 6,67 57,96 60,21 66,75 39,65 7,36 7,50 GRUPO CONT. VOL. 2957 7,79 6,14 7,03 46,95 60,30 74,60 47,17 7,17 6,93 GRUPO CONT.N.V. 2549 7,47 6,48 6,07 65,21 54,91 66,73 37,34 7,18 7,24

CURSO DE FISIOLOGIA CÁRDIO-RESPIRATÓRIA, 1º semestre, 1974.

Tabela 14 – Médias e Médias Ajustadas e Desvio Padrão dos três grupos (experimental, controle voluntário e não- voluntário), ajustados com relação às variáveis de controle.

MÉDIA MÉDIA AJUSTADA DESVIO-PADRÃO

GE Gc 1 Gc 2 GE Gc 1 Gc 2 GE Gc 1 Gc 2 1ª semana 7,47 7,41 7,73 7,56 7,16 7,88 0,25 0,26 0,26 2ª semana 7,55 7,41 7,39 7,65 7,27 7,43 0,25 0,26 0,26 3ª semana 6,68 6,51 6,25 6,80 6,27 6,38 0,20 0,21 0,20 4ª semana 7,85 6,91 7,33 7,84 6,87 7,37 0,31 0,32 0,32 5ª semana 7,17 6,91 7,02 7,27 6,71 7,12 0,29 0,30 0,30

4.3 Discussão de Resultados

Ao examinarmos os resultados obtidos pela análise de covariância, podemos afirmar que não há diferença significativa entre as médias dos alunos submetidos ao método de auto-instrução ou ao método tradicional.

Os resultados, analisados separadamente, também não apresentam diferença significativa.

Quanto á análise de regressão por passos, podemos afirmar que o fator N2 (nota na disciplina Biofísica) foi o melhor preditor do resultado do

aluno na disciplina Fisiologia Cárdio-resporatória. Também o fator P2 (nota

na avaliação diagnóstica) alcançou um índice de correlação elevado, como preditor da nota do aluno na disciplina estudada. Este resultado reforça a importância de se formular objetivos de pré-requisitos e de se preparar o aluno para indiciar um novo curso.

Quanto ao ajustamento de médias, nota-se que os três grupos obtiveram resultados médios semelhantes nas variáveis de controle, o que assegura a homogeneidade dos grupos estudados. Nota-se, também, que embora não seja significativa a diferença entre as médias dos três grupos, houve uma tendência das médias maiores serem as do grupo experimental. Isto sugeriria novas pesquisas ou novos estudos estatísticos sobre o assunto.

4.4. Conclusão e sugestões

Ao concluir-se o presente trabalho, embora não se tenha podido afirmar haver diferença significativa entre os dois métodos estudados, não podemos deixar de levantar alguns pontos que tornam este estudo relevante e ponto de partida para novas pesquisas neste campo:

O presente trabalho:

1 – Fornece uma sistêmica para a avaliação do trabalho do

professor ao planejar, implementar e avaliar um curso;

2 – Pretende demonstrar, principalmente aos professores e

pessoas interessadas em melhorar o processo de ensino- aprendizagem, que uma lógica no planejamento de objetivos operacionais, conteúdo e avaliação formativa e somativa é indispensável, se quisermos garantir um melhor desempenho do aluno.

3 – Levanta a importância de validar, analisar itens de prova, a

fim de torná-la mais coerente e instrumento eficaz na mensuração de comportamentos pretendidos.

4 – Procura difundir, entre professores, métodos pouco conhecido

de análise estatística aplicados à pesquisa educacional.

5 – Pretende difundir, entre professores, metodologia de

planejamento de cursos de auto-instrução, proposta pelo Núcleo de Educacional para a saúde.

6 – Procura demonstrar que, somente através da pesquisa, poder-

se-á afirmar que mudanças obtidas dos cursos do controle de Ciência Médicas são efetivas. Isto vem, por outro lado, mostrar uma coerência do trabalho proposto pelo NUTES, ao desenvolver pesquisas educacionais, para validar novos métodos de ensino.

7 – Sugere novas pesquisas que podem, a partir deste primeiro trabalho, ser desenvolvidas, tais como:

– seguimento dos grupos utilizados no presente estudo, visando medir a retenção da aprendizagem do conteúdo do Curso de Fisiologia Cárdio-respiratória, ao longo do curso médico;

– levantamento de um conjunto de variáveis de personalidade que melhor se adaptariam a diferentes estilos de aprendizagem;

– estudos comparativos relativos à variáveis tempo dispendido efetivamente com a instrução pelo professor que escolhe um ou outro método de ensino;

– estudos comparativos relativos à variável

-tempo dispendido efetivamente coma aprendizagem pelo aluno ou grupo de alunos que se submetem a um ou outro método de ensino.

Concluindo, podemos dizer que o presente trabalho servirá como ponto de partida para novas pesquisas a serem realizadas no NUTES, visando uma melhoria no processo de ensino-aprendizagem.

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Benzer Belgeler