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Medreselerin DoğuĢu ve Osmanlılarda Medreseler

Apesar dos aspectos levantados da crítica de Lukács presente em História e

Consciência de Classe em relação à Engels, é possível situá-la por sua vez em um período

específico da história intelectual da recepção dos conceitos marxistas,253 pois os pressupostos

250 Idem, p.123.

251 Na tradução d'O Capital mais conhecido no Brasil apresenta-se no capítulo XXIV intitulado “A Assim Chamada Acumulação Primitiva.” Em: Karl Marx. O Capital – crítica da economia política. São Paulo: Editora Nova Cultural Ltda, 1996, p.339-381. Neste texto a descrição sobre a “negação da negação” aparece na página 381, referindo-se às relações sociais de propriedade, mas suas consequências e propriedades relacionam-se com a sociedade a partir da mediação entre economia e as relações sociais. Estas relações, neste mesmo texto, aparecem implicadas com as guerras e a transformação das relações sociais de propriedade, especialmente na antiguidade romana (nota 705, p. 351) onde é implicada a guerra (a participação militar) que condiciona a aquisição de escravos condicionando a economia. De certa forma, violência organizada e relações de propriedade são implicadas de modo recíproco, estendendo até estas formas sociais as consequências das relações sociais de propriedade.

252 LUKÁCS, György. Op. Cit., p.154.

253 Seguimos assim uma tendência contrária à mera transposição a-histórica da interpretação de Engels, por acreditarmos que sua determinação permite interpretar melhor seu sentido por se localizar em discussões históricas e ser justamente um texto de intervenção “Do ponto de vista histórico, é compreensível que uma concepção filosófica de todas as relações de desenvolvimento em um período em que o movimento operário da

da escolha dos elementos que utiliza para argumentar não foi em vão, e antes se inserem em uma estratégia teórica de combate à Segunda Internacional no seu tempo, especialmente no modo como o marxismo teria se tornando uma “filosofia e uma visão geral do mundo,” “construída em boa parte a partir dos últimos textos de Engels,” momento em que teses como o evolucionismo, ligados a uma forma de apresentação “não dialética” entre teoria e prática, ganhavam corpo no movimento operário.

O problema seria justamente quando o sentido da crítica de Lukács perdesse seu fundamento político, o que ocorreu quando a forma de ver o mundo condenada em Engels (e por extensão à Socialdemocracia) fosse justamente transferida para a União Soviética, convergindo com o leninismo defendido no último capítulo e foco de convergência do argumento político de Lukács em História e Consciência de Classe, pois “desde que tal filosofia recebeu o imprimatur oficial da União Soviética, tornou-se muito difícil diferenciar uma certa tomada de posição com referência a Engels de uma tomada de posição com respeito ao comunismo do período staliniano.”254

Além deste conflito político expresso como crítica à apresentação da ciência através de Engels, outro momento importante a se destacar igualmente explica a publicação dos rascunhos da Dialética da Natureza feita em 1929, que converge com o esforço de Stalin em definir uma “ortodoxia do materialismo dialético aos estudiosos das ciências naturais.”255 Tal

política, apesar de distinta das diretrizes de Lênin, de certo modo, deu prosseguimento ao argumento utilizado por Lênin, desde 1908 em Materialismo e Empirocriticismo na perseguição aos discípulos de Mach na Socialdemocracia, sobretudo russa, representado de modo mais conhecido em Bogdanov256. Utilizando-se fartamente de argumentos presentes em o Anti-Dühring, de modo similar ao que posteriormente fez Stalin quando se utilizou da mesma abordagem contra os estudiosos mandelianos da evolução durante o processo de disputa ideológica contra o determinismo genético capitaneado pelo lamarckismo de Trofim Lysenko, que colocava as características evolutivas como condicionadas pelo ambiente.

Num momento posterior, na Alemanha, os socialdemocratas como Landshut e Mayer, utilizaram-se de escritos até então inéditos como os Manuscritos Econômicos Filosóficos

época de Marx se defrontava com um empirismo e ecletismo obtusos e sem alma no terreno burguês, a doutrina da negação da negação pudesse ser fascinante para muitos, como síntese da história do mundo, e até filosófico- universal, da inevitabilidade das soluções socialistas dos problemas. Hoje não nos parece mais necessário entrar detidamente nas fontes concretas do erro de Engels (LUKÁCS, György.Idem, p.167), justamente o que nos parece interessante fazer nesse momento.

254 JONES, Gareth S. Retrato de Engels. In: HOBSBAWM, Eric. J. [et al.]. História do Marxismo vol. I. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1983, p.379.

255 Idem, p.379.

(publicados pela primeira vez em 1932) “na tentativa de contrapor um Marx da ética humanística à interpretação leninista do marxismo,” que se colocava em nome da ortodoxia (defendida em Lukács em nome de Lênin) 257. Deste modo, quando os sinais se invertem no pressuposto apontado por Lukács como divergência entre a teoria de Marx e de Engels, que passa posteriormente a ser ampliada, não mais para atacar a socialdemocracia ao longo do século XX, mas para defendê-la.

O resultado deste processo sentiu-se igualmente décadas à frente, especialmente no período do pós-guerra, influenciado pela conjuntura da guerra fria. Naquele momento, por um lado “faziam tudo ao seu alcance para pôr em pé de igualdade Marx e Engels, - arquitetos gêmeos de um sistema acusado de determinismo e totalitarismo,”258 enquanto por outro lado,

“os porta-vozes oficiais dos partidos comunistas insistiram com igual vigor na perfeita unidade da obra dos mesmos e encararam com suspeição qualquer tentativa de distinguir as contribuições individuais.” ( ONES, 1983,p.379-80 )

O resultado deste contexto foi que, as “alternativas do legado marxista,” elaborada por pessoas que não se reconheceram nestes polos e que se inseriram em uma série de redescobertas e rearticulações da obra dos dois autores, tomaram como objetivo repensar a dialética marxista, seja adaptando o marxismo à reflexão sobre temas locais, ou ainda passando pelo resgate do humanismo, onde entrariam, para ones “teóricos comunistas dissidentes, socialdemocratas da II Internacional, teólogos cristãos radicais e filósofos existencialistas ou neo-hegelianos.”

Na conjuntura intelectual assumiu maior relevo o combate às versões oficiais do marxismo, ou vinculando Marx a uma “tradição filosófica precedente,” muitas vezes representada pelo “ato de debitar a Engels todas as componentes indesejáveis do marxismo soviético, do qual buscavam com tanta ânsia se distanciar.”259. De certo modo, um

procedimento recorrente em “exorcizar” elementos considerados positivistas ou autoritários identificados no marxismo, atribuindo-os exclusivamente a Engels, com maior peso para o chamado “último Engels.”

Benzer Belgeler