Para os principais tipos de validação tem-se, conforme Lobiondo-Wood e Haber (2001): validade de conteúdo, validade relacionada com critério e validade de construto.
4.1.1.1 Validade de Conteúdo
A validade de conteúdo se preocupa em medir se o instrumento desenvolvido fornece questões representativas do domínio do conteúdo que o pesquisador pretende medir, ou
seja, se as dimensões dos componentes do conteúdo do instrumento refletem o conceito formulado (LOBIONDO-WOOD; HABER; 2001).
Isso significa que a validação de conteúdo determina se o conteúdo de um instrumento de medida explora, de maneira efetiva, os quesitos para mensuração de um determinado fenômeno a ser investigado (BELLUCCI JUNIOR; MATSUDA, 2012).
Quando um investigador está desenvolvendo um instrumento e surgem questões de validade de conteúdo, a preocupação são as representativas do conteúdo que se pretende medir. O pesquisador começa por definir o conceito e identificar as dimensões dos componentes do conceito. Quando se completa essa tarefa, as questões são submetidas a um grupo de juízes considerados especialistas naquele conceito (LOBIONDO-WOOD; HABER; 2001).
Um subtipo de validade de conteúdo é a validade de rosto ou aparência, a qual verifica se o instrumento dá a aparência para medir o conceito. Esse processo pode ser útil para a determinação da legibilidade e clareza do conteúdo (LOBIONDO-WOOD; HABER; 2001).
De acordo com Lobiondo-Wood e Haber (2001), a validade de aparência, face ou rosto é considerada uma forma subjetiva de validação do instrumento, consistindo no julgamento de juízes quanto à clareza, compreensão e legibilidade do conteúdo dos itens, bem como a forma de apresentação do instrumento. Trata-se da validação superficial realizada pelos que se utilizam do instrumento para verificar se os itens são compreensíveis para a população a qual o instrumento se destina.
A validade de aparência ou face é considerada uma forma subjetiva de validar o instrumento e consiste no julgamento de um grupo de juízes quanto à clareza dos itens, facilidade de leitura, compreensão e forma de apresentação do instrumento (OLIVEIRA; FERNANDES; SAWADA, 2008).
No que se refere ao Protocolo de ACCR em Pediatria de Fortaleza-CE, esta tecnologia em saúde já foi submetida à validação de conteúdo no estudo de Magalhães (2012), o qual teve como objetivo validar o conteúdo e a aparência do protocolo. Para a validação de conteúdo, identificou-se o conceito e a representatividade teórica de todos os discriminadores e seus indicadores clínicos associados como antecedentes ou consequentes inseridos no protocolo. Neste mesmo estudo, nove juízes especialistas em ACCR e em Pediatria avaliaram a aparência do protocolo e se os sinais de alerta eram considerados válidos quanto à clareza, a relevância e a simplicidade obtendo-se um IVC maior que 0,80 de concordância entre os juízes. Ressalta-se, portanto, que o Protocolo foi considerado válido quanto ao conteúdo e a aparência para uma adequada avaliação da prioridade de atendimento considerando o risco de complicações e mortes de crianças ou adolescentes em situações de urgência/emergência (MAGALHÃES, 2012).
4.1.1.2 Validade Relacionada com Critério
A validade relacionada com critério indica em que grau o desempenho do sujeito da pesquisa sobre o instrumento de medição e o comportamento real do sujeito da pesquisa estão relacionados. O critério é, normalmente, a segunda medida, que avalia o mesmo conceito sob estudo (LOBIONDO-WOOD; HABER; 2001).
Existem dois tipos de validade relacionada com critério, são elas: validade coincidente e validade de previsão. Quanto à validade coincidente refere-se ao grau de correlação de duas medidas do mesmo conceito administrada ao mesmo tempo. Um coeficiente de correlação alto indica concordância entre duas medidas. A validade de previsão refere-se ao grau de correlação entre a medida do conceito e alguma medida futura do mesmo conceito. Em virtude da passagem do tempo, é provável que os coeficientes de correlação sejam mais baixos para estudos de validade de previsão (LOBIONDO-WOOD; HABER; 2001).
4.1.1.3 Validade de Construto
A validade de construto baseia-se na medida em que um teste mede um traço ou construto teórico, tenta validar um corpo de teoria subjacente à medição e testagem das relações hipotéticas. A testagem empírica confirma ou não as relações que seriam previstas entre os conceitos e, como tal, fornece maior ou menor apoio para a validade de construto dos instrumentos que medem esses conceitos (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001).
O estabelecimento da validade de construto é um processo complexo, que envolve algumas abordagens, tais como: abordagem de testagem de hipótese, abordagem convergente e divergente, abordagem de grupos contrastados e abordagem analítica de fator.
4.1.1.3.1 Validade de construto por abordagem de Testagem de Hipótese
No que concerne a validade de construto por abordagem de testagem de hipótese, esta é usada quando o investigador se propõe a desenvolver hipóteses relativas ao comportamento de indivíduos com escores variados sobre a medida disposta no instrumento. Além disso, ele reúne dados para testar as hipóteses e fazer inferências que dizem respeito ao fundamento lógico que subjaz a construção do instrumento quanto à adequação e à explicação das descobertas (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001).
Quanto à validade de construto por abordagem convergente esta se refere a uma busca de outras medidas do construto. Ou seja, dois ou mais instrumentos que medem teoricamente o mesmo construto são identificados e ambos são administrados aos mesmos sujeitos de pesquisa. Para isso, uma análise correlacional é realizada. Se as medidas são correlacionadas de forma explícita, diz-se que a validade convergente é sustentada (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001).
Na validade de construto por abordagem divergente ocorre uma diferenciação do construto a outros talvez semelhantes. Ou seja, o pesquisador busca instrumentos que medem o oposto do construto. Se a medida divergente é negativamente relacionada com outras, então a validade para a medida é fortalecida (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001).
Um método específico para avaliar a validade de construto por abordagem convergente e divergente é denominado de abordagem multitraço-multimétodo, utilizando-se da relação entre indicadores que devem medir o mesmo construto e aqueles que medem diferentes construtos. Os resultados dessas medidas devem ser correlacionados com os resultados de uma matriz multitraço-multimétodo, o qual pode reduzir o erro sistemático (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001).
4.1.1.3.3 Validade de construto por abordagem de grupos contrastados
Quando se utiliza a validade de construto por abordagem de grupos contrastados, por vezes denominada de abordagem de grupos conhecidos, o pesquisador identifica dois grupos de indivíduos que se suspeita apresentarem resultados extremamente altos ou baixos nas características que estão sendo medidas pelo instrumento (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001).
O instrumento é administrado tanto para o grupo de resultado alto como para o baixo, e as diferenças em escores obtidas são examinadas. Se o instrumento é sensível a diferenças individuais no traço que está sendo medido, o desempenho médio desses dois grupos deve diferir significativamente e provas de validade de construto seriam sustentadas. Nesta abordagem utiliza-se o teste ou análise de t de variação para testar estatisticamente a diferença entre os dois grupos (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001).
4.1.1.3.4 Validade de construto por abordagem analítica de fator
Esta validade de construto por abordagem analítica de fator é um procedimento que dá ao pesquisador informações sobre a medida que um conjunto de questões mede o mesmo construto subjacente ou dimensão de um construto. Esta análise avalia o grau em que as questões individuais sobre uma escala se agrupam verdadeiramente em torno de uma ou mais dimensões. Indicará se as questões do instrumento refletem um único construto ou vários (LOBIONDO-WOOD; HABER, 2001; PINTO et al., 2015).