B. Hamile Kadının Nafakası
II. MEHRİN DAYANDIĞI DELİLLER
Outra análise da inovação social é proposta por pesquisadores do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa. Segundo André e Abreu (2006), a inovação esteve por muito tempo vinculada ao domínio tecnológico, e só nos últimos anos é que a noção de inovação social passou a ganhar importância nos mais diversos âmbitos, apesar de ser um conceito pouco preciso. Estes autores ressaltam que a inovação social possui estudos recorrentes em que ela se desenvolve em iniciativas do terceiro setor, direcionadas ao combate da exclusão social, e que o Centre de Recherche sur les InnovationsSociales (CRISES) tem focado a maior parte de suas
pesquisas no campo da saúde, ação social, habitação, imigração e integração no mercado de trabalho.
Visando uma maior restrição do âmbito do conceito de inovação social, André e Abreu (2006) definem a inovação social como sendo uma resposta nova e reconhecida socialmente que visa gerar mudança social, devendo atender a três requisitos: (a) satisfação das necessidades humanas que não são atendidas pelo mercado; (b) promoção da inclusão social; e (c) capacitação dos atores a processos de exclusão social, desencadeando uma mudança das relações de poder. Portanto, para André e Abreu (2006), a inovação social gera mudança social com alterações nas relações de poder, excluindo do campo, os efeitos sociais provindos da inovação tecnológica.
As dimensões analíticas, consideradas por André e Abreu (2006) como um roteiro para operacionalização do conceito de inovação social, se configuraria conforme Quadro 6, e parte do embasamento de cinco questões de análise, que apesar de pouco originais, facilitam a organização das ideias iniciais: (1) o que é inovação social?; (2) porque se produz inovação social?; (3) como se produz inovação social?; (4) quem produz a inovação social?; e (5) onde se produz a inovação social?.
Quadro 6: Dimensões analíticas da inovação social – roteiro para operacionalização do conceito.
Natureza Estímulos Recursos e dinâmicas Relação de agência • Essência (o foco da
mudança)
• Barreiras (o que vai ser ameaçado com a inovação social) • Âmbitos (políticos,
processos e produtos, através dos quais se manifesta a inovação social)
• Domínios (econômico,
tecnológico, político, social, cultural, ético: onde emerge e se desenvolve a inovação social) • Adversidades (que a inovação social visa ultrapassar) • Riscos (que a
inovação social visa mitigar) • Desafios (a que a inovação social pretende responder) • Oportunidades (que a inovação social procura aproveitar) Recursos: Conhecimento e saberes: • Qualificação • Informação • Comunicação Capital relacional: • De proximidade geográfica: – Comunidade local – Comunidade regional/nacional • Desterritorializado Dinâmicas: • Institucionalização/absorção • Mantém-se num quadro não
institucional – gera outra onda de inovação • Esgotamento (acaba no momento em que o problema específico se resolve) • Travagem – percurso coercivamente interrompido • Abandono (insustentabilidade) Tipo: • Instituições: – Públicas – Privadas – Terceiro setor • Organizações • Movimentos sociais Papel: • Mediadores • Inovador/adotante Relação de poder: • Hegemônicos • Não hegemônicos
Fonte: Adaptado de André e Abreu (2006).
Com relação a ideia (1) o que é inovação social? (natureza), segundo André e Abreu (2006), os primeiros conceitos de inovação social se associavam à aprendizagem, à organização do trabalho, aos processos desenvolvidos por agentes dominantes relacionados ao ordenamento do território e à competitividade das empresas, e recentemente, as perspectivas conseguiram separar a inovação social da inovação tecnológica mais claramente, atribuindo o seu significado a natureza não mercantil, com um caráter coletivo que visa transformações das relações sociais.
Para a ideia (2) porque se produz inovação social? (estímulos), a alavanca para a inovação social seria a necessidade de vencer as adversidades e os riscos, bem como aproveitar as oportunidades e responder aos desafios (ANDRÉ; ABREU, 2006). Os rendimentos, a capacidade de consumo, as mudanças estruturais, a capacitação individual e coletiva para encontrar soluções para os problemas sociais está alinhada com a inovação social, assim como a cultura conduz a transformações das relações de poder.
Para a ideia (3) como se produz inovação social? (recursos e dinâmicas), independentemente do tipo – político, produto ou processo – a inovação social pode estar situada nos mais diversos domínios da sociedade (político, econômico, tecnológico, ético, entre
outros). Para tanto, os recursos necessários ao processo, bem como as dinâmicas relacionadas à consolidação e difusão da inovação, são condições que favorecem a inovação social, tais como o conhecimento e saberes com a presença de agentes qualificados, e o capital relacional baseado nos laços internos de uma comunidade (bonding capital) e entre as demais comunidades distintas (bridging capital) (ANDRÉ; ABREU, 2006). Segundo estes autores, o capital relacional pode estar ancorado nas relações pessoais (contato direto), bem como nas relações sociais (institucionais). Além disso, as dinâmicas fazem parte do processo de análise e a inovação social reconhecida é absorvida pelas instituições a partir da eficácia do processo, o que mais cedo ou mais tarde deixa de ser inovadora e passa a integrar a uma rotina, e as que não são absorvidas, podendo ter suas ideias ou práticas abandonadas, ou originadas em outra onda de inovação.
Com relação a ideia (4) quem produz a inovação social? (relação de agência), para André e Abreu (2006), a relação de agência é tratada como uma das principais especificidades da inovação social, no qual, esta inovação, pode se fazer presente no terceiro setor, nas políticas públicas, nas entidades privadas, e até fora das instituições; além disso, a sociedade civil pode influenciar as políticas com a construção de uma opinião pública, bem como derrubar as forças hegemônicas.
Por fim, a ideia (5) onde se produz a inovação social? (relação de agência) está focada no meio em que as dimensões se articulam, podendo ser um lugar, ou um espaço-rede constituído por nós (distintos hierarquicamente ou não) e por fluxos (materiais ou imateriais), onde os diferentes agentes se articulam, com relações de poder e papeis distintos, e com incentivos e barreiras à inovação social.
O percurso da identificação da inovação social, por André e Abreu (2006), permitiria a análise dos recursos necessários ao processo de inovação, dos envolvidos na mediação, e das dinâmicas relacionadas à sua difusão. As dimensões se tratariam de um roteiro capaz de efetuar uma leitura sistêmica e que identifique as principais regularidades: processos, agentes e fenômenos associados à inovação social (ANDRÉ; ABREU, 2006).