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2.4. MEFHÛMU’L-MUHÂLEFE’NİN ÇEŞİTLERİ VE TERCİH SIRALAMASI SIRALAMASI

2.4.1. Mefhûmu’l-Muhâlefe’nin Çeşitleri

2.4.1.4. Mefhûmu’l- Aded

No pórtico da edição de 1986, Ferreira de Castro revela que a sua curiosidade começou na infância, quando sentiu o desejo por conhecimento. E de desbravar o mar ainda preso na imaginação, a fim de saber o que existia para além das suas fronteiras. Ele comenta no fragmento que:

Doze anos e meio dobados, o feitiço da distância pôde mais do que a família, do que nós próprios, do que a própria intuição da nossa fragilidade e da nossa inexperiência, e abalámos voluntariamente para o mistério, atravessando o oceano que tantas vezes nos havia chamado, quando os nossos olhos infantes mal o adivinhavam, difuso, informe, fim de horizonte […] (Castro, 1986:13, VM, vol. I)

A simbologia do mar misterioso, que o hipnotiza devido a sua grandiosidade — é interpretada no livro de viagem como a conexão entre os povos — esteve sempre presente no imaginário português. E encontra-se descrito, através dos tempos, nas muitas obras da cultura universal. Como exemplo, destaca-se o mar, no Modernismo, em Fernando Pessoa e no Classicismo, em Camões. Nos versos do poema Horizonte de Fernando Pessoa, do livro Mensagem, 1934, o poeta diz:

Ó mar anterior a nós, teus medos Tinham coral e praias e arvoredos. Desvendadas a noite e a cerração, As tormentas passadas e o mistério, Abria em flor o Longe, e o Sul sidério Esplendia sobre as naus da iniciação.14

14 PESSOA, Fernando. (1972). Mensagem. Lisboa: Ática, 10ª ed. Disponível em:

26 O desconhecido está presente nos versos do poema épico Os Lusíadas e marca a coragem dos navegadores, quando Camões escreve no Canto I: “As armas e os barões assinalados, / Que da ocidental praia Lusitana, / Por mares nunca de antes navegados, […]15”. E na literatura clássica universal, há a personificação do mar como um ser ardil, como é visto no poema Odisseia, de Homero, quando Telémaco parte à procura do pai e foi avisado para ter cautela, nos versos 275 a 280 o poeta canta:

Clama Euricléia, debulhada em pranto “Filho, que insânia a tua! Ires sozinho Por esse mundo! É morto o grande Ulisses, Ai! Longe do seu ninho, em terra ignota: Fica entre nós; para teus bens gozarem, Se partes, eles te armarão ciladas; Ao cruel vago mar não te confies”.16

E para completar sobre a simbologia do mar, Gaston Bachelard, no seu livro A

água e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria, refere-se à água como “elemento transitório” (Bachelard, 1997:7) devido ao seu ciclo natural. Sugere-se que a água em Bachelard, em suas expressões da pureza, do renascimento e da morte, esteja presente nas formas de viajar pelo mar — como foi feito por Castro e como foi visto nos poemas acima —, como elemento transformador. Pois, é depois que se atravessa o oceano ou o mar é conquistado e visto o que há “além da linha do horizonte” que o viajante alcança a sua transformação e enriquece o seu conhecimento.

Atravessar o mar além de obter mudanças, implica compor uma narrativa dos acontecimentos, como Gaston Bachelard ressalta que:

Não se compreende que a viagem distante, que a aventura marinha são antes de tudo aventuras e viagens contadas. Para a criança que escuta o viajante, a primeira experiência do mar é da ordem da narração. O mar propicia contos antes de propiciar sonhos. (Bachelard, 1997:159)

E essa narrativa marítima foi também construída por Ferreira de Castro, nos romances e nas crônicas. O que era contado provinha de uma viagem que em alguns momentos nem era necessário atravessar um mar, porque o mar crucial da sua vida já

15 CAMÕES, Luís de. (s/d). Os Lusíadas. Disponível em: https://oslusiadas.org/i/ [consultado em 9.03.2017] 16 HOMERO. (2009).Odisseia. Tradução: Manoel Odorico de Mendes. São Paulo: Editora Atena. Livro II.

Versos (275 -280). Disponível em http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/odisseiap.html [consultado em 14.03.2007]

27 tinha sido atravessado na infância, como imigrante no Brasil. Mas houve algumas vezes que navegou e identificou o mar como elemento principal da diversidade cultural, como o escritor afirma no texto em Canções da Córsega, que para conhecer os habitantes daquela ilha teve que seguir para o interior, pois:

[…] verificava, mais uma vez, que o mar é um elemento internacionalista como nenhum outro. Nas dobras do seu verde e agitado manto ele leva de porto para porto, de país para país, de continente para continente, os costumes e até a mentalidade das civilizações mais poderosas, fazendo- os triunfar sobre os costumes locais. (Castro, 1934:5)

O cronista desvenda, além do desejo por cruzar os mares culturais, a ilimitada aspiração e ansiedade de uma vida errante. O insaciável entusiamo pelo novo, do que está distante, leva o autor a procurar além do que já foi alcançado; o seu amor pela Natureza e “sobretudo, o ser infeliz que a habita” – o homem17.

Esta inquietação do jornalista é corroborada pela escritora brasileira, Nelly Novaes Coelho quando a autora diz que a “ […] Vocação inata de escritor, Ferreira de Castro era dos que se sentiam continuamente atraídos pelos desconhecidos, pelos caminhos não trilhados ou pelo “diferente” […].” (Coelho, 2007: 205). As aspirações do cronista unem-se ao desejo final em “ […] aliar-se, fraternalmente, à alma da Humanidade”. (Castro, 1986:14,VM, vol. I)

Essas são as características iniciais presentes na escrita de A Volta do Mundo, que se associam à forma do cronista se deslocar pelos países. Como um viandante erudito que se instrui e como colaborador de jornais que tem avidez por informar e orientar.

Este estado de trânsito está registrado no livro Condicionantes Culturais da

Literatura de Viagens, 1999, por Fernando Cristóvão, sobre a viagem que pode ser: erudita, de formação e de serviço, o autor explica que:

As três espécies […] podem ainda ramificar-se, mas mantêm entre si, como laço comum, a partilha do saber e da solidariedade social. E mantêm uma filiação à Literatura de Viagens não só porque os seus textos giram em torno da viagem, mas por participarem do clima cultural, da cronologia e do fenómeno comunicativo típicos do subgénero.

Revelam, nessa perspectiva, de um alto grau de espírito humanístico, da procura do saber, de integração nos gostos dos leitores. São viagens em que a aquisição de conhecimento é a preocupação maior, quer se trate de conhecimentos científicos, ou de cultura geral, capazes de provocarem novas ideias e hipóteses. (Cristóvão, 1999:48)

28 Os três tipos de viagem são características das deslocações de Castro. Como também, visto na obra do antropólogo e historiador, James Clifford, no seu livro

Itinerarios Transculturales, 1997, o autor afirma que:

El “viaje”, tal como utilizo el término, abarca una variedad de prácticas más o menos voluntaristas de abandonar “el hogar” para ir a “outro” lugar. El desplazamiento ocurre com un propósito de ganancia: material, espiritual, científica. Entraña obtener conocimiento y/o tener una “experiencia” (excitante, edificante, placentera, de extrañamiento o de ampliación de horizontes. (Clifford,1997:88)

El “viaje” denota prácticas más o menos voluntarias de abandono del terreno familiar en busca de la diferencia, la sabiduría, el poder, la aventura o una perspectiva modificada. (…) Vivir en outro lado, aprender una lengua, ponerse en situaciones extrañas y tratar de resolverlas puede ser un buen modo de aprender algo nuevo, sobre uno mismo y, simultáneamente, sobre la gente y los lugares que uno visita. (Clifford, 1997:118)

Acrescenta-se, para finalizar esta reflexão, a afirmação do sociólogo e professor, Octávio Ianni, no seu livro Enigmas da Modernidade-Mundo, 2003, o autor diz que: “ […] todo o viajante busca abrir caminho novo, desvendar o desconhecido, mas inclusive quando redesenha o conhecido.” (Ianni, 2003: 29). Castro procura redesenhar o conhecido com o olhar português, europeu e por fim, cosmopolita, alguns lugares que já foram visitados por viajantes portugueses como os Estados Unidos da América e até o seu próprio País, as ilhas da Madeira e dos Açores.

A peregrinação em A Volta ao Mundo revelou grande interesse cultural e alcançou privilégio no meio intelectual. Visto numa troca de cartas entre o viajante e o autor Jaime Brasil. Jaime Brasil lembra ao cronista da importância desse livro para a sociedade, neste fragmento:

E as viagens? (…) Lembre-se que a «Volta ao Mundo» dá a visão dum mundo que já não volta e que V. foi a última pessoa a ver no seu conjunto. Ora, deve haver muito quem queira saber, ou rever, o que era Tóquio antes da bomba atómica e a Índia antes de se chamar Paquistão e Indostão. (Alves, 2007:120).

A Volta ao Mundo se diferencia de Pequenos Mundos e Velhas Civilizações no

que diz respeito às descrições dos países, que são mais detalhadas, dos momentos iniciais da Segunda Guerra Mundial. E a inclusão de novas cidades no itinerário feito pelo

29 jornalista e a sua esposa, pintora, Elena Muriel. Já não serão ilhas ou pequenos países que aparecerão nas crónicas como na viagem anterior. O itinerário foi pelos seguintes países: Grécia, Turquia, Iraque – Mesopotâmia, Índia, Birmânia, Península de Malaca, Bornéu, Indochina - Camboja e Cochinchina / Anão e Tonquim (Vietname), China, Japão, Honolulu, Estados Unidos da América.

O viandante começará o périplo pelo Mediterrâneo com sentido à Grécia, no navio

Saturnia. Descreveu na crónica que visitara antes, Gibraltar, Argel / Argélia, Palermo e outras cidades na Itália. Destaca de cada lugar os mitos, como relata sobre o estreito de Gibraltar e as Colunas de Hércules; os piratas argelinos e a luta dos outros povos pela conquista da Argélia; as ruínas de “pretérito esplendor” de Palermo. Assim como a geografia, os museus, as mesquitas, as capelas, os cemitérios, a população18.

Entretanto, a primeira descrição de cidade, produzida por Castro, foi sobre Lisboa. Ao sair do Cais, o autor comenta que “ O Saturnia desce, lentamente, o Tejo e, à direita, entre as velas do rio, fulge a Torre de Belém, símbolo do país das grandes viagens.” (Castro, 1986:17, vol. I). O cronista relembra o passado das expansões marítimas, de “[…] homens em frágeis caravelas, rumo ao desconhecido.” (Castro, 1986:16, vol. I). Comparando a maravilha que o oceano causava tanto nos marinheiros antigos quanto naquele novo viajante.

O Cais será uma palavra importante nas viagens de Ferreira de Castro, devido o autor descrever com muitos pormenores as saídas e as chegadas dos navios. O significado que a palavra carrega, assemelhasse às metáforas introduzidas no poema Ode Marítima, 1915, de Fernando Pessoa, sob o heterónimo de Álvaro de Campos, que clama nostálgico: “Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!” 19.

O cronista, ao iniciar o périplo pelo mundo, poetiza a dor que sente, devido à guerra que já acontecia em outros países. Torna a situação idêntica ao medo dos monstros que atormentavam os antigos navegadores, logo esses monstros foram transformados por Castro em navios de guerra, o autor comenta sobre isso neste fragmento:

[…] Como nessa época já remota, os mesmos mares, então prenhes de mistério, estão, hoje, povoados de monstros e estes verdadeiros; monstros de ferro e aço, aos quais uma palavra bastará para exercerem a sua acção de morte. Inúmeras ameaças transitam no ambiente que respiramos, no

18 Castro, 1986:15-55,VM, vol. I

19 PESSOA, Fernando. (1993). Poesias de Álvaro de Campos, Ode Marítima. Lisboa: Ática. 162 p. Disponível

30 que se ouve e se lê, nas suas paixões e nas cobiças que emprestam ao nosso tempo uma angústia mais densa do que a de velhas eras. (Castro, 1986:16,17, VM, vol. I)

Esse marinheiro contemporâneo, ao iniciar a volta ao mundo, escreve de que formas as companhias marítimas realizavam o percurso, onde os navios não demoravam muito nos continentes escolhidos. Havia guias turísticos no estilo de quem não gostaria de ir mais profundo ao conhecimento. Pois o interesse não era de aprender sobre a cultura “[…] e sim de lhes permitir dizer aos amigos que eles deram a volta ao mundo.” (Castro, 1986:15, VM, vol. I). Logo, a sua escolha foi o trajeto mais incómodo, o autor explica que:

Depois de exame feito a todos os programas que outros teceram, a todos eles renunciamos e estabelecemos programa próprio, sem compromisso algum com armadores, livres, completamente livres. Visitaremos, assim, os países que ilustram as viagens em redor do orbe, organizadas por companhias de navegação, e também aqueles, de denso valor humano, artístico e histórico, que nessas viagens nunca figuram. Poderemos ver e estudar, durante quanto tempo quisermos, os seres e as coisas do globo, sem ouvirmos o silvo do paquete em que os outros são forçados a partir. Traçamos, é certo, o mais incómodo e longo itinerário que se pode fazer, mas também, o mais fascinante e fecundo, pelos povos que nos permitirá observar, alternando os centros urbanos, onde rutila a civilização, com os fundões da terra, onde a vida do Homem se encontra ainda selvagem, como se acabasse de surgir, de olhos e a lama ofuscados, perante o Sol que a todos alumia. (Castro, 1986:16,VM, vol. I)

Segundo Ricardo António Alves, “ Castro não procurou o exótico para satisfazer os apetites fáceis dos leitores. Registou o belo e o feio, o sublime e o medonho, exalçando- os, deplorando-os ou relativizando-os de acordo com a sua visão do mundo e da vida.” (Alves,1997:12)

O jornalista confirma esse desejo do feio e do belo na viagem que fez à Índia, ao sentir-se incomodado com a fogueira funerária e com as cinzas dos mortos que lhe caiam sobre a cabeça e nas mãos. O autor afirma que, “ Nós entendemos que um escritor deve conhecer o belo e o horrível da vida, para que a sua obra possa vir de origem profunda.” (Castro, 1986, 855, VM, vol. I)

Por conseguinte o cronista anota todos os pormenores culturais que presencia: a exploração dos pobres pelos ricos, a objetivação da mulher na maioria dos países, como a morte é confrontada. A banalização da violência, a ignorância produzida pela falta de educação escolar, a resiliência dos povos, a gastronomia, a ecologia, a política, línguas,

31 educação, transportes, portos. Alguns desses aspetos serão tratados ao longo da pesquisa, pois neste momento serão destacados os temas: a mulher, a morte e a violência, recorrentes na estrutura das crônicas de Ferreira de Castro.

O jornalista revelou nos textos de A Volta ao Mundo as observações que fez da posição da mulher nas sociedades que visitou. Preocupou-se em descrever alguns casos especiais, como a Mulher na família, a menina, a esposa, a mãe, a trabalhadora, a mulher antes e depois de se casar e a viúva. Em todos os casos revelou que ela ainda era, nas sociedades do Japão, China, Iraque, Síria, um objeto, vítima das vontades de seus donos (pais, maridos, filhos, líderes religiosos) a quem devia total obediência.

Impedidas de viverem plenamente, elas são exploradas sexualmente ainda na infância para fugir da pobreza, por motivos religiosos, ou por causa da guerra. Os resultados dessa exploração são o casamento infantil, a venda de crianças para a prostituição ou para satisfazer algum grupo que estava em guerra.

Essa condição da mulher ainda continua, no século XXI, inclusive o casamento infantil continua em alguns países, mas em alguns casos há leis que tentam proteger as crianças. Castro observou que as mulheres eram vendidas como animais, numa demonstração de falta de valor à vida humana, como por exemplo, em uma visita que o autor fez a uma tribo de Beduínos em Mossul, Iraque, o autor constatou que:

No século XX da nossa era, os beduínos não se encontram mais civilizados do que os guerreiros e os escravos da Babilónia ou do Egipto, há 4 mil anos. Hoje, como outrora, a mulher é objecto que se compra com alguns dromedários ou dez dinares, que representam, exactamente, dez libras inglesas. Todos estes olhos femininos, que nos espreitam de dentro das tendas, foram adquiridos por esse preço. […] Depois de casada, a mulher queda igual a uma escrava, pobre animal de trabalho, passivo que nem um camelo. (Castro,1986:736,VM, vol. I).

As diferenças entre algumas mulheres do Ocidente e do Oriente podem ser sublinhadas na visita que o cronista fez aos Estados Unidos e observou a mulher americana, lê-se neste fragmento:

De uma maneira geral, os Americanos tratam as mulheres com extrema consideração. […] Aqui, por via de regra, a pistola não faz parte das consequências do adultério. […] Mas, em geral, o divórcio, por muito fácil, evita a infidelidade física. Quando há filhos, as condições domésticas alteram-se, naturalmente. É preciso mais espaço no lar e a mulher já não poderá trabalhar fora de casa. Mas logo que os filhos crescem, eles gozarão as mesmas liberdades que foram concedidas à sua

32 mãe. O Americano é, pela sua formação psicológica, contra toda a tirania, inclusive a paternal. (Castro,1986:298,VM, vol. I)

Mas apesar do lado sombrio que o viajante presenciou sobre as mulheres, pôde também identificar o lado singelo das japonesas, indianas e iraquianas, que apesar da falta de valor que recebem, ainda conseguem guardar a graciosidade de gestos, a vaidade no corpo, a delicadeza e a ternura na alma.

A posição da mulher no mundo do século XX, que está entre guerras e em profundas mudanças, deve ser pesquisada em outro momento, pois entende-se que houve poucas alterações no cenário atual que lhes dessem dignidade. E para reconhecer a preocupação que o autor destina ao tema em suas viagens, principalmente, em seus romances, evocam-se as relações de Ferreira de Castro com algumas mulheres que lutaram pelo direito à igualdade.

Entre elas destaca-se a relação com a escritora ativista política e feminista Maria Lamas (1893-1983), presa pela PIDE, em 1950,escreve para Castro do Forte de Caxias, ressaltando a fraternidade, humanidade que o autor possui e a sensibilidade que tem por todos que sofrem injustiças20.

O interesse na amizade da escritora feminista portuguesa, Maria Archer21 (1899- 1982) que o escreve sobre algumas experiências que teve no Brasil, país que a acolheu, pois era perseguida devido à posição política. O autor mantinha contato com a escritora contemporânea Lygia Fagundes Telles22 (1923) brasileira, galardoada com vários prêmios, eleita na Academia Brasileira de Letras, Comendadora da Ordem Infante D. Henrique de Portugal. E Judiht Navarro23 (1910-1987) escritora portuguesa e ativista política. Como também Virgínia Moura24 (1915-1998) primeira engenheira portuguesa e ativista política.

Castro prefaciou o livro da militante russa Alexandra Kollontai, A mulher

Moderna e a Moral Sexual, em 1933 e publicou o livro de Diana de Lis, jornalista, escritora e sua primeira esposa, Memórias duma mulher de época, em 1932.

20 ALVES, Ricardo António. (2007). 100 Cartas a Ferreira de Castro. Sintra: Câmara Municipal de Sintra.

149 p.

21 ibidem. pp.178 e 179 22 ibidem. 194 p. 23 ibidem. 214 p. 24 ibidem. 225 p.

33 Há inquietações sobre este tema nas obras de Ferreira de Castro no que concerne a misoginia ou a recetividade do feminismo nos seus textos, pois segundo Agustina Bessa-Luís, no livro Contemplação Carinhosa da Angústia, 2000, afirma no capítulo sobre o cronista que, “ Como ele, nunca encontrei ninguém. Sério na ironia, gracioso nos sentimentos, afável com as mulheres e pondo na afabilidade um pouco de protecção que hoje seria interpretada como machismo fora de moda.” (Bessa-Luís, 2000:147). E sobre as suas viagens Agustina Bessa-Luís, recorda que:

[…] como ele falava das suas viagens: à Índia […] de vulgares prostitutas de profissão e nada mais. O olhar de Ferreira de Castro era austero, nunca crítico em relação à torpeza. Achava-o, no fundo, merecida porque as pessoas não eram movidas por nenhuma espécie de luta: nem social, nem moral. A vida decorria um desleixo que se parecia o inferno dos danados por omissão.” (Bessa-Luís, 2000:147)

O pesquisador e professor, Bernard Emery ilumina esta questão no artigo “Estreia impiedosa «Por falta de cartas»: um conto de Ferreira de Castro 1917”, ressalta que:

Entramos ali num debate particularmente interessante no caso de Ferreira de Castro, que oscilou, em particular nesse período movimentado da juventude, entre posições bastante contraditórias. Sem a menor dúvida, sedutor e apaixonado, ele sempre marcou certa condescendência, ou mesmo comiseração, em relação às mulheres (cf. a famosa caixa das cartas de amor [Emery, 2016b, p. 61]), com laivos de indubitável machismo. No entanto, o conto Por Falta de Cartas é a única oportunidade, do nosso conhecimento, em que surge uma atitude de franca misoginia. (Emery, 2017:55)

Mas deve-se refletir, como Emery afirma que é “ […] também oportuno lembrar que tudo isso não é nada mais que matéria literária.” (Emery, 2017:55). Quando ressalta sobre seus romances e contos, porém as crônicas estão destinadas para o jornal e há um preceito a ser seguido, quanto a alcançar a imparcialidade na sua escrita, apesar de o escritor ter sua própria opinião sobre os assuntos.

Outro elemento vincado nas duas obras de viagem de Castro e explorado nos capítulos anteriores sobre o primeiro livro de viagem do autor – porém os detalhes destacados serão apenas de A Volta ao Mundo – é a Morte. Assim como os textos são plenos de vida, tanto da Natureza como da parte Humana, a Morte também faz parte desses ciclos. Sugere-se que nos textos a Morte não se trata de um contraste, trata-se de uma complementação da vida. É subjetivo arrazoar sobre as intenções do autor e a