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3. MATERYAL VE YÖNTEM

3.3 Mekanik Karakterizasyon

A reportagem de capa da revista IstoÉ, edição nº 1.819, provocou grande repercussão e uma disputa sem igual com a revista Veja. A contribuição da revista foi mostrar o erro de Veja, como foi visto anteriormente, mas, sem dúvida, revelou uma disputa de mercado entre os dois semanários.

283 ABRAMO, 2003, p. 43.

A publicação da carta de Luís Costa Pinto, ex-editor da revista Veja, e as revelações sobre o erro que ajudou a enterrar a carreira política do deputado Ibsen Pinheiro causaram grande surpresa.

Veja, onde há 11 anos foi publicado o erro, reagiu, contra-atacando sua concorrente. Afinal existia, na época das publicações, uma guerra editorial por fatia do mercado.

Outro ponto importante a ser abordado é que a disputa editorial trouxe à tona uma discussão relevante. Na época, estava em discussão a criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ)284.

284De acordo com Projeto de Lei, apresentado por Lula, no dia 27 de maio de 2004, na Câmara Federal, o

Conselho Federal de Jornalismo seria criado para orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da profissão de jornalista e da atividade de jornalismo, zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe em todo o território nacional, bem assim pugnar pelo direito à livre informação plural e pelo aperfeiçoamento do jornalismo. Ainda segundo projeto apresentado na Câmara Federal, o CFJ teria sede e foro em Brasília e jurisdição em todo o território nacional. Pelo projeto competiria ao CFJ:

I - zelar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização do jornalista;

II - representar em juízo, ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais relativos às prerrogativas da função dos jornalistas, ressalvadas as competências privativas dos sindicatos representativos da categoria;

III - editar e alterar o seu regimento, o Código de Ética e Disciplina, as resoluções e os provimentos; IV - estabelecer as normas e procedimentos do processo disciplinar;

V - supervisionar a fiscalização do exercício profissional em todo o território nacional;

VI - colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos de jornalismo e comunicação social com habilitação em jornalismo;

VII - autorizar, pela maioria absoluta dos seus membros, a oneração de bens imóveis;

VIII - promover diligências, inquéritos ou verificações sobre o funcionamento dos CRJ em todo o território nacional e adotar medidas para a melhoria de sua gestão;

IX - intervir nos CRJ em que se constate violação a esta Lei ou às suas resoluções, nomeando composição provisória para o prazo que fixar;

X - cassar ou modificar, de ofício ou mediante representação, qualquer ato de órgão ou autoridade do CFJ contrário a esta Lei, ao regimento, ao Código de Ética e Disciplina ou às resoluções e provimentos, ouvida a autoridade ou órgão em causa;

XI - reexaminar, em grau de recurso, as decisões dos CRJ nos casos previstos no regimento; XII - definir e instituir os símbolos privativos dos jornalistas;

XIII - resolver os casos omissos nesta Lei e nas demais normas pertinentes ao CFJ, assim como aqueles relativos ao exercício da profissão de jornalista e da atividade de jornalismo;

XIV - fixar e cobrar de seus inscritos as anuidades e os preços por serviços;

XV - fixar normas sobre a obrigatoriedade de indicação do jornalista responsável por material de conteúdo jornalístico publicado ou veiculado em qualquer meio de comunicação;

XVI - definir as condições para inscrição, cancelamento e suspensão da inscrição dos jornalistas, bem como para revisão dos registros existentes; e

XVII - estabelecer as condições para a criação e funcionamento das seções dos CRJ.

Parágrafo único. A intervenção de que trata o inciso IX deste artigo depende de prévia aprovação de dois terços dos membros do CFJ, garantido ao CRJ o amplo direito de defesa.

No artigo Art. 4, o CFJ exigia que todo jornalista, para exercício da profissão, deverá inscrever-se no CRJ da região de seu domicílio, atendendo às condições estabelecidas pela legislação.

O projeto apontava também infrações disciplinares, além de outras definidas pelo Código de Ética e Disciplina: I - transgredir seus preceitos;

II - exercer a profissão quando impedido de fazê-lo, ou facilitar, por qualquer meio, o seu exercício aos não inscritos ou impedidos;

III - solicitar ou receber de cliente qualquer favor em troca de concessões ilícitas;

IV - praticar, no exercício da atividade profissional, ato que a lei defina como crime ou contravenção;

V - deixar de cumprir, no prazo estabelecido, depois de regularmente notificado, determinação emanada pelos CFJ ou CRJ, em matéria de sua competência; e

O CFJ teria sido um dos panos de fundo para a publicação de IstoÉ relatando o caso de mau jornalismo. Nota-se que, apesar de ‗brigarem‘ por nichos de mercado, por maior vendagem, as duas revistas IstoÉ e Veja são contra o Conselho Federal de Jornalismo. Ou seja, quando o assunto é ‗exercer‘ um maior controle sobre os atos da imprensa e o papel exercido por ela, os dois meios de comunicação são uníssonos em afirmar que o controle seria prejudicial. Ou seja, a imprensa erra, pode mudar o rumo da história, diz que fiscaliza o governo e o poder público, mas, de forma alguma quer ser controlada.

Isso é facilmente identificado nas posições oficiais das duas revistas:

Sentindo-se vítima de denúncias contra os presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do Banco do Brasil, Cássio Casseb, além do tesoureiro do PT, Delúbio Soares, o governo resolver atacar a liberdade de imprensa: propôs ao Congresso a criação de um Conselho Nacional de Jornalismo para fiscalizar e punir jornais e jornalistas. Mas, uma revelação de um repórter em artigo enviado para o livro a ser lançado pelo ex-presidente da Câmara Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) mostra que a descoberta da verdade independe de mecanismos repressivos 285.

A posição de Veja é parecida:

No momento em que o governo tenta amordaçar a imprensa, por meio de um projeto de lei que cria um conselho federal para "orientar, disciplinar e fiscalizar" a atividade dos profissionais de jornais e revistas, o mau jornalismo da revista IstoÉ tentou massacrar o bom jornalismo de Veja, fornecendo munição aos adversários da liberdade de informação e opinião. Em sua edição da semana passada, numa fraude jornalística que lhe serviu de capa, IstoÉ retomou o episódio do processo contra o ex-presidente da Câmara dos Deputados Ibsen Pinheiro, ocorrido em 1993, para afirmar que Ibsen, acusado de participar do esquema da Máfia dos Anões do Orçamento, havia sido "massacrado" por uma reportagem de capa de VEJA, na qual uma movimentação financeira do ex-deputado equivalente a 1.000 dólares havia se transformado em 1 milhão de dólares, em virtude de um erro grosseiro no cálculo de conversão, procedimento comum à época, por causa das sucessivas trocas de moeda que ocorriam no Brasil286.

Benzer Belgeler