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4. DENEYSEL SONUÇLAR VE DEĞERLENDİRME

4.2. Mekanik Deneyler

Particular Total N % N % N % Violência Física 44 70,97 21 35,59 65 53,72 Violência Sexual 03 04,84 03 05,08 06 04,96 Violência Indireta 17 27,42 06 10,17 23 19,01 Violência Verbal 52 83,87 48 81,36 100 82,64 Violência Psicológica 27 43,55 11 18,64 38 31,40 Não respondeu 03 04,84 09 15,25 12 09,92 Total 146 100,00 98 100,00 244 100,00

Fonte: dados da pesquisa

* Os entrevistados poderiam responder mais de uma alternativa nessa questão.

No que se refere à variável tipos de violência presenciados pelos profissionais da área da educação, mostrada na Tabela 4, identificamos que 100 (82,64%) entrevistados presenciaram a violência verbal; seguidos de 65 (53,72%) em relação à física; 38 (31,40%), psicológica; 23 (19,01%), a indireta, que inclui roubo, furto, dano ao patrimônio pessoal ou instituicional; 06 (4,96%), a sexual; e 12 não responderam a esse questionamento. Quando analisamos as instituições de ensino separadamente, percebemos que, na pública, 52 (83,87%)

profissionais presenciaram violência verbal; 44 (70,97%), física; 27 (43,55%), psicológica; 17 (27,42%), indireta. Na particular, 48 (81,36%) presenciaram violência verbal; 21 (35,59%), física; 11 (18,64%), psicológica; e 06 (10,17%), indireta.

Dados semelhantes aos do estudo ora desenvolvido (Tabela 4) foram encontrados por Pereira e Pinto (1999), em investigação realizada com alunos de escolas do ensino básico e médio de Portugal, identificando que 61% entrevistados presenciaram alguma violência verbal, seguidos de 38% que presenciaram a violência física; e 31%, a indireta. Ressaltamos também que os participantes poderiam marcar mais de uma resposta para esse questionamento.

Medeiros (2006), em pesquisa sobre a visão dos professores e alunos a respeito da agressão dentro da escola da cidade de São José do Rio Preto (SP), constatou que 42% dos sujeitos presenciaram a violência verbal; seguidos 16% no caso da física; e 12% da psicológica.

Salientando os dados da nossa pesquisa (Tabela 4), percebemos que a agressão verbal foi a violência que mais se destacou. Nesse sentido, Minayo (2005) afirma ser imprescindível que todo profissional, independente da área de atuação, saiba diferenciar os tipos de violência. Por essa razão, deve desenvolver estratégias que auxiliem na identificação e prevenção desse evento. Partindo dessa perspectiva, o autor conceitua a agressão verbal como qualquer forma de maus-tratos, falada explicitamente ou subentendida, que deixa o indivíduo sentir-se pessoalmente ou profissionalmente agredido, desvalorizado ou humilhado.

De acordo com Seixas (2005), os alunos do ensino fundamental e médio costumam agredir mais os colegas e profissionais verbalmente, diminuindo os casos de violência física que são mais evidentes entre as crianças do ensino básico. Martins (2005) aponta, ainda, que as mulheres costumam realizar mais esse tipo de agressão, por ser uma forma sutil de expressar esse evento.

O segundo tipo de violência mais presenciado dentro do ambiente escolar (Tabela 4), com 65 (53,72%) profissionais, foi a física. Para Minayo (2005), este tipo de evento se caracteriza pelo uso da força física que resulta em consequências físicas, sexuais ou psicológicas. Para Meneghel, Glugliani e Falceto (1998), a violência física cometida na escola é uma consequência desse evento no ambiente familiar. De acordo com o relatório do Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância (CRAMI), a violência física é a mais notificada, com 51% dos registros entre 1988 a 2000, pelo fato de deixar marcas visíveis no

corpo, possibilitando a identificação. Por ser uma punição bastante utilizada pelos pais, se perpetua nos jovens como uma conduta comum que se reproduz, afetando o desempenho e a qualidade das relações dentro das escolas entre alunos, professores e funcionários (CRAMI, 2000; LIMA, 2007).

O terceiro tipo de violência, presenciada por 38 (31,40%) profissionais (Tabela 4), foi a psicológica. Para Brasil (2001), esse evento se caracteriza por constar de vários tipos de agressões contra as vítimas, que visam aterrorizar, rejeitar, humilhar a vítima, restringir a liberdade ou, ainda, isolar do convívio social. Anser, Joly e Vendramini (2003) acrescentam que a interferência negativa de uma pessoa sobre a competência social do indivíduo, ou abuso de poder disciplinador, coercitivo, o tratamento abusivo das relações interpessoais, depreciação do outro perante seus pares, violação de direitos, negação dos valores humanos também são considerado violência psicológica. Nesse sentido, acredita-se que esse evento favoreça o aumento de atos agressivos contra os componentes da escola, pois os alunos imitam as condutas antissociais das pessoas que estão próximas a eles, dificultando o convívio nesse ambiente (ANSER; JOLY; VENDRAMINI, 2003).

Em relação à violência indireta, Silva (1998) conceitua, dizendo que é a prática contra a estrutura física e material da escola e bens pessoais. O autor acredita que esse evento está relacionado à falta de conscientização da população sobre a importância e os benefícios da instituição para os seus usuários, e de que é um patrimônio pertencente a cada cidadão. Mesmo em instituições particulares, os seus integrantes desenvolvem reações agressivas contra o local, com intuito de demonstrar a sua insatisfação em relação aos serviços prestados (SILVA, 1998).

Rebés (2000) sugere que estas instituições, pública ou particular, criem meios de interagir mais com o aluno, família e comunidade, para que despertem um sentimento de responsabilidade e cuidado com o patrimônio.

A violência sexual foi o quarto tipo que se evidenciou em nossa pesquisa (Tabela 4) com 06 (4,96%) profissionais que a presenciaram dentro do ambiente escolar. Para Amazarray e Koller (1998), esse evento dentro do ambiente escolar é perpetrado por adolescentes que consideram o ato como uma experiência sexual e não como uma forma de agressão. Em mais da metade dos abusos cometidos por esses adolescentes, as vítimas são crianças mais jovens e, na maioria das vezes, conhecidas dos agressores. Outro fator importante é que frequentemente os agressores já sofreram algum tipo de abuso sexual dentro

do ambiente familiar ou na escola. Nesse aspecto, o que define a violência sexual não é a diferença de idade, mas o uso de poder, autoridade ou força do agressor para com o agredido.

Para Lopes Neto (2005), os episódios de violência sofridos dentro do ambiente escolar causam efeitos imediatos e a longo prazo para as crianças e adolescentes e para as pessoas que vivenciam esse evento de forma passiva. As vítimas sofrem em silêncio, vivem amedrontadas na escola, o que, em casos extremos, pode levar ao suicídio, principalmente na adolescência ou juventude.

As pessoas que presenciam um colega sendo vítima de bullying, e têm a consciência da injustiça que ele está sofrendo, sentem-se impotentes para ajudá-los. Os agressores algumas vezes são confrontados em situações de retaliação, pelos amigos e familiares das vítimas, gerando ainda mais violência (LOPES NETO, 2005).

Gráfico 2 - Distribuição das instituições de ensino, segundo a conduta dos profissionais da educação na presença de lesão em alunos que sofreram violência. NATAL/RN, 2010

Fonte: dados da pesquisa

* Os entrevistados poderiam responder mais de uma alternativa nessa questão.

Em relação à variável conduta dos profissionais da educação na presença de lesão em alunos que sofreram violência, expressa na Gráfico 2, identificamos que 87 (71,90%) profissionais ligaram para os pais quando aconteceu algum evento violento, seguidos de 68 (56,20%) que prestaram os primeiros socorros, 32 (26,45%) que levaram os alunos para o hospital, 27 (22,31%) que acionaram o SAMU, e apenas 1 (0,83%) que não desempenhou nenhuma conduta com relação à vítima de violência. Quando comparamos as instituições de ensino separadamente, constatamos, na pública, que 40 (64,52%) sujeitos imediatamente executaram os primeiros socorros, seguidos de 39 (62,90%) que ligaram para os pais, 21 (33,87%) que acionaram o SAMU e 17 (27,42%) que levaram os alunos para o hospital. Na particular, 48 (81,36%) ligaram para os pais, 28 (47,46%) prestavam os primeiros socorros, 15 (25,42%) levaram os alunos para o hospital e 6 (10,17%) acionaram o SAMU.

Nesse sentido, Sena, Ricas e Viana (2008) comentam que as ações imprevistas que acontecem nas relações entre as crianças e adolescentes favorecem o acontecimento de atos agressivos entre eles e com os profissionais. A maioria desses profissionais não sabe lidar com esses eventos considerados adversos que causam consequências. Para os autores, existem inúmeros fatores que se destacam como principais causas para a ocorrência da violência dentro do ambiente escolar, destacando-se a estrutura física, relações intra e interpessoais e culturais.

Existem vertentes de pensamentos as quais afirmam que, se houver uma supervisão adequada, interação entre a escola e família, desenvolvimentos de projetos que instruam e auxiliem o aluno para o mercado de trabalho, diminuem os índices de violência na instituição. Para que isso ocorra, se faz necessário que os profissionais da área da educação tenham conhecimento a respeito do evento, das medidas de prevenção e assistência a essas vítimas.

De acordo com o estudo realizado em uma instituição de ensino de Belo Horizonte/MG, os profissionais não recebem nenhum tipo de capacitação específica para atuar em situações de urgência, utilizando apenas o senso comum e leituras de algum treinamento, de maneira pontual, preferindo muitas vezes chamar os pais ou levar para o hospital; porém, quando é algo mais grave, optam por acionar o SAMU (SENA; RICAS; VIANA, 2008).

Souza e Tibeau (2008) afirmam que os professores e funcionários devem ser os primeiros a executar os socorros imediatos aos alunos que sofreram algum tipo de lesão

decorrente de evento violento ou acidente. Esses cuidados não se restringem apenas a procedimentos técnicos, mas também se estendem a um apoio psicológico através de conversas que tranquilizem as vítimas.

Devido aos professores, funcionários e diretores não receberem informações a respeito de ações de promoção e prevenção da saúde do escolar durante sua formação, se faz necessário que haja uma capacitação fundamentada na promoção da saúde. Porém, para efetivar essa capacitação, é necessário que haja a incorporação de valores e conceitos positivos de saúde, tornando-se imprescindível, após o primeiro contato com a fundamentação teórica, que o profissional a utilize em sua prática, para que isso possibilite uma compreensão e aperfeiçoamento do conhecimento apreendido (SISTON; VARGAS 2007; IERVOLINO; PELICIONI, 2005).

Tabela 5 - Distribuição das instituições de ensino, segundo a razão para a ocorrência de episódios de violência na instituição. NATAL/RN, 2010

VARIÁVEL

Benzer Belgeler